20/7 a 26/7

Os principais espetáculos em cartaz na semana

Protagonizado por Marco Nanini, Beije Minha Lápide volta ao circuito. Santa é uma das estreias, com Guilherme Leme Garcia e Angela Vieira

Por: Rafael Teixeira

Beije Minha Lápide
Beije Minha Lápide: elogiado drama é estrelado por Marco Nanini (Foto: Cabéra/Divulgação)
  • Em tom de conversa, cinco mulheres (vividas por Joana Fomm, Samara Felippo, Mariana Molina, Dora Pellegrino e Carolina Stofella) tecem planos, confessam desejos e divagam livremente sobre assuntos como trabalho, família e sexualidade. O texto da comédia é de Ana Bez. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • Contos de Flávia Prosdocimi que abordam a violência e a degradação das relações cotidianas são transpostos para o palco nesta tragicomédia. Em cena, Elisabeth Monteiro, Gustavo Barros e Tiago d’Avila se alternam entre narradores e personagens. Direção de Daniel Belmonte.
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  • O compositor americano Irving Berlin (1888-1989) é homenageado neste musical. Músicas como There’s No Business Like Show Business e Cheek to Cheek integram o repertório. Darwin Del Fabro, também diretor, está no elenco ao lado de Laura Lobo.
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  • O amor transborda na tocante montagem da companhia Os Dezequilibrados. Autor e diretor do espetáculo, Ivan Sugahara teceu uma delicada dramaturgia, na qual questões de um casal contemporâneo se entrelaçam às dos casais dos clássicos Tristão e Isolda, Romeu e Julieta, Don Juan e Werther. Na trama, o sentimento é evocado como instância deflagradora de situações típicas, universais e atemporais. Reforça tal ideia a encenação de praticamente todos os diálogos em gromelô, espécie de língua inventada nos palcos, incompreensível foneticamente, que ganha sentido na empostação da voz e nas ações dos atores. O diretor vocal Ricardo Góes e a preparadora corporal Duda Maia têm peso decisivo no êxito da proposta. Desdobrando-se em múltiplos personagens, Claudia Mele, Ângela Câmara, Julio Adrião e José Karini mostram desenvoltura, entrosamento e, acima de tudo, amorosa entrega ao projeto.
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  • Atração parisiense quase tão famosa quanto a Torre Eiffel ou o Arco do Triunfo, o cemitério de Père-Lachaise guarda os restos mortais de algumas das maiores celebridades da história. Por lá, um dos túmulos mais procurados é o do dramaturgo irlandês Oscar Wilde (1854-1900). Em torno de sua sepultura criou-se a inusitada tradição: grande parte dos seus visitantes beija a lápide com a boca lambuzada de batom vermelho. Ao longo dos anos, a prática deteriorou tanto a pedra que, em 2011, foi instalada uma barreira de vidro para preservar o mausoléu. A partir desse episódio real, o autor Jô Bilac urdiu o drama Beije Minha Lápide. Na história, o escritor Bala (Marco Nanini) tem adoração pela obra de Wilde, idolatria tal que resvala em mimetização: assim como seu ídolo, o sujeito é brilhante, sarcástico e orgulhosamente homossexual. Já na primeira cena, ele se encontra preso por ter quebrado a proteção que envolvia a sepultura de seu herói. Sugestivamente, sua cela é também inteiramente envidraçada: um cubo sobre o qual incidem luzes e projeções, dominante na belíssima cenografia de Daniela Thomas. Três personagens gravitam ao redor dessa improvável figura. Tommy (Paulo Verlings) é um carcereiro com pendores medíocres para a escrita, Roberta (Carolina Pismel), advogada incumbida de defender Bala, parece ter alguma dificuldade de ser levada a sério profissionalmente e Ingrid (Renata Guida, substituindo Júlia Marini nesta temporada), filha do prisioneiro e guia turística do Père-Lachaise, cultiva alguma indefinição quanto aos rumos de sua vida e ainda nutre uma paixão não correspondida pela defensora do pai. Assim, o confinamento de Bala se revela apenas a face mais visível das situações de impedimento e proibição que perpassam a vida de todos, mas, na trama, apenas o único fisicamente encarcerado parece conseguir se projetar para além de suas barreiras. Pontuado por citações de Wilde, o texto reafirma a qualidade da carpintaria dramática de Bilac, da qual a diretora Bel Garcia extrai o melhor proveito. É até redundante dizer, mas Nanini, em atuação exuberante (atenção para o monólogo final), confirma novamente ser um dos maiores intérpretes do país.
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  • Portador de Down, Pedro Baião vive um jovem com o distúrbio genético nesta comédia juvenil escrita por Rogério Blat. Na história, ele convoca pela internet uma passeata com o objetivo de chamar a atenção para a síndrome, mas só aparecem quatro amigos (vividos por Karina Ramil, Lorena Comparato, Renato Goes e Theo Nogueira). Da manifestação fracassada eles partem para numa aventura na noite carioca. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • O musical escrito por Antônio Pedro Borges se passa no início do século XX e leva ao palco o universo da histórica Praça Onze. Entre os episódios lembrados por 19 atores, três músicos e seis cantores estão cenas do nascimento de gêneros musicais brasileiros como o samba, o choro e o maxixe, além da vida de personagens lendários, a exemplo de Tia Ciata. Direção de Vilma Mello e Édio Nunes. Direção musical de Gabriel Moura.
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  • No drama de Aldri Anunciação, dois soldados inimigos se encontram no front da III Guerra Mundial, fruto da disputa pelas águas do planeta. O próprio autor está no elenco, ao lado de Rodrigo dos Santos. Direção de Márcio Meirelles, com codireção de Lázaro Ramos e Fernando Philbert.
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  • Protagonista da mais célebre novela do francês Prosper Mérimée (1803-1870), a cigana Carmen alcançou um lugar definitivo no panteão dos personagens icônicos da literatura mundial — tendo, inclusive, estimulado o desenvolvimento de obras de arte em outros campos, como a famosa ópera de Bizet (1838-1875) e um punhado de filmes. Apesar disso, em Carmen, de Cervantes ela está desgostosa com sua própria história, que deseja ver reescrita. Para isso, como sugere o título da peça, Carmen (papel de Ana Paula Bouzas) procura ninguém menos do que o grande autor espanhol (vivido por Samir Murad), ele próprio em busca de uma possível reinvenção pessoal. Baseada no conto de Marcos Arzua, adaptada para o palco por ele mesmo, com o diretor Fábio Espírito Santo, a fábula parte de uma interessante premissa (evocativa do clássico Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello), infelizmente não desenvolvida em sua plenitude: o embate entre Carmen e Cervantes soa redundante e acaba obscurecido por cenas relacionadas a cada um deles individualmente. No elenco, completado por Ciro Sales e Andreza Bittencourt, Ana Paula e, especialmente, Murad tiram melhor proveito da linha de atua­ção algo operística.
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  • O monólogo musical é baseado em três livros do jornalista e escritor Xico Sá: Chabadabadá, Modos de Machos e Modinhas de Fêmeas e o inédito Os Machos Dançaram. Neles, o autor descreve o personagem do Macho-Jurubeba, o homem que está perdendo território para o sujeito contemporâneo, que teme amar e aposta na fragilidade dos laços afetivos e em relacionamentos descartáveis. Como se fosse um antigo programa da madrugada de uma rádio AM, o espetáculo reúne uma seleção das crônicas de Sá narradas por um radialista de codinome Francisco Reginaldo (Marcos França), que dá conselhos amorosos e conta suas aventuras. Direção de Thelmo Fernandes. Direção musical de André Siqueira.
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  • Em 1998, Luiz Salem celebrou seus quinze anos de carreira com a comédia Salem da Imaginação, de Antonio Bivar, escrita especialmente para o ator. Uma reformulação daquele espetáculo, pelas mãos do mesmo dramaturgo, deu origem a esta nova comédia. Mais uma vez sozinho em cena, Salem interpreta um ator que, abandonado pela sua produção, se vê obrigado a improvisar para não perder o público. Direção de Stella Miranda.
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  • Formado por Raphael Ghanem, Victor Lamoglia e Lucas Salles, todos com pouco mais de 20 anos, o quarteto faz jogos de improviso, à moda do bem-sucedido Z.É. - Zenas Emprovisadas, grupo que revelou Marcelo Adnet e Gregorio Duvivier.
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  • Na comédia de Martins Pena (1815-1848), José Antônio, grande admirador de ópera, pretende casar sua filha Josefina com o fazendeiro Marcelo. Este, porém, prefere gêneros musicais populares, para desgosto do futuro sogro. Gaudêncio Mendes, um aproveitador que se diz doutor em direito, tenta usar essa divergência em seu favor e finge ser um cantor lírico para conquistar a preferência de José Antônio. Gustavo Ottoni dirige a montagem e está no elenco, ao lado de Licurgo, Nedira Campos, Nilvan Santos, Priscilla Cadete e Suzana Abranches.
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  • Inspirada no livro homônimo de Martha Medeiros, a comédia romântica de Regiana Antonini aborda a vida da psicanalista Beatriz (uma carismática Cissa Guimarães), que, após vinte anos, decide dar fim ao desgastado casamento com Orlando (Oscar Magrini, substituindo Giuseppe Oristanio nesta temporada). Adaptado de um livro de crônicas independentes, o texto carece um tanto de solidez — a maioria das cenas se assemelha a esquetes isolados. Apesar disso, as situações vividas pela família da protagonista provocam identificação entre os espectadores, além de boas risadas. . É Josie Antello, no entanto, dividindo-se entre os papéis da filha adolescente Marina, da liberal tia Berenice e da amalucada avó Elda, quem responde pelos momentos mais hilariantes. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • O cineasta Luiz Rosemberg Filho estreia como diretor teatral com este drama de sua autoria, uma transposição para os palcos do filme homônimo também dirigido por ele. Em cena, duas noivas, vividas por Patricia Niedermeier e Ana Abbott, conversam enquanto aguardam para subir ao altar.
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  • Comédia

    2500 por Hora
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    Escrita pelos franceses Jacques Livchine e Hervée de Lafond, a comédia 2 500 por Hora parte de uma ideia tão simples quanto aparentemente hercúleo é o trabalho de desenvolvê-la: condensar, como sugere o título, 2,5 milênios de história do teatro em sessenta minutos (na verdade, uma troça só revelada em dado momento do espetáculo, que dura meia hora a mais). Cenas de Eurípides, Shakespeare, Tchekov e Beckett, entre tantos outros, são alinhavadas e pontuadas pela exposição de momentos-chave dessa trajetória — um tanto didáticas, o que a direção de Moacir Chaves abraça e equilibra com injeções de humor. Na adaptação de Monica Biel (também no elenco com Henrique Juliano, Claudio Gabriel, Joelson Medeiros e Júlia Marini, com destaque para os três últimos) acrescenta-se ao desafio original a inclusão, bem-sucedida, diga-se, da história do teatro brasileiro, representado por nomes como João Caetano e Nelson Rodrigues. A ausência de um ou outro ícone das artes cênicas pode eventualmente ser sentida por conhecedores, sem que isso comprometa o prazer do público.
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  • A Megera Domada, de William Shakespeare, ganha versão musical nesta montagem do grupo Nós do Morro, dirigida por Fernando Mello da Costa. Luiz Paulo Corrêa e Castro traduziu o texto original para criar a dramaturgia. Na história, o aventureiro Petruchio (Marcello Melo) decide se casar com Catarina (Melissa Arievo), uma megera que aterroriza a cidade onde vive com o pai e a irmã mais nova. Gabriel Moura assina as composições e a direção musical.
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  • Novo Midas da comédia nacional, Paulo Gustavo tem transformado tudo o que toca em ouro desde que sua carreira estourou, em 2006, a bordo do sucesso teatral Minha Mãe É uma Peça. Adaptado para o cinema, o espetáculo, ainda hoje em turnê, rendeu o longa mais visto no país em 2013. Na mesma toada, sua stand-up comedy Hiperativo continua viajando, anos depois da estreia. Seu nome também está na linha de frente do humor televisivo, sempre em atrações de grande audiência. Vem de um desses programas seu atual êxito nos palcos: 220 Volts é um derivado do humorístico homônimo, exibido até recentemente pelo Multishow. O próprio Paulo Gustavo assina direção e texto em parceria com Fil Braz, também roteirista do programa - do qual foram extraídas as seis personagens para os esquetes do divertido espetáculo. Há uma cantora famosa, símbolo do comportamento fútil de algumas celebridades; uma mulher feia, para quem os menos belos são mais capacitados para dar palestras sobre estética; a Senhora dos Absurdos, com seu arsenal de preconceitos; a Vagaba, cujo nome reflete seu comportamento; uma apresentadora de programa de culinária sem caráter; e Ivonete, sambista da favela cujo sonho é ser rainha de bateria. Não se trata, porém, de monólogos: Paulo Gustavo divide a cena com seis bailarinos e três atores. Um deleite para os olhos, o luxo da produção é visível em cada detalhe, mas não obscurece o que interessa: o showman Paulo Gustavo, inteiramente à vontade e arrancando boas risadas do público.
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  • Primeiro monólogo de Heloisa Périssé, e assinado por ela, E Foram Quase Felizes para Sempre brinca já no título com a ideia de que uma relação a dois é (ou deveria ser) semelhante a um conto de fadas. O espetáculo traz a atriz no papel de Letícia Amado, escritora workaholic que passou os últimos meses enfurnada no projeto de um guia de viagens para casais. Tal dedicação cobra um preço: a moça é dispensada pelo relegado companheiro, sujeito tranquilo que não entende o porquê de tanto trabalho. Toda essa história é contada através das lembranças de Letícia, desfiadas no dia do lançamento do seu livro, como se os espectadores fossem os convidados do evento. Os episódios narrados ganham vida através de Heloisa, desdobrando-se em quinze papéis, dos pais da protagonista à sua psicóloga (hilária), além do próprio ex. A rigor, não há nada exatamente novo no texto, mas, com graça, carisma e segurança, a autora e protagonista dilui quase à insignificância eventuais impressões de déjà-vu. A direção de Susana Garcia se ajusta perfeitamente à atriz e conduz tudo com leveza. O resultado é uma visão do casamento sem ingenuidade, mas também sem amargura.
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  • Comédia romântica

    Elza e Fred
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    Encenada em 2014 no circuito carioca, esta açucarada comédia tinha, na ocasião, Umberto Magnani e Suely Franco interpretando o casal protagonista. De volta aos palcos, a montagem agora traz Ana Rosa no papel da extrovertida Elza. Ela vai mudar a vida do taciturno Alfredo (Magnani), melancólico com a morte da esposa, com quem foi casado por 48 anos. Com direção de Elias Andreato, a peça é uma versão para os palcos do bem-sucedido filme argentino de 2005, dirigido por Marcos Carnevale — o texto é dele com Marcela Guerty e Lily Ann Martin, todos autores da adaptação.
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  • Condenado por um crime sexual, o fanfarrão Randle McMurphy (Tatsu Carvalho) resolve fingir loucura para ser internado em uma instituição psiquiátrica e, assim, escapar dos trabalhos braçais na prisão. Ali, seu espírito libertário vai bater de frente com a rigidez das normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Helena Varvaki) — embate do qual apenas um vai sair vencedor, como se verá. Baseado no romance One Flew Over the Cuckoo’s Nest, do americano Ken Kesey (1935-2001), o drama, adaptado por Dale Wasserman (1914-2008), foi encenado pela primeira vez em 1963. Doze anos depois, chegou ao cinema no longa de Milos Forman, protagonizado por Jack Nicholson e ganhador do Oscar em cinco categorias. Levantada sem patrocínio, a montagem dirigida por Bruce Gomlevsky tem, por isso mesmo, seus muitos méritos ainda mais abrilhantados. Trata-se de teatrão da melhor qualidade, com texto de ótima carpintaria dramática a serviço de um numeroso elenco de dezesseis atores (fato raro no circuito carioca) perfeitamente orquestrados e sem desníveis. Idealizador da empreitada, Carvalho injeta segurança e carisma em uma interpretação que não se rende à imitação fácil da icônica performance de Nicholson. No papel de sua nêmesis, Helena foge acertadamente do tom de megera de desenho animado, sem deixar de atrair para si a ira da plateia.
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  • Monólogo cômico

    Eugênia
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    Nascida no fim do século XVIII, em uma família de conexões políticas, Eugênia José de Menezes foi, ainda jovem, introduzida à vida na corte portuguesa. Ali, a beleza da moça logo chamaria a atenção do príncipe regente, dom João VI, de quem se tornaria amante. Uma gravidez, porém, selou sua má sorte: para abafar o escândalo real, a jovem foi banida e enviada para um convento. As mirradas informações disponíveis sobre essa figura histórica servem de base para Eugênia. Gisela de Castro, estrela do monólogo cômico, encarna a personagem-título que surge do além para expor sua versão dos fatos. No texto de Miriam Halfim, episódios reais são costurados a licenças narrativas e, mais importante, ácidos comentários sobre os meandros da política e a condição da mulher. O cenário de José Dias, resumido a uma grande caixa de onde são retirados os adereços criados por Samuel Abrantes (também responsável pelo colorido figurino), e a luz de Aurélio de Simoni emprestam clima fantasioso e ironicamente circense à encenação. Sob direção vertiginosa de Sidnei Cruz, Gisela fisga a plateia com amplo domínio de ritmo, ótimo uso da voz e notável trabalho corporal.
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  • Em um parque infantil, quatro moças narram e vivenciam histórias diversas, ora evidentemente imaginadas, ora verossímeis — embora nunca fique claro se são verdadeiras. Fisicamente, são jovens adultas, mas os figurinos, a ambientação e a postura das personagens sugerem meninas conflitantes com o conteúdo por vezes perverso das narrativas. Nesse intrigante desconforto entre o conhecido e o ignorado, o visto e o compreendido, está a força de Foi Você Quem Pediu para Eu Contar a Minha História, da francesa Sandrine Roche, aqui em adaptação de Thereza Falcão. Assuntos como feminilidade, misoginia, status social, família e morte surgem nas histórias, mais eficientes em si mesmas do que na articulação do texto. No mesmo sentido, a direção de Guilherme Piva extrai boas atuações in­dividuais de Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Karla Tenório e Talita Castro, ainda que potenciais sutilezas e modulações se­ diluam na uniformidade do tom.
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  • Inspirado no argumento do conto Catedral, de Raymond Carver (1938-1988), o drama de Daniele Avila Small se desenrola a partir da chegada de um homem cego, Robert (Rafael Sieg), que perdeu recentemente a sua esposa, à residência do casal formado por Marina (Dâmaris Grün) e João (Lucas Gouvêa). Direção de Felipe Vidal.
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  • Em meados dos anos 70, o inglês Tom Stoppard escreveu 15-Minute Hamlet, comédia ancorada em uma ideia inusitada, já explicada no título: condensar em apenas um quarto de hora o clássico de William Shakespeare. Baseado nesse texto, um grupo de cinco amigos formados pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), reunidos em uma companhia batizada de Os Trágicos, criou um esquete para ser encenado na quarta edição do Festival Universitário do Rio de Janeiro, em 2014. Elogios e prêmios amealhados pela curta montagem incentivaram o quinteto, constituído por Gabriel Canella, Pedro Sarmento, Yuri Ribeiro, Diogo Fujimura e Mathias Wunder, a ampliar o esquete, dando origem a esta divertida comédia. Professora dos rapazes na CAL, Adriana Maia assina direção e dramaturgia. A rigor, no que diz respeito ao texto, a diferença é o acréscimo de um preâmbulo ao que fora encenado no festival. Nele, mostra-se como um grupo de larápios foi preso por pequenos delitos — conhecedores de Shakespeare poderão notar evocações à sua obra em algumas situações. Para salvar a pele, os criminosos precisam agradar à rainha com uma encenação de Hamlet, e aí entra o esquete. O clima de absoluta galhofa não é propício a cultores de clássicos à moda antiga, mas conquista quem busca divertimento. A agilidade da direção e a química entre os atores contam a favor.
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  • Com nome inspirado no filósofo romano, o protagonista deste drama é interpretado por três atores em cena: Leonardo Fernandes dá vida ao jovem que sonha em ser poeta, aos 23 anos. Já rumando para os 50, encarnado por Alexandre Mofati, ele é um advogado distante de seu impulso inicial. E, por fim, Geraldo Peninha vive Horácio septuagenário, maduro e encarando sua história em retrospectiva. No velório do próprio personagem, os três se encontram e travam um diálogo sobre a existência. Edmundo de Novaes assina a dramaturgia, a partir do argumento de Carlos Gradim, também diretor.
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  • Um dos mais deliciosos textos de Oscar Wilde (1854-1900), A Importância de Ser Perfeito (na tradução de Leandro Soares para o título-trocadilho The Importance of Being Earnest) ganha impagável montagem do Coletivo Achado numa Mala. Para debochar do jogo de aparências tão comum na vida em sociedade, o autor criou uma trama em que dois amigos, Agenor (o próprio Soares) e José (Leandro Castilho), se apaixonam por duas moças, Patrícia (George Sauma) e Cecília (João Pedro Zappa). O problema é que eles se escondem por trás de personagens supostamente ilibados, mas são tão falsos quanto o nome que adotaram: Perfeito. Na transposição, a Inglaterra vitoriana é substituída pelo Rio de hoje. A trama ganha atualidade (e oportunidades para boas piadas), sem prejuízo à essência do texto. Daniel Herz, na direção, equilibra habilmente a sofisticação mordaz tão típica de Wilde com o tom de farsa desbragada. Todo o bom elenco se mostra entregue à proposta, mas Sauma e Zappa põem todo mundo no bolso quando entram em cena.
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  • O comediante Fernando Ceylão sai de sua zona de conforto e envereda pelo musical neste espetáculo. Acompanhado pelo ator e pianista Leonardo Wagner, ele vive o ator e cantor Ivon Curi (1928-1995). Escrito por Pedro Murad, o texto não segue os moldes de uma biografia tradicional — em vez disso, subverte a cronologia e aposta em um realismo mágico e em um lirismo nonsense. Canções como La Vie en Rose e Xote das Meninas estão no roteiro. Direção de Lucio Mauro Filho e Danilo Watanabe. Direção musical de Tim Rescala.
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  • Endividado com traficantes e ameaçado de morte, o jovem Chris Smith (Gabriel Pinheiro) corre para o trailer vagabundo onde vive sua família, toda de fracassados como ele: o pai bronco, Ansel (Fernão Lacerda), a madrasta periguete, Sharla (Aline Abovsky), e a irmã mais nova meio idiotizada, Dottie (Ana Hartmann). Para resolver seu problema, o rapaz sugere contratar um matador de aluguel, Joe Cooper (Carcarah), conhecido como Killer Joe, para dar cabo da própria mãe e, assim, receber o dinheiro do seguro. Os desdobramentos desse macabro plano, que enredará toda a parentela, não serão exatamente os previstos, como se verá neste drama do autor americano Tracy Letts. Conhecido pelo universo algo marginal de sua dramaturgia e de suas encenações, o diretor Mário Bortolotto mostra-se bem à vontade na condução desta trama repleta de violência e de figuras meio outsiders. Ressalte-se: há cenas de uma brutalidade atroz, abraçada com gosto pela direção e executada de maneira absolutamente realista, como raras vezes se vê no teatro. O cenário de Mariko e Seiji Ogawa e os figurinos de Letícia Madeira colaboram decisivamente para o clima de podridão geral, encampado nas interpretações do coeso elenco — com destaque para Carcarah, irradiando todo o cinismo do assassino, e Ana, precisa entre a fragilidade e a sedução.
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  • Na comédia de Newton Moreno, Lilia Cabral encarna a protagonista, uma solteirona que não quer chegar aos 50 anos sem conseguir um marido. Para atingir seu objetivo, ela enfrenta a ira do pai e contraria os habitantes da sua cidadezinha, que acreditam que ela é santa. A chegada de um circo ao povoado muda totalmente o destino de Maria. No elenco também estão Eduardo Reyes, Fernando Neves, Silvia Poggetti e Dani Barros. Direção de João Fonseca.
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  • Dramaturgo celebrado, Alcione Araújo (1945-2012) escreveu ainda um punhado de romances. É com uma dessas histórias em prosa que a prestigiada Cia OmondÉ realiza esta montagem. De saída, merece aplausos o trabalho de adaptação de Inez Viana, também diretora, que condensou as quase 800 páginas do livro em uma peça de pouco mais de uma hora, sem trair-lhe o significado. Na trama, um rapaz chega do interior de Minas Gerais para se formar médico no Rio. Entre o deslumbre e a inércia, se deixa levar pelos acontecimentos até que, para sua surpresa e, depois, pavor, se torna legista do DOI-Codi, órgão de repressão temido nos anos de chumbo no Brasil. A direção é ousada, mas não hermética. Vestindo figurinos neutros e usando alguns poucos objetos de cena, os seis atores (Leonardo Bricio, Iano Salomão, Jefferson Schroeder, Junior Dantas, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell) vivem todos, em algum momento, o protagonista. Com enorme consciência do jogo cênico proposto, eles investem em tom narrativo que mantém a ideia de relato confessional presente no livro, sem deixar de lado uma intensa teatralidade.
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  • Enlutado pela morte da esposa, o distinto Sr. McLeavy (Mário Borges) ainda vela o corpo da mulher e já é obrigado a lidar com sérios problemas. De um lado, seu filho Hal (Rafael Canedo) e o comparsa dele, o agente funerário Dennis (Helder Agostini), roubaram um banco e, diante da chegada do detetive Truscott (Tuca Andrada), resolvem esconder o dinheiro no caixão. Enquanto isso, o comportamento da enfermeira Fay (Gláucia Rodrigues), descaradamente arrastando a asa para o viúvo da mulher de quem cuidava em vida, sugere que ela tem algo a ver com o repentino falecimento de sua antiga paciente. Conhecido pelo humor nigérrimo de suas comédias, repletas de situações ultrajantes e tipos afrontosos, o inglês Joe Orton (1933-1967) não foge à regra em O Olho Azul da Falecida. Nesta montagem da Cia Limite 151, o diretor Sidnei Cruz investe na dinâmica ágil típica do vaudeville, apropriada a esta comédia de erros cheia de entradas e saídas de personagens, e sublinha a comicidade das atuações. No elenco (completado por Johnny Ferro em participação pontual), o trio mais experiente — Borges, divertido em sua expansividade, e Gláucia e Andrada, modulando a desfaçatez — tira melhor proveito dessa linha de direção.
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  • Os últimos 300 anos de história da mulher são apresentados nesta comédia dramática de Oscar Calixto, também diretor. Julli Roldão, Luciana Pacheco, Dani Brescianini, Shirley Cruz e Giselle Motta estão no elenco.
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  • Com pegada de show musical, mas acrescido de muito humor, o espetáculo da transexual Jane Di Castro foi um sucesso em 1984 e agora tem nova montagem. Diretor da primeira encenação, Ney Latorraca volta à função. Canções de Edith Piaf, Beatles, Roberto e Erasmo Carlos, Marisa Monte e Raul Seixas, entre outros artistas, são entremeadas por causos narrados por Jane.
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  • Neste espetáculo de teatro-dança, Fred Araujo, Lucas Canavarro, Marília Nunes e Rafael Lorga buscam construir e desconstruir identidades e territórios a partir de um quadrado vazio demarcado no chão. A criação da dramaturgia foi de toda a equipe. Direção de Gunnar Borges.
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  • Indagações a respeito dos limites para os impulsos humanos surgem nesta comédia de Diego Molina, que entrelaça histórias de uma abordagem na blitz da Lei Seca, um bullying sofrido na escola, uma tendenciosa entrevista de TV ao vivo, um episódio de tensão em uma agência bancária e um churrasco na beira da piscina. Andy Gercker, Bia Guedes, Mariana Consoli e Zé Auro Travassos estão no elenco, sob direção de Breno Sanches.
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  • Bemvindo Siqueira dirige a comédia escrita por Maurício Silveira. Toda a ação se passa na sala da casa de Marcela (Amanda Parisi). Enquanto o marido trabalha, ela e seu amante são surpreendidos por uma dupla de criminosos atrapalhados.
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  • Drama

    Pulsões
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    Em um espaço físico indefinido, descolado da realidade, um maestro (Cadu Fávero) e uma bailarina (Fernanda de Freitas) transitam entre a loucura e a sanidade, enquanto procuram reconstituir sua existência através de fragmentos de memórias. A princípio, a única certeza (deles e do público) é que os dois se amam profundamente, devoção comparável apenas à que ele entrega à música e ela, à dança. De fato, em Pulsões, o amor é a força que impede essas figuras de sucumbir. Nesse processo de descoberta, que trará revelações inesperadas à tona, o drama de Dib Carneiro Neto se equilibra entre uma intensa carga poética e o tom algo monocórdio dos diálogos, emocionalmente arrebatado do início ao fim. A direção de Kika Freire investe em marcações que reforçam o aspecto onírico da montagem, evidenciado ainda no cenário e nos figurinos de Teca Fichinski e na trilha executada ao vivo por João Bittencourt (piano) e Maria Clara Valle (violoncelo), sob direção musical de Marco França. Nesse ambiente carregado de sensibilidade, Fávero e Fernanda estabelecem boa contracena — ela, especialmente, revela tato na extração de arroubo e fúria de sua insuspeita aparência de frágil bailarina.
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  • Difundidas pelo dramaturgo Artur Azevedo (1855-1908) em fins do século XIX, as revistas de ano percorriam os acontecimentos dos doze meses anteriores, sempre temperadas por humor popular e números musicais, além de críticas sociais e políticas. Essa é a proposta da comédia que perpassa 2014, um dos períodos mais agitados da história recente do Brasil. Da Copa do Mundo, a montagem faz troça com a malfadada cerimônia de abertura e, claro, a fatídica derrota da seleção brasileira por 7 a 1 para a Alemanha. As eleições presidenciais inspiram um hilário debate com figuras que lembram os candidatos reais. Esses e outros episódios, a exemplo do enredo patrocinado da Beija-Flor de Nilópolis e da derrocada de Eike Batista, pontuam o texto de Ana Velloso. Ela mesma está em cena, ao lado dos igualmente divertidos Cristiano Gualda, Cristiana Pompeo, Hugo Kerth, Édio Nunes e Wladimir Pinheiro (também diretor musical). A direção de Sergio Módena costura com habilidade os números, alguns naturalmente mais engraçados do que outros, encenados pelo elenco com recursos enxutos, mas eficientes em sua simplicidade. Defendido com correção, o roteiro musical inclui conhecidas canções brasileiras, a maior parte delas com letra modificada para efeito humorístico.
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  • Drama

    Santa
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    Fruto de processo colaborativo desenvolvido nos ensaios, Santa esquiva-se de rótulos: texto, dança, música, cenário e luz fundem-se de maneira harmoniosa em um espetáculo que poderia ser definido como um poema sensorial. Em cena, Angela Vieira e Antonio Negreiros (substituindo Guilherme Leme Garcia, também idealizador e diretor da montagem) vivem um casal de trajetória marcada por encontros e desencontros. Os personagens nutrem um pelo outro afeto diretamente proporcional à impossibilidade de ficarem juntos. Esse é o mote, articulado em torno da figura feminina, exposta em suas lembranças sobre o amor. A dramaturgia de Diogo Liberano é desenvolvida de forma não linear, estilhaçada em flashes poéticos integrados ao arrojo da proposta. Palavras recitadas mesclam-se à coreografia de Luar Maria, defendida por Angela e Negreiros — ela, ex-integrante do corpo de baile do Theatro Municipal; ele, dançarino de formação clássica — ao som da bela trilha de Marcello H. e Marcelo Vig. Para além da excepcional beleza, a ambientação da cenografia de Bia Junqueira e da luz de Tomás Ribas espelha, em sua desoladora amplitude e suas transparências iluminadas, a ambiguidade do estado dos personagens 
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  • Comédia

    Selfie
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    Mesmo para os padrões de um mundo hiperconectado como o de hoje, a relação de Cláudio (Mateus Solano) com a tecnologia é um exagero: sua vida parece estar armazenada em computadores, redes sociais e nuvens. Tal é sua obsessão que o rapaz trabalha arduamente no desenvolvimento de um sistema único para guardar todas as informações sobre si mesmo. Uma pane, no entanto, apaga irremediavelmente os seus dados, da agenda de contatos aos perfis on-line. Sua dependência de uma memória virtual, então, se revela de maneira drástica. Desprovido de lembranças reais, Cláudio se torna um homem sem passado. A partir desse argumento, a comédia de Daniela Ocampo estimula ponderações cada vez mais pertinentes a respeito da influência da tecnologia sobre as relações humanas — com o outro ou consigo mesmo. Para um espetáculo sobre tecnologia, chama atenção a orientação altamente teatralizada, um estímulo à imaginação do público. À exceção de dois bancos e do adorno provido pela luz de Felipe Lourenço, o palco nu recebe Solano e Miguel Thiré (este se desdobrando em onze figuras que cruzam a vida do protagonista) vestindo figurinos neutros e idênticos. Sob direção inventiva de Marcos Caruso, a dupla sugere objetos de cena através de mímicas e sonoplastias, em um intenso trabalho de corpo. Mais do que um campo fértil para o jogo entre os atores, tal despojamento insinua a substituição das lembranças físicas (fotos e cartas, por exemplo) por arquivos virtuais e invisíveis. Figura naturalmente catalisadora em cena, Solano confirma seu reconhecido talento e encontra na versatilidade de Thiré um impagável contraponto.
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  • Ainda envolto em desinformação, ignorância e preconceito, o debate acerca do gênero na figura do transexual poderia, convertido em uma obra de arte, resvalar perigosamente em uma tentativa estéril de panfletagem e doutrinação. Tal caminho, felizmente, não é o trilhado no drama Sexo Neutro. Em abordagem próxima do documental, o texto de João Cícero Bezerra (também diretor da montagem) acompanha uma mulher não identificada com sua condição feminina que decide se tornar fisicamente um homem — figura interpretada por Marcelo Olinto e Cristina Flores. Questões ligadas às cirurgias necessárias, à relação com a família e até ao marido da personagem surgem de forma natural, sem apelo ao sentimentalismo. Integrados à proposta algo performática da montagem enxuta, em um cubo negro iluminado por Tomás Ribas, Olinto e Cristina valorizam e, ao mesmo tempo, suplantam esse aparente distanciamento em suas atuações.
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  • Patriarca de uma família judia, David (Léo Wainer, substituindo Jitman Vibranovski nesta temporada) junta-se aos parentes mais próximos para celebrar o aniversário da filha, Regina (Verônica Reis). Estão presentes sua mulher, Esther (Suzana Faini), seu genro, Beto (Alexandre Mofati), e suas netas, Clara (Elisa Pinheiro, no lugar de Karen Coelho, que estava na primeira temporada) e Débora (Gabriela Estevão) - esta aguarda a chegada do namorado, Flávio (Vicente Coelho). Por coincidência, é noite de shabat, o período semanal de descanso na tradição judaica. Mas o encontro, como se verá ao longo do drama, promete ser exaustivo. No texto de Renata Mizrahi (também diretora da montagem, ao lado de Priscila Vidca), os problemas começam quando vem à tona o tema de um misterioso livro que David está escrevendo com a ajuda de Clara: as polacas, mulheres judias vindas da Europa para tentar a vida no Brasil que caíram na prostituição. É o estopim para que Esther descarregue seu enorme preconceito contra essas personagens, deflagrando a crise que só será abafada com uma revelação do patriarca. De forma louvável, o texto parte de um universo judaico para tratar de questões mais amplas, notadamente a manutenção de segredos sobre si mesmo por receio do juízo alheio. A direção estabelece bom ritmo e uma fluida dinâmica entre os atores. Há que destacar a atuação de Suzana, magistral na aspereza de Esther até o choque, quem sabe, transformador.
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  • Comédia

    Tribos
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    Surdo de nascença, Billy (Bruno Fagundes) superou amplamente suas limitações com o amparo da família, toda ela de ouvintes: dono de um enorme traquejo na leitura labial, o rapaz também fala, garantindo a comunicação. Isso não esconde, porém, a frágil estabilidade por trás do convívio entre os integrantes desse idiossincrático núcleo familiar. O patriarca Christopher (Antonio Fagundes, pai de Bruno na vida real, bisa com ele a parceria do drama Vermelho, de 2012) é um crítico acadêmico de língua mordaz, frequentemente confrontado pela mulher, a escritora tardia Beth (Eliete Cigaarini). Os irmãos são dois fracassados: Daniel (Guilherme Magon) escreve uma tese sobre linguagem que não consegue terminar, enquanto Ruth (Maíra Dvorek) canta ópera em pubs. Todos, como se vê, esbarram em dissonâncias entre a capacidade de se comunicar e a dificuldade real de fazê-lo. Esse quadro será posto à prova quando Billy se apaixonar por Silvia (Arieta Corrêa), garota que começa a ensurdecer depois de adulta. A direção de Ulysses Cruz equilibra o humor (por vezes perverso) e a densidade do texto da inglesa Nina Raine. Na boa condução dos atores, o diretor felizmente resiste à tentação de empurrar um protagonismo indevido a Antonio Fagundes. Ainda assim, o ator brilha, acompanhado por um elenco entrosado — destaque para Bruno e sua composição notavelmente estudada para um personagem tecnicamente exigente e Arieta, dominando as sutilezas de uma figura meio fora de lugar.
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  • Encenado pela primeira vez na Broadway, estrelado pelo comediante Colin Quinn (conhecido pelo programa Saturday Night Live), o monólogo Long Short Story propunha-se a narrar, de forma divertida, toda a história da humanidade no curto período de uma sessão de teatro. A adaptação brasileira, com Bruno Motta, deixa explícita essa premissa no nome: Um Milhão de Anos em Uma Hora. Ainda que parta da mesma ideia, a montagem percorre um texto bastante modificado em relação ao original, adaptado com graça e cheio de referências espertas ao Brasil — em um trabalho conjunto de Motta com Marcelo Adnet e Cláudio Torres Gonzaga, o diretor. Em clima de stand-up comedy (embora não seja exatamente uma), o espetáculo perpassa da revolução russa às guerras tribais africanas, da expansão do Império Romano às navegações europeias, entre muitos outros episódios, em um retrato não muito afável do ser humano. Se não chega a aprofundar reflexões, cumpre o papel de diversão com alguma dose de crítica, escorado em boas piadas, no ritmo ágil e no carisma de sua estrela.
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  • A trama desta comédia inicia com a personagem do título (papel de Neuza Rodrigues, também autora do texto) recepcionada por um apresentador de um programa de auditório de algum lugar indefinido. Ali ela é desafiada a contar suas desilusões amorosas e divertir a plateia para conseguir a chance de começar uma vida nova. Direção de Ivan Fernandes.
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  • Heloisa Périssé foi o primeiro nome lembrado para estrelar o monólogo cômico A Vida Sexual da Mulher Feia. Um desencontro de agendas, porém, impediu a atriz de embarcar no projeto. Otávio Müller, idealizador e diretor da montagem, decidiu então ele mesmo encarnar Maricleide, a moça do título. Inspirado no romance homônimo da gaúcha Claudia Tajes, adaptado para o palco por Julia Spadaccini, o espetáculo conta a história de uma mulher bacana, divertida e inteligente - mas também dona de uma incontornável feiura. A opção de Müller por encarnar a baranga tem, em si, efeito cômico imediato. O grande acerto, entretanto, é outro: interpretada por um homem que não é exatamente um galã, sem sofisticados recursos de maquiagem ou figurino, Maricleide se torna de fato única, radicalmente diferente de qualquer mulher, por mais horrorosa que seja. A produção é modesta (e, pode-se dizer, apropriadamente feiosa), mas encontra na atuação de Müller o seu trunfo. Muito à vontade, ele transita com desenvoltura entre o deboche e a humanização da personagem, arrancando boas risadas e até, quem sabe, uma lágrima furtiva na cena final.
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Fonte: VEJA RIO