16/8 a 23/8

As principais peças em cartaz na semana

Chaplin, o Musical, com Jarbas Homem de Mello, e Amargo Fruto — A Vida de Billie Holiday, com Lilian Valeska, são duas das principais estreias da semana

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

Amargo Fruto
Lilian Valeska: como Billie Holiday em Amargo Fruto (Foto: Andrea Rocha/Divulgação)
  • Nos últimos anos, com a recorrência de musicais biográficos no circuito, tornou-se um clichê dizer que alguns atores mimetizam e até incorporam os homenageados. Protagonista de Amargo Fruto – A Vida de Billie Holiday, Lilian Valeska percorre outro caminho: salvo por algumas inflexões e timbres particulares da diva do jazz, a atriz foge do expediente ao mesmo tempo sedutor e virtualmente desastroso de imitar o inimitável. No entanto, canções como God Bless the Child, Speak Low, Summertime e, claro, Strange Fruit (o belo hino antirracismo que empresta nome à peça) são interpretadas com tamanha alma que, para o espectador, é quase como se Lady Day em pessoa estivesse em cena. Desenvolvido em conjunto por Jau Sant’Angelo e a diretora Ticiana Studart, o texto apresenta a trajetória de Billie (1915-1959) com pegada mais narrativa, diluindo um tanto o potencial dramático de sua vida – a infância miserável, o estupro sofrido aos 10 anos, a experiência como prostituta, as relações nem sempre harmoniosas com músicos e gravadoras, os casamentos falidos e a autodestruição pelas drogas. Vilma Melo e Milton Filho, multiplicados em vários papéis, se empenham com relativo êxito na tarefa de dar mais substância à dramaturgia. Nada disso, entretanto, parece importar quando Lilian (escoltada por um exímio quarteto de jazz, vestida com os lindos figurinos de Marcelo Marques e emoldurada pelo acertado cenário de Aurora dos Campos e a deslumbrante luz de Paulo César Medeiros) solta a voz.
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  • Contos de Flávia Prosdocimi que abordam a violência e a degradação das relações cotidianas são transpostos para o palco nesta tragicomédia. Em cena, Elisabeth Monteiro, Gustavo Barros e Tiago d’Avila se alternam entre narradores e personagens. Direção de Daniel Belmonte.
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  • Inspirado em um episódio real, Nelson Rodrigues (1912-1980) escreveu este drama. Na história, o jovem Arandir (Cal Titanero) atende ao pedido de um atropelado moribundo e lhe dá um beijo. O repórter Amado Ribeiro (Marcos Breda) presencia a cena e transforma o caso em uma manchete. Pedro Paulo Eva, Álvaro Gomes, Danielle Scavone, Josias Souza, Leonardo Santos, Pamela Domingues e Stella Portieri completam o elenco. Direção de Marco Antônio Braz.
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  • Um incômodo profundo contagia a plateia na peça do inglês David Harrower. Vencedor do prêmio Laurence Olivier, o mais importante do teatro britânico, como a melhor montagem de 2006, o drama é inspirado em um episódio real de pedofilia envolvendo um ex-fuzileiro naval americano de 31 anos e uma menina britânica de apenas 12. Em cena, Ray (Yashar Zambuzzi) e Una (Viviani Rayes) ocupam a sala imunda do lugar onde ele trabalha (apropriadamente claustrofóbica no cenário de Pati Faedo). Como se verá, quinze anos antes, quando ela era uma criança e ele tinha pouco mais de 30, os dois tiveram um envolvimento amoroso — se é que se pode usar tal expressão para descrever um relacionamento entre um homem feito e uma menor de idade. Preso pelo crime, Ray consegue refazer a vida sob nova identidade, mas a moça descobre seu paradeiro e vai atrás dele. Ao longo de intenso diálogo, zonas cinzentas vão sendo descortinadas pela exposição do caráter consensual da relação mantida no passado. Quase ao final, surge uma garota interpretada por Debora Ozório, reforçando irremediavelmente o desconforto no público. Harrower se equilibra no fio da navalha: não vilaniza nem absolve seus personagens. A abordagem encontra consonância na direção firme de Bruce Gomlevsky e nas performances equilibradas de Viviani e Zambuzzi.
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  • No drama de Pedro Emanuel, Paulo é um homem cujos planos e desejos fracassaram. É com a chegada de um novo funcionário na empresa em que trabalha (e que detesta) que Paulo acredita que pode mudar. No elenco estão Ana Beatriz Macedo, Gilson de Barros, Pedro Emanuel e Zeca Richa.  Direção de Iuri Kruschewsky.
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  • Celina Sodré dirige e, ao lado de Henrique Gusmão e Marcus Fritsch, assina a dramaturgia do espetáculo. No drama com ares de ficção científica, um grupo de cientistas embarca em busca de um lugar esquecido no ano de 2337. Gusmão e Fritsch estão no elenco, ao lado de Amanda Brambilla, Carol Ca­ju, Con­rado Nilo e Evelin Reginaldo.
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  • Alvo de permanente polêmica, Nelson Rodrigues (1912-1980) certa vez se deu à pachorra de explicar a própria obra. "As senhoras me dizem: 'Eu queria que os seus personagens fossem como todo mundo'. E não ocorre a ninguém que os meus personagens são como todo mundo, daí a repulsa que provocam." Faz sentido, portanto, que as figuras criadas pelo autor para este drama estejam misturadas à plateia na montagem da Cia. Teatro Portátil. Ao longo do espetáculo, elas vão das cadeiras ao palco, e vice-versa, para contar a história de Edgard (Guilherme Miranda). O ex-contínuo recebe uma proposta que o fará subir na vida: para tanto, deve se casar com Maria Cecília (Julia Schaeffer), filha de seu patrão, o rico doutor Werneck (Edmilson Barros, substituindo Marcello Escorel nesta temporada). O rapaz, no entanto, é apaixonado por Ritinha (Elisa Pinheiro), moça pobre que faz de tudo para sustentar a mãe e as irmãs mais novas. A direção de Alexandre Boccanera reforça nos atores o uso da voz e despe um tanto a montagem de seu aspecto sexual ou escandaloso - o que evidencia ainda mais a reconhecida carpintaria dramática de Nelson. No elenco equilibrado (formado ainda por Ana Moura, Anderson Cunha, Diego de Abreu, Edmilson Barros, Ingrid Conte e Morena Cattoni), Elisa aproveita com gosto, mas sem histrionismo, as possibilidades do seu papel, de pureza aparente.
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  • Monólogo

    BR-Trans
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    Entre os tantos méritos deste arrebatador monólogo, talvez o maior seja a capacidade de chamar a atenção do público para um assunto socialmente espinhoso — o preconceito e a violência física sofridos por travestis, transformistas e transexuais —, não se furtar a uma tomada de posição e, mesmo assim, preservar a sua integridade artística. O ator cearense Silvero Pereira está em cena e também assina a bem cerzida dramaturgia do espetáculo, uma reunião de histórias colhidas ao longo de uma pesquisa empreendida por ele em comunidades trans de várias partes do país. No palco, o artista recebe os espectadores na pele de seu alter ego, Gisele Almodóvar, para em seguida vivenciar esses relatos multiplicando-se por personagens cuja vida de certa forma se confunde com a do próprio Pereira. Em pegada algo performática (encampada na cenografia e na luz), a encenação mescla linguagens, notadamente a música, com o ator escoltado pelo instrumentista Rodrigo Apolinário em canções como Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, e Três Travestis, de Caetano Veloso. A direção da gaúcha Jezebel De Carli é na maior parte do tempo bem-sucedida na articulação das histórias, garantindo boa fluência. Decisiva para o êxito, porém, é a interpretação de Pereira, desenvolta, de modo a fazer o trabalhoso parecer fácil, além de tocante em sua entrega e coragem.
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  • Portador de Down, Pedro Baião vive um jovem com o distúrbio genético nesta comédia juvenil escrita por Rogério Blat. Na história, ele convoca pela internet uma passeata com o objetivo de chamar a atenção para a síndrome, mas só aparecem quatro amigos (vividos por Karina Ramil, Lorena Comparato, Renato Goes e Theo Nogueira). Da manifestação fracassada eles partem para numa aventura na noite carioca. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • Apesar de ter adotado o Rio como lar há mais de uma década, a atriz Suzana Nascimento, nascida em Juiz de Fora, ainda cultiva ligações profundas com seu estado natal. Por cinco anos, empreendeu uma vasta pesquisa de hábitos, expressões, histórias reais e folclóricas, personagens, símbolos, músicas e crenças do universo popular mineiro - "um projeto de vida", como ela define. Todo esse material coletado foi transformado pela própria Suzana em um delicioso monólogo, Calango Deu! - Os Causos da Dona Zaninha, que, desde a estreia, em novembro de 2012, vem conquistando o público carioca ao longo de sucessivas temporadas. A atriz encarna a personagem do título, típica senhorinha de uma pequena cidade rural de Minas: afável, engraçada, meio fofoqueira e dona de um tipo bem particular de sabedoria. O grande mérito do espetáculo está na forma como consegue transportar o público para a casa de Dona Zaninha - representada de maneira tão eficiente quanto singela na cenografia de Desirée Bastos. No palco, três móveis se desdobram para definir variados ambientes. A concepção de Suzana para a montagem, encampada com gosto pelo diretor Isaac Bernat, reforça na plateia a sensação de que o espectador, de fato, é uma visita: a atriz se dirige o tempo todo ao público, toca bandolim e canta músicas, pedindo ajuda na hora do refrão, e serve cafezinho feito na hora. Com aquele domínio de cena que faz o trabalho de ator parecer fácil, Suzana vai desfiando histórias hilárias e cativantes.
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  • No drama de Aldri Anunciação, dois soldados inimigos se encontram no front da III Guerra Mundial, fruto da disputa pelas águas do planeta. O próprio autor está no elenco, ao lado de Rodrigo dos Santos. Direção de Márcio Meirelles, com codireção de Lázaro Ramos e Fernando Philbert.
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  • Protagonista da mais célebre novela do francês Prosper Mérimée (1803-1870), a cigana Carmen alcançou um lugar definitivo no panteão dos personagens icônicos da literatura mundial — tendo, inclusive, estimulado o desenvolvimento de obras de arte em outros campos, como a famosa ópera de Bizet (1838-1875) e um punhado de filmes. Apesar disso, em Carmen, de Cervantes ela está desgostosa com sua própria história, que deseja ver reescrita. Para isso, como sugere o título da peça, Carmen (papel de Ana Paula Bouzas) procura ninguém menos do que o grande autor espanhol (vivido por Samir Murad), ele próprio em busca de uma possível reinvenção pessoal. Baseada no conto de Marcos Arzua, adaptada para o palco por ele mesmo, com o diretor Fábio Espírito Santo, a fábula parte de uma interessante premissa (evocativa do clássico Seis Personagens à Procura de um Autor, de Luigi Pirandello), infelizmente não desenvolvida em sua plenitude: o embate entre Carmen e Cervantes soa redundante e acaba obscurecido por cenas relacionadas a cada um deles individualmente. No elenco, completado por Ciro Sales e Andreza Bittencourt, Ana Paula e, especialmente, Murad tiram melhor proveito da linha de atua­ção algo operística.
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  • Neste musical, canções imortalizadas por Dalva de Oliveira, Herivelto Martins, Linda e Dircinha Batista, Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Emilinha, Marlene e Orlando Silva, entre outros, costuram a história do encontro de dois artistas de rua (vividos por Sabrina Korgut e Tiago Higa). O roteiro é de Marcelo Albuquerque. Direção de Rubens Lima Jr. e direção musical de Tony Lucchesi.
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  • O musical de Christopher Curtis e Thomas Meehan (com canções do primeiro) ganha versão brasileira de Miguel Falabella e direção cênica de Mariano Detry. Jarbas Homem de Mello interpreta um dos maiores gênios das telas, o inglês Charles Chaplin (1889-1977). O espetáculo percorre sua carreira desde a infância pobre em Londres até a consagração nos Estados Unidos e oferece uma leitura psicológica do artista que explica o caráter dúbio ou atitudes pouco éticas. Marcello Antony representa Sidney, o irmão e futuro agente do protagonista.
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  • Nas rubricas iniciais do texto de Cock, o autor, Mike Bartlett, indica como a peça deve ser montada: "Não há cenário, objetos, mobília nem mímica. Em vez disso, o foco é exclusivamente o conflito das cenas". Encampada à risca, tal proposta de despojamento é o primeiro detalhe a chamar atenção nesta montagem. Também "nus", de certa forma, estão os personagens. John (Felipe Lima) vive há sete anos com um homem (Luiz Henrique Nogueira, substituindo Márcio Machado nesta temporada), mas se vê dividido ao conhecer uma mulher (Débora Lamm, exuberante). Esses últimos vértices do triângulo amoroso não são nomeados. Tudo parece girar em torno de John e sua inabilidade para escolher o que é melhor para si - e, em última análise, saber quem é (tema, ressalte-se, caro a Bartlett). Todas as inseguranças do trio virão à tona em um jantar promovido por John, ao qual comparece o pai de seu parceiro (papel de Helio Ribeiro). Na ocasião, espera-se, o protagonista optará por ele ou ela. A direção de Inez Viana investe na dinâmica entre os atores, cujas falas são valorizadas ante a crueza da cena. 
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  • O universo de Julio Cortázar é ponto de partida para o texto de Keli Freitas, que flerta com o fantástico ao contar o drama de uma família cujo centro está na figura materna. Diante de um iminente colapso, todos se articulam para poupar a mãe, idosa e doente, de sobressaltos que podem ser fatais. Direção de Cynthia Reis.
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  • Na comédia de Martins Pena (1815-1848), José Antônio, grande admirador de ópera, pretende casar sua filha Josefina com o fazendeiro Marcelo. Este, porém, prefere gêneros musicais populares, para desgosto do futuro sogro. Gaudêncio Mendes, um aproveitador que se diz doutor em direito, tenta usar essa divergência em seu favor e finge ser um cantor lírico para conquistar a preferência de José Antônio. Gustavo Ottoni dirige a montagem e está no elenco, ao lado de Licurgo, Nedira Campos, Nilvan Santos, Priscilla Cadete e Suzana Abranches.
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  • Consagrado como ilustrador de livros infantis, Roger Mello também é autor teatral. Neste drama de sua lavra, a trama é deflagrada pelo disparo de uma arma, que pode atingir o atirador, seu reflexo em um espelho ou o reflexo do reflexo. No elenco estão Artur Gendankien, Ludmila Wischansky, Pedro Cavalcante e Ricardo Schöpke. A direção é do próprio Roger Mello.
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  • Comédia

    2500 por Hora
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    Escrita pelos franceses Jacques Livchine e Hervée de Lafond, a comédia 2 500 por Hora parte de uma ideia tão simples quanto aparentemente hercúleo é o trabalho de desenvolvê-la: condensar, como sugere o título, 2,5 milênios de história do teatro em sessenta minutos (na verdade, uma troça só revelada em dado momento do espetáculo, que dura meia hora a mais). Cenas de Eurípides, Shakespeare, Tchekov e Beckett, entre tantos outros, são alinhavadas e pontuadas pela exposição de momentos-chave dessa trajetória — um tanto didáticas, o que a direção de Moacir Chaves abraça e equilibra com injeções de humor. Na adaptação de Monica Biel (também no elenco com Henrique Juliano, Claudio Gabriel, Joelson Medeiros e Júlia Marini, com destaque para os três últimos) acrescenta-se ao desafio original a inclusão, bem-sucedida, diga-se, da história do teatro brasileiro, representado por nomes como João Caetano e Nelson Rodrigues. A ausência de um ou outro ícone das artes cênicas pode eventualmente ser sentida por conhecedores, sem que isso comprometa o prazer do público.
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  • Primeiro monólogo de Heloisa Périssé, e assinado por ela, E Foram Quase Felizes para Sempre brinca já no título com a ideia de que uma relação a dois é (ou deveria ser) semelhante a um conto de fadas. O espetáculo traz a atriz no papel de Letícia Amado, escritora workaholic que passou os últimos meses enfurnada no projeto de um guia de viagens para casais. Tal dedicação cobra um preço: a moça é dispensada pelo relegado companheiro, sujeito tranquilo que não entende o porquê de tanto trabalho. Toda essa história é contada através das lembranças de Letícia, desfiadas no dia do lançamento do seu livro, como se os espectadores fossem os convidados do evento. Os episódios narrados ganham vida através de Heloisa, desdobrando-se em quinze papéis, dos pais da protagonista à sua psicóloga (hilária), além do próprio ex. A rigor, não há nada exatamente novo no texto, mas, com graça, carisma e segurança, a autora e protagonista dilui quase à insignificância eventuais impressões de déjà-vu. A direção de Susana Garcia se ajusta perfeitamente à atriz e conduz tudo com leveza. O resultado é uma visão do casamento sem ingenuidade, mas também sem amargura.
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  • O drama de Marcia Zanelatto se passa em uma favela do Rio, onde um pai, traficante na década de 80, e sua filha, que seguiu seu caminho, se reencontram depois de muitos anos. Geandra Nobre, Jaqueline Andrade, Phellipe Azevedo, Rodrigo Souza e Wallace Lino estão no elenco. Direção de Isabel Penoni.
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  • Comédia romântica

    Enfim, Nós
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    Cai no próximo domingo o Dia dos Namorados. Apelo comercial à parte, a data é oportunidade atraente para os pombinhos renovarem seus votos de carinho. Com Fernanda e Zeca, no entanto, as coisas se complicaram: personagens da comédia Enfim, Nós, os dois acabaram trancados no banheiro quando se aprontavam para celebrar e mergulham noite adentro em intensa discussão de relação. Do confronto emergem ciúme e manias de um que o outro não conhecia. Casados na vida real, Fernanda Vasconcellos e Cássio Reis voltam ao Rio com o espetáculo, a partir de sexta (10) no Teatro Fashion Mall. Escrita por Bruno Mazzeo e Cláudio Torres Gonzaga, também responsável pela direção, a peça já foi vista por mais de 600 000 espectadores, estrelada por nomes como Fernanda Souza, Fabíula Nascimento, Regiane Alves, Marcius Melhem e o próprio Mazzeo
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  • Comédia dramática

    Epa!
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    O espetáculo da Cia Os Bondrés, com dramaturgia de Keli Freitas, mescla técnicas de bolas de sabão com máscaras balinesas para contar a história de dois personagens imersos em um mundo frágil e efêmero. Fabianna de Mello e Souza (também diretora), Letícia Araújo, Miguel Nogueira da Gama e Tomaz Nogueira da Gama estão em cena na comédia dramática.
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  • Estreia do jornalista Luiz Felipe Reis como autor e diretor, Estamos Indo Embora..., da Polifônica Cia., exibe coragem em duas frentes. Com relação à temática, leva à cena questões pouco ou nada abordadas no teatro, ligadas ao impacto das ações do homem sobre o meio ambiente. Além disso, investe em uma encenação híbrida, experimental na confecção da dramaturgia (algo catequizante, ressalte-se) e em sua transposição para o palco. Não há uma trama convencional: Julia Lund e Márcio Machado, ambos corretos frente à proposta, abrem a peça com uma cena de forte apelo estético (uma tônica do espetáculo, aliás), cruzando o palco diante da projeção de um vídeo que mostra geleiras derretendo. Assumem, em seguida, um formato de palestra científica e, por fim, no encerramento sombrio, encarnam um casal cheio de incertezas em um futuro distante. Essa aparente divisão em segmentos de linguagens distintas presta serviço ao arrojo, embora o resultado soe um tanto irregular no conjunto.
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  • Condenado por um crime sexual, o fanfarrão Randle McMurphy (Tatsu Carvalho) resolve fingir loucura para ser internado em uma instituição psiquiátrica e, assim, escapar dos trabalhos braçais na prisão. Ali, seu espírito libertário vai bater de frente com a rigidez das normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Helena Varvaki) — embate do qual apenas um vai sair vencedor, como se verá. Baseado no romance One Flew Over the Cuckoo’s Nest, do americano Ken Kesey (1935-2001), o drama, adaptado por Dale Wasserman (1914-2008), foi encenado pela primeira vez em 1963. Doze anos depois, chegou ao cinema no longa de Milos Forman, protagonizado por Jack Nicholson e ganhador do Oscar em cinco categorias. Levantada sem patrocínio, a montagem dirigida por Bruce Gomlevsky tem, por isso mesmo, seus muitos méritos ainda mais abrilhantados. Trata-se de teatrão da melhor qualidade, com texto de ótima carpintaria dramática a serviço de um numeroso elenco de dezesseis atores (fato raro no circuito carioca) perfeitamente orquestrados e sem desníveis. Idealizador da empreitada, Carvalho injeta segurança e carisma em uma interpretação que não se rende à imitação fácil da icônica performance de Nicholson. No papel de sua nêmesis, Helena foge acertadamente do tom de megera de desenho animado, sem deixar de atrair para si a ira da plateia.
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  • Françoise Forton interpreta Tetê no musical inspirado na novela global exibida em 1976. O texto de Flávio Marinho situa a trama em 2015. Na história, Tetê é convencida por sua melhor amiga a comparecer a uma reunião da turma de colégio, na qual encontrará uma rival de outrora, seu ex-marido e uma antiga paixão. No repertório, sucessos como Banho de Lua, Broto Legal e I’ve Got You under My Skin. Direção de Gilberto Gawronski. Direção musical de Liliane Secco.
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  • Inspirado no argumento do conto Catedral, de Raymond Carver (1938-1988), o drama de Daniele Avila Small se desenrola a partir da chegada de um homem cego, Robert (Rafael Sieg), que perdeu recentemente a sua esposa, à residência do casal formado por Marina (Dâmaris Grün) e João (Lucas Gouvêa). Direção de Felipe Vidal.
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  • O musical escrito por Stephen Schwartz e John-Michael Tebelak ganha montagem dirigida por João Fonseca. Baseada nas parábolas do Evangelho de São Matheus, a peça apresenta as principais passagens bíblicas através de novas versões das músicas (incluindo versões baseadas em sucessos atuais do mundo pop) feitas especialmente para essa montagem. Na história, um grupo de pessoas (identificados pelo nome dos próprios atores) tem seu caminho cruzado por João Batista, Judas e Jesus. No elenco estão Leo Bahia, Vinicius Teixeira e Lyv Ziese, entre outros.
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  • Em 2012, quando foi comemorado o seu centenário de nascimento, Luiz Gonzaga foi alvo de uma série de homenagens. Nada mais justo com o rei do baião, autor de clássicos incontornáveis do cancioneiro nacional como O Xote das Meninas e Asa Branca. Comovente e, ao mesmo tempo, divertido, o musical Gonzagão - A Lenda, é um dos mais acertados tributos prestados ao cantor, compositor e sanfoneiro. No maior trunfo do espetáculo, dirigido pelo também pernambucano João Falcão, pequenas subversões evitam o caminho fácil da biografia linear. Em cena, duas tramas se entrecruzam. Na primeira, uma companhia teatral nômade, situada em futuro indeterminado e local indefinido, propõe-se a contar o que seus integrantes chamam de "lenda do rei Luiz". A outra história é a de Gonzagão, narrada pelos personagens. Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Larissa Luz, Marcelo Mimoso, Renato Luciano, Ricca Barros e Thomás Aquino vivem os integrantes da tal trupe e se multiplicam por tipos que cruzam a trajetória do músico. Curiosidade: todos, em algum momento, encarnam o homenageado. Com carisma contagiante e boa performance vocal, apresentam mais de quarenta canções, escoltados por quatro afiados instrumentistas. Em outra bem-sucedida ousadia, os arranjos não emulam os originais, ao contrário, mas preservam inconfundível toque regional. Essa mesma qualidade é verificada nos figurinos e adereços estilizados: ambos fogem do óbvio sem deixar de evocar o Nordeste.
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  • Em meados dos anos 70, o inglês Tom Stoppard escreveu 15-Minute Hamlet, comédia ancorada em uma ideia inusitada, já explicada no título: condensar em apenas um quarto de hora o clássico de William Shakespeare. Baseado nesse texto, um grupo de cinco amigos formados pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), reunidos em uma companhia batizada de Os Trágicos, criou um esquete para ser encenado na quarta edição do Festival Universitário do Rio de Janeiro, em 2014. Elogios e prêmios amealhados pela curta montagem incentivaram o quinteto, constituído por Gabriel Canella, Pedro Sarmento, Yuri Ribeiro, Diogo Fujimura e Mathias Wunder, a ampliar o esquete, dando origem a esta divertida comédia. Professora dos rapazes na CAL, Adriana Maia assina direção e dramaturgia. A rigor, no que diz respeito ao texto, a diferença é o acréscimo de um preâmbulo ao que fora encenado no festival. Nele, mostra-se como um grupo de larápios foi preso por pequenos delitos — conhecedores de Shakespeare poderão notar evocações à sua obra em algumas situações. Para salvar a pele, os criminosos precisam agradar à rainha com uma encenação de Hamlet, e aí entra o esquete. O clima de absoluta galhofa não é propício a cultores de clássicos à moda antiga, mas conquista quem busca divertimento. A agilidade da direção e a química entre os atores contam a favor.
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  • Questões ligadas à secular opressão masculina sobre a mulher norteiam esta inteligente comédia, escrita, dirigida e estrelada pelo casal formado por Graziella Moretto e Pedro Cardoso. Em cena, eles se multiplicam em diversos personagens, costurando histórias derivadas de duas tramas principais que se entrelaçam. Na primeira, uma atriz dá queixa na delegacia de um crime bizarro: ela teria sido de fato violentada durante a filmagem de uma cena de estupro. Em outro momento, no caminho para o cinema, um casal se defronta com a informação de que perderá a empregada doméstica. Usando roupas neutras, sem apelo a nenhum figurino ou acessório cênico (exceto na primeira cena), Graziella e Cardoso desfiam episódios de abuso sexista — desde os quase imperceptíveis, mas nem por isso menos reais, a exemplo do marido que acorda a mulher de madrugada para que ela prepare comida, até os mais escancarados, como os de violência física. Vídeos com pegada um tanto mais didática, explicando a evolução do machismo, pontuam a encenação. A hábil cosedura do texto, o ritmo ágil da montagem e, não menos importante, a enorme desenvoltura da entrosada dupla na construção de tipos impõem aquele humor algo desconcertante, em que o público (mesmo que eventualmente não se dê conta) ri de si mesmo representado em cena.
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  • Apresentado pela primeira vez na edição de 2013 do Festival de Avignon, um dos mais celebrados eventos de artes cênicas do planeta, o drama da companhia Dos à Deux conquistou aplausos do exigente público do evento. Os méritos cabem a André Curti e Artur Luanda Ribeiro, brasileiros fundadores do grupo radicado em Paris: além de integrar o elenco, a dupla responde por dramaturgia, direção, coreografia e cenário do espetáculo. Marca da trajetória dos dois, o teatro gestual fundamenta a encenação. A história dos três irmãos do título (Curti, Ribeiro e Daniel Leuback) e de sua mãe (Raquel Iantas) é contada sem uma linha de diálogo, mas cheia de poesia. Não convém esmiuçar a trama, sob pena de estragar a tocante revelação do final. Em cena, o rigor espartano com que os atores desempenham um minucioso jogo de movimentos não se sobrepõe à emoção, amplificada graças ao visual deslumbrante da montagem.
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  • O espetáculo é baseado em uma comédia inacabada de Martins Pena, e o texto foi finalizado pela autora Suzana Abraches. A trama envolve o amor impossível de Eduardo e Guilhermina. Os tios da jovem querem que ela se case com Gervásio, inspetor de quarteirão. Eduardo não sabe que é filho de Mônica, a quem trata por tia. Esta sonha reencontrar o pai de seu filho, a quem, vinte e oito anos antes, doou um alfinete de peito.
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  • Endividado com traficantes e ameaçado de morte, o jovem Chris Smith (Gabriel Pinheiro) corre para o trailer vagabundo onde vive sua família, toda de fracassados como ele: o pai bronco, Ansel (Fernão Lacerda), a madrasta periguete, Sharla (Aline Abovsky), e a irmã mais nova meio idiotizada, Dottie (Ana Hartmann). Para resolver seu problema, o rapaz sugere contratar um matador de aluguel, Joe Cooper (Carcarah), conhecido como Killer Joe, para dar cabo da própria mãe e, assim, receber o dinheiro do seguro. Os desdobramentos desse macabro plano, que enredará toda a parentela, não serão exatamente os previstos, como se verá neste drama do autor americano Tracy Letts. Conhecido pelo universo algo marginal de sua dramaturgia e de suas encenações, o diretor Mário Bortolotto mostra-se bem à vontade na condução desta trama repleta de violência e de figuras meio outsiders. Ressalte-se: há cenas de uma brutalidade atroz, abraçada com gosto pela direção e executada de maneira absolutamente realista, como raras vezes se vê no teatro. O cenário de Mariko e Seiji Ogawa e os figurinos de Letícia Madeira colaboram decisivamente para o clima de podridão geral, encampado nas interpretações do coeso elenco — com destaque para Carcarah, irradiando todo o cinismo do assassino, e Ana, precisa entre a fragilidade e a sedução.
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  • A peça de Osman Lins (1924-1978) já virou especial de TV, filme e tem aqui o formato de musical para o teatro, com adaptação de Francisca Braga. O universo circense ambienta a história de Leléu e Lisbela (interpretados por Luiz Araújo e Ligia Paula Machado, ela também diretora ao lado de Dan Rosseto). Ele é um artista mambembe e mulherengo, apaixonado pela moça do título, filha de um poderoso da região e noiva de outro rapaz. A trilha sonora inclui canções como Purpurina, Sonhos de um Palhaço, Saga e Somos Todos Iguais Nessa Noite. Direção musical de Dyonisio Moreno.
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  • Mulher aparentemente acima de qualquer suspeita (papel de Débora Falabella) participa de entrevista com uma assistente social (Anapaula Csernik) para conseguir adotar um bebê. A situação seria banal, não fosse a presença de um lobo de postura ereta, vestido de terno e gravata (vivido por Diego Dac), trabalhando no lugar. A essa esquisitice acrescenta-se o comportamento um tanto errático, por vezes francamente nonsense, da candidata, o que obriga a convocação de seu marido (Jorge Emil). Indicado ao Prêmio APCA pelo texto de Silvia Gomez, o drama Mantenha Fora do Alcance do Bebê abraça sem reservas o surrealismo para refletir sobre o desespero humano escondido sob a necessidade de domesticação dos sentimentos e padronização das atitudes. A direção de Eric Lenate não foge à proposta em uma encenação de humor estranho, nervoso e árido. Com interpretações apropriadamente frias e pontuadas por rasgos de fúria, o elenco entra no jogo iluminado pelo embate entre Anapaula e Débora, dois lados igualmente desolados de uma mesma moeda.
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  • Comédia

    Não Nem Nada
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    É um tanto difícil explicar a comédia do grupo paulistano Empório de Teatro Sortido — e essa complicação não é nenhum demérito, pelo contrário. Sua aparente estranheza, longe de ser hermética, convida a plateia a embarcar em um jogo dinâmico, de rica teatralidade, combinando humor com certa dose de reflexão. Estreia do músico Vinicius Calde­roni como autor e diretor, a montagem traz Geraldo Rodrigues, Mayara Constantino, Renata Gaspar e Victor Mendes multiplicando-se nos papéis de vários personagens para compor um mosaico de situações picotadas, uma espécie de plano-sequência teatral. Episódios ligados a campanhas publicitárias, culto a celebridades, telemarketing, redes sociais e relações amorosas parecem evocar a crescente efemeridade da vida contemporânea. A própria maneira fragmentada com que o texto foi construído reflete, em alguma medida, o seu conteúdo, reforçado na condução ágil da encenação. O cenário semelhante a um jogo de tabuleiro, por onde o quarteto transita obedecendo a marcações criativas e manipulando peças do piso, e os figurinos uniformes sugerem o dinamismo dessa realidade fugidia, de individualidades esvaziadas. A entrega do elenco à proposta e o equilibrado nível das atuações são especialmente importantes para o êxito do espetáculo.
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  • Enlutado pela morte da esposa, o distinto Sr. McLeavy (Mário Borges) ainda vela o corpo da mulher e já é obrigado a lidar com sérios problemas. De um lado, seu filho Hal (Rafael Canedo) e o comparsa dele, o agente funerário Dennis (Helder Agostini), roubaram um banco e, diante da chegada do detetive Truscott (Tuca Andrada), resolvem esconder o dinheiro no caixão. Enquanto isso, o comportamento da enfermeira Fay (Gláucia Rodrigues), descaradamente arrastando a asa para o viúvo da mulher de quem cuidava em vida, sugere que ela tem algo a ver com o repentino falecimento de sua antiga paciente. Conhecido pelo humor nigérrimo de suas comédias, repletas de situações ultrajantes e tipos afrontosos, o inglês Joe Orton (1933-1967) não foge à regra em O Olho Azul da Falecida. Nesta montagem da Cia Limite 151, o diretor Sidnei Cruz investe na dinâmica ágil típica do vaudeville, apropriada a esta comédia de erros cheia de entradas e saídas de personagens, e sublinha a comicidade das atuações. No elenco (completado por Johnny Ferro em participação pontual), o trio mais experiente — Borges, divertido em sua expansividade, e Gláucia e Andrada, modulando a desfaçatez — tira melhor proveito dessa linha de direção.
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  • Miguel Thiré está em cena neste monólogo cômico, que escreveu com Carlos Artur Thiré e dirige com Igor Angel­korte. Utilizando recursos de mímica, ele dá vida a cinco personagens cujas vidas se cruzam na cidade do Rio.
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  • O romeno naturalizado francês Matéi Visniec (autor das duas peças reunidas no espetáculo 2 X Matei, encenado no Rio em 2014 por Guida Vianna e Gilberto Gaw­rosnki) assina esta comédia sobre o comportamento humano na iminência do fim do mundo, pela visão de uma fauna de personagens que inclui um mendigo, uma cega, um funcionário público, uma celebridade, um paparazzo e um músico, entre outros. No elenco estão Alexandre David, Alexandre Varella, Isa Lobato, Karla Concá, Leonardo Vieira, Lipy Adler, Malu Valle, Rafael Queiroz e Xando Graça. Direção de Adriana Maia.
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  • Drama

    Pulsões
    Veja Rio
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    Em um espaço físico indefinido, descolado da realidade, um maestro (Cadu Fávero) e uma bailarina (Fernanda de Freitas) transitam entre a loucura e a sanidade, enquanto procuram reconstituir sua existência através de fragmentos de memórias. A princípio, a única certeza (deles e do público) é que os dois se amam profundamente, devoção comparável apenas à que ele entrega à música e ela, à dança. De fato, em Pulsões, o amor é a força que impede essas figuras de sucumbir. Nesse processo de descoberta, que trará revelações inesperadas à tona, o drama de Dib Carneiro Neto se equilibra entre uma intensa carga poética e o tom algo monocórdio dos diálogos, emocionalmente arrebatado do início ao fim. A direção de Kika Freire investe em marcações que reforçam o aspecto onírico da montagem, evidenciado ainda no cenário e nos figurinos de Teca Fichinski e na trilha executada ao vivo por João Bittencourt (piano) e Maria Clara Valle (violoncelo), sob direção musical de Marco França. Nesse ambiente carregado de sensibilidade, Fávero e Fernanda estabelecem boa contracena — ela, especialmente, revela tato na extração de arroubo e fúria de sua insuspeita aparência de frágil bailarina.
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  • Comédia dramática

    Queime Isso
    Veja Rio
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    Uma triste ausência é sentida no apartamento onde vivem dois amigos, a bailarina Anna (Karine Carvalho) e o publicitário gay Larry (Alcemar Vieira): Robbie, o jovem dançarino que morava com eles, morreu há alguns dias junto com seu companheiro, em um trágico acidente de barco. O luto se estende a Burton (Celso Andre), o pragmático namorado de Anna, que chega ao local após o enterro. Melancólico de início, o quadro se desestabiliza de vez com o aparecimento de Pale (Tatsu Carvalho), o irmão meio bronco e perturbado de Robbie, que vai mexer com a cabeça da moça. Escrito pelo americano Lanford Wilson (1937-2011), ganhador do Pulitzer, o drama parte desse mote para, através de diálogos realistas, suscitar reflexões sobre a aceitação, não apenas da vida ou do outro, mas principalmente de si mesmo. A direção de Victor Garcia Peralta, positivamente discreta, investe na dinâmica entre o quarteto, valorizando assim a carpintaria dramática e extraindo atuações convincentes — notadamente de Karine, crível em sua angústia, e de Vieira, este um alívio cômico por trás do qual se esconde uma lucidez ferina.
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  • Escrito por José Eduardo Vendramini, o drama transcorre na Alemanha do século XIX, quando o compositor Johannes Brahms (papel de Olavo Cavalheiro) passa uma temporada na residência de um casal de amigos, os também músicos Robert e Clara Schumann (Werner Schünemann e Carolina Kasting). Direção de Tadeu Aguiar.
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  • Drama

    Santa
    Veja Rio
    Sem avaliação
    Fruto de processo colaborativo desenvolvido nos ensaios, Santa esquiva-se de rótulos: texto, dança, música, cenário e luz fundem-se de maneira harmoniosa em um espetáculo que poderia ser definido como um poema sensorial. Em cena, Angela Vieira e Antonio Negreiros (substituindo Guilherme Leme Garcia, também idealizador e diretor da montagem) vivem um casal de trajetória marcada por encontros e desencontros. Os personagens nutrem um pelo outro afeto diretamente proporcional à impossibilidade de ficarem juntos. Esse é o mote, articulado em torno da figura feminina, exposta em suas lembranças sobre o amor. A dramaturgia de Diogo Liberano é desenvolvida de forma não linear, estilhaçada em flashes poéticos integrados ao arrojo da proposta. Palavras recitadas mesclam-se à coreografia de Luar Maria, defendida por Angela e Negreiros — ela, ex-integrante do corpo de baile do Theatro Municipal; ele, dançarino de formação clássica — ao som da bela trilha de Marcello H. e Marcelo Vig. Para além da excepcional beleza, a ambientação da cenografia de Bia Junqueira e da luz de Tomás Ribas espelha, em sua desoladora amplitude e suas transparências iluminadas, a ambiguidade do estado dos personagens 
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  • Comédia

    Selfie
    Veja Rio
    1 avaliação
    Mesmo para os padrões de um mundo hiperconectado como o de hoje, a relação de Cláudio (Mateus Solano) com a tecnologia é um exagero: sua vida parece estar armazenada em computadores, redes sociais e nuvens. Tal é sua obsessão que o rapaz trabalha arduamente no desenvolvimento de um sistema único para guardar todas as informações sobre si mesmo. Uma pane, no entanto, apaga irremediavelmente os seus dados, da agenda de contatos aos perfis on-line. Sua dependência de uma memória virtual, então, se revela de maneira drástica. Desprovido de lembranças reais, Cláudio se torna um homem sem passado. A partir desse argumento, a comédia de Daniela Ocampo estimula ponderações cada vez mais pertinentes a respeito da influência da tecnologia sobre as relações humanas — com o outro ou consigo mesmo. Para um espetáculo sobre tecnologia, chama atenção a orientação altamente teatralizada, um estímulo à imaginação do público. À exceção de dois bancos e do adorno provido pela luz de Felipe Lourenço, o palco nu recebe Solano e Miguel Thiré (este se desdobrando em onze figuras que cruzam a vida do protagonista) vestindo figurinos neutros e idênticos. Sob direção inventiva de Marcos Caruso, a dupla sugere objetos de cena através de mímicas e sonoplastias, em um intenso trabalho de corpo. Mais do que um campo fértil para o jogo entre os atores, tal despojamento insinua a substituição das lembranças físicas (fotos e cartas, por exemplo) por arquivos virtuais e invisíveis. Figura naturalmente catalisadora em cena, Solano confirma seu reconhecido talento e encontra na versatilidade de Thiré um impagável contraponto.
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  • Mario Bortolotto escreveu esta comédia há mais de trinta anos, aqui montada pela Tartufaria de Atores. Na história, o músico Mário (Fábio Guará) e o poeta Beto (Andrey Lopes) se juntam para produzir uma obra musical capaz de influenciar Caetano Veloso. Direção de Marcello Gonçalves.
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  • Clássico de Gláucio Gill (1932-1965), a comédia conta a história de Porfírio (André Segatti), jovem solteiro e mulherengo que se vê em apuros ao tentar ajudar o seu melhor amigo, Joãozinho (Marcos Holanda), a resolver uma situação com a namorada dele, Daisy (Raquel Nunes), filha de um severo general. Intérprete do protagonista, Segatti também assina a adaptação do texto e a direção.
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  • Encenado pela primeira vez na Broadway, estrelado pelo comediante Colin Quinn (conhecido pelo programa Saturday Night Live), o monólogo Long Short Story propunha-se a narrar, de forma divertida, toda a história da humanidade no curto período de uma sessão de teatro. A adaptação brasileira, com Bruno Motta, deixa explícita essa premissa no nome: Um Milhão de Anos em Uma Hora. Ainda que parta da mesma ideia, a montagem percorre um texto bastante modificado em relação ao original, adaptado com graça e cheio de referências espertas ao Brasil — em um trabalho conjunto de Motta com Marcelo Adnet e Cláudio Torres Gonzaga, o diretor. Em clima de stand-up comedy (embora não seja exatamente uma), o espetáculo perpassa da revolução russa às guerras tribais africanas, da expansão do Império Romano às navegações europeias, entre muitos outros episódios, em um retrato não muito afável do ser humano. Se não chega a aprofundar reflexões, cumpre o papel de diversão com alguma dose de crítica, escorado em boas piadas, no ritmo ágil e no carisma de sua estrela.
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  • Os irmãos Vanya (Elias Andreato) e Sonia (Patricia Gasppar) são um retrato do desalento: já na meia-idade, moram juntos em uma casa velhusca no campo, vivem se espezinhando, não fizeram nada de importante profissionalmente, tampouco se arranjaram no amor. Certo dia, eles recebem a visita de Masha (Marília Gabriela), a irmã que ganhou o mundo como estrela de cinema. Sua glamourosa felicidade, porém, tem muito de aparência, como se verá em Vanya e Sonia e Masha e Spike. Escrita pelo americano Christopher Durang, a divertida comédia faz várias referências ao universo do dramaturgo Anton Tchekov, a começar pelo nome dos irmãos, homônimo de personagens do autor — no título da peça, apenas Spike (namorado de Masha e fútil ator iniciante, vivido por Bruno Narchi) é exceção. Mas não é preciso saber nada sobre o escritor russo para se divertir e até se enternecer com a montagem, conduzida com leveza pelo diretor Jorge Takla e amparada por uma produção de alto nível. No elenco, completado por Juliana Boller e Teca Pereira (impagável como uma empregada vidente), Marília se mostra à vontade, mas são de Andreato e Patricia os melhores momentos.
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  • Heloisa Périssé foi o primeiro nome lembrado para estrelar o monólogo cômico A Vida Sexual da Mulher Feia. Um desencontro de agendas, porém, impediu a atriz de embarcar no projeto. Otávio Müller, idealizador e diretor da montagem, decidiu então ele mesmo encarnar Maricleide, a moça do título. Inspirado no romance homônimo da gaúcha Claudia Tajes, adaptado para o palco por Julia Spadaccini, o espetáculo conta a história de uma mulher bacana, divertida e inteligente - mas também dona de uma incontornável feiura. A opção de Müller por encarnar a baranga tem, em si, efeito cômico imediato. O grande acerto, entretanto, é outro: interpretada por um homem que não é exatamente um galã, sem sofisticados recursos de maquiagem ou figurino, Maricleide se torna de fato única, radicalmente diferente de qualquer mulher, por mais horrorosa que seja. A produção é modesta (e, pode-se dizer, apropriadamente feiosa), mas encontra na atuação de Müller o seu trunfo. Muito à vontade, ele transita com desenvoltura entre o deboche e a humanização da personagem, arrancando boas risadas e até, quem sabe, uma lágrima furtiva na cena final.
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  • Drama de Friedrich Dürrenmatt. Na história, a mulher mais rica do mundo, Claire Zahanasian (Maria Adélia), volta à sua cidade natal. Aos 17 anos, ela engravidou do namorado. Abandonada, ela moveu na justiça uma ação de investigação de paternidade, mas acabou expulsa da cidade. No elenco estão ainda Yashar Zambuzzi, Eduardo Rieche, Paulo Japyassú, Antonio Alves, Laura Nielsen, Renato Peres, André Frazzi, Anita Terrana, Pedro Lamim, Pedro Messina. Direção e adaptação de Sílvia Monte. 
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  • Comédia dramática

    War
    Sem avaliação
    Na comédia dramática da Companhia Teatro de Nós, escrita por Renata Mizrahi, três casais de amigos (vividos por Camilo Pellegrini, Clara Santhana, Fabrício Polido, Natasha Corbelino, Ricardo Gonçalves e Verônica Reis) se reúnem para jogar War. Mas o que era para ser um encontro de velhos amigos traz à tona uma dissimulada competição entre eles. Direção de Diego Molina.
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Fonte: VEJA RIO