4/10 a 10/10

Os principais espetáculos em cartaz na cidade

A Atriz, com Betty Faria, O Olho Azul da Falecida, com Tuca Andrada, e Como a Gente Gosta, com Camilla Amado e Pedro Paulo Rangel, são destaques em semana farta em estreias

Por: Rafael Teixeira

O Olho Azul da Falecida
O Olho Azul da Falecida: comédia do inglês Joe Orton (Foto: Guga Melgar/Divulgação)
  • Às vésperas de se aposentar, o metalúrgico Tuco (Wilmar Amaral) abandona o trabalho para se dedicar ao grande sonho de virar cantor — abortado décadas atrás, depois de uma fracassada apresentação. Para fugir da gozação dos amigos e da pressão da família, ele se tranca em um porão, onde ensaia sozinho, à espera de violonistas que um conhecido prometera enviar. Quem bate à porta, entretanto, é Sebastian (Roberto Frota), um velho amigo, decidido a trazer Tuco de volta à razão. Escrita pelo argentino Carlos Gorostiza em 1981, quando seu país vivia sob uma ditadura, a peça O Acompanhamento perde aqui o subtexto político, referente à busca de uma vida fora dos padrões estabelecidos, deixando evidente, assim, sua simplicidade — nem por isso desprovida de valor em suas reflexões sobre a importância da amizade e da perseguição de um ideal. Sob direção cuidadosa de Daniel Archangelo, os atores valorizam o texto com interpretações tocantes e podem até arrancar uma lágrima furtiva na cena final.
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  • Marcos Camelo e Florencia Santángelo assinam esta adaptação do conto infantil A Bela Adormecida. Ambos desempenham outras funções na comédia dramática: ele é o diretor e ela, atriz, sozinha em cena.
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  • Comédia

    A Atriz
    Veja Rio
    1 avaliação
    Protagonista de A Atriz, a diva das artes dramáticas Lydia Martin guarda semelhanças algo metalinguísticas com sua intérprete, Betty Faria, ela também tarimbada na profissão. Questões ligadas ao crepúsculo de artistas em idade avançada são esboçadas neste texto do inglês Peter Quilter. Aqui, o dramaturgo apresenta um quadro relativamente conhecido: na noite em que subirá ao palco pela última vez, a tal atriz, dona de talento indiscutível e modos de prima-dona, avalia passado, presente e futuro. A sucessão de lugares-comuns do texto não seria um problema se não estivesse tão presa ao mero desenho de um ambiente e de determinados tipos — ou se fosse mais direcionada à deflagração de conflitos que de fato movimentassem o enredo. Talvez ciente disso, a direção de Bibi Ferreira (posteriormente auxiliada por Susana Garcia) investe em um tom de comédia ligeira que poderia alçar voo mais alto, mas deve agradar a quem busca apenas divertimento bem produzido — são caprichados o cenário de José Dias e os figurinos de Sônia Soares. No elenco, Betty, além de Giuseppe Oristanio e Bemvindo Sequeira, respectivamente como ex e futuro marido da protagonista, aproveitam melhor as poucas oportunidades dadas por seus personagens.
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  • Emergem da infância e da adolescência de Paulo Betti no interior de São Paulo, tempo humilde em que ele nem sonhava em inscrever seu nome no rol dos grandes atores do país, as histórias que servem de base para este encantador monólogo. Sem preocupação com a linearidade, os episódios revividos por ele em cena, na maioria compilados em cadernos pessoais de anotações, vão sendo desfiados como em uma conversa informal — que em nenhum momento obscurece o lirismo da montagem. Do modo como a avó matava porcos até os dramáticos surtos de esquizofrenia do pai, das diversões de criança com brinquedos antigos ao contato inicial com o rádio, da descoberta dos catecismos de Carlos Zéfiro à primeira visão do mar, de tudo um pouco é narrado nas duas horas de sessão que, na direção cadenciada do próprio Betti ao lado de Rafael Ponzi, passam voando. A belíssima cenografia de Mana Bernardes, emoldurada pela feliz iluminação de Dani Sanchez e Luiz Paulo Neném, evoca a ideia de memória em papéis amassados que remetem às folhas dos cadernos do ator, além de objetos repletos de carga simbólica. Senhor do palco, Betti usa seu vasto e reconhecido domínio técnico da arte da interpretação a serviço da simplicidade e da afetividade.
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  • Publicado em 1947, apenas dois anos após o término da II Guerra Mundial, o livro É Isso um Homem?, do italiano Primo Levi (1919-1987), relatava as terríveis experiências do autor no campo de concentração de Auschwitz. Baseado em seu testemunho, Moacyr Góes escreveu Auschwitz 70 ou É Isso um Homem?. O número presente no título é uma referência às sete décadas passadas desde a derrota do nazismo na guerra. Sob direção do próprio Góes, a atriz Carla Guidacci conduz o público pelas histórias vividas e narradas por Levi.
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  • É difícil imaginar como um espetáculo com orçamento anunciado de 10 milhões de reais e texto chancelado por três nomes consagrados das letras brasileiras — Luis Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura — possa ter resultado tão desastroso. A partir de ideias do trio sobre a terceira idade, o autor Rodrigo Nogueira elaborou o texto capenga desta comédia musical. Na história, Susana Vieira vive uma produtora tão poderosa quanto arrogante, que contrata três autores (vividos por Edwin Luisi, Osmar Prado e Marcos Oliveira) para escrever um musical sobre a velhice. Sem ideia de como fazer isso, eles são ajudados magicamente, pasme, por ninguém menos que Matusalém (Thais Belchior). O pouco que se salva na montagem não é suficiente para impedir o naufrágio do conjunto. Escalado originalmente para a direção, José Lavigne se desligou semanas antes da estreia, passando o bastão para o coreógrafo Alonso Barros (que não tem cancha de diretor). Sem comando e diante de um enredo mal-ajambrado com diálogos rasos, mesmo os eventuais destaques do elenco (Osmar Prado e Thais Belchior, por exemplo) pouco contribuem. Susana, praticamente no papel dela própria, soa repetitiva depois da terceira piada. Defendida entre a desafinação e a correção burocrática, a variada trilha (sob direção musical de Marcelo Castro e Felipe Habib), no mais das vezes meramente ilustrativa, inclui Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), My Way (Frank Sinatra) e Show das Poderosas (Anitta), além de paródias bobas como a de Malandragem (Cazuza e Frejat). 
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  • Escrito por André Sant’Anna e dirigido por Georgette Fadel, o espetáculo conta a história de um travesti e um garoto de programa que dividem um apartamento no centro de uma megalópole. Certo dia, eles recebem a visita de um jovem estudante, recém-chegado de uma pequena cidade do interior, interessado em pesquisar o universo da prostituição masculina para a peça que está montando no curso de teatro.
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  • Monólogo dramático

    Bom-Crioulo
    2 avaliações
    Luis Salem assina a adaptação e estrela este monólogo dramático, baseado no romance homônimo de Adolfo Caminha (1867-1897). Com direção de Gilberto Gawronski, a peça conta a história do triângulo amoroso ente Amaro, um marinheiro negro, Aleixo, um jovem grumete branco, e Dona Carola Bunda, uma cafetina portuguesa. Salem é acompanhado pelo instrumentista André Poyart, responsável pela direção musical. Detalhe: a encenação acontece sobre uma escuna que circula pela Baía de Guanabara.
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  • Especialmente prolífico nos últimos anos, o filão dos musicais biográficos nacionais tem se caracterizado pela constância da fórmula: escolhe-se um grande nome da música, fa­tia-se a sua vida em uma série de epi­sódios, canções são inseridas para combinar a letra com a cena e o papel principal é reservado a um ator que mimetize o biografado. Escrito por Patrícia Andrade e dirigido por João Fonseca (o mesmo de espetáculos sobre Tim Maia e Cazuza) e Vinicius Arneiro, Cássia Eller - O Musical segue à risca tais requisitos. Aqui, porém, a dramaturgia se mostra por demais expositiva, mesmo para esse tipo de peça, no qual as cenas funcionam tradicionalmente como pretextos para números musicais. A opção por uma cena mais crua, se evidencia a fragilidade do texto, é fiel ao estilo da cantora. Estreante no teatro, a curitibana Tacy de Campos (nesta temporada se revezando com Jana Figarella) se revela o trunfo da montagem ao encarnar a cantora com impressionante grau de semelhança. Beneficiada pelo que parece ser um traço de sua própria personalidade, ela transita entre a timidez de Cássia na vida e sua energia nos palcos - reproduzida com auxílio da boa direção musical de Lan Lan e Fernando Nunes.
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  • Encenado em 2013, o monólogo cômico volta repaginado, com novos personagens. Além de assinar o texto, ao lado de Mariana Rebelo e Conrado Helt, Rodrigo Sant’anna estrela e dirige a montagem. Ele apresenta uma sátira aos comícios eleitorais por meio de nove candidatos.
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  • Releituras de clássicos são uma instituição teatral quase tão sólida quanto as próprias obras submetidas a tais revisões. Diretor com estrada na TV, Vinicius Coimbra se arrisca pela primeira vez nas artes cênicas com um exemplar do gênero. O alvo é ambicioso: As You Like It, comédia de William Shakespeare. Algo equivocadamente intitulada Como a Gente Gosta, a versão tem em Coimbra também um dos tradutores, o adaptador, o figurinista e o cenógrafo. A empreitada é corajosa, mas o resultado, irregular. Na história, a jovem Rosalinda (Priscila Steinmann) é banida do reino devido a um imbróglio envolvendo seu pai e, sob uma identidade masculina, refugia-se na floresta, onde encontrará seu amor, Orlando (Gabriel Falcão). A adaptação aposta em galhofa que banaliza um bocado o original, mas se beneficia comicamente da entrega dos atores a esse viés. Pedro Paulo Rangel e Camilla Amado, entre os mais experientes, e João Lucas Romero e Patrícia Pinho, na ala jovem, se destacam. A ideia de brincadeira e jogo teatral é reforçada no despojamento dos figurinos — calça jeans, camiseta com o nome dos personagens e alguns adereços — e do cenário, este mal-ajambrado mesmo considerando a proposta.
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  • O congresso que dá nome à comédia serve de pretexto para esquetes em que o sexo é abordado. Lucas Domso, também autor do texto, se junta em cena a Charles Paraventi e Dani Brescianini. Direção de Cláudio Torres Gonzaga.
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  • Correm os glamourosos anos 50 e a jovem Regina Lúcia (a atriz Jullie, graciosa) fica sabendo do concurso da Rádio Nacional: o vencedor ganhará uma viagem a Nova York em uma moderna aeronave. Sonhadora, ela deseja conhecer o mundo bem além do apartamento em Copacabana que divide com a mãe separada (Lovie Elizabeth) e, portanto, se candidata. Escrito por Cláudio Magnavita a partir de um episódio real - em 1955, a Varig comprou quatro aviões que passaram a voar até a Big Apple -, o texto de Constellation ganhou o palco pela primeira vez em 2004. Jarbas Homem de Mello, ator naquela encenação, agora assume a direção da montagem, produzida com apuro. Assumidamente ingênua, a trama, cheia de referências à década de 50, serve a um roteiro de dezesseis canções americanas clássicas da época. Estão lá, entre outras, Blue Moon, Unchained Melody e Surfin¿ USA, defendidas com graça e afinação pelo elenco, completado por Andrea Veiga, Cleiton Morais, Daniel Cabral, Drayson Menezzes, Franco Kuster, Marcio Louzada e Ugo Capelli.
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  • Entre meados dos anos 60 e o início da década seguinte, um casarão do século XVIII, sede de uma fazenda convertida em pensão, tornou-se fervilhante ponto de confluência de grandes nomes das artes brasileiras — alguns já com esse status, outros no caminho de conquistá-lo. Localizado no terreno onde hoje fica o Shopping Rio Sul, o Solar da Fossa, como ficou conhecido, recebeu de Caetano Veloso a Aderbal Freire-Filho, de Paulo Leminski a Zé Keti, de Betty Faria a Paulo Coelho. No consistente trabalho do grupo Complexo Duplo, o lendário endereço tem sua história contada de maneira evocativa, não enciclopédica, através de um painel musical visualmente exuberante. Escrito por Daniela Pereira de Carvalho, o texto traz, entre o prólogo e o epílogo fixos, três blocos cuja ordem de apresentação é decidida por votação da plateia ao início da sessão. Sem prejuízo de entendimento, qualquer que seja a escolha, a trama parte de um diário fictício, com diversas páginas faltantes. Sua autora é Clarice (Tainá Nogueira), jovem hóspede do Solar cuja ingenuidade será deixada para trás graças ao intenso convívio com as ideias dos demais moradores. A dramaturgia fragmentada, se compromete um tanto o desenvolvimento dos personagens (criações baseadas em figuras reais, sem se referir a nenhuma delas especificamente), por outro lado compõe um atraente mosaico justificado pelo espírito subversivo e caótico do lugar. Mais do que meritórias em comparação a tantos musicais de repertório já existente, as canções de Luciano Moreira e Felipe Vidal (com inserções de clássicos daquela época e sob direção musical de Marcelo Alonso Neves) revelam beleza própria, à parte sua relação funcional com a trama. A direção engenhosa de Vidal dribla certa redundância de situações e impõe o ritmo necessário a um espetáculo longo. Formado ainda por Julia Bernat, Guilherme Miranda, Leonardo Corajo, Adassa Martins, Felipe Antello, Clarisse Zarvos, Guilherme Stutz, Izak Dahora, Jefferson Almeida, Julie Wein, Laura Becker e Luciano Moreira, o elenco se desdobra em uma penca de instrumentos, mostrando entrega, vigor e coesão condizentes com a essência do Solar.
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  • Comédia romântica

    Enfim, Nós
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    Cai no próximo domingo o Dia dos Namorados. Apelo comercial à parte, a data é oportunidade atraente para os pombinhos renovarem seus votos de carinho. Com Fernanda e Zeca, no entanto, as coisas se complicaram: personagens da comédia Enfim, Nós, os dois acabaram trancados no banheiro quando se aprontavam para celebrar e mergulham noite adentro em intensa discussão de relação. Do confronto emergem ciúme e manias de um que o outro não conhecia. Casados na vida real, Fernanda Vasconcellos e Cássio Reis voltam ao Rio com o espetáculo, a partir de sexta (10) no Teatro Fashion Mall. Escrita por Bruno Mazzeo e Cláudio Torres Gonzaga, também responsável pela direção, a peça já foi vista por mais de 600 000 espectadores, estrelada por nomes como Fernanda Souza, Fabíula Nascimento, Regiane Alves, Marcius Melhem e o próprio Mazzeo
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  • Condenado por um crime sexual, o fanfarrão Randle McMurphy (Tatsu Carvalho) resolve fingir loucura para ser internado em uma instituição psiquiátrica e, assim, escapar dos trabalhos braçais na prisão. Ali, seu espírito libertário vai bater de frente com a rigidez das normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Helena Varvaki) — embate do qual apenas um vai sair vencedor, como se verá. Baseado no romance One Flew Over the Cuckoo’s Nest, do americano Ken Kesey (1935-2001), o drama, adaptado por Dale Wasserman (1914-2008), foi encenado pela primeira vez em 1963. Doze anos depois, chegou ao cinema no longa de Milos Forman, protagonizado por Jack Nicholson e ganhador do Oscar em cinco categorias. Levantada sem patrocínio, a montagem dirigida por Bruce Gomlevsky tem, por isso mesmo, seus muitos méritos ainda mais abrilhantados. Trata-se de teatrão da melhor qualidade, com texto de ótima carpintaria dramática a serviço de um numeroso elenco de dezesseis atores (fato raro no circuito carioca) perfeitamente orquestrados e sem desníveis. Idealizador da empreitada, Carvalho injeta segurança e carisma em uma interpretação que não se rende à imitação fácil da icônica performance de Nicholson. No papel de sua nêmesis, Helena foge acertadamente do tom de megera de desenho animado, sem deixar de atrair para si a ira da plateia.
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  • Monólogo cômico

    Eugênia
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    Nascida no fim do século XVIII, em uma família de conexões políticas, Eugênia José de Menezes foi, ainda jovem, introduzida à vida na corte portuguesa. Ali, a beleza da moça logo chamaria a atenção do príncipe regente, dom João VI, de quem se tornaria amante. Uma gravidez, porém, selou sua má sorte: para abafar o escândalo real, a jovem foi banida e enviada para um convento. As mirradas informações disponíveis sobre essa figura histórica servem de base para Eugênia. Gisela de Castro, estrela do monólogo cômico, encarna a personagem-título que surge do além para expor sua versão dos fatos. No texto de Miriam Halfim, episódios reais são costurados a licenças narrativas e, mais importante, ácidos comentários sobre os meandros da política e a condição da mulher. O cenário de José Dias, resumido a uma grande caixa de onde são retirados os adereços criados por Samuel Abrantes (também responsável pelo colorido figurino), e a luz de Aurélio de Simoni emprestam clima fantasioso e ironicamente circense à encenação. Sob direção vertiginosa de Sidnei Cruz, Gisela fisga a plateia com amplo domínio de ritmo, ótimo uso da voz e notável trabalho corporal.
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  • Para além de suas notáveis contribuições à arte do século XX, os mexicanos Frida Kahlo (1907-1954) e Diego Rivera (1886-1957) tornaram-se conhecidos pela vida a dois, repleta de episódios de infidelidade mútua, choques de personalidades e intercâmbios criativos. Esse conturbado e simbiótico relacionamento está no cerne do drama Frida y Diego, de Maria Adelaide Amaral. Na humanização do cânone, o texto sobrevoa de forma distanciada as questões ligadas à produção artística da dupla, pendendo um tanto demasiadamente para as discórdias causadas pelas traições do marido. Ainda que como pano de fundo para essas querelas, a dramaturgia compõe um painel de mais de duas décadas de convívio — passando pelas intermináveis dores de Frida, resultado de um acidente de bonde na juventude que a impediu de ter filhos, e pelos pendores comunistas de Rivera. A direção de arte de Marcio Vinicius, aliada à projeção de vídeos, e a música executada ao vivo por Wilson Feitosa (acordeão) e Mauro Domenech (contrabaixo) imprimem apropriada plasticidade e dinamizam a montagem. Sob direção de Eduardo Figueiredo, Leona Cavalli e José Rubens Chachá defendem com galhardia nuances de seus personagens: Frida, dona de uma extraordinária força por trás de sua fragilidade física, e Rivera, cujo egocentrismo não escondia sua íntima dependência da mulher.
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  • Com ares de um bufão performático, a atriz Carol Kahro (também autora e diretora da peça) discorre sobre a propensão do mundo contemporâneo a transformar fato em show e pessoa em celebridade. A sátira é inspirada no livro A Sociedade do Espetáculo, de Guy Debord.
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  • A princípio dissociadas, duas histórias compõem O Grande Livro dos Pequenos Detalhes: na primeira, um misterioso empreendimento se dedica a provocar distrações na vida das pessoas; na outra, uma locutora de rádio responsável pelas notícias de trânsito começa a dar informações erradas, provocando o caos. Uma investigação em torno do sumiço da tal radialista vai unir as duas pontas nesta intrigante comédia — projeto de quatro atores, os brasileiros Michel Blois e Thiare Maia e as portuguesas Paula Diogo e Cláudia Gaiolas, todos em cena e responsáveis pela direção conjunta. Fica avisado: trata-se de uma peça incomum, algo estranha e até difícil para plateias conservadoras. Mas, ainda assim, envolvente e estimulante em suas provocações, tanto nas eventuais reflexões oriundas do texto (de humor extremamente inglês, condizente com a nacionalidade do autor, Alexander Kelly, e extensível à pegada absurda da encenação) quanto na desconstrução de códigos teatrais. Entrosado, o elenco se entrega com gosto à proposta.
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  • Em meados dos anos 70, o inglês Tom Stoppard escreveu 15-Minute Hamlet, comédia ancorada em uma ideia inusitada, já explicada no título: condensar em apenas um quarto de hora o clássico de William Shakespeare. Baseado nesse texto, um grupo de cinco amigos formados pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), reunidos em uma companhia batizada de Os Trágicos, criou um esquete para ser encenado na quarta edição do Festival Universitário do Rio de Janeiro, em 2014. Elogios e prêmios amealhados pela curta montagem incentivaram o quinteto, constituído por Gabriel Canella, Pedro Sarmento, Yuri Ribeiro, Diogo Fujimura e Mathias Wunder, a ampliar o esquete, dando origem a esta divertida comédia. Professora dos rapazes na CAL, Adriana Maia assina direção e dramaturgia. A rigor, no que diz respeito ao texto, a diferença é o acréscimo de um preâmbulo ao que fora encenado no festival. Nele, mostra-se como um grupo de larápios foi preso por pequenos delitos — conhecedores de Shakespeare poderão notar evocações à sua obra em algumas situações. Para salvar a pele, os criminosos precisam agradar à rainha com uma encenação de Hamlet, e aí entra o esquete. O clima de absoluta galhofa não é propício a cultores de clássicos à moda antiga, mas conquista quem busca divertimento. A agilidade da direção e a química entre os atores contam a favor.
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  • Por trás do humor negro escancarado neste novo trabalho da Cia OmondÉ, vislumbra-se um dramático retrato da degradação humana. A ação se passa durante uma viagem rumo a Miami, do embarque no aeroporto ao voo imprevisível e atribulado, entrecruzando histórias ligadas à infância. No avião estão a mimada Suzaninha (Carolina Pismel), miss mirim e campeã de tiro, e seu segurança Argos (Iano Salomão); a desequilibrada Marín (Debora Lamm) e o cínico Henrique (Leonardo Bricio), casal em crise que decide comemorar o aniversário de 9 anos do filho Junior (Luis Antonio Fortes) com um passeio à Disney, além da aeromoça Sângela (Juliane Bodini), amante do marido; e os comissários de bordo Cheval (Junior Dantas) e Pitil (Zé Wendell), dupla de traficantes que usa o pequeno Juanito (Jefferson Schroeder) para transportar drogas. O texto, se não chega a rivalizar com os melhores de Jô Bilac, ainda assim reafirma a qualidade de sua carpintaria dramática, notável na proposição de reflexões que surgem naturalmente do enredo, em vez de submetê-lo didaticamente a seu serviço. Também admirável é o crescendo com que os fatos se sucedem de forma alucinada até o tresloucado desfecho. A diretora Inez Viana (com a assistência de Marta Paret e a decisiva colaboração da direção de movimento de Dani Amorim) impõe dinâmica ágil à montagem, afinada com esse aspecto do texto. Cenário de Mina Quental, luz de Renato Machado e de Ana Luzia de Simoni e figurinos de Flavio Souza enriquecem a cena na qual fulgura o elenco — coeso em seu conjunto e exibindo bons trabalhos individuais, especialmente as esfuziantes atuações de Carolina Pismel e Debora Lamm.
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  • As oscilações de humor entre as mulheres são o mote da comédia de Rodrigo Nogueira. Escrita com base em um argumento de Marilia Toledo e Emílio Boechat, a história se passa na sala de embarque de um aeroporto onde Tita (Pia Manfroni), em busca de informações sobre seu voo, que está atrasado, procura Val (Rosi Campos), funcionária da companhia aérea e velha amiga, e tem a conversa ouvida por Stela (Rose Abdallah). A direção é de João Fonseca.
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  • Em 2008, Fernando Ceylão escreveu um esquete sobre um taxista fracassado, para compor o espetáculo Você Está Aqui, formado por uma série de cenas curtas. Sozinho em cena, Paulo César Pereio encarnava o tal chofer carente de afeto, cismado em fazer amizade com um cliente que mal o conhece. Certo dia, o ator faltou a uma sessão e o próprio Ceylão assumiu o posto — no que lhe veio a ideia de ampliar a cena e transformá-la em um monólogo para si. Sob direção de Bruce Gomlevsky, Meu Nome É Reginaldson insinua uma reflexão sobre o fracasso, mas não alça voo mais alto nesse sentido. Funciona melhor como veículo para Ceylão, apropriadamente patético como o taxista que invade o apartamento vazio do cliente para aguardá-lo. Enquanto isso, ensaia seu discurso de apresentação, no qual vêm à tona memórias de outros personagens que cruzaram sua vida, prato cheio para o ator se multiplicar por diversos tipos.
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  • Monólogo dramático

    Meu Saba
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    Uma curta distância separa a jovem Noa Ben-Artzi Pelossof do púlpito de onde ela fará um discurso para os presentes ao velório de seu avô, o primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin (1922-1995). Aqueles poucos metros, porém, parecem intransponíveis. Nesse trajeto se insere o tempo cronológico de Meu Saba, versão para os palcos do livro da neta do estadista, publicado no Brasil sob o título Em Nome da Dor e da Esperança. Porém, na mente de Noa (vivida por Clarissa Kahane, autora da adaptação ao lado de Daniel Herz, diretor, e Evelyn Dizitzer), o tempo psicológico se abre para receber as lembranças deixadas pelo avô (saba, em hebraico), assassinado por um judeu revoltado com as negociações de paz com os palestinos. O texto parece privilegiar mais a história, na reiteração da importância de Rabin como líder político, do que a intimidade familiar. De todo modo, na interpretação tocante de Clarissa, fica patente a relação de amor devotado entre neta e avô. A direção de Herz, pródiga em boas quebras de ritmo e variedade de marcas, explora de forma engenhosa o belo cenário de Bia Junqueira, uma passarela de tijolos que leva ao palanque encimado por uma metralhadora.
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  • Encenado pela primeira vez na Broadway, estrelado pelo comediante Colin Quinn (conhecido pelo programa Saturday Night Live), o monólogo Long Short Story propunha-se a narrar, de forma divertida, toda a história da humanidade no curto período de uma sessão de teatro. A adaptação brasileira, com Bruno Motta, deixa explícita essa premissa no nome: Um Milhão de Anos em Uma Hora. Ainda que parta da mesma ideia, a montagem percorre um texto bastante modificado em relação ao original, adaptado com graça e cheio de referências espertas ao Brasil — em um trabalho conjunto de Motta com Marcelo Adnet e Cláudio Torres Gonzaga, o diretor. Em clima de stand-up comedy (embora não seja exatamente uma), o espetáculo perpassa da revolução russa às guerras tribais africanas, da expansão do Império Romano às navegações europeias, entre muitos outros episódios, em um retrato não muito afável do ser humano. Se não chega a aprofundar reflexões, cumpre o papel de diversão com alguma dose de crítica, escorado em boas piadas, no ritmo ágil e no carisma de sua estrela.
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  • Monólogo cômico

    Morde!
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    No monólogo cômico escrito e estrelado por Simone Kalil, são apresentadas divertidas situações ligadas ao teatro. Direção de Alexandre Régis
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  • Monólogo

    O Narrador
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    Em 1936, o filósofo alemão Walter Benjamin escreveu um texto sobre o empobrecimento do ato de se contar histórias. A partir dessa obra, Diogo Liberano concebeu, de certa forma, uma subversão que reafirma a força da narração em sua plenitude. Apropriadamente, o próprio Liberano classifica a encenação não como uma peça, mas uma performance. Não há personagens ou enredo no sentido habitual dos termos. Sozinho em cena, ele literalmente lê um texto de sua autoria, no qual costura com apuro lembranças, trocas de cartas e poemas, compartilhando com a plateia experiências reais ligadas à morte de parentes e, mais detidamente, de uma amiga. Nada é por acaso: as roupas comuns que Liberano veste, o despojamento absoluto do palco, o ato de ir se desfazendo das folhas de papel à medida em que são lidas e até a presença enigmática de um boneco de pelúcia de Bisonho, o asno da turma do Ursinho Pooh, tudo tem sentido (ainda que por vezes metafórico) dentro do que é narrado. Verdadeiramente entregue, por vezes chegando às lágrimas, mas dominando a leitura com enorme traquejo, Liberano transcende a particularidade de sua própria história ao tratar, sem ranço de aridez intelectual, um tema universal — a morte. Assim, suscita reflexões e estabelece uma conexão genuína, tocante e poderosa com o espectador.
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  • Levada ao palco pela primeira vez há trinta anos, no circuito off-Broadway, a comédia musical Nunsense (trocadilho intraduzível que mescla as palavras “nun”, freira em inglês, e “nonsense”) é um fenômeno: com texto e canções de Dan Goggin, foi encenada em mais de vinte idiomas. No Brasil, batizado como As Noviças Rebeldes, o espetáculo está em sua terceira montagem, de novo sob o comando de Wolf Maya, que já dirigira as anteriores. A história é simples: cinco freiras vão jogar bingo em outro convento e escapam de uma intoxicação alimentar fatal para suas colegas. Para organizar um enterro, elas precisam fazer um show beneficente — nesse ponto, com a situação já resolvida, começa o espetáculo. Adaptada por Flávio Marinho com referências aos dias de hoje (que provocam algumas risadas e outros tantos sorrisos amarelos), a dramaturgia claudicante funciona como pretexto para números individuais irregulares, de humor um tanto datado. Sabrina Korgut responde pela melhor performance do elenco, completado por Soraya Ravenle, Helga Nemeczyk, Maurício Xavier e Carol Puntel.
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  • Enlutado pela morte da esposa, o distinto Sr. McLeavy (Mário Borges) ainda vela o corpo da mulher e já é obrigado a lidar com sérios problemas. De um lado, seu filho Hal (Rafael Canedo) e o comparsa dele, o agente funerário Dennis (Helder Agostini), roubaram um banco e, diante da chegada do detetive Truscott (Tuca Andrada), resolvem esconder o dinheiro no caixão. Enquanto isso, o comportamento da enfermeira Fay (Gláucia Rodrigues), descaradamente arrastando a asa para o viúvo da mulher de quem cuidava em vida, sugere que ela tem algo a ver com o repentino falecimento de sua antiga paciente. Conhecido pelo humor nigérrimo de suas comédias, repletas de situações ultrajantes e tipos afrontosos, o inglês Joe Orton (1933-1967) não foge à regra em O Olho Azul da Falecida. Nesta montagem da Cia Limite 151, o diretor Sidnei Cruz investe na dinâmica ágil típica do vaudeville, apropriada a esta comédia de erros cheia de entradas e saídas de personagens, e sublinha a comicidade das atuações. No elenco (completado por Johnny Ferro em participação pontual), o trio mais experiente — Borges, divertido em sua expansividade, e Gláucia e Andrada, modulando a desfaçatez — tira melhor proveito dessa linha de direção.
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  • Com uma curiosa dupla inspiração, no universo de Nelson Rodrigues (1912-1980) e na estética do cineasta Lars Von Trier, a tragicomédia do Grupo Fragmento, com texto de Jô Bilac, reúne seis histórias de conflitos familiares ambientadas em bairros diferentes da Zona Sul da cidade (Copacabana, Leblon, Glória, Urca, Catete e Ipanema), explorando situações extremas. No elenco estão Ana Carolina Dessandre, Carolina Ferman, Diogo de Andrade Medeiros, Elio de Oliveira e Monique Vaillé. Direção de Nirley Lacerda.
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  • No espetáculo, que já fez turnê pelo país e chegou até ao Japão, Paulinho Serra fala de sua infância em Bangu, do começo da carreira artística até a afirmação como um dos grandes nomes do humor nacional, e surpreende em improvisos com a plateia.
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  • Apresentada em 2013, a comédia de Flávio de Souza, dirigida por Walter Lima Jr., volta ao circuito modificada. Do elenco de então, apenas Tatianna Trinxet permanece, agora em companhia de Paulinho Serra e Alex Nader. O texto é um exercício de metalinguagem relacionado ao próprio teatro: envolvidos com o ensaio de uma peça, os personagens começam a formar um triângulo amoroso. Cabe à plateia ir descobrindo se o que se vê em cena é um espetáculo propriamente dito ou uma peça dentro de outra.
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  • Nos anos 20, os italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, morando nos Estados Unidos, foram presos e condenados à morte em controverso julgamento, pelo assassinato de duas pessoas (meio século mais tarde, acabariam oficialmente absolvidos). Gilberto Miranda e Douglas Amaral vivem os protagonistas no drama do argentino Mauricio Kartun, em montagem da Cia. Ensaio Aberto. Direção de Luiz Fernando Lobo.
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  • O poeta francês Arthur Rimbaud (1854-1891) é evocado neste espetáculo sobre os limites do homem: até que ponto ele permanece ético, íntegro e solidário quando envolvido nas inúmeras provas que a vida oferece. Rômulo Pacheco assina o drama, dirige o espetáculo ao lado de Priscila Albuquerque e está em cena com Vitor Peres. A história fala de dois poetas que vivem em situação precária.
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  • Entre os astros da canção brasileira homenageados recentemente, Wilson Simonal (1929-2000) talvez seja aquele cuja trajetória mais parece uma movimentada história de ficção. Jovem de origem pobre, tornou-se, nos anos 60, o primeiro ídolo negro da música nacional, até cair em decadência, acusado de colaborar com a ditadura militar como delator. Redimido nos últimos anos por meio de biografias e documentários (que reconhecem eventuais erros, mas resgatam seu talento de cantor), além do relançamento de discos, ele ganha o palco em S'Imbora, o Musical - A História de Wilson Simonal. O texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade (de Elis, a Musical) não foge totalmente da cartilha dos recentes musicais biográficos, mas tem o mérito de preservar matizes da vida do homenageado e driblar o didatismo tão recorrente nesse tipo de espetáculo. A direção de Pedro Brício, que optou por formatar o roteiro final ao longo dos ensaios, se mostra, talvez por isso, mais orgânica e envolvente. Sem se render à imitação fácil, o jovem Ícaro Silva irradia tanto o notório carisma do homenageado, na defesa de canções como Meu Limão, Meu Limoeiro, Vesti Azul, Carango e Nem Vem que Não Tem, quanto a angústia da fase final de sua vida, na arrepiante (e menos conhecida) Cordão - todas as músicas muito bem arranjadas por Alexandre Elias. Espécie de narrador da história, o produtor Carlos Imperial é vivido por Thelmo Fernandes com a competência habitual
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  • Vitimado por uma maldição, Haroldo (Jonas de Sá) só pode falar uma palavra por dia. Ao se apaixonar por Helena (Viviana Rocha), ele decide ficar mudo por trinta dias e acumular sua cota para poder se declarar com trinta palavras. Renata Amaral assina a comédia romântica. Direção de Zé Helou.
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  • A partir do filme Yentl, que Barbra Streisand estrelou e dirigiu em 1983, e da peça homônima de 1975, escrita por Leah Napolin e Isaac Bashevis Singer (1902-1991), a atriz e cantora Alessandra Maestrini concebeu esse espetáculo-concerto, estrelado e dirigido pela própria. Entre uma e outra canção pinçada do longa (com melodias de Michel Legrand e letras de Alan e Marilyn Bergman), ela conta a história de Yentl, garota que se traveste de homem para poder estudar. Em cena, Alessandra está acompanhada do pianista João Carlos Coutinho, que assina a direção musical.
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Fonte: VEJA RIO