15/6 a 21/6

Os principais espetáculos em cartaz na cidade

Comédia juvenil #broncadequê? e musical Ivon Curi — O Ator da Canção estreiam nesta semana

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

Ivon Curi - O Ator da Canção
Fernando Ceylão, de pé, como Ivon Curi, ao lado de Leonardo Wagner, ao piano: estreia do comediante em musicais (Foto: Guilherme Viotti/Divulgação)
  • A comédia faz uma seleção de histórias do dia a dia de duas mulheres simples e divertidas, Nena e Kelly (vividas por dois homens: Leo Campos e Alexandre Lino, respectivamente). Elas fazem do humor uma lente de aumento para falar de sua vida e da dos outros. Texto de Daniel Porto e direção de Vilma Melo.
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  • No musical em homenagem a Agnaldo Rayol (vivido por Marcelo Nogueira), sucessos do cantor são interpretados como em um show intimista, entre­mean­do cenas de sua vida. Stela Maria Rodriygues, Eduarda Fadini, Fabrício Negri e Mona Vilardo completam o elenco. O texto é de Fátima Valença. Direção de Roberto Bomtempo e direção musical de Marcelo Alonso Neves.
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  • Em tom de conversa, cinco mulheres (vividas por Joana Fomm, Samara Felippo, Mariana Molina, Dora Pellegrino e Carolina Stofella) tecem planos, confessam desejos e divagam livremente sobre assuntos como trabalho, família e sexualidade. O texto da comédia é de Ana Bez. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • Contos de Flávia Prosdocimi que abordam a violência e a degradação das relações cotidianas são transpostos para o palco nesta tragicomédia. Em cena, Elisabeth Monteiro, Gustavo Barros e Tiago d’Avila se alternam entre narradores e personagens. Direção de Daniel Belmonte.
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  • Comédia

    A Atriz
    Veja Rio
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    Protagonista de A Atriz, a diva das artes dramáticas Lydia Martin guarda semelhanças algo metalinguísticas com sua intérprete, Betty Faria, ela também tarimbada na profissão. Questões ligadas ao crepúsculo de artistas em idade avançada são esboçadas neste texto do inglês Peter Quilter. Aqui, o dramaturgo apresenta um quadro relativamente conhecido: na noite em que subirá ao palco pela última vez, a tal atriz, dona de talento indiscutível e modos de prima-dona, avalia passado, presente e futuro. A sucessão de lugares-comuns do texto não seria um problema se não estivesse tão presa ao mero desenho de um ambiente e de determinados tipos — ou se fosse mais direcionada à deflagração de conflitos que de fato movimentassem o enredo. Talvez ciente disso, a direção de Bibi Ferreira (posteriormente auxiliada por Susana Garcia) investe em um tom de comédia ligeira que poderia alçar voo mais alto, mas deve agradar a quem busca apenas divertimento bem produzido — são caprichados o cenário de José Dias e os figurinos de Sônia Soares. No elenco, Betty, além de Giuseppe Oristanio e Bemvindo Sequeira, respectivamente como ex e futuro marido da protagonista, aproveitam melhor as poucas oportunidades dadas por seus personagens.
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  • Escrito por André Sant’Anna e dirigido por Georgette Fadel, o espetáculo conta a história de um travesti e um garoto de programa que dividem um apartamento no centro de uma megalópole. Certo dia, eles recebem a visita de um jovem estudante, recém-chegado de uma pequena cidade do interior, interessado em pesquisar o universo da prostituição masculina para a peça que está montando no curso de teatro.
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  • Monólogo dramático

    Borderline
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    Transtornos de personalidade são o tema do monólogo dramático escrito por Junior Dalberto, encenado aqui pela Cia. de Arte Nova. Bruce Brandão está em cena, dirigido por Marcello Gonçalves.
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  • Portador de Down, Pedro Baião vive um jovem com o distúrbio genético nesta comédia juvenil escrita por Rogério Blat. Na história, ele convoca pela internet uma passeata com o objetivo de chamar a atenção para a síndrome, mas só aparecem quatro amigos (vividos por Karina Ramil, Lorena Comparato, Renato Goes e Theo Nogueira). Da manifestação fracassada eles partem para numa aventura na noite carioca. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • Sucesso há dez anos, o espetáculo Comédia em Pé, pioneira na cena brasileira do stand-up comedy, ganha nova formação: Felipe Ruggeri e Afonso Padilha se juntam a Claudio Torres Gonzaga e Victor Sarro. No novo espetáculo, rebatizado, há um novo quadro, no qual os humoristas se apresentam diante de uma bancada, comentando de forma divertida notícias da semana. 
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  • Encenado em 2013, o monólogo cômico volta repaginado, com novos personagens. Além de assinar o texto, ao lado de Mariana Rebelo e Conrado Helt, Rodrigo Sant’anna estrela e dirige a montagem. Ele apresenta uma sátira aos comícios eleitorais por meio de nove candidatos.
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  • Releituras de clássicos são uma instituição teatral quase tão sólida quanto as próprias obras submetidas a tais revisões. Diretor com estrada na TV, Vinicius Coimbra se arrisca pela primeira vez nas artes cênicas com um exemplar do gênero. O alvo é ambicioso: As You Like It, comédia de William Shakespeare. Algo equivocadamente intitulada Como a Gente Gosta, a versão tem em Coimbra também um dos tradutores, o adaptador, o figurinista e o cenógrafo. A empreitada é corajosa, mas o resultado, irregular. Na história, a jovem Rosalinda (Priscila Steinmann) é banida do reino devido a um imbróglio envolvendo seu pai e, sob uma identidade masculina, refugia-se na floresta, onde encontrará seu amor, Orlando (Gabriel Falcão). A adaptação aposta em galhofa que banaliza um bocado o original, mas se beneficia comicamente da entrega dos atores a esse viés. Pedro Paulo Rangel e Camilla Amado, entre os mais experientes, e João Lucas Romero e Patrícia Pinho, na ala jovem, se destacam. A ideia de brincadeira e jogo teatral é reforçada no despojamento dos figurinos — calça jeans, camiseta com o nome dos personagens e alguns adereços — e do cenário, este mal-ajambrado mesmo considerando a proposta.
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  • O congresso que dá nome à comédia serve de pretexto para esquetes em que o sexo é abordado. Lucas Domso, também autor do texto, se junta em cena a Charles Paraventi e Dani Brescianini. Direção de Cláudio Torres Gonzaga.
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  • Criador do Teatro do Oprimido, Augusto Boal (1931-2009) conheceu bem as agruras da ditadura militar brasileira: após uma temporada na prisão em 1971, exilou-­se na Argentina. Ao longo dos primeiros cinco anos por lá, o autor e diretor escreveu uma série de histórias curtas sobre o cotidiano na América Latina, publicadas no jornal O Pasquim. A comédia Crônicas de Nuestra América - mesmo nome da compilação dos textos lançada em 1977 - leva-as pela primeira vez ao palco. Theotonio de Paiva assina a adaptação, centrada na trama inicial do livro, O Gato, a Mulher de Johnny e a Bicicleta a Motor, embora outras surjam em relatos de alguns personagens. Ambientada nas Ilhas Falkland, arquipélago ao sul do continente americano, a narrativa tem como protagonista o marinheiro inglês John Sutherland (Henrique Manoel Pinho na maior parte do tempo, dividindo o papel com Lucas Oradovschi). Longe de seu país, ele alterna trabalhos menos nobres, alguma vadiagem na taberna de Clorinda (Carmen Luz e Larissa Siqueira) e a preocupação com a mulher, Dorothy (Clara de Andrade), cobiçada pelo galanteador El Gato (Oradovschi e Adriana Schneider). Toques surrealistas pontuam a sessão, apropriadamente simples para o que se apresenta como crônica. Por trás da aparente ligeireza, porém, vislumbram-se reflexões sobre o desterro (reforçadas esteticamente no cenário e nos figurinos de Dani Vidal e Ney Madeira). A direção de Gustavo Guenzburger aposta na coletividade, notada na coreografia das marcações e no compartilhamento de um personagem por mais de um ator.
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  • Formado por Raphael Ghanem, Victor Lamoglia e Lucas Salles, todos com pouco mais de 20 anos, o quarteto faz jogos de improviso, à moda do bem-sucedido Z.É. - Zenas Emprovisadas, grupo que revelou Marcelo Adnet e Gregorio Duvivier.
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  • Apresentado no Rio em 2011, dentro de uma mostra de repertório que comemorou os 20 anos do grupo As Marias da Graça, Duas Palhaças é uma rara produção da trupe para o público adulto. Integrantes da companhia, Karla Concá e Vera Ribeiro convidaram o palhaço argentino Guillermo Angelelli para dirigir a montagem, concebida em linguagem de clown e inspirada pelo clássico O Pequeno Príncipe. Em cena, as duas palhaças do título — vividas por Karla e Vera, responsáveis também pelo roteiro do espetáculo, ao lado do diretor — conversam sobre diversas questões existenciais suscitadas pelo livro do francês Antoine de Saint-Exupéry.
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  • Stand-up comedy

    Elefante
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    Fernando Ceylão volta às origens com um espetáculo de stand-up comedy, gênero que ajudou a popularizar por aqui nos anos 90. Desta vez, ele aborda temas polêmicos, como o preconceito, além de assuntos mais prosaicos, como dietas.
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  • Comédia romântica

    Enfim, Nós
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    Cai no próximo domingo o Dia dos Namorados. Apelo comercial à parte, a data é oportunidade atraente para os pombinhos renovarem seus votos de carinho. Com Fernanda e Zeca, no entanto, as coisas se complicaram: personagens da comédia Enfim, Nós, os dois acabaram trancados no banheiro quando se aprontavam para celebrar e mergulham noite adentro em intensa discussão de relação. Do confronto emergem ciúme e manias de um que o outro não conhecia. Casados na vida real, Fernanda Vasconcellos e Cássio Reis voltam ao Rio com o espetáculo, a partir de sexta (10) no Teatro Fashion Mall. Escrita por Bruno Mazzeo e Cláudio Torres Gonzaga, também responsável pela direção, a peça já foi vista por mais de 600 000 espectadores, estrelada por nomes como Fernanda Souza, Fabíula Nascimento, Regiane Alves, Marcius Melhem e o próprio Mazzeo
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  • Estreia do jornalista Luiz Felipe Reis como autor e diretor, Estamos Indo Embora..., da Polifônica Cia., exibe coragem em duas frentes. Com relação à temática, leva à cena questões pouco ou nada abordadas no teatro, ligadas ao impacto das ações do homem sobre o meio ambiente. Além disso, investe em uma encenação híbrida, experimental na confecção da dramaturgia (algo catequizante, ressalte-se) e em sua transposição para o palco. Não há uma trama convencional: Julia Lund e Márcio Machado, ambos corretos frente à proposta, abrem a peça com uma cena de forte apelo estético (uma tônica do espetáculo, aliás), cruzando o palco diante da projeção de um vídeo que mostra geleiras derretendo. Assumem, em seguida, um formato de palestra científica e, por fim, no encerramento sombrio, encarnam um casal cheio de incertezas em um futuro distante. Essa aparente divisão em segmentos de linguagens distintas presta serviço ao arrojo, embora o resultado soe um tanto irregular no conjunto.
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  • Comédia

    Eu e Ela
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    Sozinha em casa, Bárbara (Cláudia Mauro) se vê diante do seu pior medo: uma barata. A situação a deixa histérica e começa a trazer à tona problemas como o fracasso do seu casamento e sua insatisfação no trabalho. Conhecido por biografias como a do produtor musical e ex-traficante João Guilherme Estrella e a do humorista Bussunda, Guilherme Fiuza não logra o mesmo êxito na comédia Eu e Ela, sua estreia no teatro. A boa premissa, de desdobrar uma situação banal em uma investigação sobre questões mais profundas, fica no meio do caminho, diluindo tanto o lado pretensamente sério do texto quanto sua comicidade. O desenrolar da trama soa repetitivo e suas reflexões, algo rasas - sensação que a direção de Ernesto Piccolo não chega a dirimir. Escoltada por André Dale e Stella Brajterman em papéis secundários, Cláudia empresta algum carisma à personagem.
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  • Monólogo cômico

    Eugênia
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    Nascida no fim do século XVIII, em uma família de conexões políticas, Eugênia José de Menezes foi, ainda jovem, introduzida à vida na corte portuguesa. Ali, a beleza da moça logo chamaria a atenção do príncipe regente, dom João VI, de quem se tornaria amante. Uma gravidez, porém, selou sua má sorte: para abafar o escândalo real, a jovem foi banida e enviada para um convento. As mirradas informações disponíveis sobre essa figura histórica servem de base para Eugênia. Gisela de Castro, estrela do monólogo cômico, encarna a personagem-título que surge do além para expor sua versão dos fatos. No texto de Miriam Halfim, episódios reais são costurados a licenças narrativas e, mais importante, ácidos comentários sobre os meandros da política e a condição da mulher. O cenário de José Dias, resumido a uma grande caixa de onde são retirados os adereços criados por Samuel Abrantes (também responsável pelo colorido figurino), e a luz de Aurélio de Simoni emprestam clima fantasioso e ironicamente circense à encenação. Sob direção vertiginosa de Sidnei Cruz, Gisela fisga a plateia com amplo domínio de ritmo, ótimo uso da voz e notável trabalho corporal.
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  • Em estágio terminal de câncer, Ben (Rogério Fróes) padece sobre uma cama de hospital, enquanto sua mulher, Rita (Suzana Faini), ali a seu lado, folheia uma revista de decoração, planejando a mudança no visual da sala de estar do casal tão logo o marido morra. Trata-se de um dos muitos sintomas da incomunicabilidade que afeta as relações entre os personagens de Família Lyons, desconcertante tragicomédia de Nicky Silver. Como em boa parte de sua obra, aqui o autor americano volta a jogar luz sobre núcleos familiares disfuncionais. Além da esposa alheia, o patriarca grosseirão deverá lidar com a visita dos filhos complicados: Lisa (Zulma Mercadante), alcoólatra, recém-separada, e Curtis (Emilio Orciollo Netto), escritor de talento duvidoso e, para desgosto de Ben, homossexual. À parte a difícil convivência com os pais, os dois também têm seus problemas particulares, que não convém revelar de antemão. Ciente da qualidade do texto, o diretor Marcos Caruso não inventa moda, postura notável até na austeridade funcional do cenário de Alexandre Murucci, iluminado de acordo por Felipe Lourenço. Ao contrário, prefere apostar no bom ritmo da montagem e na envolvente dinâmica do elenco, completado por Pedro Osório e Rose Lima, que desempenham com competência papéis menores. No entrosado quarteto principal, é impossível não destacar a interpretação superlativa de Suzana, precisa em cada intervenção.
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  • Em um parque infantil, quatro moças narram e vivenciam histórias diversas, ora evidentemente imaginadas, ora verossímeis — embora nunca fique claro se são verdadeiras. Fisicamente, são jovens adultas, mas os figurinos, a ambientação e a postura das personagens sugerem meninas conflitantes com o conteúdo por vezes perverso das narrativas. Nesse intrigante desconforto entre o conhecido e o ignorado, o visto e o compreendido, está a força de Foi Você Quem Pediu para Eu Contar a Minha História, da francesa Sandrine Roche, aqui em adaptação de Thereza Falcão. Assuntos como feminilidade, misoginia, status social, família e morte surgem nas histórias, mais eficientes em si mesmas do que na articulação do texto. No mesmo sentido, a direção de Guilherme Piva extrai boas atuações in­dividuais de Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Karla Tenório e Talita Castro, ainda que potenciais sutilezas e modulações se­ diluam na uniformidade do tom.
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  • Para além de suas notáveis contribuições à arte do século XX, os mexicanos Frida Kahlo (1907-1954) e Diego Rivera (1886-1957) tornaram-se conhecidos pela vida a dois, repleta de episódios de infidelidade mútua, choques de personalidades e intercâmbios criativos. Esse conturbado e simbiótico relacionamento está no cerne do drama Frida y Diego, de Maria Adelaide Amaral. Na humanização do cânone, o texto sobrevoa de forma distanciada as questões ligadas à produção artística da dupla, pendendo um tanto demasiadamente para as discórdias causadas pelas traições do marido. Ainda que como pano de fundo para essas querelas, a dramaturgia compõe um painel de mais de duas décadas de convívio — passando pelas intermináveis dores de Frida, resultado de um acidente de bonde na juventude que a impediu de ter filhos, e pelos pendores comunistas de Rivera. A direção de arte de Marcio Vinicius, aliada à projeção de vídeos, e a música executada ao vivo por Wilson Feitosa (acordeão) e Mauro Domenech (contrabaixo) imprimem apropriada plasticidade e dinamizam a montagem. Sob direção de Eduardo Figueiredo, Leona Cavalli e José Rubens Chachá defendem com galhardia nuances de seus personagens: Frida, dona de uma extraordinária força por trás de sua fragilidade física, e Rivera, cujo egocentrismo não escondia sua íntima dependência da mulher.
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  • O livro Batidão — Uma História do Funk, do jornalista Silvio Essinger, inspira o musical de João Bernardo Caldeira e Pedro Monteiro. Esse último divide a cena com Alex Gomes, Dérik Machado, Luiza Mayall, Marcelo Cavalcanti, Marcelo Dias e Michelly Campos para contar a trajetória do funk no país desde os anos 70, quando imperava a soul music, até os dias de hoje. Direção de Joana Lebreiro e direção musical de Marcelo Rezende.
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  • Monólogo cômico

    A Geladeira
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    Assim como O Homossexual ou A Dificuldade de Se Expressar, este desconcertante monólogo cômico é uma das peças do dramaturgo, performer e cartunista franco-argentino Raul Damonte Botana, o Copi (1939-1987), montadas no projeto carioca em seu tributo. Aqui, Marcio Vito encarna um ex-modelo de gênero indefinido — como é de esperar de Copi, artista afeito à diluição de limites entre masculino e feminino. Ao fazer 50 anos, ele (ou ela?) recebe uma geladeira de presente da mãe. Desenrola-se, então, uma série de acontecimentos surreais, nos quais Vito se desdobra em vários personagens, como a tal mãe, uma psicóloga e uma governanta. À parte as reflexões sobre solidão, evocadas na trama delirante, a estrutura provocante da dramaturgia é, em si, um convite a ponderações a respeito da subversão da realidade. A direção de Thomas Quillardet impõe excelente ritmo, beneficiado pelo virtuosismo de Vito.
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  • Em meados dos anos 70, o inglês Tom Stoppard escreveu 15-Minute Hamlet, comédia ancorada em uma ideia inusitada, já explicada no título: condensar em apenas um quarto de hora o clássico de William Shakespeare. Baseado nesse texto, um grupo de cinco amigos formados pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), reunidos em uma companhia batizada de Os Trágicos, criou um esquete para ser encenado na quarta edição do Festival Universitário do Rio de Janeiro, em 2014. Elogios e prêmios amealhados pela curta montagem incentivaram o quinteto, constituído por Gabriel Canella, Pedro Sarmento, Yuri Ribeiro, Diogo Fujimura e Mathias Wunder, a ampliar o esquete, dando origem a esta divertida comédia. Professora dos rapazes na CAL, Adriana Maia assina direção e dramaturgia. A rigor, no que diz respeito ao texto, a diferença é o acréscimo de um preâmbulo ao que fora encenado no festival. Nele, mostra-se como um grupo de larápios foi preso por pequenos delitos — conhecedores de Shakespeare poderão notar evocações à sua obra em algumas situações. Para salvar a pele, os criminosos precisam agradar à rainha com uma encenação de Hamlet, e aí entra o esquete. O clima de absoluta galhofa não é propício a cultores de clássicos à moda antiga, mas conquista quem busca divertimento. A agilidade da direção e a química entre os atores contam a favor.
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  • Edson Cardoso (outrora conhecido como o Jacaré do grupo É o Tchan) estrela o monólogo cômico de Rob Becker, recordista de temporadas na Broadway e já encenado em diversos países. Ele encarna um personagem chamado Edson (a coincidência de nomes é rubrica do autor para as montagens mundo afora), que, farto dos mal­-entendidos nas relações entre homens e mulheres, passa a defender os primeiros — em confrontos entre casais do tempo das cavernas aos dias de hoje. Direção de Nancho Novo.
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  • Pouco montado por aqui, o dramaturgo, performer e artista gráfico franco-argentino Raul Damonte Botana, o Copi (1939-1987), tem nesta rascante comédia uma das peças de sua autoria dentro de um projeto em sua homenagem — a outra é o monólogo A Geladeira. Questões de gênero são levantadas de forma visionária (o texto é de 1967) a partir da bizarra história da jovem Irina e da Senhora Simpson. Não à toa vividas por homens — respectivamente Mauricio Lima e Renato Carrera, este luminoso no entrosado elenco —, as personagens estão exiladas na Sibéria por terem mudado de sexo. Transgênero convertido em homem (mas que, em uma das ousadias típicas do autor, se veste de mulher e é tratado no feminino), a Madame Garbo (Leonardo Corajo) tenciona levá-las para o exterior. Fabiano de Freitas, além de completar o elenco com Higor Campagnaro, assina a elegante e segura direção da desestabilizadora montagem.
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  • O comediante Fernando Ceylão sai de sua zona de conforto e envereda pelo musical neste espetáculo. Acompanhado pelo ator e pianista Leonardo Wagner, ele vive o ator e cantor Ivon Curi (1928-1995). Escrito por Pedro Murad, o texto não segue os moldes de uma biografia tradicional — em vez disso, subverte a cronologia e aposta em um realismo mágico e em um lirismo nonsense. Canções como La Vie en Rose e Xote das Meninas estão no roteiro. Direção de Lucio Mauro Filho e Danilo Watanabe. Direção musical de Tim Rescala.
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  • Nos últimos meses, o circuito teatral carioca tem sido visitado com razoável frequência por espetáculos de pegada poética, que celebram determinados autores não por meio de suas biografias, mas pela força de suas obras. Comemorando 10 anos de existência, a Companhia de Teatro Íntimo envereda por essa seara em João Cabral, resgate cênico da obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Nenhum dos atores interpreta o homenageado: trata-se de uma espécie de recital dramatizado de seus poemas e cartas. O diretor Renato Farias, também autor do roteiro, investe em uma envolvente carga visual, equilibrada no fio da navalha com a potência das palavras. Tais imagens são ora mais oníricas, ora evocativas do autor, caso da cana-de-açúcar espalhada no cenário, da manipulação de máquinas de escrever e do número de flamenco, referência à cidade de Sevilha, onde o poeta viveu. Com essa concorrência imagética, associada à própria natureza do teatro (em que é impossível voltar as páginas), alguns versos fatalmente se perdem, mas a beleza do percurso em conjunto vale a apreciação. Em cena, Rafael Sieg, Cae­ta­no O’Maihlan, Raphael Vianna e Gaby Haviaras demonstram unidade e valorizam, pelo domínio da voz, a obra que reverenciam.
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  • Na comédia de Newton Moreno, Lilia Cabral encarna a protagonista, uma solteirona que não quer chegar aos 50 anos sem conseguir um marido. Para atingir seu objetivo, ela enfrenta a ira do pai e contraria os habitantes da sua cidadezinha, que acreditam que ela é santa. A chegada de um circo ao povoado muda totalmente o destino de Maria. No elenco também estão Eduardo Reyes, Fernando Neves, Silvia Poggetti e Dani Barros. Direção de João Fonseca.
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  • Emma (Raquel Iantas) tem em Charles (Joelson Medeiros) um marido perfeito nas suas docilidade e devoção. Tal situação, porém, só é capaz de despertar na mulher o mais profundo tédio, que ela tenta aplacar em casos extraconjugais. Transposição para os palcos do livro homônimo de Gustave Flaubert (1821-1880), Madame Bovary aborda, por trás de suas múltiplas camadas, a eterna insatisfação humana. Em que pese o inescapável enxugamento do romance, a adaptação de Bruno Lara Resende (também diretor ao lado de Rafaela Amado) preserva a essência em dramaturgia que não trai suas origens: na boca dos personagens, diálogos se alternam com narrações dos fatos. No papel-título, Raquel entrega uma Emma menos arrebatada do que o imaginário em torno da personagem sugere, mas em consonância com o que parece ser uma proposta de evidenciar a narrativa. Nunca menos do que correto, o elenco conta ainda com Alcemar Vieira, Lourival Prudêncio e Vilma Mello.
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  • O espetáculo estrutura-se a partir do chamado Jogo do Gaulier, criado na École Philippe Gaulier, em Paris. Inicialmente, há uma apresentação dos tipos melodramáticos, como o sofredor, o apaixonado e o vilão, através de exercícios que estimulam os gestos típicos desses personagens. Após essa apresentação, iniciam-se jogos teatrais de improviso baseados no gênero melodramático. O público participa ativamente do espetáculo. Direção de Paulo Merísio.
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  • As oscilações de humor entre as mulheres são o mote da comédia de Rodrigo Nogueira. Escrita com base em um argumento de Marilia Toledo e Emílio Boechat, a história se passa na sala de embarque de um aeroporto onde Tita (Pia Manfroni), em busca de informações sobre seu voo, que está atrasado, procura Val (Rosi Campos), funcionária da companhia aérea e velha amiga, e tem a conversa ouvida por Stela (Rose Abdallah). A direção é de João Fonseca.
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  • Arthur Ienzura e Jéssika Menkel vivem Ernesto e Marta, um casal de idosos que vive das suas lembranças do passado, mas a memória falha atinge o casal e embaralha as histórias. Direção de Felipe Fagundes.
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  • Em 2008, Fernando Ceylão escreveu um esquete sobre um taxista fracassado, para compor o espetáculo Você Está Aqui, formado por uma série de cenas curtas. Sozinho em cena, Paulo César Pereio encarnava o tal chofer carente de afeto, cismado em fazer amizade com um cliente que mal o conhece. Certo dia, o ator faltou a uma sessão e o próprio Ceylão assumiu o posto — no que lhe veio a ideia de ampliar a cena e transformá-la em um monólogo para si. Sob direção de Bruce Gomlevsky, Meu Nome É Reginaldson insinua uma reflexão sobre o fracasso, mas não alça voo mais alto nesse sentido. Funciona melhor como veículo para Ceylão, apropriadamente patético como o taxista que invade o apartamento vazio do cliente para aguardá-lo. Enquanto isso, ensaia seu discurso de apresentação, no qual vêm à tona memórias de outros personagens que cruzaram sua vida, prato cheio para o ator se multiplicar por diversos tipos.
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  • Encenado pela primeira vez na Broadway, estrelado pelo comediante Colin Quinn (conhecido pelo programa Saturday Night Live), o monólogo Long Short Story propunha-se a narrar, de forma divertida, toda a história da humanidade no curto período de uma sessão de teatro. A adaptação brasileira, com Bruno Motta, deixa explícita essa premissa no nome: Um Milhão de Anos em Uma Hora. Ainda que parta da mesma ideia, a montagem percorre um texto bastante modificado em relação ao original, adaptado com graça e cheio de referências espertas ao Brasil — em um trabalho conjunto de Motta com Marcelo Adnet e Cláudio Torres Gonzaga, o diretor. Em clima de stand-up comedy (embora não seja exatamente uma), o espetáculo perpassa da revolução russa às guerras tribais africanas, da expansão do Império Romano às navegações europeias, entre muitos outros episódios, em um retrato não muito afável do ser humano. Se não chega a aprofundar reflexões, cumpre o papel de diversão com alguma dose de crítica, escorado em boas piadas, no ritmo ágil e no carisma de sua estrela.
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  • Monólogo cômico

    Morde!
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    No monólogo cômico escrito e estrelado por Simone Kalil, são apresentadas divertidas situações ligadas ao teatro. Direção de Alexandre Régis
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  • Flávia Reis interpreta onze mulheres nesta comédia. O texto, escrito por Flávia em parceria com Henrique Tavares, é conduzido a partir de uma palestra sobre neurose. Anderson Cunha também está em cena. Direção de Márcio Trigo.
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  • A tão conhecida trama do escritor russo Anton Tchekov (1860-1904) ganha um tom intimista na montagem dirigida por Morena Cattoni. O espectador é convidado a se sentar no meio do jardim do Casarão Austregésilo de Athayde, no Cosme Velho, para acompanhar bem de perto as marcas deixadas pela passagem do tempo na família de Olga, Macha e Irina. As três irmãs do título (interpretadas por Julia Deccache, Gisela de Castro e Paula Sandroni) sonham em retornar à Moscou, sua terra natal, e refletem sobre suas próprias vidas e o valor do conhecimento ao longo da apresentação. Na medida em que o dia baixa, a história transpassa as estações, mostrando que a esperança inicialmente solar se transforma em mágoa e quase destrói a família, também composta pelo irmão Andrei (Cirillo Luna). A direção busca aproveitar o alternativo palco em todo seu espaço, muitas vezes apresentando cenas simultâneas. O destaque fica por conta de Gisela, que comove com a dor de Macha e aproxima ainda mais o público daquela história.
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  • Enlutado pela morte da esposa, o distinto Sr. McLeavy (Mário Borges) ainda vela o corpo da mulher e já é obrigado a lidar com sérios problemas. De um lado, seu filho Hal (Rafael Canedo) e o comparsa dele, o agente funerário Dennis (Helder Agostini), roubaram um banco e, diante da chegada do detetive Truscott (Tuca Andrada), resolvem esconder o dinheiro no caixão. Enquanto isso, o comportamento da enfermeira Fay (Gláucia Rodrigues), descaradamente arrastando a asa para o viúvo da mulher de quem cuidava em vida, sugere que ela tem algo a ver com o repentino falecimento de sua antiga paciente. Conhecido pelo humor nigérrimo de suas comédias, repletas de situações ultrajantes e tipos afrontosos, o inglês Joe Orton (1933-1967) não foge à regra em O Olho Azul da Falecida. Nesta montagem da Cia Limite 151, o diretor Sidnei Cruz investe na dinâmica ágil típica do vaudeville, apropriada a esta comédia de erros cheia de entradas e saídas de personagens, e sublinha a comicidade das atuações. No elenco (completado por Johnny Ferro em participação pontual), o trio mais experiente — Borges, divertido em sua expansividade, e Gláucia e Andrada, modulando a desfaçatez — tira melhor proveito dessa linha de direção.
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  • Comédia dramática

    Para os que Estão em Casa
    Veja Rio
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    Primeiro trabalho do ator Leonardo Netto como dramaturgo, a comédia dramática Para os que Estão em Casa alcança um mérito e tanto: as reflexões levantadas são da maior pertinência, mas em nenhum momento se sobrepõem aborrecidamente à história. Também diretor da montagem, o autor parte do mesmo mote de Denise Está Chamando, filme de certa forma premonitório: em 1995, já mostrava um grupo de amigos que só se comunicava por meio de gadgets. Aqui, o septeto é vivido por Adassa Martins, Ana Abbott, Beatriz Bertu, Cirillo Luna, Isabel Lobo, João Velho e Renato Livera. Sem pretender catequizar a plateia, o texto destila ponderações, em última análise, sobre a solidão — ideia presente na cenografia de José Dias, dividida em nichos isolados. Em uma boa sacada, os atores por vezes estão fisicamente próximos, mas seus personagens na verdadenão se veem. A direção imprime ótimo ritmo à montageme extrai do elenco coeso interpretações envolventes em sua naturalidade.
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  • No espetáculo, que já fez turnê pelo país e chegou até ao Japão, Paulinho Serra fala de sua infância em Bangu, do começo da carreira artística até a afirmação como um dos grandes nomes do humor nacional, e surpreende em improvisos com a plateia.
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  • Bemvindo Siqueira dirige a comédia escrita por Maurício Silveira. Toda a ação se passa na sala da casa de Marcela (Amanda Parisi). Enquanto o marido trabalha, ela e seu amante são surpreendidos por uma dupla de criminosos atrapalhados.
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  • Drama

    Pulsões
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    Em um espaço físico indefinido, descolado da realidade, um maestro (Cadu Fávero) e uma bailarina (Fernanda de Freitas) transitam entre a loucura e a sanidade, enquanto procuram reconstituir sua existência através de fragmentos de memórias. A princípio, a única certeza (deles e do público) é que os dois se amam profundamente, devoção comparável apenas à que ele entrega à música e ela, à dança. De fato, em Pulsões, o amor é a força que impede essas figuras de sucumbir. Nesse processo de descoberta, que trará revelações inesperadas à tona, o drama de Dib Carneiro Neto se equilibra entre uma intensa carga poética e o tom algo monocórdio dos diálogos, emocionalmente arrebatado do início ao fim. A direção de Kika Freire investe em marcações que reforçam o aspecto onírico da montagem, evidenciado ainda no cenário e nos figurinos de Teca Fichinski e na trilha executada ao vivo por João Bittencourt (piano) e Maria Clara Valle (violoncelo), sob direção musical de Marco França. Nesse ambiente carregado de sensibilidade, Fávero e Fernanda estabelecem boa contracena — ela, especialmente, revela tato na extração de arroubo e fúria de sua insuspeita aparência de frágil bailarina.
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  • Apresentada em 2013, a comédia de Flávio de Souza, dirigida por Walter Lima Jr., volta ao circuito modificada. Do elenco de então, apenas Tatianna Trinxet permanece, agora em companhia de Paulinho Serra e Alex Nader. O texto é um exercício de metalinguagem relacionado ao próprio teatro: envolvidos com o ensaio de uma peça, os personagens começam a formar um triângulo amoroso. Cabe à plateia ir descobrindo se o que se vê em cena é um espetáculo propriamente dito ou uma peça dentro de outra.
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  • No drama do Grupo Teatro Empório, é contada a história de Léo (Leandro Bacellar, também autor do texto e diretor), que retorna à sua casa, após ter cumprido dez anos de prisão, condenado pelo assassinato de seu tio. Nessa volta, ele tenta retomar as relações com seus amigos e familiares, rompidas pela sua ausência e pelo seu crime. No elenco estão ainda Letícia Iecker, Raffael Araújo, Marcela Büll, Ramon Alcântara e Nívia Terra.
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  • Nos anos 20, os italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, morando nos Estados Unidos, foram presos e condenados à morte em controverso julgamento, pelo assassinato de duas pessoas (meio século mais tarde, acabariam oficialmente absolvidos). Gilberto Miranda e Douglas Amaral vivem os protagonistas no drama do argentino Mauricio Kartun, em montagem da Cia. Ensaio Aberto. Direção de Luiz Fernando Lobo.
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  • Drama de Friedrich Dürrenmatt. Na história, a mulher mais rica do mundo, Claire Zahanasian (Maria Adélia), volta à sua cidade natal. Aos 17 anos, ela engravidou do namorado. Abandonada, ela moveu na justiça uma ação de investigação de paternidade, mas acabou expulsa da cidade. No elenco estão ainda Yashar Zambuzzi, Eduardo Rieche, Paulo Japyassú, Antonio Alves, Laura Nielsen, Renato Peres, André Frazzi, Anita Terrana, Pedro Lamim, Pedro Messina. Direção e adaptação de Sílvia Monte. 
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  • A partir do filme Yentl, que Barbra Streisand estrelou e dirigiu em 1983, e da peça homônima de 1975, escrita por Leah Napolin e Isaac Bashevis Singer (1902-1991), a atriz e cantora Alessandra Maestrini concebeu esse espetáculo-concerto, estrelado e dirigido pela própria. Entre uma e outra canção pinçada do longa (com melodias de Michel Legrand e letras de Alan e Marilyn Bergman), ela conta a história de Yentl, garota que se traveste de homem para poder estudar. Em cena, Alessandra está acompanhada do pianista João Carlos Coutinho, que assina a direção musical.
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Fonte: VEJA RIO