13/4 A 19/4

Os principais espetáculos em cartaz na cidade

Bom-Crioulo, Meu Saba, Yentl em Concerto e Contra o Vento (Um Musicaos) são as estreias da semana. O bem-sucedido drama Incêndios, com Marieta Severo, volta ao circuito

Por: Rafael Teixeira

Meu Saba
Clarissa Kahane em Meu Saba: monólogo dramático baseado no livro de Noa Ben-Artzi Pelossof, neta do ex-primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin (Foto: Olívia D'Agnoluzzo/Divulgação)
  • Às vésperas de se aposentar, o metalúrgico Tuco (Wilmar Amaral) abandona o trabalho para se dedicar ao grande sonho de virar cantor — abortado décadas atrás, depois de uma fracassada apresentação. Para fugir da gozação dos amigos e da pressão da família, ele se tranca em um porão, onde ensaia sozinho, à espera de violonistas que um conhecido prometera enviar. Quem bate à porta, entretanto, é Sebastian (Roberto Frota), um velho amigo, decidido a trazer Tuco de volta à razão. Escrita pelo argentino Carlos Gorostiza em 1981, quando seu país vivia sob uma ditadura, a peça O Acompanhamento perde aqui o subtexto político, referente à busca de uma vida fora dos padrões estabelecidos, deixando evidente, assim, sua simplicidade — nem por isso desprovida de valor em suas reflexões sobre a importância da amizade e da perseguição de um ideal. Sob direção cuidadosa de Daniel Archangelo, os atores valorizam o texto com interpretações tocantes e podem até arrancar uma lágrima furtiva na cena final.
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  • Marcos Camelo e Florencia Santángelo assinam esta adaptação do conto infantil A Bela Adormecida. Ambos desempenham outras funções na comédia dramática: ele é o diretor e ela, atriz, sozinha em cena.
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  • Após deixar a clínica psiquiátrica onde estava internada, Karin (Gabriela Duarte) se junta à família: Martin (Marcos Suchara), o marido zeloso, David (Joca Andreazza), o pai egocêntrico, e Max (Lucas Lentini), o irmão mais novo imaturo. O que deveria ser um temporada feliz em uma casa de veraneio logo desanda: tendo a instabilidade emocional de Karin como estopim, evidencia-se o desmoronamento das relações familiares. Adaptação, assinada pela inglesa Jenny Worton, do longa homônimo do sueco Ingmar Bergman (1918-2007), vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro em 1962, o drama Através de um Espelho dribla julgamentos dos personagens. Ao contrário, expõe a incomunicabilidade do quarteto com frieza cortante e algo distanciada — condizente com a nacionalidade de Bergman. Sob direção de Ulysses Cruz e fora da zona de conforto das mocinhas televisivas, Gabriela acerta ao investir nas modulações de sua personagem, em vez da caricatura da doente mental. Destaque para o apuro visual da montagem, na cenografia de Lu Bueno, na luz de Domingos Quintiliano e nos figurinos de Cassio Brasil
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  • Na montagem da comédia de Ariano Suassuna (1927-2014) pela Cia. Limite 151, o personagem João Grilo é representado por uma atriz: Gláucia Rodrigues. Em cena, após uma chacina, Grilo encontra no purgatório sete personagens que ludibriou. No tribunal divino, essas almas serão disputadas por Manuel, uma representação de Jesus, e pelo Encourado, um dos muitos nomes do capeta. Direção de Sidnei Cruz.
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  • Emergem da infância e da adolescência de Paulo Betti no interior de São Paulo, tempo humilde em que ele nem sonhava em inscrever seu nome no rol dos grandes atores do país, as histórias que servem de base para este encantador monólogo. Sem preocupação com a linearidade, os episódios revividos por ele em cena, na maioria compilados em cadernos pessoais de anotações, vão sendo desfiados como em uma conversa informal — que em nenhum momento obscurece o lirismo da montagem. Do modo como a avó matava porcos até os dramáticos surtos de esquizofrenia do pai, das diversões de criança com brinquedos antigos ao contato inicial com o rádio, da descoberta dos catecismos de Carlos Zéfiro à primeira visão do mar, de tudo um pouco é narrado nas duas horas de sessão que, na direção cadenciada do próprio Betti ao lado de Rafael Ponzi, passam voando. A belíssima cenografia de Mana Bernardes, emoldurada pela feliz iluminação de Dani Sanchez e Luiz Paulo Neném, evoca a ideia de memória em papéis amassados que remetem às folhas dos cadernos do ator, além de objetos repletos de carga simbólica. Senhor do palco, Betti usa seu vasto e reconhecido domínio técnico da arte da interpretação a serviço da simplicidade e da afetividade.
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  • É difícil imaginar como um espetáculo com orçamento anunciado de 10 milhões de reais e texto chancelado por três nomes consagrados das letras brasileiras — Luis Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura — possa ter resultado tão desastroso. A partir de ideias do trio sobre a terceira idade, o autor Rodrigo Nogueira elaborou o texto capenga desta comédia musical. Na história, Susana Vieira vive uma produtora tão poderosa quanto arrogante, que contrata três autores (vividos por Edwin Luisi, Osmar Prado e Marcos Oliveira) para escrever um musical sobre a velhice. Sem ideia de como fazer isso, eles são ajudados magicamente, pasme, por ninguém menos que Matusalém (Thais Belchior). O pouco que se salva na montagem não é suficiente para impedir o naufrágio do conjunto. Escalado originalmente para a direção, José Lavigne se desligou semanas antes da estreia, passando o bastão para o coreógrafo Alonso Barros (que não tem cancha de diretor). Sem comando e diante de um enredo mal-ajambrado com diálogos rasos, mesmo os eventuais destaques do elenco (Osmar Prado e Thais Belchior, por exemplo) pouco contribuem. Susana, praticamente no papel dela própria, soa repetitiva depois da terceira piada. Defendida entre a desafinação e a correção burocrática, a variada trilha (sob direção musical de Marcelo Castro e Felipe Habib), no mais das vezes meramente ilustrativa, inclui Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), My Way (Frank Sinatra) e Show das Poderosas (Anitta), além de paródias bobas como a de Malandragem (Cazuza e Frejat). 
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  • Monólogo dramático

    Bom-Crioulo
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    Luis Salem assina a adaptação e estrela este monólogo dramático, baseado no romance homônimo de Adolfo Caminha (1867-1897). Com direção de Gilberto Gawronski, a peça conta a história do triângulo amoroso ente Amaro, um marinheiro negro, Aleixo, um jovem grumete branco, e Dona Carola Bunda, uma cafetina portuguesa. Salem é acompanhado pelo instrumentista André Poyart, responsável pela direção musical. Detalhe: a encenação acontece sobre uma escuna que circula pela Baía de Guanabara.
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  • Transposição para o palco do livro homônimo de Ruy Castro, esta montagem é um raro exemplar recente de musical de fato brasileiro, do enredo às canções, no qual estas foram compostas especificamente para se encaixar na trama. Sob direção de João Fonseca, o resultado é adorável. Na história, adaptada por Heloisa Seixas, mulher de Ruy, e Julia Romeu, filha dela, personagens reais são inseridos em um enredo fictício: poeta querido da belle époque carioca, Olavo Bilac (André Dias, ótimo) se encanta com um projeto do jornalista José do Patrocínio (Sergio Menezes), seu amigo, de construir um dirigível. A ideia, porém, é cobiçada por uma espiã (Izabella Bicalho) e pelo ardiloso padre Maximiliano (Tadeu Aguiar). Graciosa em sua simplicidade, a trama ganha o luxuoso embalo de irretocáveis canções de Nei Lopes, com direção musical afiada de Luís Filipe de Lima. No elenco, além do protagonista, Alice Borges rouba a cena a bordo de uma hilária cartomante.
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  • Encarregadas de velar o corpo da filha mais jovem de uma família aristocrática, três carpideiras se surpreendem com o comportamento pouco ortodoxo dos familiares da falecida, morta em estranhas circunstâncias. No elenco da comédia estão Gerson Lobo, Leandro Mariz e Sidcley Batista. Texto de Ueliton Rocon e direção de Tom Pires.
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  • Comédia / Musical

    Cabaré Foguete
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    Encenado em 2013 sob direção de Ivan Sugahara, Sarau das P... era uma reunião de treze monólogos, cada um com uma atriz no papel de uma prostituta. Entre os mais divertidos estava o segmento de Ana Foguetinho (Nara Parolini), garota de programa vinda de uma cidadezinha no interior do Paraná para o Rio. Pela primeira vez diante da família do noivo, ela dizia as maiores barbaridades, mas  sem a consciência de que poderia chocar os presentes. É essa a cena que abre Cabaré Foguete, despudorada comédia com direção e dramaturgia de Sugahara e Gustavo Damasceno, em cartaz na Sede das Cias. Para contar a história de Ana, da infância até a consagração como prostituta, o lugar ganha ares de cabaré — os espectadores podem até beber durante a peça. Números musicais, coreografias eróticas, mágicas e humor burlesco compõem os esquetes algo independentes sobre os quais se estrutura a montagem. Acompanhados por uma banda ao vivo, Rita Fischer, Catarina Saibro, Joel Vieira e Thiago Ristow, além de Nara, impagável, garantem o clima de farra e arrancam boas risadas.
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  • Dramaturgo romeno, Ion Luca Caragiale (1852-1912) escreveu a comédia de tintas políticas em 1884, mas seu tom satírico continua atual. O elenco, formado por jovens ex-alunos do Tablado, conheceu o texto no acervo de livros doados por um grande professor do teatro, Bernardo Jablonski (1952-2011). O espetáculo conta a história de uma reviravolta política provocada na cidade pela missiva do título, uma carta amorosa extraviada. Em cena estão Adriano Martins, Alexandre Duvivier, André Dale, André Pellegrino, Érida Castello Branco, Rodrigo Miranda, João Sant’Anna, Pedro Tomé e Rodrigo Arruda. Direção de Daniel Belmonte, também autor da adaptação ao lado de Adriano Martins.
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  • Monólogo dramático

    Casa Encaixotada
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    Criado por uma família ausente, Ben (Frank Borges) passou a infância se mudando, por conta das transferências do pai no trabalho. Assim, na falta de um teto afetivo sólido e sem as raízes de um lar duradouro, soa algo irônico que ele tenha se tornado corretor de imóveis, como se precisasse estar permanentemente ligado a residências, mesmo que elas jamais venham a lhe pertencer. Para Ben, a única morada possível é a da memória, como parece sugerir o drama Casa Encaixotada. Escrito pelo próprio Borges (sozinho em cena), o texto entrega um jorro de lembranças do personagem. A própria ideia de reminiscência é evocada na dramaturgia estilhaçada — diga-se, por vezes árida, beirando um hermetismo que demanda a adesão da plateia. A direção de Ruy Filho reforça a fragmentação em modulações de ritmo e tom, encampadas na atuação de Borges. Especialmente feliz, a cenografia parece reproduzir um apartamento vazio, mas, continuamente modificada através da manipulação de fitas adesivas, também sugere plasticamente o espaço da memória
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  • Especialmente prolífico nos últimos anos, o filão dos musicais biográficos nacionais tem se caracterizado pela constância da fórmula: escolhe-se um grande nome da música, fa­tia-se a sua vida em uma série de epi­sódios, canções são inseridas para combinar a letra com a cena e o papel principal é reservado a um ator que mimetize o biografado. Escrito por Patrícia Andrade e dirigido por João Fonseca (o mesmo de espetáculos sobre Tim Maia e Cazuza) e Vinicius Arneiro, Cássia Eller - O Musical segue à risca tais requisitos. Aqui, porém, a dramaturgia se mostra por demais expositiva, mesmo para esse tipo de peça, no qual as cenas funcionam tradicionalmente como pretextos para números musicais. A opção por uma cena mais crua, se evidencia a fragilidade do texto, é fiel ao estilo da cantora. Estreante no teatro, a curitibana Tacy de Campos (nesta temporada se revezando com Jana Figarella) se revela o trunfo da montagem ao encarnar a cantora com impressionante grau de semelhança. Beneficiada pelo que parece ser um traço de sua própria personalidade, ela transita entre a timidez de Cássia na vida e sua energia nos palcos - reproduzida com auxílio da boa direção musical de Lan Lan e Fernando Nunes.
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  • Uma tortuosa ciranda de relacionamentos está no cerne de Closer, drama do inglês Patrick Marber — famoso pela adaptação cinematográfica homônima dirigida por Mike Nichols (1931-2014), com Julia Roberts, Jude Law, Clive Owen e Natalie Portman. O tema, no entanto, parece ser menos a volatilidade das relações amorosas do que a profunda insegurança humana, presente em todos os personagens: o escritor Dan (Rafael Sardão), a fotógrafa Anna (Paula Moreno), a stripper Alice (Karen Mota) e o médico Larry (Luciano Szafir). Cada um deles parece erigir uma máscara para esconder aquilo que verdadeiramente é. Trata-se de um bom texto, que não chega, porém, a ser aproveitado plenamente nesta montagem da diretora Andréa Avancini. A pegada realista dos bons diálogos destoa da cenografia minimalista (com aparência de improvisada), prejudicada pela iluminação. No elenco, Szafir e Paula se mostram algo lineares. Sardão se sai melhor, ainda que por vezes extraia uma comicidade inapropriada de suas falas. Karen se aproxima com mais êxito das camadas de sua personagem.
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  • O universo de Julio Cortázar é ponto de partida para o texto de Keli Freitas, que flerta com o fantástico ao contar o drama de uma família cujo centro está na figura materna. Diante de um iminente colapso, todos se articulam para poupar a mãe, idosa e doente, de sobressaltos que podem ser fatais. Direção de Cynthia Reis.
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  • Entre meados dos anos 60 e o início da década seguinte, um casarão do século XVIII, sede de uma fazenda convertida em pensão, tornou-se fervilhante ponto de confluência de grandes nomes das artes brasileiras — alguns já com esse status, outros no caminho de conquistá-lo. Localizado no terreno onde hoje fica o Shopping Rio Sul, o Solar da Fossa, como ficou conhecido, recebeu de Caetano Veloso a Aderbal Freire-Filho, de Paulo Leminski a Zé Keti, de Betty Faria a Paulo Coelho. No consistente trabalho do grupo Complexo Duplo, o lendário endereço tem sua história contada de maneira evocativa, não enciclopédica, através de um painel musical visualmente exuberante. Escrito por Daniela Pereira de Carvalho, o texto traz, entre o prólogo e o epílogo fixos, três blocos cuja ordem de apresentação é decidida por votação da plateia ao início da sessão. Sem prejuízo de entendimento, qualquer que seja a escolha, a trama parte de um diário fictício, com diversas páginas faltantes. Sua autora é Clarice (Tainá Nogueira), jovem hóspede do Solar cuja ingenuidade será deixada para trás graças ao intenso convívio com as ideias dos demais moradores. A dramaturgia fragmentada, se compromete um tanto o desenvolvimento dos personagens (criações baseadas em figuras reais, sem se referir a nenhuma delas especificamente), por outro lado compõe um atraente mosaico justificado pelo espírito subversivo e caótico do lugar. Mais do que meritórias em comparação a tantos musicais de repertório já existente, as canções de Luciano Moreira e Felipe Vidal (com inserções de clássicos daquela época e sob direção musical de Marcelo Alonso Neves) revelam beleza própria, à parte sua relação funcional com a trama. A direção engenhosa de Vidal dribla certa redundância de situações e impõe o ritmo necessário a um espetáculo longo. Formado ainda por Julia Bernat, Guilherme Miranda, Leonardo Corajo, Adassa Martins, Felipe Antello, Clarisse Zarvos, Guilherme Stutz, Izak Dahora, Jefferson Almeida, Julie Wein, Laura Becker e Luciano Moreira, o elenco se desdobra em uma penca de instrumentos, mostrando entrega, vigor e coesão condizentes com a essência do Solar.
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  • Em 2014, o casal Luca Bianchi e Lívia de Bueno mudou-se para Nova York com um projeto engatilhado: encenar no circuito off-Broadway esta comédia dramática de João Falcão, que Bianchi vira em sua primeira montagem, de 2007. Após uma elogiosa temporada por lá, a peça (também dirigida por Bianchi) faz o caminho de volta ao Brasil. Inspirado no clássico da filosofia hindu Bhagavad Gita, o texto narra o diálogo, em pleno campo de batalha, entre Krishna (a encarnação de Deus segundo o hinduísmo, aqui vivido por Lívia) e Arjuna (papel de Bianchi), o maior guerreiro de todos os tempos, quando este se recusa a lutar em uma guerra.
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  • Condenado por um crime sexual, o fanfarrão Randle McMurphy (Tatsu Carvalho) resolve fingir loucura para ser internado em uma instituição psiquiátrica e, assim, escapar dos trabalhos braçais na prisão. Ali, seu espírito libertário vai bater de frente com a rigidez das normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Helena Varvaki) — embate do qual apenas um vai sair vencedor, como se verá. Baseado no romance One Flew Over the Cuckoo’s Nest, do americano Ken Kesey (1935-2001), o drama, adaptado por Dale Wasserman (1914-2008), foi encenado pela primeira vez em 1963. Doze anos depois, chegou ao cinema no longa de Milos Forman, protagonizado por Jack Nicholson e ganhador do Oscar em cinco categorias. Levantada sem patrocínio, a montagem dirigida por Bruce Gomlevsky tem, por isso mesmo, seus muitos méritos ainda mais abrilhantados. Trata-se de teatrão da melhor qualidade, com texto de ótima carpintaria dramática a serviço de um numeroso elenco de dezesseis atores (fato raro no circuito carioca) perfeitamente orquestrados e sem desníveis. Idealizador da empreitada, Carvalho injeta segurança e carisma em uma interpretação que não se rende à imitação fácil da icônica performance de Nicholson. No papel de sua nêmesis, Helena foge acertadamente do tom de megera de desenho animado, sem deixar de atrair para si a ira da plateia.
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  • Monólogo cômico

    Eugênia
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    Nascida no fim do século XVIII, em uma família de conexões políticas, Eugênia José de Menezes foi, ainda jovem, introduzida à vida na corte portuguesa. Ali, a beleza da moça logo chamaria a atenção do príncipe regente, dom João VI, de quem se tornaria amante. Uma gravidez, porém, selou sua má sorte: para abafar o escândalo real, a jovem foi banida e enviada para um convento. As mirradas informações disponíveis sobre essa figura histórica servem de base para Eugênia. Gisela de Castro, estrela do monólogo cômico, encarna a personagem-título que surge do além para expor sua versão dos fatos. No texto de Miriam Halfim, episódios reais são costurados a licenças narrativas e, mais importante, ácidos comentários sobre os meandros da política e a condição da mulher. O cenário de José Dias, resumido a uma grande caixa de onde são retirados os adereços criados por Samuel Abrantes (também responsável pelo colorido figurino), e a luz de Aurélio de Simoni emprestam clima fantasioso e ironicamente circense à encenação. Sob direção vertiginosa de Sidnei Cruz, Gisela fisga a plateia com amplo domínio de ritmo, ótimo uso da voz e notável trabalho corporal.
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  • Em meados dos anos 70, o inglês Tom Stoppard escreveu 15-Minute Hamlet, comédia ancorada em uma ideia inusitada, já explicada no título: condensar em apenas um quarto de hora o clássico de William Shakespeare. Baseado nesse texto, um grupo de cinco amigos formados pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), reunidos em uma companhia batizada de Os Trágicos, criou um esquete para ser encenado na quarta edição do Festival Universitário do Rio de Janeiro, em 2014. Elogios e prêmios amealhados pela curta montagem incentivaram o quinteto, constituído por Gabriel Canella, Pedro Sarmento, Yuri Ribeiro, Diogo Fujimura e Mathias Wunder, a ampliar o esquete, dando origem a esta divertida comédia. Professora dos rapazes na CAL, Adriana Maia assina direção e dramaturgia. A rigor, no que diz respeito ao texto, a diferença é o acréscimo de um preâmbulo ao que fora encenado no festival. Nele, mostra-se como um grupo de larápios foi preso por pequenos delitos — conhecedores de Shakespeare poderão notar evocações à sua obra em algumas situações. Para salvar a pele, os criminosos precisam agradar à rainha com uma encenação de Hamlet, e aí entra o esquete. O clima de absoluta galhofa não é propício a cultores de clássicos à moda antiga, mas conquista quem busca divertimento. A agilidade da direção e a química entre os atores contam a favor.
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  • Logo na primeira cena da peça Incêndios, Marcio Vito, no papel do tabelião Hermile Lebel, faz um reiterado convite: "Entrem, entrem, entrem, não fiquem na passagem". A fala, pelo que indica o texto, deveria ser direcionada a outros dois personagens: os gêmeos Simon (Felipe de Carolis) e Jeanne (Keli Freitas), que estão ali, na porta do escritório do seu interlocutor, para saber o que diz o testamento da mãe, Nawal Marwan, vivida por Marieta Severo. Nesta montagem, entretanto, o chamado é dirigido claramente à plateia. Nessa solução cênica do diretor Aderbal Freire-Filho, simples mas carregada de simbolismo, os espectadores é que são convocados a entrar - não no escritório de Lebel, naturalmente, mas na história. De fato, o público embarca sem reservas na convocação. O resultado pode ser constatado ao fim de cada apresentação, quando, comovida pela pungente interpretação de Marieta, boa parte das pessoas cai em prantos despudoradamente. Explicar por que determinada obra de arte emociona não é tarefa fácil. No caso de Incêndios, porém, nota-se que, embora haja pequenas ousadias, como a mistura de passado com presente em cena, não é exatamente por inovações formais que o espectador é fisgado. Ao contrário, sua força avassaladora está naquilo que o teatro clássico sempre fez muito bem: provocar catarse. O termo, derivado do grego katharsis, significa purificação ou purgação e foi utilizado por Aristóteles em sua obra Poética, há cerca de 2300 anos, para definir o objetivo final da encenação de tragédias. Através da trajetória do herói, suscita-se no espectador terror e piedade com a finalidade de destilar os sentimentos em uma descarga emocional. O espectador mais familiarizado com o assunto vai encontrar em Incêndios ecos de diversas tragédias de Ésquilo, Eurípides e Sófocles - desse último, especialmente Édipo Rei -, e dizer mais do que isso seria comprometer o prazer de acompanhar a encenação até o final revelador. Escrito pelo libanês Wajdi Mouawad, radicado no Canadá desde o início dos anos 80, o texto é a segunda parte de uma tetralogia que inclui as peças Litoral (1997), Florestas (2006) e Céus (2009). Das quatro, Incêndios é a mais conhecida, graças ao longa-metragem homônimo de 2010, dirigido pelo canadense Denis Villeneuve, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Encenado originalmente em 2003, com direção do próprio Mouawad, o espetáculo conquistou uma série de prêmios importantes e foi montado em mais de quinze países, êxito ancorado em um poderoso enredo sobre a tragicidade da condição humana. Na história, Nawal passa seus últimos cinco anos de vida em estado próximo da catatonia, sem razão aparente. Em todo esse tempo, ela não pronuncia uma única palavra - a não ser uma frase enigmática, dita certa vez a uma enfermeira. Após a sua morte, o testamento impõe uma desnorteante missão aos filhos, a matemática Jeanne e o boxeador Simon. A ela é dada uma carta, que deve ser entregue ao pai dos dois, que se acreditava estivesse morto havia anos. O rapaz recebe outra correspondência, destinada ao irmão de ambos, que eles jamais souberam que existia. As missivas são o ponto de partida para uma busca que levará os irmãos à terra onde nasceu Nawal - a julgar pela biografia do autor, presume-se que seja o Líbano. As referências ao local exato, porém, não são explícitas. O país nunca é citado e as cidades, com uma única exceção que passa despercebida do espectador, têm nome inventado. Os eventos que permeiam a história da protagonista evocam a Guerra Civil Libanesa, ocorrida entre 1975 e 1990, embora todas as passagens que remetem à história real tenham a data trocada. Essa brilhante opção de Mouawad resulta em uma universalidade que permite uma identificação ainda maior com a plateia.
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  • Por trás do humor negro escancarado neste novo trabalho da Cia OmondÉ, vislumbra-se um dramático retrato da degradação humana. A ação se passa durante uma viagem rumo a Miami, do embarque no aeroporto ao voo imprevisível e atribulado, entrecruzando histórias ligadas à infância. No avião estão a mimada Suzaninha (Carolina Pismel), miss mirim e campeã de tiro, e seu segurança Argos (Iano Salomão); a desequilibrada Marín (Debora Lamm) e o cínico Henrique (Leonardo Bricio), casal em crise que decide comemorar o aniversário de 9 anos do filho Junior (Luis Antonio Fortes) com um passeio à Disney, além da aeromoça Sângela (Juliane Bodini), amante do marido; e os comissários de bordo Cheval (Junior Dantas) e Pitil (Zé Wendell), dupla de traficantes que usa o pequeno Juanito (Jefferson Schroeder) para transportar drogas. O texto, se não chega a rivalizar com os melhores de Jô Bilac, ainda assim reafirma a qualidade de sua carpintaria dramática, notável na proposição de reflexões que surgem naturalmente do enredo, em vez de submetê-lo didaticamente a seu serviço. Também admirável é o crescendo com que os fatos se sucedem de forma alucinada até o tresloucado desfecho. A diretora Inez Viana (com a assistência de Marta Paret e a decisiva colaboração da direção de movimento de Dani Amorim) impõe dinâmica ágil à montagem, afinada com esse aspecto do texto. Cenário de Mina Quental, luz de Renato Machado e de Ana Luzia de Simoni e figurinos de Flavio Souza enriquecem a cena na qual fulgura o elenco — coeso em seu conjunto e exibindo bons trabalhos individuais, especialmente as esfuziantes atuações de Carolina Pismel e Debora Lamm.
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  • Drama

    Krum
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    De volta à terra natal após uma temporada no exterior, Krum (Danilo Grangheia) reencontra os tipos medíocres de sua cidade. Sua mãe (Grace Passô) parece atada às funções de progenitora, a quem só resta esperar por um neto. O amigo Tugati (Ranieri Gonzalez) é um hipocondríaco cuja indecisão sobre o melhor horário do dia para fazer exercícios se converte em dúvida existencial. Dupa (Inez Viana) almeja um marido, aparentemente o primeiro que se colocar à disposição. Truda (Renata Sorrah), sua namorada de outrora, ainda nutre esperanças claramente vãs de um casamento, a despeito do assédio do submisso Takhti (Rodrigo Ferrarini). Se a viagem de Krum serviu para algo, foi não para elevá-lo acima da vulgaridade geral, mas apenas para permiti-lo se reconhecer ordinário, tal e qual seus pares. Escrito pelo israelense Hanoch Levin (1943-1999), o drama evoca duas das influências assumidas do autor: Tchekov, com seus personagens estanques, e Beckett, pelo desencanto conciliável com o riso. De fato, por trás do niilismo, vislumbra-se um humor negro, por vezes angustiante, muito bem explorado nesta irretocável montagem da Companhia Brasileira de Teatro, de Curitiba. Dirigida com enorme senso de conjunto por Marcio Abreu, a encenação reforça o clima de desesperança em cada detalhe: na cenografia descarnada de Fernando Marés, com seus elementos progressivamente desordenados, na luz apropriadamente desoladora de Nadja Naira, na marcante trilha sonora de Felipe Storino, nos figurinos discretos e, por vezes, propositadamente patéticos de Ticiana Passos, e na extraordinária direção de movimento de Marcia Rubin. Formado ainda por Cris Larin, Edson Rocha e Rodrigo Bolzan, o elenco se mostra perfeitamente coeso e entrosado, mas cumpre ressaltar o timing de humor de Inez Viana, a notável capacidade de modulação de Renata Sorrah e o domínio de cena de Danilo Grangheia.
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  • Emma (Raquel Iantas) tem em Charles (Joelson Medeiros) um marido perfeito nas suas docilidade e devoção. Tal situação, porém, só é capaz de despertar na mulher o mais profundo tédio, que ela tenta aplacar em casos extraconjugais. Transposição para os palcos do livro homônimo de Gustave Flaubert (1821-1880), Madame Bovary aborda, por trás de suas múltiplas camadas, a eterna insatisfação humana. Em que pese o inescapável enxugamento do romance, a adaptação de Bruno Lara Resende (também diretor ao lado de Rafaela Amado) preserva a essência em dramaturgia que não trai suas origens: na boca dos personagens, diálogos se alternam com narrações dos fatos. No papel-título, Raquel entrega uma Emma menos arrebatada do que o imaginário em torno da personagem sugere, mas em consonância com o que parece ser uma proposta de evidenciar a narrativa. Nunca menos do que correto, o elenco conta ainda com Alcemar Vieira, Lourival Prudêncio e Vilma Mello.
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  • Em 2008, Fernando Ceylão escreveu um esquete sobre um taxista fracassado, para compor o espetáculo Você Está Aqui, formado por uma série de cenas curtas. Sozinho em cena, Paulo César Pereio encarnava o tal chofer carente de afeto, cismado em fazer amizade com um cliente que mal o conhece. Certo dia, o ator faltou a uma sessão e o próprio Ceylão assumiu o posto — no que lhe veio a ideia de ampliar a cena e transformá-la em um monólogo para si. Sob direção de Bruce Gomlevsky, Meu Nome É Reginaldson insinua uma reflexão sobre o fracasso, mas não alça voo mais alto nesse sentido. Funciona melhor como veículo para Ceylão, apropriadamente patético como o taxista que invade o apartamento vazio do cliente para aguardá-lo. Enquanto isso, ensaia seu discurso de apresentação, no qual vêm à tona memórias de outros personagens que cruzaram sua vida, prato cheio para o ator se multiplicar por diversos tipos.
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  • Monólogo dramático

    Meu Saba
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    Uma curta distância separa a jovem Noa Ben-Artzi Pelossof do púlpito de onde ela fará um discurso para os presentes ao velório de seu avô, o primeiro-ministro de Israel Yitzhak Rabin (1922-1995). Aqueles poucos metros, porém, parecem intransponíveis. Nesse trajeto se insere o tempo cronológico de Meu Saba, versão para os palcos do livro da neta do estadista, publicado no Brasil sob o título Em Nome da Dor e da Esperança. Porém, na mente de Noa (vivida por Clarissa Kahane, autora da adaptação ao lado de Daniel Herz, diretor, e Evelyn Dizitzer), o tempo psicológico se abre para receber as lembranças deixadas pelo avô (saba, em hebraico), assassinado por um judeu revoltado com as negociações de paz com os palestinos. O texto parece privilegiar mais a história, na reiteração da importância de Rabin como líder político, do que a intimidade familiar. De todo modo, na interpretação tocante de Clarissa, fica patente a relação de amor devotado entre neta e avô. A direção de Herz, pródiga em boas quebras de ritmo e variedade de marcas, explora de forma engenhosa o belo cenário de Bia Junqueira, uma passarela de tijolos que leva ao palanque encimado por uma metralhadora.
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  • Monólogo

    O Narrador
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    Em 1936, o filósofo alemão Walter Benjamin escreveu um texto sobre o empobrecimento do ato de se contar histórias. A partir dessa obra, Diogo Liberano concebeu, de certa forma, uma subversão que reafirma a força da narração em sua plenitude. Apropriadamente, o próprio Liberano classifica a encenação não como uma peça, mas uma performance. Não há personagens ou enredo no sentido habitual dos termos. Sozinho em cena, ele literalmente lê um texto de sua autoria, no qual costura com apuro lembranças, trocas de cartas e poemas, compartilhando com a plateia experiências reais ligadas à morte de parentes e, mais detidamente, de uma amiga. Nada é por acaso: as roupas comuns que Liberano veste, o despojamento absoluto do palco, o ato de ir se desfazendo das folhas de papel à medida em que são lidas e até a presença enigmática de um boneco de pelúcia de Bisonho, o asno da turma do Ursinho Pooh, tudo tem sentido (ainda que por vezes metafórico) dentro do que é narrado. Verdadeiramente entregue, por vezes chegando às lágrimas, mas dominando a leitura com enorme traquejo, Liberano transcende a particularidade de sua própria história ao tratar, sem ranço de aridez intelectual, um tema universal — a morte. Assim, suscita reflexões e estabelece uma conexão genuína, tocante e poderosa com o espectador.
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  • O espetáculo poético é uma homenagem da atriz gaúcha Nara Keiserman a seu amigo e conterrâneo Caio Fernando Abreu (1948-1996). Trata-se de uma coleção de textos do escritor com o amor como tema.
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  • Levada ao palco pela primeira vez há trinta anos, no circuito off-Broadway, a comédia musical Nunsense (trocadilho intraduzível que mescla as palavras “nun”, freira em inglês, e “nonsense”) é um fenômeno: com texto e canções de Dan Goggin, foi encenada em mais de vinte idiomas. No Brasil, batizado como As Noviças Rebeldes, o espetáculo está em sua terceira montagem, de novo sob o comando de Wolf Maya, que já dirigira as anteriores. A história é simples: cinco freiras vão jogar bingo em outro convento e escapam de uma intoxicação alimentar fatal para suas colegas. Para organizar um enterro, elas precisam fazer um show beneficente — nesse ponto, com a situação já resolvida, começa o espetáculo. Adaptada por Flávio Marinho com referências aos dias de hoje (que provocam algumas risadas e outros tantos sorrisos amarelos), a dramaturgia claudicante funciona como pretexto para números individuais irregulares, de humor um tanto datado. Sabrina Korgut responde pela melhor performance do elenco, completado por Soraya Ravenle, Helga Nemeczyk, Maurício Xavier e Carol Puntel.
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  • Monólogo dramático

    Um Pai (Puzzle)
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    Escrito de um jorro, em apenas uma noite, Um Pai (Puzzle), livro que dá nome à peça é um caldo de memórias da relação entre a autora, Sibylle Lacan (1940-2013), e seu pai, o psicanalista Jacques Lacan (1901-1981). As reconhecidas contribuições dele em seu campo profissional, no entanto, passam longe deste monólogo — e não vai aqui nenhum demérito. O que está em jogo são questões mais íntimas. Apropriadamente como em uma sessão de análise, Ana Beatriz Nogueira, em atuação exuberante, dá voz a Sibylle em uma comovente exposição de lembranças algo desencantadas. Filha enjeitada pelo pai, ela convivia com o ressentimento profundo, que não escondia a mais devotada necessidade de aprovação, como bem mostra o texto, adaptado de maneira fluida por Evaldo Mocarzel. Ao público, não cabe apenas o papel de voyeur: ao contrário, nas particularidades da relação entre Sibylle e Lacan evocam-se diversas camadas de reflexão que podem servir a qualquer pessoa, notadamente sobre como a nossa identidade se constitui em relação ao outro. Sensível, a direção de Guilherme Leme Garcia e Vera Holtz investe no protagonismo conjunto da atriz e do texto, perceptível no sofisticado despojamento do cenário negro de Marcelo Lipiani, iluminado por Maneco Quinderé com a competência habitual. Ana Beatriz confirma seu reconhecido talento em uma performance cheia de sutilezas, na qual entrega todas as nuances de Sibylle — da mágoa à alegria, da raiva ao humor, emocionando genuinamente a plateia sem resvalar no dramalhão.
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  • Monólogo dramático

    Perdas e Ganhos
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    Baseado no livro homônimo da gaúcha Lya Luft, um best-seller que mescla ensaio e memórias, o monólogo Perdas e Ganhos é revestido de um significado especial na atuação cativante de Nicette Bruno. Após a morte do marido, Paulo Goulart (1933-2014), com quem viveu por nada menos que sessenta anos, é como se o texto, com suas reflexões sobre amadurecimento e superação, tivesse sido escrito para Nicette ou até por ela. Apesar disso, não seria preciso conhecer a vida pessoal da atriz para aproveitar o espetáculo, uma ode à vida, com seus ganhos e, não menos importantes, suas perdas. Filha de Nicette e Paulo, Beth Goulart assina a bem engendrada adaptação do texto — na qual se inserem três histórias pinçadas do livro de contos O Silêncio dos Amantes, também de Lya — e a delicada direção.
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  • Comédia dramática

    Próxima Parada
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    A partir da vida e da obra de José Vicente (1945-2007) e Antonio Bivar, dois autores teatrais de destaque nos anos 70, foi construída a dramaturgia desta comédia dramática. O próprio Bivar participou desse processo, junto com o elenco, formado por André Rosa, Breno Motta, Dani Cavanellas, Danilo Rosa, Felipe Frazão, Flavia Coutinho, Haroldo Costa Ferrari, Rômulo Chindelar, Sarah Lessa e Victor Albuquerque. Direção de Cesar Augusto.
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  • Apresentada em 2013, a comédia de Flávio de Souza, dirigida por Walter Lima Jr., volta ao circuito modificada. Do elenco de então, apenas Tatianna Trinxet permanece, agora em companhia de Paulinho Serra e Alex Nader. O texto é um exercício de metalinguagem relacionado ao próprio teatro: envolvidos com o ensaio de uma peça, os personagens começam a formar um triângulo amoroso. Cabe à plateia ir descobrindo se o que se vê em cena é um espetáculo propriamente dito ou uma peça dentro de outra.
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  • Nos anos 20, os italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, morando nos Estados Unidos, foram presos e condenados à morte em controverso julgamento, pelo assassinato de duas pessoas (meio século mais tarde, acabariam oficialmente absolvidos). Gilberto Miranda e Douglas Amaral vivem os protagonistas no drama do argentino Mauricio Kartun, em montagem da Cia. Ensaio Aberto. Direção de Luiz Fernando Lobo.
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  • Entre os astros da canção brasileira homenageados recentemente, Wilson Simonal (1929-2000) talvez seja aquele cuja trajetória mais parece uma movimentada história de ficção. Jovem de origem pobre, tornou-se, nos anos 60, o primeiro ídolo negro da música nacional, até cair em decadência, acusado de colaborar com a ditadura militar como delator. Redimido nos últimos anos por meio de biografias e documentários (que reconhecem eventuais erros, mas resgatam seu talento de cantor), além do relançamento de discos, ele ganha o palco em S'Imbora, o Musical - A História de Wilson Simonal. O texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade (de Elis, a Musical) não foge totalmente da cartilha dos recentes musicais biográficos, mas tem o mérito de preservar matizes da vida do homenageado e driblar o didatismo tão recorrente nesse tipo de espetáculo. A direção de Pedro Brício, que optou por formatar o roteiro final ao longo dos ensaios, se mostra, talvez por isso, mais orgânica e envolvente. Sem se render à imitação fácil, o jovem Ícaro Silva irradia tanto o notório carisma do homenageado, na defesa de canções como Meu Limão, Meu Limoeiro, Vesti Azul, Carango e Nem Vem que Não Tem, quanto a angústia da fase final de sua vida, na arrepiante (e menos conhecida) Cordão - todas as músicas muito bem arranjadas por Alexandre Elias. Espécie de narrador da história, o produtor Carlos Imperial é vivido por Thelmo Fernandes com a competência habitual
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  • A partir do filme Yentl, que Barbra Streisand estrelou e dirigiu em 1983, e da peça homônima de 1975, escrita por Leah Napolin e Isaac Bashevis Singer (1902-1991), a atriz e cantora Alessandra Maestrini concebeu esse espetáculo-concerto, estrelado e dirigido pela própria. Entre uma e outra canção pinçada do longa (com melodias de Michel Legrand e letras de Alan e Marilyn Bergman), ela conta a história de Yentl, garota que se traveste de homem para poder estudar. Em cena, Alessandra está acompanhada do pianista João Carlos Coutinho, que assina a direção musical.
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Fonte: VEJA RIO