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Os principais espetáculos em cartaz na cidade

A elogiada comédia dramática Para os que Estão em Casa volta ao circuito. O drama Um Estranho no Ninho entra em sua última semana

Por: Rafael Teixeira

Um Estranho no Ninho
Um Estranho no Ninho: peça virou o célebre filme de 1975, dirigido por Milos Forman e protagonizado por Jack Nicholson (Foto: Felipe Diniz/Divulgação)
  • Comédia

    A Atriz
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    Protagonista de A Atriz, a diva das artes dramáticas Lydia Martin guarda semelhanças algo metalinguísticas com sua intérprete, Betty Faria, ela também tarimbada na profissão. Questões ligadas ao crepúsculo de artistas em idade avançada são esboçadas neste texto do inglês Peter Quilter. Aqui, o dramaturgo apresenta um quadro relativamente conhecido: na noite em que subirá ao palco pela última vez, a tal atriz, dona de talento indiscutível e modos de prima-dona, avalia passado, presente e futuro. A sucessão de lugares-comuns do texto não seria um problema se não estivesse tão presa ao mero desenho de um ambiente e de determinados tipos — ou se fosse mais direcionada à deflagração de conflitos que de fato movimentassem o enredo. Talvez ciente disso, a direção de Bibi Ferreira (posteriormente auxiliada por Susana Garcia) investe em um tom de comédia ligeira que poderia alçar voo mais alto, mas deve agradar a quem busca apenas divertimento bem produzido — são caprichados o cenário de José Dias e os figurinos de Sônia Soares. No elenco, Betty, além de Giuseppe Oristanio e Bemvindo Sequeira, respectivamente como ex e futuro marido da protagonista, aproveitam melhor as poucas oportunidades dadas por seus personagens.
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  • É difícil imaginar como um espetáculo com orçamento anunciado de 10 milhões de reais e texto chancelado por três nomes consagrados das letras brasileiras — Luis Fernando Verissimo, Ziraldo e Zuenir Ventura — possa ter resultado tão desastroso. A partir de ideias do trio sobre a terceira idade, o autor Rodrigo Nogueira elaborou o texto capenga desta comédia musical. Na história, Susana Vieira vive uma produtora tão poderosa quanto arrogante, que contrata três autores (vividos por Edwin Luisi, Osmar Prado e Marcos Oliveira) para escrever um musical sobre a velhice. Sem ideia de como fazer isso, eles são ajudados magicamente, pasme, por ninguém menos que Matusalém (Thais Belchior). O pouco que se salva na montagem não é suficiente para impedir o naufrágio do conjunto. Escalado originalmente para a direção, José Lavigne se desligou semanas antes da estreia, passando o bastão para o coreógrafo Alonso Barros (que não tem cancha de diretor). Sem comando e diante de um enredo mal-ajambrado com diálogos rasos, mesmo os eventuais destaques do elenco (Osmar Prado e Thais Belchior, por exemplo) pouco contribuem. Susana, praticamente no papel dela própria, soa repetitiva depois da terceira piada. Defendida entre a desafinação e a correção burocrática, a variada trilha (sob direção musical de Marcelo Castro e Felipe Habib), no mais das vezes meramente ilustrativa, inclui Detalhes (Roberto Carlos e Erasmo Carlos), My Way (Frank Sinatra) e Show das Poderosas (Anitta), além de paródias bobas como a de Malandragem (Cazuza e Frejat). 
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  • Escrito por André Sant’Anna e dirigido por Georgette Fadel, o espetáculo conta a história de um travesti e um garoto de programa que dividem um apartamento no centro de uma megalópole. Certo dia, eles recebem a visita de um jovem estudante, recém-chegado de uma pequena cidade do interior, interessado em pesquisar o universo da prostituição masculina para a peça que está montando no curso de teatro.
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  • Monólogo dramático

    Borderline
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    Transtornos de personalidade são o tema do monólogo dramático escrito por Junior Dalberto, encenado aqui pela Cia. de Arte Nova. Bruce Brandão está em cena, dirigido por Marcello Gonçalves.
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  • Encenado em 2013, o monólogo cômico volta repaginado, com novos personagens. Além de assinar o texto, ao lado de Mariana Rebelo e Conrado Helt, Rodrigo Sant’anna estrela e dirige a montagem. Ele apresenta uma sátira aos comícios eleitorais por meio de nove candidatos.
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  • Releituras de clássicos são uma instituição teatral quase tão sólida quanto as próprias obras submetidas a tais revisões. Diretor com estrada na TV, Vinicius Coimbra se arrisca pela primeira vez nas artes cênicas com um exemplar do gênero. O alvo é ambicioso: As You Like It, comédia de William Shakespeare. Algo equivocadamente intitulada Como a Gente Gosta, a versão tem em Coimbra também um dos tradutores, o adaptador, o figurinista e o cenógrafo. A empreitada é corajosa, mas o resultado, irregular. Na história, a jovem Rosalinda (Priscila Steinmann) é banida do reino devido a um imbróglio envolvendo seu pai e, sob uma identidade masculina, refugia-se na floresta, onde encontrará seu amor, Orlando (Gabriel Falcão). A adaptação aposta em galhofa que banaliza um bocado o original, mas se beneficia comicamente da entrega dos atores a esse viés. Pedro Paulo Rangel e Camilla Amado, entre os mais experientes, e João Lucas Romero e Patrícia Pinho, na ala jovem, se destacam. A ideia de brincadeira e jogo teatral é reforçada no despojamento dos figurinos — calça jeans, camiseta com o nome dos personagens e alguns adereços — e do cenário, este mal-ajambrado mesmo considerando a proposta.
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  • O congresso que dá nome à comédia serve de pretexto para esquetes em que o sexo é abordado. Lucas Domso, também autor do texto, se junta em cena a Charles Paraventi e Dani Brescianini. Direção de Cláudio Torres Gonzaga.
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  • Apresentado no Rio em 2011, dentro de uma mostra de repertório que comemorou os 20 anos do grupo As Marias da Graça, Duas Palhaças é uma rara produção da trupe para o público adulto. Integrantes da companhia, Karla Concá e Vera Ribeiro convidaram o palhaço argentino Guillermo Angelelli para dirigir a montagem, concebida em linguagem de clown e inspirada pelo clássico O Pequeno Príncipe. Em cena, as duas palhaças do título — vividas por Karla e Vera, responsáveis também pelo roteiro do espetáculo, ao lado do diretor — conversam sobre diversas questões existenciais suscitadas pelo livro do francês Antoine de Saint-Exupéry.
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  • Stand-up comedy

    Elefante
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    Fernando Ceylão volta às origens com um espetáculo de stand-up comedy, gênero que ajudou a popularizar por aqui nos anos 90. Desta vez, ele aborda temas polêmicos, como o preconceito, além de assuntos mais prosaicos, como dietas.
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  • Comédia romântica

    Enfim, Nós
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    Cai no próximo domingo o Dia dos Namorados. Apelo comercial à parte, a data é oportunidade atraente para os pombinhos renovarem seus votos de carinho. Com Fernanda e Zeca, no entanto, as coisas se complicaram: personagens da comédia Enfim, Nós, os dois acabaram trancados no banheiro quando se aprontavam para celebrar e mergulham noite adentro em intensa discussão de relação. Do confronto emergem ciúme e manias de um que o outro não conhecia. Casados na vida real, Fernanda Vasconcellos e Cássio Reis voltam ao Rio com o espetáculo, a partir de sexta (10) no Teatro Fashion Mall. Escrita por Bruno Mazzeo e Cláudio Torres Gonzaga, também responsável pela direção, a peça já foi vista por mais de 600 000 espectadores, estrelada por nomes como Fernanda Souza, Fabíula Nascimento, Regiane Alves, Marcius Melhem e o próprio Mazzeo
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  • Comédia dramática

    Ensina-me a Viver
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    Transposta com sucesso para o cinema em 1971, a delicada comédia dramática de Colin Higgins (1941-1988) ganhou adaptação de João Falcão, dirigida pelo próprio. A montagem estreou em 2008 e, desde então, percorreu 26 cidades e foi assistida por 500 000 pessoas. O texto apresenta Harold (Arlindo Lopes) e Maude (Glória Menezes), afinadíssimos e esbanjando química. Ele é um rapaz de quase 20 anos obcecado pela morte, enquanto ela é uma senhora que está chegando aos 80, apaixonada pela vida. O encontro dos dois vai mudar o modo como o jovem vê o mundo. No azeitado elenco ainda estão Angela Dip, Antonio Fragoso e Elisa Pinheiro. 
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  • Estreia do jornalista Luiz Felipe Reis como autor e diretor, Estamos Indo Embora..., da Polifônica Cia., exibe coragem em duas frentes. Com relação à temática, leva à cena questões pouco ou nada abordadas no teatro, ligadas ao impacto das ações do homem sobre o meio ambiente. Além disso, investe em uma encenação híbrida, experimental na confecção da dramaturgia (algo catequizante, ressalte-se) e em sua transposição para o palco. Não há uma trama convencional: Julia Lund e Márcio Machado, ambos corretos frente à proposta, abrem a peça com uma cena de forte apelo estético (uma tônica do espetáculo, aliás), cruzando o palco diante da projeção de um vídeo que mostra geleiras derretendo. Assumem, em seguida, um formato de palestra científica e, por fim, no encerramento sombrio, encarnam um casal cheio de incertezas em um futuro distante. Essa aparente divisão em segmentos de linguagens distintas presta serviço ao arrojo, embora o resultado soe um tanto irregular no conjunto.
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  • Comédia

    Eu e Ela
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    Sozinha em casa, Bárbara (Cláudia Mauro) se vê diante do seu pior medo: uma barata. A situação a deixa histérica e começa a trazer à tona problemas como o fracasso do seu casamento e sua insatisfação no trabalho. Conhecido por biografias como a do produtor musical e ex-traficante João Guilherme Estrella e a do humorista Bussunda, Guilherme Fiuza não logra o mesmo êxito na comédia Eu e Ela, sua estreia no teatro. A boa premissa, de desdobrar uma situação banal em uma investigação sobre questões mais profundas, fica no meio do caminho, diluindo tanto o lado pretensamente sério do texto quanto sua comicidade. O desenrolar da trama soa repetitivo e suas reflexões, algo rasas - sensação que a direção de Ernesto Piccolo não chega a dirimir. Escoltada por André Dale e Stella Brajterman em papéis secundários, Cláudia empresta algum carisma à personagem.
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  • Condenado por um crime sexual, o fanfarrão Randle McMurphy (Tatsu Carvalho) resolve fingir loucura para ser internado em uma instituição psiquiátrica e, assim, escapar dos trabalhos braçais na prisão. Ali, seu espírito libertário vai bater de frente com a rigidez das normas impostas pela enfermeira-chefe Ratched (Helena Varvaki) — embate do qual apenas um vai sair vencedor, como se verá. Baseado no romance One Flew Over the Cuckoo’s Nest, do americano Ken Kesey (1935-2001), o drama, adaptado por Dale Wasserman (1914-2008), foi encenado pela primeira vez em 1963. Doze anos depois, chegou ao cinema no longa de Milos Forman, protagonizado por Jack Nicholson e ganhador do Oscar em cinco categorias. Levantada sem patrocínio, a montagem dirigida por Bruce Gomlevsky tem, por isso mesmo, seus muitos méritos ainda mais abrilhantados. Trata-se de teatrão da melhor qualidade, com texto de ótima carpintaria dramática a serviço de um numeroso elenco de dezesseis atores (fato raro no circuito carioca) perfeitamente orquestrados e sem desníveis. Idealizador da empreitada, Carvalho injeta segurança e carisma em uma interpretação que não se rende à imitação fácil da icônica performance de Nicholson. No papel de sua nêmesis, Helena foge acertadamente do tom de megera de desenho animado, sem deixar de atrair para si a ira da plateia.
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  • Em estágio terminal de câncer, Ben (Rogério Fróes) padece sobre uma cama de hospital, enquanto sua mulher, Rita (Suzana Faini), ali a seu lado, folheia uma revista de decoração, planejando a mudança no visual da sala de estar do casal tão logo o marido morra. Trata-se de um dos muitos sintomas da incomunicabilidade que afeta as relações entre os personagens de Família Lyons, desconcertante tragicomédia de Nicky Silver. Como em boa parte de sua obra, aqui o autor americano volta a jogar luz sobre núcleos familiares disfuncionais. Além da esposa alheia, o patriarca grosseirão deverá lidar com a visita dos filhos complicados: Lisa (Zulma Mercadante), alcoólatra, recém-separada, e Curtis (Emilio Orciollo Netto), escritor de talento duvidoso e, para desgosto de Ben, homossexual. À parte a difícil convivência com os pais, os dois também têm seus problemas particulares, que não convém revelar de antemão. Ciente da qualidade do texto, o diretor Marcos Caruso não inventa moda, postura notável até na austeridade funcional do cenário de Alexandre Murucci, iluminado de acordo por Felipe Lourenço. Ao contrário, prefere apostar no bom ritmo da montagem e na envolvente dinâmica do elenco, completado por Pedro Osório e Rose Lima, que desempenham com competência papéis menores. No entrosado quarteto principal, é impossível não destacar a interpretação superlativa de Suzana, precisa em cada intervenção.
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  • Em um parque infantil, quatro moças narram e vivenciam histórias diversas, ora evidentemente imaginadas, ora verossímeis — embora nunca fique claro se são verdadeiras. Fisicamente, são jovens adultas, mas os figurinos, a ambientação e a postura das personagens sugerem meninas conflitantes com o conteúdo por vezes perverso das narrativas. Nesse intrigante desconforto entre o conhecido e o ignorado, o visto e o compreendido, está a força de Foi Você Quem Pediu para Eu Contar a Minha História, da francesa Sandrine Roche, aqui em adaptação de Thereza Falcão. Assuntos como feminilidade, misoginia, status social, família e morte surgem nas histórias, mais eficientes em si mesmas do que na articulação do texto. No mesmo sentido, a direção de Guilherme Piva extrai boas atuações in­dividuais de Fernanda Vasconcellos, Bianca Castanho, Karla Tenório e Talita Castro, ainda que potenciais sutilezas e modulações se­ diluam na uniformidade do tom.
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  • Para além de suas notáveis contribuições à arte do século XX, os mexicanos Frida Kahlo (1907-1954) e Diego Rivera (1886-1957) tornaram-se conhecidos pela vida a dois, repleta de episódios de infidelidade mútua, choques de personalidades e intercâmbios criativos. Esse conturbado e simbiótico relacionamento está no cerne do drama Frida y Diego, de Maria Adelaide Amaral. Na humanização do cânone, o texto sobrevoa de forma distanciada as questões ligadas à produção artística da dupla, pendendo um tanto demasiadamente para as discórdias causadas pelas traições do marido. Ainda que como pano de fundo para essas querelas, a dramaturgia compõe um painel de mais de duas décadas de convívio — passando pelas intermináveis dores de Frida, resultado de um acidente de bonde na juventude que a impediu de ter filhos, e pelos pendores comunistas de Rivera. A direção de arte de Marcio Vinicius, aliada à projeção de vídeos, e a música executada ao vivo por Wilson Feitosa (acordeão) e Mauro Domenech (contrabaixo) imprimem apropriada plasticidade e dinamizam a montagem. Sob direção de Eduardo Figueiredo, Leona Cavalli e José Rubens Chachá defendem com galhardia nuances de seus personagens: Frida, dona de uma extraordinária força por trás de sua fragilidade física, e Rivera, cujo egocentrismo não escondia sua íntima dependência da mulher.
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  • O livro Batidão — Uma História do Funk, do jornalista Silvio Essinger, inspira o musical de João Bernardo Caldeira e Pedro Monteiro. Esse último divide a cena com Alex Gomes, Dérik Machado, Luiza Mayall, Marcelo Cavalcanti, Marcelo Dias e Michelly Campos para contar a trajetória do funk no país desde os anos 70, quando imperava a soul music, até os dias de hoje. Direção de Joana Lebreiro e direção musical de Marcelo Rezende.
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  • A princípio dissociadas, duas histórias compõem O Grande Livro dos Pequenos Detalhes: na primeira, um misterioso empreendimento se dedica a provocar distrações na vida das pessoas; na outra, uma locutora de rádio responsável pelas notícias de trânsito começa a dar informações erradas, provocando o caos. Uma investigação em torno do sumiço da tal radialista vai unir as duas pontas nesta intrigante comédia — projeto de quatro atores, os brasileiros Michel Blois e Thiare Maia e as portuguesas Paula Diogo e Cláudia Gaiolas, todos em cena e responsáveis pela direção conjunta. Fica avisado: trata-se de uma peça incomum, algo estranha e até difícil para plateias conservadoras. Mas, ainda assim, envolvente e estimulante em suas provocações, tanto nas eventuais reflexões oriundas do texto (de humor extremamente inglês, condizente com a nacionalidade do autor, Alexander Kelly, e extensível à pegada absurda da encenação) quanto na desconstrução de códigos teatrais. Entrosado, o elenco se entrega com gosto à proposta.
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  • Em meados dos anos 70, o inglês Tom Stoppard escreveu 15-Minute Hamlet, comédia ancorada em uma ideia inusitada, já explicada no título: condensar em apenas um quarto de hora o clássico de William Shakespeare. Baseado nesse texto, um grupo de cinco amigos formados pela Casa de Artes de Laranjeiras (CAL), reunidos em uma companhia batizada de Os Trágicos, criou um esquete para ser encenado na quarta edição do Festival Universitário do Rio de Janeiro, em 2014. Elogios e prêmios amealhados pela curta montagem incentivaram o quinteto, constituído por Gabriel Canella, Pedro Sarmento, Yuri Ribeiro, Diogo Fujimura e Mathias Wunder, a ampliar o esquete, dando origem a esta divertida comédia. Professora dos rapazes na CAL, Adriana Maia assina direção e dramaturgia. A rigor, no que diz respeito ao texto, a diferença é o acréscimo de um preâmbulo ao que fora encenado no festival. Nele, mostra-se como um grupo de larápios foi preso por pequenos delitos — conhecedores de Shakespeare poderão notar evocações à sua obra em algumas situações. Para salvar a pele, os criminosos precisam agradar à rainha com uma encenação de Hamlet, e aí entra o esquete. O clima de absoluta galhofa não é propício a cultores de clássicos à moda antiga, mas conquista quem busca divertimento. A agilidade da direção e a química entre os atores contam a favor.
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  • Edson Cardoso (outrora conhecido como o Jacaré do grupo É o Tchan) estrela o monólogo cômico de Rob Becker, recordista de temporadas na Broadway e já encenado em diversos países. Ele encarna um personagem chamado Edson (a coincidência de nomes é rubrica do autor para as montagens mundo afora), que, farto dos mal­-entendidos nas relações entre homens e mulheres, passa a defender os primeiros — em confrontos entre casais do tempo das cavernas aos dias de hoje. Direção de Nancho Novo.
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  • Ana Kutner, Alcemar Vieira e Emanuel Aragão encarnam personagens envolvidos em um triângulo amoroso no fim dos anos 70. O drama é de Alex Cassal, também diretor, ao lado de Clara Kutner. Os músicos Roberto de Souza e Pedro Rocha escoltam o elenco.
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  • Nos últimos meses, o circuito teatral carioca tem sido visitado com razoável frequência por espetáculos de pegada poética, que celebram determinados autores não por meio de suas biografias, mas pela força de suas obras. Comemorando 10 anos de existência, a Companhia de Teatro Íntimo envereda por essa seara em João Cabral, resgate cênico da obra de João Cabral de Melo Neto (1920-1999). Nenhum dos atores interpreta o homenageado: trata-se de uma espécie de recital dramatizado de seus poemas e cartas. O diretor Renato Farias, também autor do roteiro, investe em uma envolvente carga visual, equilibrada no fio da navalha com a potência das palavras. Tais imagens são ora mais oníricas, ora evocativas do autor, caso da cana-de-açúcar espalhada no cenário, da manipulação de máquinas de escrever e do número de flamenco, referência à cidade de Sevilha, onde o poeta viveu. Com essa concorrência imagética, associada à própria natureza do teatro (em que é impossível voltar as páginas), alguns versos fatalmente se perdem, mas a beleza do percurso em conjunto vale a apreciação. Em cena, Rafael Sieg, Cae­ta­no O’Maihlan, Raphael Vianna e Gaby Haviaras demonstram unidade e valorizam, pelo domínio da voz, a obra que reverenciam.
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  • Emma (Raquel Iantas) tem em Charles (Joelson Medeiros) um marido perfeito nas suas docilidade e devoção. Tal situação, porém, só é capaz de despertar na mulher o mais profundo tédio, que ela tenta aplacar em casos extraconjugais. Transposição para os palcos do livro homônimo de Gustave Flaubert (1821-1880), Madame Bovary aborda, por trás de suas múltiplas camadas, a eterna insatisfação humana. Em que pese o inescapável enxugamento do romance, a adaptação de Bruno Lara Resende (também diretor ao lado de Rafaela Amado) preserva a essência em dramaturgia que não trai suas origens: na boca dos personagens, diálogos se alternam com narrações dos fatos. No papel-título, Raquel entrega uma Emma menos arrebatada do que o imaginário em torno da personagem sugere, mas em consonância com o que parece ser uma proposta de evidenciar a narrativa. Nunca menos do que correto, o elenco conta ainda com Alcemar Vieira, Lourival Prudêncio e Vilma Mello.
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  • A comédia de Filipe Miguez satiriza o gênero melodramático, tendo como referência as novelas de rádio e telenovelas brasileiras. Na história, o Dr. Gomide revela à família que Maria Silvia, sua filha, não pode se casar com o noivo porque eles são irmãos. O elenco é formado por Catarina Saibro, Fernanda Esteves, Ian Braga e Leonardo Paixão. Direção de Luís Felipe Perinei.
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  • O espetáculo estrutura-se a partir do chamado Jogo do Gaulier, criado na École Philippe Gaulier, em Paris. Inicialmente, há uma apresentação dos tipos melodramáticos, como o sofredor, o apaixonado e o vilão, através de exercícios que estimulam os gestos típicos desses personagens. Após essa apresentação, iniciam-se jogos teatrais de improviso baseados no gênero melodramático. O público participa ativamente do espetáculo. Direção de Paulo Merísio.
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  • As oscilações de humor entre as mulheres são o mote da comédia de Rodrigo Nogueira. Escrita com base em um argumento de Marilia Toledo e Emílio Boechat, a história se passa na sala de embarque de um aeroporto onde Tita (Pia Manfroni), em busca de informações sobre seu voo, que está atrasado, procura Val (Rosi Campos), funcionária da companhia aérea e velha amiga, e tem a conversa ouvida por Stela (Rose Abdallah). A direção é de João Fonseca.
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  • Em 2008, Fernando Ceylão escreveu um esquete sobre um taxista fracassado, para compor o espetáculo Você Está Aqui, formado por uma série de cenas curtas. Sozinho em cena, Paulo César Pereio encarnava o tal chofer carente de afeto, cismado em fazer amizade com um cliente que mal o conhece. Certo dia, o ator faltou a uma sessão e o próprio Ceylão assumiu o posto — no que lhe veio a ideia de ampliar a cena e transformá-la em um monólogo para si. Sob direção de Bruce Gomlevsky, Meu Nome É Reginaldson insinua uma reflexão sobre o fracasso, mas não alça voo mais alto nesse sentido. Funciona melhor como veículo para Ceylão, apropriadamente patético como o taxista que invade o apartamento vazio do cliente para aguardá-lo. Enquanto isso, ensaia seu discurso de apresentação, no qual vêm à tona memórias de outros personagens que cruzaram sua vida, prato cheio para o ator se multiplicar por diversos tipos.
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  • Encenado pela primeira vez na Broadway, estrelado pelo comediante Colin Quinn (conhecido pelo programa Saturday Night Live), o monólogo Long Short Story propunha-se a narrar, de forma divertida, toda a história da humanidade no curto período de uma sessão de teatro. A adaptação brasileira, com Bruno Motta, deixa explícita essa premissa no nome: Um Milhão de Anos em Uma Hora. Ainda que parta da mesma ideia, a montagem percorre um texto bastante modificado em relação ao original, adaptado com graça e cheio de referências espertas ao Brasil — em um trabalho conjunto de Motta com Marcelo Adnet e Cláudio Torres Gonzaga, o diretor. Em clima de stand-up comedy (embora não seja exatamente uma), o espetáculo perpassa da revolução russa às guerras tribais africanas, da expansão do Império Romano às navegações europeias, entre muitos outros episódios, em um retrato não muito afável do ser humano. Se não chega a aprofundar reflexões, cumpre o papel de diversão com alguma dose de crítica, escorado em boas piadas, no ritmo ágil e no carisma de sua estrela.
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  • Monólogo cômico

    Morde!
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    No monólogo cômico escrito e estrelado por Simone Kalil, são apresentadas divertidas situações ligadas ao teatro. Direção de Alexandre Régis
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  • Enlutado pela morte da esposa, o distinto Sr. McLeavy (Mário Borges) ainda vela o corpo da mulher e já é obrigado a lidar com sérios problemas. De um lado, seu filho Hal (Rafael Canedo) e o comparsa dele, o agente funerário Dennis (Helder Agostini), roubaram um banco e, diante da chegada do detetive Truscott (Tuca Andrada), resolvem esconder o dinheiro no caixão. Enquanto isso, o comportamento da enfermeira Fay (Gláucia Rodrigues), descaradamente arrastando a asa para o viúvo da mulher de quem cuidava em vida, sugere que ela tem algo a ver com o repentino falecimento de sua antiga paciente. Conhecido pelo humor nigérrimo de suas comédias, repletas de situações ultrajantes e tipos afrontosos, o inglês Joe Orton (1933-1967) não foge à regra em O Olho Azul da Falecida. Nesta montagem da Cia Limite 151, o diretor Sidnei Cruz investe na dinâmica ágil típica do vaudeville, apropriada a esta comédia de erros cheia de entradas e saídas de personagens, e sublinha a comicidade das atuações. No elenco (completado por Johnny Ferro em participação pontual), o trio mais experiente — Borges, divertido em sua expansividade, e Gláucia e Andrada, modulando a desfaçatez — tira melhor proveito dessa linha de direção.
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  • Comédia dramática

    Para os que Estão em Casa
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    Primeiro trabalho do ator Leonardo Netto como dramaturgo, a comédia dramática Para os que Estão em Casa alcança um mérito e tanto: as reflexões levantadas são da maior pertinência, mas em nenhum momento se sobrepõem aborrecidamente à história. Também diretor da montagem, o autor parte do mesmo mote de Denise Está Chamando, filme de certa forma premonitório: em 1995, já mostrava um grupo de amigos que só se comunicava por meio de gadgets. Aqui, o septeto é vivido por Adassa Martins, Ana Abbott, Beatriz Bertu, Cirillo Luna, Isabel Lobo, João Velho e Renato Livera. Sem pretender catequizar a plateia, o texto destila ponderações, em última análise, sobre a solidão — ideia presente na cenografia de José Dias, dividida em nichos isolados. Em uma boa sacada, os atores por vezes estão fisicamente próximos, mas seus personagens na verdadenão se veem. A direção imprime ótimo ritmo à montageme extrai do elenco coeso interpretações envolventes em sua naturalidade.
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  • No espetáculo, que já fez turnê pelo país e chegou até ao Japão, Paulinho Serra fala de sua infância em Bangu, do começo da carreira artística até a afirmação como um dos grandes nomes do humor nacional, e surpreende em improvisos com a plateia.
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  • Maria Ceiça vive uma dona de casa que relembra canções e suas histórias. O eclético repertório do musical passa por Gonzaguinha, Tom Jobim, Caetano Veloso e Rita Lee. Ilka Villardo e o pianista Osmar Milito acompanham a protagonista nos números musicais.
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  • O Procrastinador é uma peça multimídia em que um DJ e um VJ performam ao vivo com os atores. Haroldo Mourão, Sidney Honigsztejn (o DJ em questão) e Simplício Neto (o VJ) assinam o texto. O próprio Mourão está em cena, com Fernando Aragão, Natasha Corbelino e Ricardo VR. Do elenco, só Natasha é atriz profissional - os demais trabalham como roteiristas. O público acompanha a história de Marcelo, um escritor que, prestes a perder seu trabalho por pura procrastinação, começa a repensar a própria vida. Direção de Renata Mizrahi.
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  • Bemvindo Siqueira dirige a comédia escrita por Maurício Silveira. Toda a ação se passa na sala da casa de Marcela (Amanda Parisi). Enquanto o marido trabalha, ela e seu amante são surpreendidos por uma dupla de criminosos atrapalhados.
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  • Apresentada em 2013, a comédia de Flávio de Souza, dirigida por Walter Lima Jr., volta ao circuito modificada. Do elenco de então, apenas Tatianna Trinxet permanece, agora em companhia de Paulinho Serra e Alex Nader. O texto é um exercício de metalinguagem relacionado ao próprio teatro: envolvidos com o ensaio de uma peça, os personagens começam a formar um triângulo amoroso. Cabe à plateia ir descobrindo se o que se vê em cena é um espetáculo propriamente dito ou uma peça dentro de outra.
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  • Nos anos 20, os italianos Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti, morando nos Estados Unidos, foram presos e condenados à morte em controverso julgamento, pelo assassinato de duas pessoas (meio século mais tarde, acabariam oficialmente absolvidos). Gilberto Miranda e Douglas Amaral vivem os protagonistas no drama do argentino Mauricio Kartun, em montagem da Cia. Ensaio Aberto. Direção de Luiz Fernando Lobo.
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  • Drama de Friedrich Dürrenmatt. Na história, a mulher mais rica do mundo, Claire Zahanasian (Maria Adélia), volta à sua cidade natal. Aos 17 anos, ela engravidou do namorado. Abandonada, ela moveu na justiça uma ação de investigação de paternidade, mas acabou expulsa da cidade. No elenco estão ainda Yashar Zambuzzi, Eduardo Rieche, Paulo Japyassú, Antonio Alves, Laura Nielsen, Renato Peres, André Frazzi, Anita Terrana, Pedro Lamim, Pedro Messina. Direção e adaptação de Sílvia Monte. 
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  • A partir do filme Yentl, que Barbra Streisand estrelou e dirigiu em 1983, e da peça homônima de 1975, escrita por Leah Napolin e Isaac Bashevis Singer (1902-1991), a atriz e cantora Alessandra Maestrini concebeu esse espetáculo-concerto, estrelado e dirigido pela própria. Entre uma e outra canção pinçada do longa (com melodias de Michel Legrand e letras de Alan e Marilyn Bergman), ela conta a história de Yentl, garota que se traveste de homem para poder estudar. Em cena, Alessandra está acompanhada do pianista João Carlos Coutinho, que assina a direção musical.
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Fonte: VEJA RIO