TEATRO

Expediente burocrático

Rotina enfadonha dos personagens na comédia Os Datilógrafos contagia o espectador

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪

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(Foto: Redação Veja rio)

Escrita pelo nova-iorquino Murray Schisgal, The Typists estreou sem sucesso em Londres em 1961 e ganhou montagem no circuito off-Broadway dois anos mais tarde. Em cartaz no Solar de Botafogo, Os Datilógrafos, adaptação da comédia sobre a vidinha repetitiva de dois funcionários do setor de mala direta de uma empresa, não demonstra forças para desviar o espetáculo de sua trajetória, digamos, assim, assim.

O diretor Celso Nunes encontrou em Henrique Manoel Pinho e Paula Campos dois atores bastante empenhados na composição dos personagens Darson e Sílvia. Ele tem até alguma ambição, quer dar melhor condição de vida à mulher e aos dois filhos, mas não encontra coragem para pedir aumento ao chefe. Ela, sonhadora, passa décadas nutrindo um amor platônico pelo colega de sala. Nessa toada, atravessam meio século sem sair do lugar.

Condizentes com a trama, mas cansativos aos ouvidos do espectador, os diálogos da peça são enfadonhos, recheados de assuntos banais e não levam a lugar nenhum. Nunes buscou soluções criativas para tornar a sessão mais dinâmica, como a passagem dos anos marcada pela substituição dos aparelhos telefônicos. Louvem-se ainda a cenografia de José Dias, que reproduz um escritório parado no tempo, ali pelos anos 30, e os figurinos de Kalma Murtinho. Mesmo assim, a contagiante estagnação da história toma conta dos sentimentos da plateia.

Os Datilógrafos (80min). 12 anos. Estreou em 6/1/2012. Solar de Botafogo (180 lugares). Rua General Polidoro, 180, Botafogo, ☎ 2543-5411. → Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h30. R$ 40,00. Bilheteria: 15h/21h (ter. a qui.); a partir das 15h (sex. a dom.). IC. Até 12 de fevereiro.

Fonte: VEJA RIO