TEATRO

História sem fim

Com texto confuso, Nicky Silver não repete em Os Altruístas o êxito de Pterodátilos

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪

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(Foto: Redação Veja rio)

Sucesso levado ao palco há pouco mais de um ano, com boas atuações de Marco Nanini e Mariana Lima, além de engenhoso cenário de Daniela Thomas, Pterodátilos conquistou prêmios e o público. Logo, era compreensível a expectativa em torno da estreia na cidade de um novo espetáculo do americano Nicky Silver. Os Altruístas, no entanto, deixa indisfarçável frustração ao fim da sessão. Em cartaz no Espaço Tom Jobim, a tragicomédia também tem elenco talentoso e cenografia assinada por Daniela. O problema é mesmo a narrativa sem pé nem cabeça.

A trama de pegada underground gira ao redor de Sydney. Famosa atriz de TV americana, doidivanas e deslumbrada, ela adora citar as grifes internacionais que veste. Sem motivo aparente ou sugerido, a perua fútil e drogada sustenta o namorado, Tony, e um grupo de ativistas de ocasião que protesta contra qualquer coisa. Após um chilique, e por ciúme, a diva dá vários tiros, supostamente em seu amado. Abalada, pede ajuda ao irmão, o assistente social Ronald, homossexual estereotipado que se apaixona pelo garoto de programa Lance. Na turma de agitadores há ainda Vivian, lésbica radical não muito certa sobre o movimento em que está engajada. Diálogos verborrágicos tentam unir os fiapos da trama, pontuada por marcações um tanto caricatas do diretor Guilherme Weber. Um estrebucha, outros repetem palavras, como LPs arranhados de antigamente. Mariana Ximenes defende bem a protagonista, embora berre demais em alguns momentos. Sobressai em cena Kiko Mascarenhas, na composição afetada, e difícil, do irmão gay. Miguel Thiré (Tony), Jonathan Haagensen (Lance) e Stella Rabello (Vivian) também têm desempenho convincente. Mas nem as boas atuações realçam a história maçante.

Os Altruístas (100min). 18 anos. Estreou em 13/1/2012. Espaço Tom Jobim (300 lugares). Rua Jardim Botânico, 1008, Jardim Botânico, ☎ 2274-7012. Sexta e sábado, 20h30; domingo, 20h. R$ 60,00. Bilheteria: a partir das 15h (sex. a dom.). IC. Estac. grátis. Até 12 de fevereiro.

Fonte: VEJA RIO