TEATRO

Visita ao clássico

Oréstia, do grego Ésquilo, ganha montagem respeitosa, mas acrescida de bem-vindas ousadias

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Longe dos palcos havia cinco anos, a atriz Malu Galli embrenhou-se no universo das tragédias seguindo mais uma curiosidade particular do que objetivos profissionais. Nesse mergulho, encantou-se por Ésquilo (525-456 a.C.), pioneiro entre os tragediógrafos gregos cujos textos chegaram aos dias de hoje ? os outros são Sófocles e Eurípides. Esse fascínio a trouxe de volta à cena. Além de ocupar-se da direção, ao lado de Bel Garcia, Malu integra o elenco da adaptação de Oréstia em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim. Uma trilogia composta de Agamênon, Coéforas e Eumênides, a histórica obra trata da sangrenta maldição que se abate sobre a família do rei Atreu, envolvida em um ciclo de mortes aparentemente interminável.

O grande mérito da montagem está na maneira ousada de conciliar intervenções modernas com o respeito ao clássico original ? que contribuiu para eternizar personagens mitológicos, como Electra e a profetisa Cassandra. O exemplo mais evidente do bom caminho escolhido é o coro: largamente valorizado por Ésquilo, dominando muitas vezes mais da metade do texto de suas peças, o conjunto teve sua importância preservada. No espetáculo, canta músicas cujas letras foram tiradas diretamente da obra do autor grego, mas embaladas por melodias de Romulo Fróes, compositor badalado da cena paulistana, e Cacá Machado. Os figurinos de Claudia Kopke e Marina Franco e a cenografia de Afonso Tostes produzem efeito semelhante ao trazer referências ao tempo atual, sem, no entanto, situar a montagem em uma época específica. Por vezes, a recorrência de certos cacoetes de teatro contemporâneo pode aborrecer a plateia, mas tal sensação é diluída principalmente pela força do elenco, formado ainda por Daniela Fortes, Gisele Fróes, Julio Machado, Luciano Chirolli e Otto Jr., alternando-se entre o coro e os personagens.

Oréstia (100min). 16 anos. Estreou em 3/11/2012. Casa de Cultura Laura Alvim ? Teatro (245 lugares). Avenida Vieira Souto, 176, Ipanema, ☎ 2332-2016. Quinta a sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 40,00 (qui. e sex.) e R$ 50,00 (sáb. e dom.). Bilheteria: a partir das 16h (qui. e sex.); a partir das 15h (sáb. e dom.). Até dia 16.

Fonte: VEJA RIO