TEATRO

Matéria de poesia

Versos de Manoel de Barros alimentam o drama Nada, um espetáculo incomum

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Diretores brasilienses, os irmãos Adriano e Fernando Guimarães são respeitados estudiosos da obra de Samuel Beckett (1906-1989). Dedicaram uma tetralogia à obra do autor irlandês. Impregnados de sua dramaturgia, que envolve teatro do absurdo, além de temas complexos traduzidos em narrativas de aparência simples, eles voltam a surpreender com o drama Nada. Baseada na obra do mato-grossense Manoel de Barros, 95 anos, o ?poeta das coisas desimportantes?, a peça é construída com fragmentos de publicações como Exercícios de Ser Criança, Poemas Rupestres e Livro de Pré-Coisas.

Versos e causos foram transformados nas falas dos sete personagens. Os trinta espectadores de cada sessão vivem experiência incomum, transformados nos convidados da festa de 80 anos do patriarca da família, o avô Joaquim (Lafayette Galvão). São acomodados ao redor de uma imensa mesa, com decoração típica de fazenda. Destoa, em ótimo sentido, a instalação com 4 000 objetos de vidro que domina o espaço cênico, representando as muitas coisas inúteis acumuladas ao longo da vida. Os moradores da casa servem ao público bolo de laranja, pão-de-ló, pão de queijo e jarros de sucos diversos, além de cachaça. Em tempo de roça, vagaroso, mas apropriado, a trama é apresentada. A harmonia entre o pai bonachão, Lourival (Adriano Garib), a mãe austera, Maria Olga (Miwa Yanagisawa), a tia abilolada Adaíla (Liliane Rovaris), a filha Tereza (Camila Márdila) e o empregado caipira Cícero (Rodrigo Lélis) é quebrada com a volta da outra filha. Ana (Marília Simões), vestida de noiva, reaparece depois de sete anos fugida. E o programa segue, envolvido por uma atmosfera de delicadeza inesquecível.

Nada (90min). 14 anos. Estreou em 24/5/2012. Oi Futuro Flamengo (30 lugares). Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, ☎ 3131-3060, ? Largo do Machado. → Quinta, sexta e domingo, 20h; sábado, 17h30 e 20h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 13h (qui. e sex.); a partir das 14h (sáb. e dom.). Até 15 de julho.

Fonte: VEJA RIO