ETERNO TRAPALHÃO

Didi leva Os Saltimbancos Trapalhões ao palco

Musical, que ainda conta com Dedé, é o mais novo acerto da dupla Charles Möeller e Claudio Botelho

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

Os Saltimbancos Trapalhoes
Renato Aragão à frente do elenco: aplausos em cena aberta (Foto: Leo Aversa)

A exatos 7 minutos de espetáculo, Renato Aragão surge por trás de uma tela translúcida, projetando nela uma sombra que, aos mais atentos, lembra Carlitos — referência máxima para palhaços como ele. O anteparo é, então, suspenso, e a plateia aplaude efusivamente conforme Didi adentra o palco. É a primeira das muitas salvas recebidas em cena aberta pelo comediante neste adorável musical, novo acerto da consagrada dupla Charles Möeller e Claudio Botelho. Em sua estreia no teatro, aos 79 anos, Renato divide o palco com Dedé, seu parceiro no grupo Os Trapalhões — que os dois formaram com Mussum (1941-1994) e Zacarias (1934-1990) —, além de 26 atores e sete músicos. Escrito por Möeller, o enredo de tintas ingênuas é livremente inspirado no longa Os Saltimbancos Trapalhões (1981), um dos mais bem-sucedidos do quarteto. Aqui, uma companhia de artistas circenses enfrenta a tirania do seu empregador, o Barão (Roberto Guilherme, o eterno Sargento Pincel, antagonista dos Trapalhões na TV). Uma promessa de liberdade, porém, se insinua quando Didi encontra um manuscrito com um conto dos irmãos Grimm. O lindo cenário de Rogério Falcão (valorizado por luz de Paulo Cesar Medeiros, visagismo de Beto Carramanhos e figurinos de Luciana Buarque) recria um circo humilde no majestoso palco da Cidade das Artes. Artistas de circo evoluem com graça entre os números musicais. Estão lá todas as belas canções compostas por Chico Buarque para o filme, como Piruetas, Hollywood, Meu Caro Barão e História de uma Gata. Experiente em musicais, Adriana Garambone dá show como a amalucada vilã Tigrana, mas até os pouco ou nada escolados no gênero, como Livian Aragão, filha de Renato, seu namorado, Nicolas Prattes, e a mãe dele, Giselle Prattes, dão conta do recado, com afinação valorizada pela direção musical de Botelho (150min, com intervalo). Livre. Estreou em 3/10/2014.

Cidade das Artes — Grande Sala (1 250 lugares). Avenida das Américas, 5300, Barra, ☎ 3328-5300. → Sexta e sábado, 20h; domingo, 18h. Excepcionalmente na sexta (7) não haverá sessão. R$ 40,00 a R$ 150,00. Bilheteria: a partir das 13h (sex.); a partir das 12h (sáb. e dom.). Estac. (R$ 10,00). Até o dia 30.     

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Fonte: VEJA RIO