TEATRO

O Dia em que Sam Morreu

Drama da Armazém Companhia de Teatro propõe uma contundente reflexão sobre a moral

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

João Gabriel Monteiro/divulgaçÃo
(Foto: Redação Veja rio)

Em tempos de indignação pública com desvios éticos, o drama da Armazém Companhia de Teatro se revela da maior pertinência. Também diretor, Paulo de Moraes assina o texto com Maurício Arruda Mendonça. Na história, o ambicioso cirurgião Benjamin (Otto Jr.) é, guardadas as proporções, um Ricardo III contemporâneo: tal como o personagem de Shakespeare, não apenas tem plena noção de sua vilania como se orgulha dela. Contra ele ? e a podridão dos valores que personifica ? insurge-se Samuel (Jopa Moraes), enfermeiro idealista ao ponto da ingenuidade, que invade o hospital armado. Zonas cinzentas da moralidade se vislumbram entre alguns dos reféns. É o caso da juíza Samantha (Patrícia Selonk), que reluta em aceitar a ajuda do médico Arthur (Ricardo Martins) para furar a fila do transplante de coração, e da garota de programa Sofia (Lisa Eiras), às voltas com o pai doente, Samir (Marcos Martins), vítima de Alzheimer. A intrigante estrutura do texto se baseia em uma sucessão de inícios, cada um deflagrando uma trama que enfoca Samuel, Samantha ou Samir ? todos apelidados de Sam. O elenco valoriza a contundente reflexão sobre a moral, aqui mais calcada na realidade, ainda que preservando a marca poética habitual do trabalho da Armazém (95min). 14 anos. Estreou em 10/4/2014.

Fundição Progresso ? Espaço Armazém (120 lugares). Rua dos Arcos, 24, Lapa, ☎ 2210-2190. Quinta a domingo, 20h. R$ 40,00. Bilheteria: a partir das 18h (qui. a dom.). Até 29 de junho.

Fonte: VEJA RIO