Teatro

Reality show ao vivo

Montagem aborda a superexposição de sentimentos em um mundo cada vez mais vigiado

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Renato Mangolin/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Escrito em 1998 pelo alemão Falk Richter, o espetáculo multimídia Deus É um DJ explora o sucesso dos reality shows como uma caricatura. Em sua primeira montagem no Brasil, o drama se alicerça em um debate contemporâneo: a superexposição de intimidades e fraquezas humanas nos meios eletrônicos, o que tem sempre audiência garantida. Na trama, os atores Marcos Damigo e Maria Ribeiro interpretam um casal contratado por uma galeria de arte para passar uma temporada trancado em uma quitinete high-tech, cercado de câmeras. Ali eles dormem, cozinham (fazendo merchandising), namoram e discutem a relação diante do olhar ávido dos internautas.

Responsável pela encenação, Marcelo Rubens Paiva enfatiza a composição dos tipos e faz concessão aos improvisos no texto. Damigo está bem como o DJ presunçoso e ciclotímico e Maria convence na pele da VJ desempregada que sabe ser firme nos momentos de instabilidade do marido. Um detalhe interessante é a manipulação, pelos personagens, de três câmeras e do equipamento de som. Como a ação é transmitida em tempo real e os aparelhos podem falhar ? fato ocorrido na sessão avaliada por VEJA RIO, em que a câmera sem fio parou de funcionar ?, a diversão adicional é ver os artistas contornando os apuros. Assim como nos reality shows.

Deus É um DJ (80min). 16 anos. Estreou em 14/10/2011. Oi Futuro Flamengo ? Cubo (40 lugares). Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, ☎ 3131-3060, ? Largo do Machado. → Quinta a domingo, 20h. R$ 15,00. Bilheteria: a partir das 11h (qui. a dom.). Até 11 de dezembro.

Fonte: VEJA RIO