TEATRO

Jornada muito particular

A Dança de Feliciano, de Moacyr Góes, narra um dia inusitado na vida de um tipo comum

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

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(Foto: Redação Veja rio)

Após 25 anos dedicado à direção de teatro e TV, Moacyr Góes estreia como dramaturgo. Inspirado por referências pessoais, o autor nascido no Rio Grande do Norte construiu a agradável comédia A Dança de Feliciano. A trama trata de um único dia na vida de um bibliotecário potiguar radicado no Rio. Definitivamente, não é um dia qualquer. Ele começa a jornada em um bar onde esbarra com artistas recentemente falecidos, a exemplo de Amy Winehouse. Logo percebe o que está acontecendo e passa a rever momentos como sua convivência com a mulher, a ex-bailarina Laurinha, e a promessa feita à mãe ? de jogar as cinzas do pai evangélico em Jerusalém.

O primeiro acerto do autor-diretor foi o de abrigar a montagem em um lugar inusitado. Dois pufes, um vaso sanitário e taças de bebida integram a cenografia minimalista de José Dias montada na pista da boate Fosfobox, em Copacabana. O mesmo ambiente se presta a representar o pequeno apartamento onde vive o protagonista com a família, uma praça na região da Cinelândia e o boteco onde ele encontra os mortos. Leon Góes compõe bem o anti-herói nordestino e se mostra desenvolto ao dar os passos esdrúxulos da tal dança do título. No elenco de oito integrantes também sobressaem Rose Lima (a mãe), Daniel Carneiro (uma sedutora Morte) e Janaína Moura (Laurinha). Ricardo Damasceno exagera na afetação efeminada do maître Costa, mas não compromete. Sem grandes pretensões, o espetáculo entretém a plateia até o fim.

A Dança de Feliciano (60min). 18 anos. Estreou em 11/8/2011. Fosfobox (40 lugares). Rua Siqueira Campos, 132, Copacabana, ☎ 2548-7498, ? Siqueira Campos. Quinta a sábado, 22h. R$ 40,00. Bilheteria: a partir das 21h30 (qui. a sáb.). O ingresso permite a permanência na boate após a apresentação. Até 15 de outubro.

Fonte: VEJA RIO