CLÁSSICO

Bonitinha, mas Ordinária, ganha nova montagem

Encenação da Cia. Teatro Portátil põe os atores para transitar da plateia para o palco

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

Bonitinha, Mas Ordinária

Bonitinha, Mas Ordinária
(Foto: rodrigocastrodivulgacao)

Avaliação ✪✪✪ 

Alvo de permanente polêmica, Nelson Rodrigues (1912-1980) certa vez se deu à pachorra de explicar a própria obra. “As senhoras me dizem: ‘Eu queria que os seus personagens fossem como todo mundo’. E não ocorre a ninguém que os meus personagens são como todo mundo, daí a repulsa que provocam.” Faz sentido, portanto, que as figuras criadas pelo autor para este drama estejam misturadas à plateia na montagem da Cia. Teatro Portátil. Ao longo do espetáculo, elas vão das cadeiras ao palco, e vice-versa, para contar a história de Edgard (Guilherme Miranda). O ex-contínuo recebe uma proposta que o fará subir na vida: para tanto, deve se casar com Maria Cecília (Julia Schaeffer), filha de seu patrão, o rico doutor Werneck (Marcello Escorel). O rapaz, no entanto, é apaixonado por Ritinha (Elisa Pinheiro), moça pobre que faz de tudo para sustentar a mãe e as irmãs mais novas. A direção de Alexandre Boccanera reforça nos atores o uso da voz e despe um tanto a montagem de seu aspecto sexual ou escandaloso — o que evidencia ainda mais a reconhecida carpintaria dramática de Nelson. No elenco equilibrado (formado também por Ana Moura, Anderson Cunha, Cláudio Gardin, Laura de Castro, Márcio Freitas e Morena Cattoni), Elisa aproveita com gosto, mas sem histrionismo, as possibilidades do seu papel, de pureza aparente (75min). 16 anos. Estreou em 21/1/2015.

Centro Cultural Banco do Brasil — Teatro III (40 lugares). 

Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2020. → Quarta a domingo, 19h30. Não haverá sessões até domingo (15). R$ 10,00. Bilheteria: a partir das 10h (qua. a dom.). Até 1º de março.

Fonte: VEJA RIO