TEATRO

Confissões de mulher

Maria Mariana assina e estrela Barco de Papel, monólogo em que ela volta ao tom intimista que lhe deu fama há vinte anos

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Rodrigo Castro/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Em 1992, quando estava prestes a completar 20 anos, Maria Mariana estreou, junto com três amigas, um modesto espetáculo de sua autoria no porão da Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema. Baseado em seus próprios diários, Confissões de Adolescente tornou-se um fenômeno que atraiu quase 1 milhão de pessoas durante os seis anos em que permaneceu em cartaz. Apesar do retumbante êxito, a atriz decidiu dar um tempo na profissão para encarnar na vida real o papel de mãe zelosa. Nestes últimos dez anos, dedicou-se em tempo integral a cuidar de seus quatro filhos. Com as crianças crescidinhas, ela resolveu interromper o jejum dos palcos e agora retoma a carreira com o monólogo Barco de Papel, encenado na mesma sala onde despontou.

Além de dar vida ao seu texto, Mariana responde por cenografia, figurino e direção, esta com supervisão de seu pai, o dramaturgo Domingos Oliveira. Em que pese a semelhança na pegada confessional, ela aqui trilha caminhos mais poéticos do que em seu sucesso de estreia. A protagonista é, como Mariana, uma mulher prestes a completar 40 anos, que no decorrer da apresentação vai se desdobrando em quatro figuras bem díspares: a sedutora Vera, a intelectual Maria Gilda, a maternal Diana e a espiritual Marta. Para fisgar a plateia, a peça lança mão de suas principais virtudes: o tom lírico da narrativa e o convincente trabalho de Mariana, que exibe o mesmo carisma e a boa forma do passado. Trata-se de uma montagem absolutamente despojada, com a cenografia se limitando a alguns poucos objetos que a atriz manipula ao longo da trama. Destaque para a iluminação, a cargo de Fred Eça, que pontua bem os climas do espetáculo.

Barco de Papel (90min). 12 anos. Estreou em 14/9/2012. Casa de Cultura Laura Alvim - Espaço Rogério Cardoso (70 lugares). Avenida Vieira Souto, 176, Ipanema, ☎ 2332-2016. Sexta e sábado, 21h; domingo, 19h. R$ 30,00. Bilheteria: a partir das 16h (sex.); a partir das 15h (sáb. e dom.). Até domingo (28).

Fonte: VEJA RIO