31/8 a 6/9

As principais peças em cartaz na semana

A comédia dramática Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos, do inglês Tom Stoppard, é uma das estreias programadas

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos
Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos: texto do inglês Tom Stoppard enfoca dois coadjuvantes de Hamlet (Foto: Amanda Campana/Divulgação)
  • Nos últimos anos, com a recorrência de musicais biográficos no circuito, tornou-se um clichê dizer que alguns atores mimetizam e até incorporam os homenageados. Protagonista de Amargo Fruto – A Vida de Billie Holiday, Lilian Valeska percorre outro caminho: salvo por algumas inflexões e timbres particulares da diva do jazz, a atriz foge do expediente ao mesmo tempo sedutor e virtualmente desastroso de imitar o inimitável. No entanto, canções como God Bless the Child, Speak Low, Summertime e, claro, Strange Fruit (o belo hino antirracismo que empresta nome à peça) são interpretadas com tamanha alma que, para o espectador, é quase como se Lady Day em pessoa estivesse em cena. Desenvolvido em conjunto por Jau Sant’Angelo e a diretora Ticiana Studart, o texto apresenta a trajetória de Billie (1915-1959) com pegada mais narrativa, diluindo um tanto o potencial dramático de sua vida – a infância miserável, o estupro sofrido aos 10 anos, a experiência como prostituta, as relações nem sempre harmoniosas com músicos e gravadoras, os casamentos falidos e a autodestruição pelas drogas. Vilma Melo e Milton Filho, multiplicados em vários papéis, se empenham com relativo êxito na tarefa de dar mais substância à dramaturgia. Nada disso, entretanto, parece importar quando Lilian (escoltada por um exímio quarteto de jazz, vestida com os lindos figurinos de Marcelo Marques e emoldurada pelo acertado cenário de Aurora dos Campos e a deslumbrante luz de Paulo César Medeiros) solta a voz.
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  • Tendo como pano de fundo o Brasil das décadas de 40 a 60, o musical escrito por Enéas Carlos Pereira e Edu Salemi apresenta a trajetória de Ataulfo Alves (1909-1969), interpretado aqui por Wladimir Pinheiro. No repertório estão clássicos do compositor, a exemplo de Ai que Saudades da Amélia, Atire a Primeira Pedra e Mulata Assanhada. Direção de Luiz Antonio Pilar e direção musical de Alexandre Elias.
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  • Um incômodo profundo contagia a plateia na peça do inglês David Harrower. Vencedor do prêmio Laurence Olivier, o mais importante do teatro britânico, como a melhor montagem de 2006, o drama é inspirado em um episódio real de pedofilia envolvendo um ex-fuzileiro naval americano de 31 anos e uma menina britânica de apenas 12. Em cena, Ray (Yashar Zambuzzi) e Una (Viviani Rayes) ocupam a sala imunda do lugar onde ele trabalha (apropriadamente claustrofóbica no cenário de Pati Faedo). Como se verá, quinze anos antes, quando ela era uma criança e ele tinha pouco mais de 30, os dois tiveram um envolvimento amoroso — se é que se pode usar tal expressão para descrever um relacionamento entre um homem feito e uma menor de idade. Preso pelo crime, Ray consegue refazer a vida sob nova identidade, mas a moça descobre seu paradeiro e vai atrás dele. Ao longo de intenso diálogo, zonas cinzentas vão sendo descortinadas pela exposição do caráter consensual da relação mantida no passado. Quase ao final, surge uma garota interpretada por Debora Ozório, reforçando irremediavelmente o desconforto no público. Harrower se equilibra no fio da navalha: não vilaniza nem absolve seus personagens. A abordagem encontra consonância na direção firme de Bruce Gomlevsky e nas performances equilibradas de Viviani e Zambuzzi.
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  • No drama de Pedro Emanuel, Paulo é um homem cujos planos e desejos fracassaram. É com a chegada de um novo funcionário na empresa em que trabalha (e que detesta) que Paulo acredita que pode mudar. No elenco estão Ana Beatriz Macedo, Gilson de Barros, Pedro Emanuel e Zeca Richa.  Direção de Iuri Kruschewsky.
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  • Monólogo

    BR-Trans
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    Entre os tantos méritos deste arrebatador monólogo, talvez o maior seja a capacidade de chamar a atenção do público para um assunto socialmente espinhoso — o preconceito e a violência física sofridos por travestis, transformistas e transexuais —, não se furtar a uma tomada de posição e, mesmo assim, preservar a sua integridade artística. O ator cearense Silvero Pereira está em cena e também assina a bem cerzida dramaturgia do espetáculo, uma reunião de histórias colhidas ao longo de uma pesquisa empreendida por ele em comunidades trans de várias partes do país. No palco, o artista recebe os espectadores na pele de seu alter ego, Gisele Almodóvar, para em seguida vivenciar esses relatos multiplicando-se por personagens cuja vida de certa forma se confunde com a do próprio Pereira. Em pegada algo performática (encampada na cenografia e na luz), a encenação mescla linguagens, notadamente a música, com o ator escoltado pelo instrumentista Rodrigo Apolinário em canções como Geni e o Zepelim, de Chico Buarque, e Três Travestis, de Caetano Veloso. A direção da gaúcha Jezebel De Carli é na maior parte do tempo bem-sucedida na articulação das histórias, garantindo boa fluência. Decisiva para o êxito, porém, é a interpretação de Pereira, desenvolta, de modo a fazer o trabalhoso parecer fácil, além de tocante em sua entrega e coragem.
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  • Fernanda Torres vez por outra volta a se exercitar nos palcos com este delicioso monólogo cômico, um sucesso desde a estreia, em 2003. Transposição para o teatro do livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro (1941-2014), o espetáculo traz a atriz no papel de uma baiana de 68 anos que detalha as incontáveis experiências sexuais que teve ao longo da vida. Domingos de Oliveira responde pela adaptação e pela direção limpa — com pouquíssimos objetos em cena, as atenções se voltam naturalmente para as sutilezas do texto e para a atuação exuberante de Fernanda.
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  • Neste musical, canções imortalizadas por Dalva de Oliveira, Herivelto Martins, Linda e Dircinha Batista, Dolores Duran, Elizeth Cardoso, Emilinha, Marlene e Orlando Silva, entre outros, costuram a história do encontro de dois artistas de rua (vividos por Sabrina Korgut e Tiago Higa). O roteiro é de Marcelo Albuquerque. Direção de Rubens Lima Jr. e direção musical de Tony Lucchesi.
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  • Nas rubricas iniciais do texto de Cock, o autor, Mike Bartlett, indica como a peça deve ser montada: "Não há cenário, objetos, mobília nem mímica. Em vez disso, o foco é exclusivamente o conflito das cenas". Encampada à risca, tal proposta de despojamento é o primeiro detalhe a chamar atenção nesta montagem. Também "nus", de certa forma, estão os personagens. John (Felipe Lima) vive há sete anos com um homem (Luiz Henrique Nogueira, substituindo Márcio Machado nesta temporada), mas se vê dividido ao conhecer uma mulher (Débora Lamm, exuberante). Esses últimos vértices do triângulo amoroso não são nomeados. Tudo parece girar em torno de John e sua inabilidade para escolher o que é melhor para si - e, em última análise, saber quem é (tema, ressalte-se, caro a Bartlett). Todas as inseguranças do trio virão à tona em um jantar promovido por John, ao qual comparece o pai de seu parceiro (papel de Helio Ribeiro). Na ocasião, espera-se, o protagonista optará por ele ou ela. A direção de Inez Viana investe na dinâmica entre os atores, cujas falas são valorizadas ante a crueza da cena. 
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  • O universo de Julio Cortázar é ponto de partida para o texto de Keli Freitas, que flerta com o fantástico ao contar o drama de uma família cujo centro está na figura materna. Diante de um iminente colapso, todos se articulam para poupar a mãe, idosa e doente, de sobressaltos que podem ser fatais. Direção de Cynthia Reis.
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  • Na comédia de Martins Pena (1815-1848), José Antônio, grande admirador de ópera, pretende casar sua filha Josefina com o fazendeiro Marcelo. Este, porém, prefere gêneros musicais populares, para desgosto do futuro sogro. Gaudêncio Mendes, um aproveitador que se diz doutor em direito, tenta usar essa divergência em seu favor e finge ser um cantor lírico para conquistar a preferência de José Antônio. Gustavo Ottoni dirige a montagem e está no elenco, ao lado de Licurgo, Nedira Campos, Nilvan Santos, Priscilla Cadete e Suzana Abranches.
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  • Consagrado como ilustrador de livros infantis, Roger Mello também é autor teatral. Neste drama de sua lavra, a trama é deflagrada pelo disparo de uma arma, que pode atingir o atirador, seu reflexo em um espelho ou o reflexo do reflexo. No elenco estão Artur Gendankien, Ludmila Wischansky, Pedro Cavalcante e Ricardo Schöpke. A direção é do próprio Roger Mello.
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  • Inspirada no livro homônimo de Martha Medeiros, a comédia romântica de Regiana Antonini aborda a vida da psicanalista Beatriz (uma carismática Cissa Guimarães), que, após vinte anos, decide dar fim ao desgastado casamento com Orlando (Oscar Magrini, substituindo Giuseppe Oristanio nesta temporada). Adaptado de um livro de crônicas independentes, o texto carece um tanto de solidez — a maioria das cenas se assemelha a esquetes isolados. Apesar disso, as situações vividas pela família da protagonista provocam identificação entre os espectadores, além de boas risadas. . É Josie Antello, no entanto, dividindo-se entre os papéis da filha adolescente Marina, da liberal tia Berenice e da amalucada avó Elda, quem responde pelos momentos mais hilariantes. Direção de Ernesto Piccolo.
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  • Documentário cênico

    Domínio do Escuro
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    Assinada por Juliana Pamplona (também diretora), a dramaturgia deste documentário cênico foi criada a partir de registros físicos — fotos, slides, desenhos e cartas — e depoimentos gravados de idosos homossexuais, muitos dos quais se viram obrigados a esconder o fato em algum momento da vida. Clarisse Zarvos, Lívia Paiva e Pedro Henrique Müller estão no elenco.
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  • O drama de Marcia Zanelatto se passa em uma favela do Rio, onde um pai, traficante na década de 80, e sua filha, que seguiu seu caminho, se reencontram depois de muitos anos. Geandra Nobre, Jaqueline Andrade, Phellipe Azevedo, Rodrigo Souza e Wallace Lino estão no elenco. Direção de Isabel Penoni.
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  • Comédia romântica

    Enfim, Nós
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    Cai no próximo domingo o Dia dos Namorados. Apelo comercial à parte, a data é oportunidade atraente para os pombinhos renovarem seus votos de carinho. Com Fernanda e Zeca, no entanto, as coisas se complicaram: personagens da comédia Enfim, Nós, os dois acabaram trancados no banheiro quando se aprontavam para celebrar e mergulham noite adentro em intensa discussão de relação. Do confronto emergem ciúme e manias de um que o outro não conhecia. Casados na vida real, Fernanda Vasconcellos e Cássio Reis voltam ao Rio com o espetáculo, a partir de sexta (10) no Teatro Fashion Mall. Escrita por Bruno Mazzeo e Cláudio Torres Gonzaga, também responsável pela direção, a peça já foi vista por mais de 600 000 espectadores, estrelada por nomes como Fernanda Souza, Fabíula Nascimento, Regiane Alves, Marcius Melhem e o próprio Mazzeo
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  • Estreia do jornalista Luiz Felipe Reis como autor e diretor, Estamos Indo Embora..., da Polifônica Cia., exibe coragem em duas frentes. Com relação à temática, leva à cena questões pouco ou nada abordadas no teatro, ligadas ao impacto das ações do homem sobre o meio ambiente. Além disso, investe em uma encenação híbrida, experimental na confecção da dramaturgia (algo catequizante, ressalte-se) e em sua transposição para o palco. Não há uma trama convencional: Julia Lund e Márcio Machado, ambos corretos frente à proposta, abrem a peça com uma cena de forte apelo estético (uma tônica do espetáculo, aliás), cruzando o palco diante da projeção de um vídeo que mostra geleiras derretendo. Assumem, em seguida, um formato de palestra científica e, por fim, no encerramento sombrio, encarnam um casal cheio de incertezas em um futuro distante. Essa aparente divisão em segmentos de linguagens distintas presta serviço ao arrojo, embora o resultado soe um tanto irregular no conjunto.
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  • Françoise Forton interpreta Tetê no musical inspirado na novela global exibida em 1976. O texto de Flávio Marinho situa a trama em 2015. Na história, Tetê é convencida por sua melhor amiga a comparecer a uma reunião da turma de colégio, na qual encontrará uma rival de outrora, seu ex-marido e uma antiga paixão. No repertório, sucessos como Banho de Lua, Broto Legal e I’ve Got You under My Skin. Direção de Gilberto Gawronski. Direção musical de Liliane Secco.
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  • O drama coloca em cena dois jovens, um executivo do mercado financeiro e um poeta. Envolvidos em um acidente de trânsito, eles se encontram para acertar as contas e se metem em uma teia de mentiras. Thiago Ciccarino assina o texto, dirige a montagem e atua ao lado de Bruno Autran.
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  • Em 2012, quando foi comemorado o seu centenário de nascimento, Luiz Gonzaga foi alvo de uma série de homenagens. Nada mais justo com o rei do baião, autor de clássicos incontornáveis do cancioneiro nacional como O Xote das Meninas e Asa Branca. Comovente e, ao mesmo tempo, divertido, o musical Gonzagão - A Lenda, é um dos mais acertados tributos prestados ao cantor, compositor e sanfoneiro. No maior trunfo do espetáculo, dirigido pelo também pernambucano João Falcão, pequenas subversões evitam o caminho fácil da biografia linear. Em cena, duas tramas se entrecruzam. Na primeira, uma companhia teatral nômade, situada em futuro indeterminado e local indefinido, propõe-se a contar o que seus integrantes chamam de "lenda do rei Luiz". A outra história é a de Gonzagão, narrada pelos personagens. Adrén Alves, Alfredo Del Penho, Eduardo Rios, Fábio Enriquez, Larissa Luz, Marcelo Mimoso, Renato Luciano, Ricca Barros e Thomás Aquino vivem os integrantes da tal trupe e se multiplicam por tipos que cruzam a trajetória do músico. Curiosidade: todos, em algum momento, encarnam o homenageado. Com carisma contagiante e boa performance vocal, apresentam mais de quarenta canções, escoltados por quatro afiados instrumentistas. Em outra bem-sucedida ousadia, os arranjos não emulam os originais, ao contrário, mas preservam inconfundível toque regional. Essa mesma qualidade é verificada nos figurinos e adereços estilizados: ambos fogem do óbvio sem deixar de evocar o Nordeste.
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  • De 1967 a 1974, uma área da região amazônica foi palco de um violento conflito que colocou em lados opostos as Forças Armadas brasileiras e guerrilheiros de esquerda. Conhecido como Guerrilha do Araguaia, em referência ao rio homônimo que corta a região, o episódio resultou na morte de grande parte dos oitenta revolucionários, entre eles doze mulheres cujas histórias inspiram o corajoso Guerrilheiras ou Para a Terra Não Há Desaparecidos. Idealizada pela atriz Gabriela Carneiro da Cunha (também no elenco, ao lado de Carolina Virguez, Daniela Carmona, Sara Antunes, Fernanda Haucke e Mafalda Pequenino), a montagem ganhou dramaturgia ousada de Grace Passô. Não há uma história convencional: as atrizes se desdobram em múltiplas figuras, evocando acontecimentos e engendrando reflexões em uma espécie de poema cênico. Ainda que em consonância com o arrojo da dramaturgia, a direção de Georgette Fadel parece tensionar a montagem um pouco além da conta, desgastando o impacto em cenas longas e reiterativas. Escorado visualmente no cenário de Aurora dos Campos (no qual enormes folhas de plástico desempenham forte papel simbólico), na bela luz de Tomás Ribas e nas poéticas projeções de imagens captadas por Eryk Rocha no sul do Pará, o elenco se entrega amplamente à proposta. Estreou em 3/9/2015.
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  • Apresentado pela primeira vez na edição de 2013 do Festival de Avignon, um dos mais celebrados eventos de artes cênicas do planeta, o drama da companhia Dos à Deux conquistou aplausos do exigente público do evento. Os méritos cabem a André Curti e Artur Luanda Ribeiro, brasileiros fundadores do grupo radicado em Paris: além de integrar o elenco, a dupla responde por dramaturgia, direção, coreografia e cenário do espetáculo. Marca da trajetória dos dois, o teatro gestual fundamenta a encenação. A história dos três irmãos do título (Curti, Ribeiro e Daniel Leuback) e de sua mãe (Raquel Iantas) é contada sem uma linha de diálogo, mas cheia de poesia. Não convém esmiuçar a trama, sob pena de estragar a tocante revelação do final. Em cena, o rigor espartano com que os atores desempenham um minucioso jogo de movimentos não se sobrepõe à emoção, amplificada graças ao visual deslumbrante da montagem.
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  • O espetáculo é baseado em uma comédia inacabada de Martins Pena, e o texto foi finalizado pela autora Suzana Abraches. A trama envolve o amor impossível de Eduardo e Guilhermina. Os tios da jovem querem que ela se case com Gervásio, inspetor de quarteirão. Eduardo não sabe que é filho de Mônica, a quem trata por tia. Esta sonha reencontrar o pai de seu filho, a quem, vinte e oito anos antes, doou um alfinete de peito.
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  • Alçado ao trono da Baviera com menos de 20 anos, Ludwig II (1845-1886) logo passaria a ser pressionado a conceber um herdeiro. Em 1867, ele anunciou o noivado com a duquesa Sophie Charlotte, sua prima, mas a união jamais seria consumada: naquele mesmo ano, após vários adiamentos, o noivo cancelou a cerimônia. Segundo documentos, o rei viveu acossado por desejos homossexuais que tentava reprimir. Especula-se que, entre os muitos amigos íntimos cultivados pelo monarca, o chefe de cavalaria Richard Horing tenha sido seu grande amor. Essa faceta de sua vida é enfocada pela Artesanal Cia de Teatro no drama Ludwig/2. Desenvolvido pela trupe durante uma residência artística em Munique, o drama de Gustavo Bicalho ganhou encenação binacional, com longos trechos em alemão, compreendidos por meio de legenda, e um ator de lá — Andreas Mayer, no papel de Horing, divide a cena com Manoel Madeira (o rei) e Suzana Castelo (a noiva). A direção a seis mãos, do autor com Henrique Gonçalves e Daniel Belquer, conduz a montagem com tintas modernizantes. Ludwig e Horing se conhecem em uma boate, por exemplo. O diálogo com o contemporâneo é notável ainda no cenário minimalista, nos figurinos estilizados, na trilha que mescla rock com versões eletrônicas da obra de Richard Wagner (de quem Ludwig foi admirador) e nos recursos de vídeo. No elenco, Madeira traduz com intensidade hiperbólica a angústia do rei, Suzana se mantém discreta e Mayer alcança com mais êxito as modulações de seu personagem.
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  • O texto de César Valentim (também diretor) é uma livre adaptação do livro O Diário de Anne Frank, no qual a jovem do título, uma menina judia de 13 anos, narra a história dela com sua família e outros judeus escondidos em Amsterdã durante a ocupação nazista nos Países Baixos. Rita Grego estrela o monólogo dramático.
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  • Monólogo

    O Narrador
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    Em 1936, o filósofo alemão Walter Benjamin escreveu um texto sobre o empobrecimento do ato de se contar histórias. A partir dessa obra, Diogo Liberano concebeu, de certa forma, uma subversão que reafirma a força da narração em sua plenitude. Apropriadamente, o próprio Liberano classifica a encenação não como uma peça, mas uma performance. Não há personagens ou enredo no sentido habitual dos termos. Sozinho em cena, ele literalmente lê um texto de sua autoria, no qual costura com apuro lembranças, trocas de cartas e poemas, compartilhando com a plateia experiências reais ligadas à morte de parentes e, mais detidamente, de uma amiga. Nada é por acaso: as roupas comuns que Liberano veste, o despojamento absoluto do palco, o ato de ir se desfazendo das folhas de papel à medida em que são lidas e até a presença enigmática de um boneco de pelúcia de Bisonho, o asno da turma do Ursinho Pooh, tudo tem sentido (ainda que por vezes metafórico) dentro do que é narrado. Verdadeiramente entregue, por vezes chegando às lágrimas, mas dominando a leitura com enorme traquejo, Liberano transcende a particularidade de sua própria história ao tratar, sem ranço de aridez intelectual, um tema universal — a morte. Assim, suscita reflexões e estabelece uma conexão genuína, tocante e poderosa com o espectador.
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  • Fundada em 2004, a companhia britânica The Paper Cinema, formada por Nicholas Rawling, Imogen Charleston e Christopher Reed, investe em teatro de animação. Nesta adaptação da Odisseia, de Homero, o espetáculo é construído através de marionetes de papel, desenhadas a mão e animadas em frente a uma câmera, cujo registro é projetado em um telão. Músicos executam a trilha sonora ao vivo.
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  • Miguel Thiré está em cena neste monólogo cômico, que escreveu com Carlos Artur Thiré e dirige com Igor Angel­korte. Utilizando recursos de mímica, ele dá vida a cinco personagens cujas vidas se cruzam na cidade do Rio.
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  • Em que pese seu status de artífice da comédia de costumes brasileira, Martins Pena (1815-1848) raramente é montado em circuito comercial. Apenas o fato de iluminar uma obra de tal importância já tornaria meritória esta nova empreitada da Cia Atores de Laura. Mas a comédia — na verdade, uma reunião de três textos do autor — vai além do simples resgate histórico, revelando acertos estéticos e oferecendo diversão genuína. Ana Paula Secco, Anderson Mello, Gabriela Rosas, Leandro Castilho, Luiz André Alvim, Marcio Fonseca e Paulo Hamilton se dividem entre as três histórias: A Família e a Festa na Roça (1838), sobre uma moça que deseja se casar com um médico, contra a vontade da família; O Caixeiro da Taverna (1845), que traz um ambicioso comerciante disposto a virar sócio da loja onde trabalha; e O Judas no Sábado de Aleluia (1846), em que um sujeito enamorado, para não ser flagrado na casa de sua pretendente, se esconde na figura de um boneco do traidor de Jesus e testemunha conversas variadas. O cenário de Fernando Mello da Costa (iluminado por Aurélio de Simoni com a competência habitual), os figurinos de Antônio Guedes e o visagismo de Diego Nardes compõem um quadro que reforça o sentido de teatralidade. A mesma trilha é seguida na direção de Daniel Herz, hábil ao espanar o pó dos textos sem lhes trair a simplicidade e o humor à moda antiga. Entregue a uma linha de atuação apropriadamente caricatural, o elenco demonstra entrosamento para além de destaques individuais.
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  • Discriminada por sua origem judaica, testemunha da ascensão de Hitler em seu país e feita prisioneira em um campo de concentração, de onde escaparia rumo aos Estados Unidos, a filósofa alemã Hannah Arendt (1906-1975) construiu uma consistente teoria política sobre o totalitarismo que, em larga medida, reflete sua própria experiência. Nesse sentido, é feliz a abordagem proposta pela dramaturgia de Marcia Zanelatto no documentário cênico em cartaz no CCBB. O texto não alça voos mais altos no desenvolvimento de dramas pessoais da protagonista, mas alcança notável harmonia entre episódios de sua biografia e a exposição de suas principais ideias. Essas ganham realce na direção sensível de Isaac Bernat, inseridas naturalmente em conversas de Hannah (Kelzy Ecard) — entre os seus interlocutores surgem a escritora e amiga Mary McCarthy, o filósofo Martin Heidegger, com quem teve um envolvimento amoroso, e, na cena mais comovente, uma moça judia incapaz de aderir a um dos principais conceitos elaborados pela pensadora, o da banalidade do mal. No elenco, Carolina Ferman sai-se bem nos papéis coadjuvantes femininos. Mais discreto nos personagens masculinos, Michel Robim também faz as vezes de narrador, inserindo movimentos de dança que sugerem a possibilidade do nascimento da beleza a partir da tragédia. Excelente como de hábito, Kelzy empresta apropriada mescla de austeridade, elegância e emoção à sua Hannah. Estreou em 27/8/2015.
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  • Inspirada no formato americano de improviso chamado long form, a peça que reúne alguns dos integrantes do canal Porta dos Fundos dispensa jogos ou esquetes. Uma história com início, meio e fim é criada pelo elenco com base em uma pequena entrevista realizada com uma pessoa da plateia. Depois de responder a perguntas sobre sua família, seu trabalho e seu maior sonho, ela acompanha uma reconstituição da própria vida. Em cena, Gregorio Duvivier, João Vicente de Castro, Luis Lobianco e Gustavo Miranda demonstram um tempo de comédia certeiro, além de muita confiança uns nos outros. Direção de Barbara Duvivier.
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  • O clássico drama de Franz Kafka é transposto para o palco na adaptação de Luiz Antonio Ribeiro. Como no livro, conta-se em cena a história de Joseph K., sujeito convencional que, de repente, é detido sem saber a razão. Evocando o insólito da situação, o protagonista é interpretado por um ator diferente a cada sessão, sem que ele jamais tenha ensaiado ou mesmo conheça profundamente o texto. Já passaram pela experiência os atores Du Moscovis, Lilia Cabral e João Pedro Zappa. Direção de Leandro Romano. O próximo convidado ainda não está confirmado. 
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  • Bemvindo Siqueira dirige a comédia escrita por Maurício Silveira. Toda a ação se passa na sala da casa de Marcela (Amanda Parisi). Enquanto o marido trabalha, ela e seu amante são surpreendidos por uma dupla de criminosos atrapalhados.
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  • Comédia dramática

    Queime Isso
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    Uma triste ausência é sentida no apartamento onde vivem dois amigos, a bailarina Anna (Karine Carvalho) e o publicitário gay Larry (Alcemar Vieira): Robbie, o jovem dançarino que morava com eles, morreu há alguns dias junto com seu companheiro, em um trágico acidente de barco. O luto se estende a Burton (Celso Andre), o pragmático namorado de Anna, que chega ao local após o enterro. Melancólico de início, o quadro se desestabiliza de vez com o aparecimento de Pale (Tatsu Carvalho), o irmão meio bronco e perturbado de Robbie, que vai mexer com a cabeça da moça. Escrito pelo americano Lanford Wilson (1937-2011), ganhador do Pulitzer, o drama parte desse mote para, através de diálogos realistas, suscitar reflexões sobre a aceitação, não apenas da vida ou do outro, mas principalmente de si mesmo. A direção de Victor Garcia Peralta, positivamente discreta, investe na dinâmica entre o quarteto, valorizando assim a carpintaria dramática e extraindo atuações convincentes — notadamente de Karine, crível em sua angústia, e de Vieira, este um alívio cômico por trás do qual se esconde uma lucidez ferina.
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  • O inglês Tom Stoppard assina a comédia dramática. No centro das atenções estão os dois personagens do título, coadjuvantes de Hamlet, clássico de Shakespeare. Breno Sanches (também diretor), Hugo Souza e Leonardo Hinckel estão no elenco. A supervisão geral é de Cesar Augusto.
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  • Drama

    Santa
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    Fruto de processo colaborativo desenvolvido nos ensaios, Santa esquiva-se de rótulos: texto, dança, música, cenário e luz fundem-se de maneira harmoniosa em um espetáculo que poderia ser definido como um poema sensorial. Em cena, Angela Vieira e Antonio Negreiros (substituindo Guilherme Leme Garcia, também idealizador e diretor da montagem) vivem um casal de trajetória marcada por encontros e desencontros. Os personagens nutrem um pelo outro afeto diretamente proporcional à impossibilidade de ficarem juntos. Esse é o mote, articulado em torno da figura feminina, exposta em suas lembranças sobre o amor. A dramaturgia de Diogo Liberano é desenvolvida de forma não linear, estilhaçada em flashes poéticos integrados ao arrojo da proposta. Palavras recitadas mesclam-se à coreografia de Luar Maria, defendida por Angela e Negreiros — ela, ex-integrante do corpo de baile do Theatro Municipal; ele, dançarino de formação clássica — ao som da bela trilha de Marcello H. e Marcelo Vig. Para além da excepcional beleza, a ambientação da cenografia de Bia Junqueira e da luz de Tomás Ribas espelha, em sua desoladora amplitude e suas transparências iluminadas, a ambiguidade do estado dos personagens 
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  • Comédia

    Selfie
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    Mesmo para os padrões de um mundo hiperconectado como o de hoje, a relação de Cláudio (Mateus Solano) com a tecnologia é um exagero: sua vida parece estar armazenada em computadores, redes sociais e nuvens. Tal é sua obsessão que o rapaz trabalha arduamente no desenvolvimento de um sistema único para guardar todas as informações sobre si mesmo. Uma pane, no entanto, apaga irremediavelmente os seus dados, da agenda de contatos aos perfis on-line. Sua dependência de uma memória virtual, então, se revela de maneira drástica. Desprovido de lembranças reais, Cláudio se torna um homem sem passado. A partir desse argumento, a comédia de Daniela Ocampo estimula ponderações cada vez mais pertinentes a respeito da influência da tecnologia sobre as relações humanas — com o outro ou consigo mesmo. Para um espetáculo sobre tecnologia, chama atenção a orientação altamente teatralizada, um estímulo à imaginação do público. À exceção de dois bancos e do adorno provido pela luz de Felipe Lourenço, o palco nu recebe Solano e Miguel Thiré (este se desdobrando em onze figuras que cruzam a vida do protagonista) vestindo figurinos neutros e idênticos. Sob direção inventiva de Marcos Caruso, a dupla sugere objetos de cena através de mímicas e sonoplastias, em um intenso trabalho de corpo. Mais do que um campo fértil para o jogo entre os atores, tal despojamento insinua a substituição das lembranças físicas (fotos e cartas, por exemplo) por arquivos virtuais e invisíveis. Figura naturalmente catalisadora em cena, Solano confirma seu reconhecido talento e encontra na versatilidade de Thiré um impagável contraponto.
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  • Mario Bortolotto escreveu esta comédia há mais de trinta anos, aqui montada pela Tartufaria de Atores. Na história, o músico Mário (Fábio Guará) e o poeta Beto (Andrey Lopes) se juntam para produzir uma obra musical capaz de influenciar Caetano Veloso. Direção de Marcello Gonçalves.
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  • Encenado pela primeira vez na Broadway, estrelado pelo comediante Colin Quinn (conhecido pelo programa Saturday Night Live), o monólogo Long Short Story propunha-se a narrar, de forma divertida, toda a história da humanidade no curto período de uma sessão de teatro. A adaptação brasileira, com Bruno Motta, deixa explícita essa premissa no nome: Um Milhão de Anos em Uma Hora. Ainda que parta da mesma ideia, a montagem percorre um texto bastante modificado em relação ao original, adaptado com graça e cheio de referências espertas ao Brasil — em um trabalho conjunto de Motta com Marcelo Adnet e Cláudio Torres Gonzaga, o diretor. Em clima de stand-up comedy (embora não seja exatamente uma), o espetáculo perpassa da revolução russa às guerras tribais africanas, da expansão do Império Romano às navegações europeias, entre muitos outros episódios, em um retrato não muito afável do ser humano. Se não chega a aprofundar reflexões, cumpre o papel de diversão com alguma dose de crítica, escorado em boas piadas, no ritmo ágil e no carisma de sua estrela.
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  • Corriam os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, quando o ator Pedro Monteiro viu a reportagem sobre um judoca sui generis: iraniano de nascença, ele tentava, pela Guatemala, a classificação para a Olimpíada do ano seguinte, mas foi obrigado a desistir por um problema de saúde. Seria sua última chance. Por circunstâncias diversas, ele já ficara de fora de várias edições anteriores dos Jogos. Escrito a seis mãos por Monteiro, Marcus Galiña e Joana Lebreiro (diretora da montagem), o drama Um de Nós conta a triste mas, de certa forma, heroica saga desse lutador, injetando algo de ficção ao pouco que aquela matéria revelara sobre sua vida. O próprio Monteiro vive o protagonista, aqui batizado de Arash Koabi. Um tanto expositiva, com direito a um recorrente apelo ao recurso da narração, a dramaturgia repleta de frases edificantes não se aprofunda na história (mesmo a parte fictícia) de Arash, diminuindo, assim, as possibilidades do elenco - formado ainda por Gabriela Estevão, Lucas Oradovischi, Jorge Neves e José Wendell. O bom trabalho da diretora sustenta o interesse, com fundamental auxílio da direção de movimento de Nathália Mello, baseada na dinâmica do judô.
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  • Os irmãos Vanya (Elias Andreato) e Sonia (Patricia Gasppar) são um retrato do desalento: já na meia-idade, moram juntos em uma casa velhusca no campo, vivem se espezinhando, não fizeram nada de importante profissionalmente, tampouco se arranjaram no amor. Certo dia, eles recebem a visita de Masha (Marília Gabriela), a irmã que ganhou o mundo como estrela de cinema. Sua glamourosa felicidade, porém, tem muito de aparência, como se verá em Vanya e Sonia e Masha e Spike. Escrita pelo americano Christopher Durang, a divertida comédia faz várias referências ao universo do dramaturgo Anton Tchekov, a começar pelo nome dos irmãos, homônimo de personagens do autor — no título da peça, apenas Spike (namorado de Masha e fútil ator iniciante, vivido por Bruno Narchi) é exceção. Mas não é preciso saber nada sobre o escritor russo para se divertir e até se enternecer com a montagem, conduzida com leveza pelo diretor Jorge Takla e amparada por uma produção de alto nível. No elenco, completado por Juliana Boller e Teca Pereira (impagável como uma empregada vidente), Marília se mostra à vontade, mas são de Andreato e Patricia os melhores momentos.
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  • Drama de Friedrich Dürrenmatt. Na história, a mulher mais rica do mundo, Claire Zahanasian (Maria Adélia), volta à sua cidade natal. Aos 17 anos, ela engravidou do namorado. Abandonada, ela moveu na justiça uma ação de investigação de paternidade, mas acabou expulsa da cidade. No elenco estão ainda Yashar Zambuzzi, Eduardo Rieche, Paulo Japyassú, Antonio Alves, Laura Nielsen, Renato Peres, André Frazzi, Anita Terrana, Pedro Lamim, Pedro Messina. Direção e adaptação de Sílvia Monte. 
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  • Comédia dramática

    War
    Sem avaliação
    Na comédia dramática da Companhia Teatro de Nós, escrita por Renata Mizrahi, três casais de amigos (vividos por Camilo Pellegrini, Clara Santhana, Fabrício Polido, Natasha Corbelino, Ricardo Gonçalves e Verônica Reis) se reúnem para jogar War. Mas o que era para ser um encontro de velhos amigos traz à tona uma dissimulada competição entre eles. Direção de Diego Molina.
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Fonte: VEJA RIO