TEATRO

Uma saga nos trópicos

Ação fragmentada e personagens frouxos prejudicam o drama sobre as polacas

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪

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(Foto: Redação Veja rio)

Amparado em pesquisa, o dramaturgo João das Neves se familiarizou com a história das jovens judias do Leste Europeu que imigraram para o Brasil no início do século XX e acabaram em bordéis da região central. Ele tinha em mãos um enredo promissor, ambientado na área de baixo meretrício da Praça Onze. Porém, possivelmente por excesso de informação, As Polacas ? Flores do Lodo peca pela trama confusa. A peça aborda a trajetória dessas mulheres que lutaram contra o preconceito dentro da própria comunidade e obtiveram conquistas importantes. Como o Cemitério Israelita de Inhaúma, fundado por iniciativa delas.

Responsável também pela direção, Neves dividiu a montagem em quadros, intercalados por projeções de fotografias alusivas às personagens. Além da quebra de ritmo com os blecautes, a ação ficou prejudicada pela frágil composição dos tipos. Com exceção das protagonistas, a europeia Esther e a baiana Celina ? bem interpretadas por Luciana Mitkiewicz e Iléa Ferraz, respectivamente ?, os demais papéis carecem de uma melhor construção. No elenco, sobressaem ainda Ivone Hoffman e Gilray Coutinho. Vale elogiar também a reconstituição de rituais judaicos. Uma pena, porém, que passem despercebidos no palco os sambistas Ismael Silva e Moreira da Silva.

As Polacas ? Flores do Lodo (105min). 16 anos. Estreou em 20/10/2011. Centro Cultural Banco do Brasil ? Teatro I (175 lugares). Rua Primeiro de Março, 66, Centro, ☎ 3808-2020. Quarta a domingo, 20h. R$ 6,00. Bilheteria: a partir das 10h (qua. a dom.). Cc: M e V. Cd: M e V. TT. Até 18 de dezembro.

Fonte: VEJA RIO