TEATRO

Música redentora

Canções inesquecíveis de Ary Barroso são a melhor parte da peça dedicada ao compositor

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪

Victor Hugo Cecatto/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

No Carnaval de 1964, a Império Serrano prestou tributo ao compositor Ary Barroso com o samba-enredo que se tornaria um clássico: Aquarela Brasileira, cujo verso inicial é ?Vejam esta maravilha de cenário?. Pouco antes de a escola entrar na avenida, porém, seus integrantes receberam a notícia da morte do homenageado, vítima de cirrose hepática. No Teatro Carlos Gomes, o musical Ary Barroso ? Do Princípio ao Fim, com Diogo Vilela acumulando as funções de protagonista, autor e diretor, se passa justamente no triste dia em que partiu o genial compositor de Aquarela do Brasil.

Na trama criada por Vilela, o compositor moribundo recebe a visita de componentes da Império, dispostos a convencê-lo a ir para o desfile. Essa é a deixa para o protagonista começar a contar histórias de sua vida ? a infância na cidadezinha mineira de Ubá, onde nasceu, a relação com outros ícones da música brasileira, a exemplo de Aracy Cortes e Carmen Miranda, o trabalho como apresentador de programa de calouros. Tudo é entremeado por clássicos do porte de No Rancho Fundo, Risque, Camisa Amarela e, claro, Aquarela do Brasil. Autor estreante, Vilela não dá ao texto uma boa dinâmica, transformando-o em mera compilação de episódios da vida de Barroso. Além disso, são pobres o cenário de Beli Araújo e os figurinos de Pedro Sayad. Resta à plateia se deixar embalar pela indiscutível qualidade das canções, bem defendidas pelo elenco, que conta ainda com Tânia Alves, Ana Baird, Mariana Baltar, Esdras de Lucia, Alan Rocha, Reynaldo Machado e Marcos Sacramento.

Ary Barroso ? Do Princípio ao Fim (150min, com intervalo). 12 anos. Estreou em 18/1/2013. Teatro Carlos Gomes (685 lugares). Praça Tiradentes, 19, Centro, ☎ 2224-3602. Quinta a domingo, 19h30. R$ 20,00 (qui.) e R$ 60,00 (sex. a dom.). Bilheteria: a partir das 14h (qui. a dom.). IC. Até dia 31.

Fonte: VEJA RIO