TEATRO

Liberdade de ideias

Na pele do poeta e dramaturgo francês Antonin Artaud, Marcos Fayad estrela monólogo consagrado por Rubens Corrêa

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪??

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(Foto: Redação Veja rio)

Em meados dos anos 80, o ator Rubens Corrêa (1931-1996) e o diretor Ivan de Albuquerque (1932-2001) conceberam um monólogo a partir da compilação de escritos do francês Antonin Artaud (1896-1948), um dos nomes mais importantes do teatro do século passado. Apresentado pela primeira vez em 1986, Artaud ficou em cartaz por três anos no Rio e viajou por outras cidades. Ao fim da temporada, Corrêa presenteou o amigo Marcos Fayad com o texto, sugerindo que ele pudesse assumir seu lugar em uma futura montagem. Mais de duas décadas depois, a ideia toma corpo em Artaud ? A Realidade É Doida Varrida, em cartaz no Galpão das Artes do Espaço Tom Jobim.

Além de substituir Corrêa, Fayad ocupa a função de diretor, que já foi de Albuquerque ? e acumula as responsabilidades por figurino, cenografia e música. Apesar do acréscimo de um subtítulo, o texto segue idêntico, costurando de maneira cuidadosa pensamentos do personagem. Revolucionário e avesso a convenções, ele passou boa parte da vida em manicômios. Não por acaso, uma discussão sobre o que de fato é loucura perpassa todo o espetáculo. Ao mesmo tempo, vão se desvendando ao público as agruras vividas pelo poeta e dramaturgo em suas muitas internações, com direito a sessões de eletrochoque, e suas ideias sobre o teatro, encarado por ele como terreno do sublime.

A direção resgata a proximidade com a plateia, característica da primeira encenação, realizada no porão do Teatro Ipanema. Agora, a cenografia inclui um alambrado circular, dentro do qual o ator vagueia enquanto fala ao público. A ideia, tão interessante quanto bem executada, alude a situações de encarceramento pelas quais o artista realmente passou. Única exigência de Corrêa, o roxo, cor preferida de Artaud, permanece em detalhes do figurino. Tomado pelo personagem, Fayad entrega uma atuação minuciosamente estudada e econômica, mas preserva o lado mais passional do homenageado.

Artaud ? A Realidade É Doida Varrida (60min). 16 anos. Estreou em 3/8/2012. Galpão das Artes do Espaço Tom Jobim (100 lugares). Rua Jardim Botânico, 1008 (Jardim Botânico do Rio de Janeiro), Jardim Botânico, ☎ 2274-7012. Sexta e sábado, 21h; domingo, 20h. R$ 40,00. Bilheteria: 14h/18h (ter. a qui.); a partir das 14h (sex. a dom.). Até 23 de setembro.

Fonte: VEJA RIO