Teatro

Humor na medida certa

Continuação da comédia Abalou Bangu, de 2003, diverte e dá lições sobre tolerância

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

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(Foto: Redação Veja rio)

Atendendo a uma encomenda do ator André Valli (1945-2008), Flavio Marinho escreveu Abalou Bangu em 2003. A peça se mostrou um sucesso e atraiu mais de 100?000 pessoas. Oito anos depois, ela ganha uma continuação, em cartaz no Teatro dos Quatro e assinada pelo mesmo autor, que faz uma nova abordagem sobre o casal de meia-idade que se muda de Bangu para Copacabana. Enquanto na versão original o mote era o choque cultural provocado pelo abandono da vida provinciana do subúrbio para ir morar em um dos bairros mais agitados da cidade, em Abalou Bangu 2 ? A Festa o enfoque está num bem-humorado conflito social.

Na nova história, Maria Elvira e Maurício Otavio preparam um jantar para quarenta convidados, em comemoração a seu aniversário de casamento. Porém, quase ninguém vai. Os únicos presentes são os vizinhos e homossexuais Carlos e Sílvio, chamados mais por desencargo de consciência. Dada a falta de intimidade e os contrastes, os dois pares se estranham e manifestam preconceitos recíprocos. No decorrer da narrativa, entretanto, as divergências se dissipam e todos tiram lições sobre a tolerância. Também responsável pela direção, Marinho caprichou na agilidade da encenação e na composição dos tipos. Intérprete da esposa na primeira montagem, Cristina Pereira compõe uma divertida Elvira, que recorre sempre a expressões em inglês. Paulo Goulart assume bem o papel do marido, com um tom sóbrio. Já Cláudio Galvan e Luciano Borges não caem na armadilha da caricatura. Um programa despretensioso, mas que diverte e provoca reflexões.

Abalou Bangu 2 ? A Festa (90min). 12 anos. Estreou em 10/9/2011. Teatro dos Quatro (402 lugares). Rua Marquês de São Vicente, 52, 2º piso (Shopping da Gávea), Gávea, ☎ 2274-9895. → Quinta a sábado, 21h30; domingo, 20h. R$ 60,00 (qui.), R$ 70,00 (sex. e dom.) e R$ 80,00 (sáb.). Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). IC. Estac. (R$ 6,00 por duas horas). Até 18 de dezembro.

Fonte: VEJA RIO