CHAPLIN, O MUSICAL

A sombra fraterna de Carlitos em cena

Relação de Charlie Chaplin com o irmão conduz musical que estreia na sexta (21)

Por: Rafael Teixeira

Marcello Antony e Jarbas Homem de Mello como Sydney e Charlie Chaplin
Marcello Antony e Jarbas Homem de Mello como Sydney e Charlie Chaplin (Foto: Divulgação)

Eternizada no imaginário popular através do cinema, em obras-primas como O Garoto e Luzes da Cidade, a figura do vagabundo Carlitos, com seu bigodinho, chapéu-coco, terno surrado e bengala, sempre obscureceu um tanto a história de seu criador, Charles Spencer Chaplin (1889-1977). Ainda mais oculto, entretanto, é um personagem fundamental na trajetória do astro do cinema mudo: seu meio-irmão, Sydney Chaplin (1885-1965). Embora tenha atuado no teatro de variedades e em uma série de filmes, foi como agente, secretário e, quando o termo ainda nem existia, assessor de imprensa de Charlie que sua importância ficou gravada na história das artes. Essa relação poderá ser conhecida pelo público carioca a partir de sexta (21), quando estreia, no Vivo Rio, Chaplin, o Musical, montagem brasileira do espetáculo encenado em 2006 na Broadway. “A história desse gênio é contada tendo a parceria dele com o irmão como fio condutor”, explica o ator Jarbas Homem de Mello, que interpreta Charlie e divide a cena com Marcello Antony, no papel de Sydney.

O vínculo fraterno já se mostrava forte desde a infância difícil da dupla, marcada por constantes internações da mãe depressiva. Cabia aos irmãos a posição conjunta de homem da casa — a paternidade de Sydney nunca foi confirmada oficialmente e o pai de Charlie se separou da mãe dos dois quando eles ainda eram garotos. Na condição de mais velho, Sydney assumiria já aí seu papel de protetor. Posteriormente, como o texto da peça mostra, ele não apenas cuidaria dos contratos do caçula como também o socorreria em escândalos relacionados à sua vida amorosa e diante das acusações de ligação com o comunismo. Apesar de tal relevância, são escassos os registros que poderiam ajudar na composição da personalidade de Sydney em cena. “De certa forma, tive mais liberdade do que o Jarbas, que tinha a imagem do Charlie muito presente”, conta Antony. Nos bastidores, a dupla acabou desenvolvendo uma relação também fraternal. “Houve muita generosidade e entrega de ambas as partes, então essa química veio rápido”, diz o protagonista. Parceria fundamental para que essa figura desconhecida, mas tão importante, não fique mais muda como Carlitos.

Fonte: VEJA RIO