ROTEIRO DA SEMANA

3 perguntas para Cláudia Raia

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(Foto: Redação Veja rio)

Após quatro meses de casa lotada no Teatro Procópio Ferreira, em São Paulo, a atriz traz ao Rio o musical Cabaret, em cartaz no Teatro Oi Casa Grande a partir de sexta (30). De volta à cidade que escolheu para viver, Claudia Raia não vai apenas cantar e dançar em cena. Também tem projetos no cinema, como as filmagens de Os Velhos Marinheiros, do diretor Marcos Jorge (de Estômago), e se prepara para interpretar a vilã Nanda em Salve Jorge, a próxima novela de Glória Perez. Cabaret fez sucesso em São Paulo.

Por ser um espetáculo consagrado, é menos sujeito a críticas como as dirigidas a Não Fuja da Raia, Nas Raias da Loucura e Caia na Raia? Eu não dava muita bola. O povo não implicou com os espetáculos. Vivemos num país extremamente rítmico e tínhamos uma tradição do teatro de revista. Silvio de Abreu escrevia, Zé Rodrix fazia as versões, Jorge Fernando dirigia a eu atuava. Foram sete anos fazendo Não Fuja da Raia, que teve duas versões, Nas Raias da Loucura e Caia na Raia, na década de 90. Ficávamos no Teatro Ginástico, no Centro, e a fila dava voltas na Avenida Graça Aranha. Fomos introduzindo a sementinha da Broadway na plateia. Agora que as pessoas já se acostumaram a assistir a musicais, vou estrear Cabaret. O diretor Jorge Tacla me chamou para fazer a protagonista, a Sally, em 1989, mas não pude aceitar porque estava gravando a novela Rainha da Sucata. Valeu esperar, porque esta é a melhor tradução que o Miguel Falabella já fez. Já são dez musicais desde A Chorus Line, em 1982.

Essa carreira no gênero foi planejada? Não. A Chorus Line foi o primeiro musical que eu vi, quando morei em Nova York, aos 13 anos. Passei um ano lá porque ganhei bolsa de estudos do American Ballet Theater. Quando voltei, fiz uma viagem com minha avó a Buenos Aires e vi que estava tendo uma audição para bailarinas no Teatro Colón. Fiz de onda, mas estava bem preparada. Fui aprovada e fiquei por um ano e meio no time das primeiras-bailarinas do Colón, fazendo o espetáculo Romeu & Julieta. Nesse período também trabalhei no musical Sexytante, com Susana Giménez, no Teatro El Nacional. Naquela ocasião eu tinha 15 anos, mas já era um coqueiro, de tão alta, não tinha mais partner do mesmo tamanho e voltei ao Brasil. Logo que cheguei fiz o teste para A Chorus Line e passei.

Como vão os trabalhos fora do palco? Vou voltar a fazer cinema, depois de muito tempo. Farei uma participação no filme Os Velhos Marinheiros, adaptado do livro do Jorge Amado. E também vou rodar um road-movie com o José Eduardo Belmonte, o mesmo de Billi Pig, que deve se chamar Magia do Mundo Quebrado. Depois de acabar a temporada de Cabaret, em junho, embarco para a Capadócia, na Turquia, para gravar as primeiras cenas da novela de Glória Perez. Vou viver a vilã Nanda, a chefe de uma organização internacional de tráfico de pessoas e de órgãos humanos.

Fonte: VEJA RIO