MÚSICA

Da rua para o mundo

Instrumentistas cariocas estrelam videoclipes filmados em cenários da cidade

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

Fernando Lemos
(Foto: Redação Veja rio)

Entre as incontáveis versões da música Stand by Me disponíveis no YouTube, incluindo a clássica gravação de John Lennon, o topo da lista é destinado a um vídeo recente, com mais de 32 milhões de acessos. O clipe começa com um cantor de rua em Santa Monica, na Califórnia, segue com músicos da cidade de Nova Orleans e vai incorporando instrumentistas dos quatro cantos do mundo, entre eles o brasileiro Cesar Pope, tocando cavaquinho em uma praça de Barcelona. A graça é justamente o modo como o filme foi montado: apesar de estarem em diferentes países ? e sempre ao ar livre ?, os artistas tocam e cantam como se estivessem juntos, numa espécie de jam session a distância. Parte de um projeto batizado como Playing for Change, o trabalho é criação do engenheiro de som e produtor americano Mark Johnson. O sucesso foi tamanho que gerou um CD e um DVD com outras canções gravadas da mesma maneira. Agora, Johnson volta à carga com Playing for Change 2, um álbum a ser lançado neste mês. Entre as novidades estão composições de Bob Marley, Stevie Wonder, John Lennon, Mick Jagger e Keith Richards embaladas por 155 artistas, dez deles radicados no Rio. Todos registram suas participações tendo ao fundo paisagens e cartões-postais cariocas ? a exceção foi a cantora Sandra de Sá, que gravou em estúdio. "Sempre quisemos fazer isso no Brasil. O modo de ser do brasileiro, com seu espírito solidário e sua musicalidade, incorpora tudo o que o projeto simboliza", diz Johnson.

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(Foto: Redação Veja rio)

Nascido de uma ideia despretensiosa, o Playing for Change (Tocando por Mudança, em português) virou coisa séria. Com os recursos arrecadados na primeira etapa, Johnson criou uma fundação com o mesmo nome e montou sete escolas de música em países pobres. A iniciativa atende 600 crianças do Nepal e de três nações africanas carentes (Mali, Gana e Ruanda), mais a África do Sul. O objetivo é usar o Playing for Change 2 para ampliar, já em 2011, o número de unidades educacionais para dez, e a base de alunos para 750. Com esse objetivo, Johnson privilegiou a maior quantidade possível de nacionalidades para passar o conceito de congraçamento entre os povos. Para escolher os brasileiros, contou com a ajuda de uma guia local, que lhe apresentou os músicos (veja o quadro). Depois de passar dez dias no país ? além do Rio, esteve ainda em Salvador, na Bahia, onde gravou com outros oito músicos ?, voltou para casa com imagens que vão da favela de Vigário Geral ao Aterro do Flamengo. "Achei incrível a maneira como eles usaram a tecnologia para aproximar gente do mundo inteiro", conta o baixista Sidão Santos, um dos cariocas escolhidos. "Fico feliz em participar de um projeto desse porte e que ainda estimula o ensino da música para as crianças." Sem dúvida, é uma boa forma de se mostrar para todo o planeta, com a Cidade Maravilhosa ao fundo.

Fonte: VEJA RIO