DIVERSÃO

Vem pra rua

Após rodar por dezesseis cidades de dez países, o projeto 100 em 1 Dia chega ao Rio convidando os cariocas a realizar intervenções que demonstrem seu amor pela nossa cidade

Por: Daniela Pessoa - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)
Felipe Fittipaldi
(Foto: Redação Veja rio)

Não estranhe se alguém lhe pedir para escrever uma mensagem num mural de Copacabana em troca de um presente. Ou se um grupo de desconhecidos começar a distribuir abraços no Aterro do Flamengo. Essas atitudes podem parecer suspeitas, mas as duas situações em questão fazem parte de um evento que acontecerá por aqui no dia 4 de maio. Trata-se do 100 em 1 Dia, movimento voluntário nascido na Colômbia, que já passou por nove países e chega agora ao Brasil, tendo o Rio como porta de entrada. A ideia é disseminar, em 24 horas, pelo menos 100 gestos que ajudem a transformar a capital fluminense num lugar mais harmonioso de viver. "Pequenos atos não impactam quando isolados, mas juntos são capazes de fazer o cidadão refletir sobre seu papel", afirma a publicitária Renata Tasca, sócia da agência de empreendedorismo social Satrapia, ao lado da administradora Myrtes Mattos. Junto com outros treze representantes, elas vêm se reunindo, toda semana desde março, para discutir a viabilidade das intervenções urbanas que foram enviadas através do site do projeto. "Não adianta ter orgulho de ser carioca e ficar sentado só reclamando e apontando culpados. Precisamos ser a mudança que desejamos", convida Myrtes.

Se a edição carioca seguir o exemplo da versão original, lançada em Bogotá, a estreia não será nada tímida. Capitaneado por um pequeno grupo de estudantes, o evento, realizado pela primeira vez em 2012 na capital, reuniu 3?000 voluntários que levaram às ruas 250 intervenções. "Um grupo decidiu pintar faixas de pedestre nas ruas para conscientização no trânsito e hoje realiza esse trabalho em todo o país, com o apoio dos governos locais", conta um dos idealizadores do projeto, o colombiano Diego Cuadros Rojas. Por aqui, até o momento já são 27 atos confirmados e cerca de setenta em estudo. Eles podem variar de murais de arte e distribuição de abraços a shows, performances artísticas e oficinas. Vocalista da banda Letuce, Letícia Novaes conheceu a iniciativa por acaso, enquanto lamentava a ineficiência dos serviços públicos prestados na cidade, principalmente no quesito transporte. "Toda vez que quero visitar meu irmão em Nova Iguaçu é um suplício para chegar lá. Mas decidi transformar a revolta em uma atitude positiva", afirma a cantora, moradora da Tijuca. A ação pensada por ela não toca na questão da mobilidade, mas promete ao menos tornar o dia mais leve para aqueles que tiveram uma dura jornada no ônibus ou no trem. Letícia vai dirigir elogios e frases de incentivo a homens, mulheres e crianças na Quinta da Boa Vista.

Felipe Fittipaldi
(Foto: Redação Veja rio)

Como se vê, não é preciso nenhuma ideia genial ou grandiosa para se juntar a essa turma. Para participar, basta enviar a sugestão através do site do movimento (www.100em1diario.com.br) até o dia 20 de abril, e esperar o sinal verde para integrar o time de voluntários do projeto, que já passou por países como Canadá, Costa Rica, Chile, Dinamarca, Estados Unidos, Espanha, Nicaraguá, Rússia e África do Sul. O empresário Pedro Salomão, diretor executivo da Rádio Ibiza, foi um dos primeiros inscritos. Com uma bicicleta elétrica equipada com caixa de som, ele percorrerá a orla da Zona Sul parando em dez pontos para tocar playlists personalizadas de acordo com cada parada. No Posto 6, por exemplo, os cariocas vão ouvir canções famosas de Dorival Caymmi, que tem uma estátua sua fincada ali. "Sempre acreditei que a música é capaz de deixar as pessoas mais felizes, e será a chance de colocar essa ideia na rua", diz Salomão. Em tempo: um mapa com o local e horário de cada uma das 100 (ou mais) atividades será disponibilizado na internet, bem como distribuído em alguns pontos da cidade.

Fonte: VEJA RIO