ROTEIRO DA SEMANA

Cinema

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PRÉ-ESTREIAS

FAÇA-ME FELIZ, de Emmanuel Mouret (Fais-Moi Plaisir, França, 2009). Comédia. Ariane (Frédérique Bel) está convencida de que seu namorado, Jean-Jacques (o diretor e roteirista Mouret), anda interessado em outra mulher (Judith Godrèche). Tentando salvar o casamento, ela o incentiva a procurar a outra, achando que assim vai acabar com as ilusões dele. Para complicar a situação, a desconhecida que balança a rotina do casal é filha do presidente da França, interpretado por Jacques Weber (92min). 16 anos. Estação Sesc Barra Point 2, Estação Sesc Ipanema 1, Estação Sesc Rio 2, Estação Vivo Gávea 3.

OS ESPECIALISTAS, de Gary McKendry (Killer Elite, EUA/Austrália, 2011). Inspirada em fatos reais, a fita de ação mostra a última missão do agente britânico Danny (Jason Statham). Ele precisa libertar seu mentor, Hunter (Robert De Niro), das mãos de Spy (Clive Owen), seu maior inimigo (116min). Cinemark Botafogo 1, Cinemark Downtown 11.

ESTREIAS

✪ ASSALTO EM DOSE DUPLA, de Rob Minkoff (Flypaper, EUA/Alemanha, 2011). Desanimadora comédia cujo mote tem lá sua graça. Quando um banco está prestes a encerrar o expediente, duas gangues de ladrões o invadem. De um lado estão dois caipiras pé de chinelo (interpretados por Tim Blake Nelson e Pruitt Taylor Vince); do outro, três experientes assaltantes. Após um tiroteio entre eles, um misterioso cliente (Patrick Dempsey) dá a solução: os bandidos chinfrins podem ficar com o dinheiro dos caixas eletrônicos enquanto os outros se ocupam das caixas-fortes. Entre trapalhadas bocejantes e muitos diálogos jogados fora, o roteiro chega a uma conclusão, no mínimo, estapafúrdia. Sai, então, de cena o humor genérico para entrar algo mais, digamos, sofisticado, na linha do "clássico" Os 7 Suspeitos (1985). Nem o desenrolar nem a revelação final conseguem levantar os ânimos. Diretor de O Rei Leão e O Pequeno Stuart Little, Rob Minkoff erra a mão em sua fita mais adulta. Prejudica o resultado a chapada direção de fotografia, que deixa o galã Dempsey e a estrela Ashley Judd (no papel de uma funcionária) sem nenhum embelezamento. Com Matt Ryan (87min). 14 anos. Estreou em 25/11/2011. Cinemark Carioca Shopping 7, Cinemark Downtown 9, Iguatemi 2, Kinoplex Nova América 4, UCI New York City Center 15, UCI Kinoplex NorteShopping 9, Via Parque 1.

✪✪ DAWSON ILHA 10, de Miguel Littin (Dawson Isla 10, Chile/Venezuela/Brasil, 2009). Embora o tema seja oportuno, o drama político esbarra em um roteiro à deriva. A condução fria do diretor também esvazia as emoções. Na trama, ministros e secretários do presidente Salvador Allende, deposto por um golpe militar em 1973, são levados para uma ilha no extremo sul do Chile. Sob o comando do general Pinochet, o governo atravessa uma ditadura e pune os ex-líderes de esquerda. Os personagens, portanto, têm dias de trabalhos forçados num campo de prisioneiros políticos e passam por torturas físicas e psicológicas. Para identificar os presidiários, eles recebiam um número ? o 10 do título era Sergio Bitar (interpretado por Benjamín Vicuña), ex-ministro de Minas e escritor do livro no qual o filme foi baseado. Como não há um protagonista e são poucos os dramas pessoais, fica difícil envolver-se com as dores deles. Enquanto registro, faria mais sentido um documentário. Com Cristián de la Fuente (117min). 14 anos. Estreou em 25/11/2011. Cinemark Downtown 2, Cinépolis Lagoon 3.

✪✪✪ HAPPY FEET 2 ? O PINGUIM, de George Miller (Happy Feet Two, Austrália, 2011). O mesmo diretor da fabulosa animação de 2006 dá sequência aos personagens em resultado técnico primoroso ? poucas vezes o 3D foi tão bem empregado em fitas do gênero. Também corroteirista, o australiano Miller fez uma pequena troca no time de escritores, e talvez por isso a história não cative tanto quanto antes. Embora ágil e graciosa, a trama perdeu o fator surpresa do original e virou uma aventura na linha de A Era do Gelo ? há até uma tentativa de "copiar" o esquilo Scrat e seus azares, aqui vividos por dois krills, minúsculos crustáceos. As cantorias (infelizes na dublagem em português) e, sobretudo, os números de sapateado são quase pano de fundo. O enredo cobre uma nova fase no reino dos pinguins-imperadores. Protagonista do desenho anterior, Mano cresceu e virou pai do pequeno Erik, que também tem traumas por não saber dançar nem cantar. Após conhecer o exótico pinguim voador Sven, o garoto passa a acreditar em suas próprias capacidades. O mote, porém, é outro e fica restrito a um desastre natural provocado pelo aquecimento global. Depois do deslocamento de um iceberg, a comunidade de pinguins ficou isolada por montanhas de gelo e impedida de chegar ao mar. Resta a Mano, Erik e dois sobrinhos achar uma solução para libertá-los (100min). Livre. Estreou em 25/11/2011. Dublado: Cine Bauhaus 1, Cine 10 Sulacap 4, Cinemark Botafogo 3, Cinemark Carioca Shopping 8, Cinespaço Boulevard 2, Cinesystem Recreio 3, Cinesystem Via Brasil 5, UCI New York City Center 3, UCI Kinoplex NorteShopping 7. Legendado: Box Cinemas São Gonçalo 6. Dublado, 3D: Bay Market 3, Cinemark Downtown 10, Cinemark Plaza Shopping 2, Cinépolis Lagoon 6, Cinesystem Bangu 2, Cinesystem Ilha Plaza 4, Espaço Rio Design 1, Iguatemi 4, Kinoplex Fashion Mall 2, Kinoplex Grande Rio 2, Kinoplex Leblon 4, Kinoplex Nova América 7, Kinoplex Tijuca 1, Kinoplex West Shopping 2, Iguaçu Top 1, Rio Sul 2, São Luiz 3, UCI New York City Center 4 e 14, UCI Kinoplex NorteShopping 1, Via Parque 5. Legendado, 3D: Box Cinemas São Gonçalo 1, Cinépolis Lagoon 6, UCI New York City Center 4 e 14.

✪✪✪ INQUIETOS, de Gus Van Sant (Restless, EUA, 2011). Com uma carreira marcada por trabalhos densos, como Garotos de Programa (1991), Elefante (2003) e Milk (2008), o diretor Van Sant não foge à regra em seu novo drama, aqui temperado pelo romantismo e pela fatalidade. Trata-se do encontro de duas pessoas afligidas por traumas do passado e do presente. Na trama, o jovem Enoch Brae (Henry Hopper, filho do também ator Dennis Hopper, morto em 2010) tem o mórbido prazer de visitar velórios e funerais de pessoas desconhecidas. Vestido todo de preto, passa incógnito até ser abordado pela esfuziante Annabel Cotton (Mia Wasikowska, a protagonista de Alice no País das Maravilhas). Ela insiste em tê-lo como amigo, mas, arredio, Enoch recua. Aos poucos, tornam-se confidentes e, depois, namorados inseparáveis. Enquanto o rapaz abre seu coração para relembrar velhas feridas, Annabel confessa ser vítima de um câncer terminal e ter apenas três meses de vida. No mesmo clima melancólico do recente Não Me Abandone Jamais, esta triste crônica da juventude outsider americana, especialidade do cineasta, comove e desconcerta ainda mais por Van Sant minimizar as emoções. Ryo Kase interpreta o fantasma de um camicase, visto apenas pelo protagonista. Os belos figurinos são de Danny Glicker, indicado ao Oscar por Milk (91min). 12 anos. Estreou em 25/11/2011. Cinemark Botafogo 4, Estação Sesc Rio 1, Kinoplex Fashion Mall 4, Leblon 1, Roxy 3, São Luiz 1, UCI New York City Center 9.

JARDIM DAS FOLHAS SAGRADAS, de Pola Ribeiro (Brasil, 2011). No primeiro longa-metragem do diretor baiano, o ator Antônio Godi interpreta o bancário Bonfim, um rapaz negro dividido entre o casamento com uma evangélica (Evelin Buchegger) e uma relação homossexual com Castro (João Miguel). O drama tem início após um trágico acontecimento, que leva o protagonista a cumprir uma missão: fundar um terreiro de candomblé (100min). 14 anos. Estreou em 25/11/2011. Cinemark Downtown 9, Cinépolis Lagoon 2, Unibanco Arteplex 3.

✪✪ PROVA DE ARTISTA, de José Joffily (Brasil, 2011). Diretor da ficção Olhos Azuis (2009), Joffily volta-se ao documentário seguindo cinco jovens instrumentistas ocupados com árduos estudos e tensas audições. Há bons momentos, sobretudo quando o diretor deixa os personagens à vontade para falar de suas dificuldades e da rivalidade existente no meio. Quem sobressai é o violinista americano Byron Hitchcock, que entrega a desorganização dos realizadores de um teste na Sala São Paulo. Em geral, os demais chovem no molhado em depoimentos pouco reveladores. O tema também fica restrito a um público bem específico (84min). Livre. Estreou em 25/11/2011. Unibanco Arteplex 3.

✪✪✪ TARDE DEMAIS, de Shawn Ku (Beautiful Boy, EUA, 2010). O tema já surgiu em fitas de ficção como Elefante e no documentário Tiros em Columbine. Bastante atual e contundente, o assunto ganha aqui enfoque diferenciado e, por isso, surpreende. O drama tem início quando o jovem de 18 anos Sammy (Kyle Gallner), que saiu de casa para ingressar na faculdade, telefona para seus pais. O rapaz parece triste e deprimido, mas Bill (Michael Sheen) e Kate (Maria Bello) não imaginam o que vai acontecer no dia seguinte: o filho invade a universidade, faz 21 mortos e se suicida ? nenhuma imagem do massacre, porém, é mostrada. Coescrito pelo diretor estreante americano Shawn Ku, o roteiro está mais interessado na desintegração emocional do casal de protagonistas, um trabalho afiado da dupla de atores. Densa e sem firulas, a história vai direto ao ponto como se fosse um enxuto texto teatral (100min). 14 anos. Estreou em 4/11/2011. Cine Joia.

EM CARTAZ

✪✪✪ AMANHÃ NUNCA MAIS, de Tadeu Jungle (Brasil, 2011). Ligado ao audiovisual desde 1983, o diretor publicitário, documentarista e videoartista Tadeu Jungle só agora estreia no longa-metragem de ficção. O tempo só fez bem ao realizador. Enxuta, divertida e com a cara da cidade onde foi rodada, a comédia de humor mordaz traz uma renovação ao gênero no Brasil e, longe de qualquer baixaria, apresenta personagens críveis. Quem viu Depois de Horas (1985), o grande e esquecido filme de Martin Scorsese, vai notar semelhanças. Lázaro Ramos interpreta Walter, um pacato anestesista de São Paulo que, com seu jeito tímido, passa uma imagem de frouxo. No dia do aniversário da filha, ele promete à mulher (Fernanda Machado) chegar à festinha com o bolo. Pede a um colega do hospital (Milhem Cortaz, em impagável atuação) que o substitua numa cirurgia e parte para casa. Começam aí seus pesadelos. Pelo caminho, o protagonista depara com um trânsito infernal, falta de gasolina e uma estranha carona, além de uma maluca bêbada (um papel perfeito para Maria Luísa Mendonça). Ritmo ágil e risos (alguns nervosos) estão garantidos (74min). 10 anos. Estreou em 11/11/2011. Unibanco Arteplex 2.

✪✪✪ AMANHECER ? PARTE 1, de Bill Condon (Breaking Dawn ? Part 1, EUA, 2011). No penúltimo capítulo da cinessérie, extraída dos best-sellers de Stephenie Meyer, o diretor Bill Condon (de Deuses e Monstros e Kinsey), pela primeira vez no posto, finalmente acertou a mão. Saíram de cena a cafonice, os efeitos visuais, as maquiagens de gosto duvidoso e as subtramas que, em geral, só enchiam linguiça. O quarto episódio é quase todo focado no desenlace do romance entre o vampiro Edward Cullen (Robert Pattinson) e a jovem de 18 anos Bella (Kristen Stewart, ainda com carinha de enjoo). Depois de uma bela cerimônia de casamento, eles vão passar a lua de mel no Rio de Janeiro. Numa ilha do litoral fluminense, têm a primeira noite de amor e, poucos dias depois, Bella engravida. Mas será que a humana vai suportar gerar um bebê-vampiro? Se a primeira parte libera um romantismo de folhetim, o restante se fixa na tensão e em bons momentos de horror. Desse jeito, parece que a série cresceu, apareceu e deixou um sabor de quero mais ? a segunda parte deve estrear só em novembro de 2012. Às fãs de Taylor Lautner: o ator que interpreta o lobisomem Jacob tem participação um pouco menor, porém significativa. Não saia do cinema sem ver os créditos finais, pois há uma cena derradeira importante inserida nesse momento (117min). 14 anos. Estreou em 18/11/2011. Dublado: Bay Market 1, Box Cinemas São Gonçalo 3, 7 e 8, Cine 10 Sulacap 1 e 3, Cinemark Botafogo 6, Cinemark Carioca Shopping 4 e 5, Cinemark Downtown 6, Cinemark Plaza Shopping 4 e 7, Cinépolis Lagoon 1, 4 e 5, Cinespaço Boulevard 1 e 3, Cinesystem Bangu 1, 3 e 4, Cinesystem Ilha Plaza 2, Cinesystem Recreio 1, Cinesystem Via Brasil 3, 4 e 6, Iguaçu Top 2 e 3, Iguatemi 1, Kinoplex Grande Rio 1, 5 e 6, Kinoplex Nova América 5 e 6, Kinoplex Tijuca 4, Kinoplex West Shopping 1, 3 e 5, Rio Sul 4, São Luiz 4, UCI New York City Center 2, UCI New York City Center 13, UCI Kinoplex NorteShopping 2, 3 e 5, Via Parque 2. Legendado: Box Cinemas São Gonçalo 5, Cine 10 Sulacap 2, Cine Bauhaus 2, Cinemark Botafogo 2 e 5, Cinemark Carioca Shopping 1 e 3, Cinemark Downtown 3, 4, 5 e 8, Cinemark Plaza Shopping 3 e 6, Cinespaço Boulevard 5, Cinesystem Bangu 1 Cinesystem Ilha Plaza 1, Cinesystem Recreio 2, Cinesystem Via Brasil 2, Espaço Rio Design 2, Estação Vivo Gávea 5, Iguatemi 6, Kinoplex Fashion Mall 1, Kinoplex Grande Rio 5, Kinoplex Leblon 2, Kinoplex Nova América 1 e 5, Kinoplex Tijuca 4, 5 e 6, Kinoplex West Shopping 5, Leblon 2, Rio Sul 1, Roxy 2, São Luiz 2 e 4, UCI New York City Center 5, 6, 8, 12, 17 e 18, UCI Kinoplex NorteShopping 3, 6 e 10, Unibanco Arteplex 6, Via Parque 3.

✪✪✪ AMOR A TODA PROVA, de Glenn Ficarra e John Requa (Crazy, Stupid, Love, EUA, 2011). Os diretores deram um molho bastante picante à comédia gay romântica O Golpista do Ano. Embora com alguns clichês, o roteiro do novo filme da dupla é redondo, tem surpresas e bons diálogos. Na trama, Cal (Steve Carell) e Emily (Julianne Moore) são casados há 25 anos, mas o passar das décadas só os deixou apáticos. Quando ela pede o divórcio, o caretinha Cal cai em depressão e passa a beber diariamente no mesmo bar. Lá, faz amizade com o playboy sarado Jacob (Ryan Gosling), que decide ajudar o novo amigo a conquistar a mulherada. Mas, enquanto Cal vira um garanhão, Jacob rende-se ao namoro com a fofa Hannah (Emma Stone). Também tem sua graça a paixão do adolescente Robbie (Jonah Bobo), filho de Cal, por uma babá quatro anos mais velha, interpretada por Analeigh Tripton. Com Kevin Bacon (118min). 12 anos. Estreou em 26/8/2011. Estação Sesc Botafogo 3.

✪✪✪ AMORES IMAGINÁRIOS, de Xavier Dolan (Les Amours Imaginaires, Canadá, 2010). Canadense de Quebec, o diretor Xavier Dolan tinha apenas 20 anos quando lançou seu primeiro longa-metragem, o irregular Eu Matei Minha Mãe, de 2009. De volta à cena, teve essa comédia recompensada com um prêmio no Festival de Cannes. Dolan narra aqui a singela história do gay Francis (papel do próprio realizador) e da hétero Marie (Monia Chokri). Eles dividem um apartamento e se interessam pelo mesmo cara: o loiro de cabelos cacheados Nicolas (Niels Schneider). O pretendente adora a companhia deles e não se intimida em dormir (e só dormir) juntinho dos novos amigos. Sem jeito para perguntar qual a sua orientação sexual, Francis e Marie ficam dias tentando disfarçar o desejo e a insegurança. Em visual pop vintage, Dolan traça um simpático painel das incertezas da juventude GLS e reforça sua habilidade para criar sequências como se fossem belos videoclipes (95min). 16 anos. Estreou em 18/11/2011. Estação Sesc Rio 3, Estação Vivo Gávea 1.

✪✪✪ A ÁRVORE DO AMOR, de Zhang Yimou (Shan zha Shu Zhi Lian, China, 2010). O diretor chinês demonstra uma invejável capacidade de se reciclar. Depois dos robustos épicos de artes marciais Herói, O Clã das Adagas Voadoras e A Maldição da Flor Dourada, retoma as raízes focando a paixão de dois jovens durante a Revolução Cultural na China de Mao Tsé-tung. Em meados dos anos 60, a estudante Jing (Zhou Dongyu) chega a um vilarejo no campo para uma "reeducação". Por ser filha de pais contrários ao comunismo, a mocinha precisa entender como funcionam as regras no país. A garota torna-se a esperança da família ? seu pai está numa cadeia para presos políticos e a mãe sustenta a casa e outros dois filhos pequenos. Entre as duras lições a aprender, Jing encontra tempo para viver o primeiro amor. Sun (Shawn Dou) respeita cada limite da amada e, não raro, lhe dá presentes. Trata-se de uma relação amorosa inocente e virginal. A crítica à China do passado surge nas entrelinhas do enredo. Em impecável ambientação histórica, Yimou faz do melodrama a principal arma para criar uma metáfora da tristeza daquele pesado período (115min). 10 anos. Estreou em 4/11/2011. Cine Santa, Estação Sesc Laura Alvim 2, Estação Sesc Rio 2.

ATIVIDADE PARANORMAL 3, de Henry Joost e Ariel Schulman (Paranormal Activity 3, EUA, 2001). No terceiro capítulo da cinessérie de terror, a história retrocede no tempo para revelar como foi a infância de Katie, protagonista da fita original. Em 1988, ao lado da irmã Kristi, ela experimentava brincadeiras macabras, quase sempre na presença de uma alma penada. A fórmula é a de sempre: treme-treme de câmera na mão para dar a impressão de um documento real (84min). 14 anos. Estreou em 21/10/2011. UCI New York City Center 7.

BRASIL ANIMADO, de Mariana Caltabiano (Brasil, 2010). Dirigida pela paulistana Mariana Caltabiano (de Gui, Estopa & a Natureza), a fita mistura cenas reais com animação e narra a aventura infantil dos cachorros Stress e Relax à procura de um jequitibá-rosa. Saindo de Santa Rita do Passa Quatro, no interior de São Paulo, esses amigos vão da Amazônia a Foz do Iguaçu atrás da árvore rara (78min). Livre. Estreou em 21/1/2011. Cinépolis Lagoon 5.

✪ O CÉU SOBRE OS OMBROS, de Sérgio Borges (Brasil, 2010). Foi um exagero o número de prêmios que a fita de estreia do mineiro Borges recebeu no Festival de Brasília de 2010: melhor filme, direção, roteiro e montagem. O realizador quer brincar aqui com os limites entre realidade e ficção e faz um docudrama envolvendo três personagens de Belo Horizonte. Everlyn Barbin, um travesti que cobra 30 reais por um programa completo, mostra-se inteligente ao citar Freud e Foucault, além de dar palestras sobre sua vida sexual. Desempregado e aspirante a escritor, o angolano Edjucu Moio vive à custa da mulher. Murari Krishna é o personagem mais interessante. Trabalha como operador de telemarketing, picha muros à noite, faz parte de uma torcida organizada do Atlético Mineiro e é seguidor do hare krishna. Com estética despojada e ritmo lento, o filme encena situações em que verdades e mentiras se embaralham. Embora instigante enquanto proposta, não chega a lugar algum (71min). 16 anos. Estreou em 18/11/2011. Cine Joia.

✪✪✪ A CHAVE DE SARAH, de Gilles Paquet-Brenner (Elle s?Appelait Sarah, França, 2010). O drama divide-se entre passado e presente na França. Em 1942, uma família de judeus é levada para um campo de deportados. No momento da chegada dos oficiais, a menina Sarah (papel da ótima Mélusine Mayance) tranca o irmão caçula num armário e acompanha os pais. Arrasada pela separação e por pensar ter causado uma tragédia, Sarah tenta escapar dos nazistas. Nos tempos atuais, a jornalista americana Julia Jarmond (Kristin Scott Thomas), que vive em Paris, escreve um artigo justamente sobre a deportação dos judeus da França na II Guerra. Em suas investigações, descobre que no apartamento onde morou o pai de seu marido quando criança habitou a família de Sarah. Em constante clima de aflição, a trama acompanha os desenlaces de uma história tão triste quanto surpreendente (111min). 10 anos. Estreou em 18/11/2011. Cinemark Botafogo 1, Estação Sesc Barra Point 1, Estação Sesc Ipanema 1, Estação Sesc Rio 3, Estação Vivo Gávea 1, Iguatemi 5, Kinoplex Leblon 3, Roxy 1.

✪✪✪ A CONDENAÇÃO, de Tony Gold­wyn (Conviction, EUA, 2010). O drama começa com o assassinato de uma mulher, em 1980. Sem achar o culpado, uma policial (Melissa Leo) implica com Kenny Waters (Sam Rock­well). Três anos depois, ele é indiciado pelo crime ? seu tipo sanguíneo era igual ao do assassino. Waters vai para a cadeia e tudo faz crer que a Justiça estava certa. Embora casado e pai de uma garotinha, esse sujeito mulherengo e misógino mostra comportamento violento e exibicionista. No tribunal, a ex-mulher e uma amante comprovam tal cafajestice. Só sua irmã, Betty (Hilary Swank), uma garçonete de uma pequena cidade do estado de Massachusetts, que tem uma vida modesta ao lado do marido e de dois filhos, acredita na inocência dele. Ela abre mão da família e decide se tornar advogada apenas com o intuito de pedir a reabertura do processo dali a alguns anos e, então, defender Kenny. Além de retratar uma lição de vida por meio de uma heroína comum, o roteiro faz bem em preservar a verdade até os minutos finais. Inspirado em uma história real, o filme é mais um acerto como produtora de sua protagonista, duas vezes premiada com o Oscar de melhor atriz, por Garotos Não Choram e Menina de Ouro (107min). 14 anos. Estreou em 28/10/2011. Estação Sesc Botafogo 2.

✪✪✪ CONTÁGIO, de Steven Soderbergh (Contagion, EUA, 2011). Premiado com o Oscar de melhor diretor por Traffic (2000), Steven Soderbergh é um cineasta tão talentoso que, mesmo num filme supostamente de ação, ele consegue deixar uma marca autoral. O que poderia ser um novo Epidemia (1995) vira um drama com suspense de arrancada densa. Nos primeiros minutos, embalados apenas por uma música eletrônica, vários personagens mundo afora apresentam sintomas semelhantes: suor excessivo, visão distorcida, febre e convulsão. A primeira a morrer é Beth Emhoff (Gwyneth Paltrow), uma americana que estava em Hong Kong. Enquanto o pequeno filho dela também mostra sinais parecidos, seu marido (Matt Damon) desespera-se para saber o que aconteceu com a mulher. A partir daí, a epidemia se espalha pelo planeta. Especialistas na área, como as doutoras interpretadas por Kate Winslet e Marion Cotillard, deslocam-se para averiguar as causas enquanto os Estados Unidos se apressam em produzir uma vacina. Quem desconfia da eficiência do governo americano é um blogueiro inglês (papel de Jude Law), que acredita ter descoberto um remédio natural capaz de impedir os avanços da doença. Sem a pretensão de dar uma cara grandiosa à fita, Soderbergh perde um pouco do fôlego, muito por causa do roteiro, que, a partir da metade, vai se tornando esquemático. Comprovando o prestígio do realizador, há no elenco estelar três vencedoras do Oscar de melhor atriz: Gwyneth (Shakespeare Apaixonado), Marion (Piaf) e Kate (O Leitor). Com Laurence Fishburne (106min). 12 anos. Estreou em 28/10/2011. UCI New York City Center 16.

✪✪✪✪ UM CONTO CHINÊS, de Sebas­tián Borensztein (Un Cuento Chino, Argentina/Espanha, 2011). Comédia dramática. Praticamente com apenas dois atores, o diretor argentino Sebastián Borensztein fez um pequeno grande filme. Um ótimo roteiro, também de sua autoria, mistura drama e humor na trajetória de Roberto, interpretado pelo excelente Ricardo Darín, de O Filho da Noiva e Abutres. Esse tipo de poucas palavras e raros amigos é dono de uma loja de ferragens em Buenos Aires. Nunca se casou, não tem filhos e cultua a falecida mãe. Em seu trabalho, revela-se metódico e sem muita paciência com os fregueses, digamos, mais exigentes. Seu cotidiano, contudo, vira de pernas para o ar quando ele decide ajudar um imigrante chinês a reencontrar o tio pela cidade. Sem falar uma única palavra em espanhol e sequer saber o paradeiro do parente, Jun (Ignacio Huang) mostra-se amigável e prestativo. O cineasta não apela para o sentimentalismo. Prefere comover a plateia na base da diversão e da delicadeza (93min). 14 anos. Estreou em 2/9/2011. Espaço Museu da República, Estação Sesc Laura Alvim 2.

DIÁRIO DE UM BANANA ? RODRICK É O CARA, de David Bowers (Diary of a Wimpy Kid: Rodrick Rules, EUA, 2011). Nesta continuação da comédia infantil Diário de um Banana, só lançada em DVD, Rodrick (Devon Bostick), irmão mais velho de Greg (Zachary Gordon), decide torturar a criançada. Mas, sem que o valentão saiba, tudo está sendo registrado num diário (99min). Livre. Estreou em 16/9/2011. Cinemark Botafogo 1, Cinemark Carioca Shopping 2, Cinemark Downtown 7, Cinemark Plaza Shopping 6.

FILHOS DE JOÃO ? O ADMIRÁVEL MUNDO NOVO BAIANO, de Henrique Dantas (Brasil, 2009). O documentário joga luz na formação, no fim da década de 60, do grupo Novos Baianos. Entre os integrantes estavam Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor e Moraes Moreira. João Gilberto serviu de influência para a banda baiana descobrir a MPB e gravar Acabou Chorare (1972), o mais emblemático disco da turma (76min). Livre. Estreou em 22/7/2011. Cinemark Carioca Shopping 7, Cinemark Plaza Shopping 5.

✪✪✪ O GAROTO DA BICICLETA, de Jean-Pierre e Luc Dardenne (Le Gamin au Vélo, Bélgica/França/Itália, 2011). Vencedor do Grande Prêmio do Júri no último Festival de Cannes, o drama mostra-se mais um acerto na carreira dos irmãos cineastas belgas de O Filho (2002) e A Criança (2005). O enredo, comum na carreira da dupla, é triste. Cyrill (Thomas Doret, uma excelente revelação), de 12 anos, foi abandonado pelo pai (Jérémie Renier) e encontrou na cabeleireira Samantha (Cécile De France) uma zelosa guardiã. Mas, ainda inconformado, o rebelde garoto começa uma amizade com um rapaz envolvido com o tráfico de drogas. Os realizadores deixam de lado o sentimentalismo barato e investem num realismo quase documental capaz de emocionar pela sinceridade dos personagens e daqueles que os interpretam (87min). 14 anos. Estreou em 18/11/2011. Estação Sesc Barra Point 2, Estação Sesc Ipanema 2, Estação Vivo Gávea 4, Unibanco Arteplex 4.

✪✪ UM GATO EM PARIS, de Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli (Une Vie de Chat, França/Holanda/Suíça/Bélgica, 2010). O desenho animado francês, feito de lindas cores e belos traços a mão, tem ação, suspense e drama, além de ritmo pulsante. Só não ganha uma estrela extra porque não puniu um dos vilões ? exemplo que, para a criançada, não pega nada bem. Em Paris, uma delegada tem o marido assassinado por um famigerado criminoso e, na ânsia de encontrá-lo, ela deixa a pequena filha aos cuidados de uma babá. A menina ficou traumatizada com a perda do pai e gosta da companhia de um gato. Mas o felino tem vida dupla: na calada da noite, ele se alia a um ladrão para roubar apartamentos enquanto seus donos dormem (70min). 10 anos. Estreou em 21/10/2011. Estação Vivo Gávea 2.

✪✪ GIGANTES DE AÇO, de Shawn Levy (Real Steel, EUA/Índia, 2011). Ambientada no futuro próximo, a ficção científica de ação tem um público certo e restrito: meninos de 8 a 12 anos e marmanjos que curtem lutas de vale-tudo. Como Steven Spielberg está por trás da produção, há um manjado tom sentimentalista e bons efeitos especiais ? os robôs são uma mistura de bonecos eletrônicos com animação digital. Na trama, Hugh Jackman interpreta Charlie, um ex-boxeador que perdeu seu espaço para as lutas disputadas pelos grandalhões de aço. Quando seu robô é massacrado no ringue, Charlie fica ainda mais pobre. Depois, descobre que tem um filho de 10 anos. Como a mãe do garoto morreu e a tia quer a custódia, o protagonista exige uma pequena fortuna para "doar" a criança. O menino (Dakota Goyo), porém, terá de passar um tempinho com o pai. Juntos, eles vão formar uma dupla imbatível para treinar uma máquina encontrada num ferro-velho (127min). 10 anos. Estreou em 21/10/2011. Bay Market 2, Box Cinemas São Gonçalo 2, Cinemark Carioca Shopping 2, Cinesystem Bangu 5, Iguatemi 5, Kinoplex Grande Rio 3, Kinoplex Nova América 2, UCI New York City Center 11.

O GUARDA, de John Michael McDonagh (The Guard, Irlanda, 2011). Comédia policial. Dois policiais são obrigados a se unir para vencer uma quadrilha de tráfico internacional de drogas ? um irlandês pouco ortodoxo e um rigoroso agente do FBI. Os papéis cabem a Brendan Gleeson (sargento Gerry Boyle) e Don Cheadle, no papel do agente Wendell Everett (96min). 14 anos. Estreou em 11/11/2011. Estação Sesc Botafogo 2.

✪✪ HUBBLE 3D, de Toni Myers (Canadá, 2010). O curtinho documentário foi feito para ser exibido na formidável sala Imax e, por isso, traz aqueles efeitos em terceira dimensão de deixar o público boquiaberto. Em foco está a missão de sete astronautas que, em 2009, foram enviados ao espaço pela Nasa para consertar o telescópio Hubble. Se as imagens em 3D absolutamente fantásticas de galáxias ganham o fascínio do espectador, o trabalho da equipe torna a fita (sobretudo para a criançada) bem menos interessante (44min). Livre. Estreou em 26/8/2011. Dublado, 3D: UCI New York City Center 4.

✪✪ LATE BLOOMERS ? O AMOR NÃO TEM FIM, de Julie Gavras (Late Bloomers, França/Bélgica/Inglaterra, 2011). Drama. Filha do renomado diretor Costa-Gavras, Julie fez uma bela estreia na direção com o adorável A Culpa É do Fidel (2006). Esperava-se mais, portanto, deste seu novo trabalho. Tão à vontade para retratar a infância na fita anterior, Julie parece deslocada para tratar do relacionamento na meia-idade. Isabella Rossellini e William Hurt interpretam Mary e Adam, o casal de protagonistas. Juntos há mais de trinta anos e com três filhos adultos, eles começam a encarar as crises. Enquanto Adam, arquiteto renomado, precisa se modernizar para enfrentar a concorrência, Mary dá sinais de que está perdendo a memória. É a chegada da velhice. Embora o tema seja atraente, o roteiro beira a superficialidade e traz um desfecho facilmente feliz em meio a uma narrativa monótona (95min). 14 anos. Estreou em 11/11/2011. Estação Sesc Laura Alvim 3, Estação Vivo Gávea 3, Unibanco Arteplex 2.

✪✪✪✪ MEDIANERAS ? BUENOS AIRES NA ERA DO AMOR VIRTUAL, de Gustavo Taretto (Medianeras, Argentina/Espanha/Alemanha, 2011). Comédia dramática. Ao longo de enxuta uma hora e meia, o roteiro vai explorar, entre a comédia e o drama, o cotidiano de duas pessoas quase iguais, quase complementares. Ambas moram na mesma Avenida Santa Fé, em Buenos Aires, e, apesar de ser vizinhas, nunca se encontraram. Martín (Javier Drolas) vive numa quitinete, especializou-se na criação de sites, toma ansiolíticos e, cheio de manias, só anda a pé. Formada em arquitetura, Mariana (papel da espanhola Pilar López de Ayala, de Lope) ganhou outra ocupação: tornou-se vitrinista de lojas. Abandonada pelo namorado, a moça não usa elevador e gosta de procurar o personagem Wally no livro infantil. Lapidada com humor afiado, a fita saiu da recente competição de Gramado com os prêmios de melhor filme estrangeiro, melhor diretor e júri popular. Seus adoráveis neuróticos anônimos têm inspiração em Woody Allen ? não à toa há uma cena de Manhattan (1979), do cineasta americano, numa referência explícita. Em resumo: trata-se de um criativo painel do mundo de hoje, movido por relações virtuais, porém com uma pontinha de esperança na sensibilidade do calor humano (95min). 12 anos. Estreou em 2/9/2011. Cine Joia, Estação Sesc Barra Point 1.

11-11-11, de Darren Lynn Bousman (11-11-11, EUA/Espanha, 2011). Sem exibição prévia para a imprensa, o terror aproveita-se da data cabalística para fazer sua estreia mundial. Na trama, o escritor Joseph Crone (Timothy Gibbs) sai de Nova York, após a morte da mulher e do filho para reencontrar o irmão e o pai em Barcelona, na Espanha. Lá, tem visões com o número 11 em duplicidade. Obcecado em encontrar uma resposta para o mistério, Crone descobre que, além de uma data, é um aviso para a humanidade (100min). 12 anos. Estreou em 11/11/2011. Dublado: Bay Market 4, Box Cinemas São Gonçalo 4, Cine 10 Sulacap 6, Cinemark Carioca Shopping 2, Cinespaço Boulevard 4, Cinesystem Bangu 5, Cinesystem Via Brasil 1, Kinoplex Grande Rio 4, Kinoplex Nova América 2, Kinoplex West Shopping 4. Legendado: Cinemark Plaza Shopping 5, Cinesystem Ilha Plaza 3, Cinesystem Recreio 4, Kinoplex Tijuca 3, UCI New York City Center 7, UCI Kinoplex NorteShopping 8.

✪✪✪ PALAVRA CANTADA 3D ? SHOW BRINCADEIRAS MUSICAIS, de Marcelo Siqueira e Carlos Garcia (Brasil, 2011). Quem nunca teve a oportunidade de ver ao vivo uma apresentação de Paulo Tatit e Sandra Peres vai sair satisfeito da sessão. Trata-se de um show da dupla infantil realizado com recursos em 3D, bem utilizados pelos diretores. Exemplos: os copos coloridos e as bolhas de sabão que "saltam" para fora da tela nas músicas Fome Come e Bolinha de Sabão, respectivamente. Outras dezoito composições alegram a criançada, entre elas Peixe Vivo, Duelo de Mágicos e Criança Não Trabalha. Vem Dançar com a Gente, uma divertida animação de caveirinhas, também não deixa o ritmo cair. Acompanham Tatit e Sandra as irmãs cantoras Julia e Marina Pittier e os músicos Daniel Ayres, Estevão Marques e Wem, além de crianças (60min). Livre. Estreou em 30/9/2011. Cinemark Botafogo 6, Cinemark Plaza Shopping 4.

✪✪✪✪ O PALHAÇO, de Selton Mello (Brasil, 2011). Comédia dramática. Grande ator do cinema e da TV, Selton Mello estreou como diretor em 2008 com o denso Feliz Natal. Para seu segundo trabalho, aparou arestas, maneirismos e as tentações típicas dos principiantes. Conseguiu, assim, um feito: realizar um dos mais belos filmes do ano, tanto por seu visual arrebatador quanto pelo roteiro emotivo, uma mistura de drama melancólico e humor singular raramente presente no cinema nacional. Trata-se aqui da transformação do conformista Benjamin (papel de Selton). Filho do dono de um circo, seu trabalho consiste em dividir o picadeiro com o pai (Paulo José) em andanças pelo interior do Brasil, provavelmente na década de 70 (não há uma data específica na história). A dupla de palhaços Pangaré e Puro Sangue é a sensação de crianças e adultos. Mas, embora divirta as plateias, Benjamim, lá no fundo, não se sente confortável nem feliz. Triste e solitário, quer mudar de profissão, ter uma namorada, ser outra pessoa. Para isso, precisa cortar os laços. Referências aos diretores Jacques Tati e Fellini são evidentes, e a direção de arte de Claudio Amaral Peixoto é de arrepiar, assim como a trilha sonora de Plínio Profeta. No elenco afiado, composto de novatos (como Larissa Manoela) e experientes (Teuda Bara e Jorge Loredo), Moacyr Franco rouba a cena numa aparição curtíssima que lhe valeu um surpreendente prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Paulínia. Selton também saiu de lá com os troféus de melhor diretor e melhor roteiro (90min). 10 anos. Estreou em 28/10/2011. Bay Market 4, Box Cinemas São Gonçalo 4, Cine 10 Sulacap 5, Cinemark Carioca Shopping 6, Cinemark Downtown 1, Cinépolis Lagoon 2, Cinespaço Boulevard 6, Cine Joia, Cine Santa, Cinesystem Bangu 6, Cinesystem Ilha Plaza 3, Cinesystem Via Brasil 1, Espaço Rio Design VIP, Estação Sesc Botafogo 3, Estação Vivo Gávea 3, Iguatemi 7, Leblon 1, Kinoplex Tijuca 3, Kinoplex West Shopping 4, UCI New York City Center 10, UCI Kinoplex NorteShopping 8, Unibanco Arteplex 5, Via Parque 6.

✪✪✪ PASSIONE, de John Turturro (Passione, EUA/Itália, 2010). Ator americano de origem italiana, John Turturro foi até Nápoles rodar um documentário musical cujo foco está no rico cancioneiro local. Além de retomar emblemáticos sucessos, como O Sole Mio e Malafemmena, o realizador perseguiu novas vertentes. Encontrou, assim, cantores e grupos influenciados por música árabe, portuguesa, espanhola e até pelo jazz americano ? entre eles a fadista Mísia. Há poucas entrevistas ou informações históricas. A fita, contudo, faz um agradável passeio pela cidade, com a maioria das cenas em externas, e traz à tona um assunto bastante raro para ser tratado no cinema. Por isso mesmo, é para público restrito (90min). 14 anos. Estreou em 18/11/2011. Estação Sesc Botafogo 3.

✪✪✪ A PELE QUE HABITO, de Pedro Almodóvar (La Piel que Habito, Espanha, 2011). Pode ser clichê, mas um filme mais fraco de Almodóvar sempre se mostra melhor do que a média em cartaz. Em seu 18º longa-metragem, o grande e inspirado diretor espanhol tira o humor de cena e investe num drama de suspense com toques macabros. Na trama, o cirurgião plástico Robert Ledgard (Antonio Banderas) possui uma clínica particular em Toledo e, lá, vive às voltas com a revolucionária invenção de uma pele humana sintética. Motivações não lhe faltam: anos atrás, sua esposa teve o corpo queimado num acidente de carro e se suicidou tempos depois. A cobaia da experiência é uma bela jovem (papel de Elena Anaya), que fica trancada num quarto e não pode se comunicar com ninguém pessoalmente. Só o doutor tem acesso a ela. Quem seria essa moça? Qual o motivo de ela viver como uma presidiária? Por que a empregada de Ledgard (papel de Marisa Paredes) quer que o patrão a mate? As respostas, nos roteiros de Almodóvar, costumam chegar recheadas de surpresas ? e aqui não é diferente (110min). 16 anos. Cine Santa, Cinépolis Lagoon 5, Espaço Rio Design VIP, Estação Sesc Barra Point 2, Estação Sesc Laura Alvim 3, Estação Sesc Rio 2, Estação Vivo Gávea 2, Kinoplex Leblon 3, Kinoplex Tijuca 3, UCI New York City Center 1, Unibanco Arteplex 1.

✪✪ O PREÇO DO AMANHÃ, de Andrew Niccol (In Time, EUA, 2011). Se não tivesse duas estrelas na produção (o cantor Justin Timberlake e Amanda Seyfried, de Mamma Mia!), o thriller de ficção científica ganharia uma cara ainda mais de filme B. A ideia não é de se jogar fora e, enquanto argumento futurista, tem lá sua originalidade. Na trama, o tempo passou a ser literalmente dinheiro e as pessoas só chegam até os 25 anos. A partir daí, precisam ganhar, roubar ou herdar mais dias se quiserem sobreviver. O lugar onde elas moram se divide entre o mundo dos ricos e o dos pobres. Por sorte, o simplório operário Will Salas (Timberlake) adquiriu mais de 100 anos de um ricaço suicida. Agora, ele quer se infiltrar na alta sociedade para, como um Robin Hood, tirar dos milionários e dar aos miseráveis. Quem o acompanha na jornada é a patricinha interpretada por Amanda. Se a primeira meia hora surpreende pela estranheza da temática, o restante se perde num corre-corre envolvendo o casal numa espécie de Bonnie & Clyde. Diretor de Gattaca (1997) e O Senhor das Armas (2005), Andrew Niccol não tira proveito nem de bons atores como Cillian Murphy e deixa as atuações no nível da canastrice. Fracos também são os figurinos assinados por Colleen Atwood, premiada com o Oscar por Alice no País das Maravilhas. Com Alex Pettyfer e Olivia Wilde (109min). 12 anos. Estreou em 4/11/2011. Cinemark Botafogo 1, Cinemark Downtown 11, Cinesystem Bangu 5, Iguatemi 2, UCI Kinoplex NorteShopping 9.

✪✪ REFÉNS, de Joel Schumacher (Trespass, EUA, 2011). Diretor de altos (Um Dia de Fúria, Tigerland) e baixos (8mm, O Fantasma da Ópera), Joel Schumacher reprisa desgastados chichês do gênero no suspense estrelado por dois vencedores do Oscar. Nicolas Cage (Despedida em Las Vegas) e Nicole Kidman (As Horas) interpretam o casal Kyle e Sarah, pais da rebelde adolescente Avery (Liana Liberato). Kyle é um milionário negociante de diamantes e trabalha demais. Por isso, Sarah sente-se solitária e mal-amada. Certa noite, porém, a família terá a mais perturbadora madrugada de sua vida quando um bando de assaltantes mascarados invade a residência. Para apimentar a história, insinua-se que a esposa teria tido um caso com um dos bandidos (papel de Cam Gigandet). Embora o realizador acerte no bom e constante clima de tensão, a trama vai ficando cada vez mais rocambolesca e nada crível. O desfecho beira o risível (91min). 12 anos. Estreou em 11/11/2011. Cine 10 Sulacap 6, Cinemark Downtown 11, Cinemark Plaza Shopping 5, Kinoplex Leblon 1, UCI New York City Center 1.

✪✪ REIDY, A CONSTRUÇÃO DA UTOPIA, de Ana Maria Magalhães (Brasil, 2009). Atriz bastante ativa na década de 70, Ana Maria Magalhães estreou na direção de longas de ficção com o desastroso Lara (2002). Investe agora num personagem interessante para um documentário irregular. Trata-se aqui da trajetória, estritamente profissional, de Affonso Eduardo Reidy (1909-1964). Esse arquiteto e urbanista nasceu em Paris, era filho de uma brasileira e de um inglês e cursou a Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro a partir dos 17 anos de idade. A fita procura jogar luz na importância do profissional responsável pela criação do Conjunto Habitacional Pedregulho, das colunas do Museu de Arte Moderna e das vias do Aterro do Flamengo. Um locutor dá voz às ideias e aos pensamentos de Reidy de forma entediante e algumas obras do arquiteto não são sinalizadas com legendas. Para os leigos, restam, portanto, alguns pontos de interrogação. De aproveitável, há curiosos registros de época (como um documentário de 1971 que dizia que as favelas iriam acabar no Rio) e depoimentos dos arquitetos Lucio Costa (1902-1998) e Paulo Mendes da Rocha (77min). Livre. Estreou em 11/11/2011. Unibanco Arteplex 5.

✪✪ O RETORNO DE JOHNNY ENGLISH, de Oliver Parker (Johnny English Reborn, EUA/França/Inglaterra, 2011). Sem apelar para baixarias, a comédia de espionagem faz uma sátira a James Bond com gosto de piada requentada. Eterno intérprete de Mr. Bean, o inglês Rowan Atkinson investe pela segunda vez no personagem extraído do original de 2003. A fita tem uma boa arrancada com passagens divertidas, sobretudo quando o protagonista, em momento politicamente incorreto, dá bordoadas numa velhinha. Mas o humor vai cedendo espaço para a ação a partir da metade. Na trama, o agente secreto Johnny English caiu em desgraça após fracassar num trabalho em Moçambique. Cinco anos depois, vivendo em exílio no Tibete, é novamente recrutado para uma missão em Hong Kong. Com Gillian Anderson e Rosamund Pike (101min). 10 anos. Estreou em 28/10/2011. UCI New York City Center 18.

SUBMARINO, de Thomas Vinterberg (Submarino, Dinamarca/Suécia, 2010). Junto com Lars von Trier, Vinterberg foi um dos criadores do Dogma 95, movimento da década de 90 de cineastas dinamarqueses que pregava um cinema mais despojado e "sujo", sem luz artificial nem trilha sonora. Na época, esse diretor ganhou fama por seu badalado Festa de Família (1998). De lá para cá, ele errou a mão no confuso Dogma do Amor (2003) e no excesso de humor negro de Querida Wendy (2005). Mas Submarino revela-se um registro duro, brutal e comovente de dois irmãos marginalizados. Na trama, Nick (Jakob Cedergren) e seu irmão caçula (papel de Peter Plaugborg), ainda na infância, tentam driblar os descuidos da mãe alcoólatra fazendo-se de babá do novo filho dela. Mas o bebê não sobrevive. O tempo passa e a tragédia deixa marcas profundas nos dois. Estação Sesc Botafogo 3.

✪✪✪ OS 3, de Nando Olival (Brasil, 2011). Diretor publicitário, Nando Olival estreou no cinema dividindo o comando de Domésticas (2001) com Fernando Meirelles. Seu primeiro filme-solo revela-se ainda melhor, mais pop e ousado. O projeto é arriscado. Trata-se de uma comédia romântica sem elenco famoso, que flerta com o drama e explora situações corriqueiras da vida moderna sob uma óptica inusual. Na trama, Camila (Juliana Schalch), Cazé (Gabriel Godoy) e Rafael (Victor Mendes) se conhecem numa festa e, na sequência, decidem morar juntos num armazém desocupado. Eles são universitários, vieram do interior de São Paulo e têm pouca grana. Um projeto para a faculdade, porém, dá ao trio chance de conseguir mais dinheiro. Bancados por uma loja, eles terão a vida vigiada 24 horas por câmeras para um reality show na internet. Uma das promessas feitas entre eles é não se apaixonarem. Mas isso cai por terra quando Camila vai para a cama com o conquistador Cazé, deixando Rafael enciumado ? ele também tem uma quedinha pelo amigo. Ágil, tecnicamente impecável e deliciosamente maliciosa, a fita merece encontrar nos jovens seu público-alvo (80min). 14 anos. Estreou em 11/11/2011. Cinemark Downtown 1, Estação Sesc Botafogo 2.

WINTER, O GOLFINHO, de Charles Martin Smith (Dolphin Tale, EUA, 2011). A aventura, inspirada em história real, narra o drama de um golfinho fêmea que, após perder a cauda numa armadilha, vai parar em um aquário na Flórida. Lá, Winter tenta ser salva por uma equipe de especialistas (113min). Livre. Estreou em 14/10/2011. Dublado: UCI New York City Center 6.

Fonte: VEJA RIO