DIVERSÃO

Obras que valem o seu tempo

Nunca tantas boas exposições estiveram em cartaz ao mesmo tempo no Rio. A seguir, um guia para não perder o melhor de cada uma delas

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

Está aberta a temporada das grandes mostras. Variada e de boa qualidade, a oferta atual inclui desde um vasto acervo de cultura indiana, que ocupa dois andares do CCBB, até uma abrangente individual com 113 peças da franco-americana Louise Bourgeois, considerada um dos nomes mais influentes da escola contemporânea no século XX. Em outra vertente, o Instituto Moreira Salles abriga 313 registros de paisagens brasileiras, rea­lizados entre 1819 e 1920. Capital do Império e da República nesse período, o Rio marca presença em pinturas e fotografias. Na Fundação Biblioteca Nacional, após percorrer 200 gravuras de mestres como o italiano Andrea Mantegna e o alemão Albrecht Dürer, o visitante tem a impressão de que fez um curso-relâmpago sobre o Renascimento. Não menos curiosa é a coletiva que reúne setenta ícones de arte europeia e antiga, selecionados nos salões dos grandes colecionadores cariocas. Um pequeno exemplar da escultura O Beijo, de Auguste Rodin, se destaca em meio a obras-primas de Chagall e Kandinsky. Completa o pacote de boas opções a retrospectiva com relevos e pinturas do austríaco Franz Weissmann. Em busca das melhores obras, VEJA RIO percorreu

1?125 itens em seis exposições. O objetivo: apontar os trabalhos imperdíveis que estão em cartaz na cidade e o tempo ideal para desfrutá-los. Aproveite o passeio.

ÍNDIA

Centro Cultural Banco do Brasil

Tempo ideal: 60 min

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(Foto: Redação Veja rio)

Logo após a primeira sala, com projeções de fotografias e vídeos, não deixe de observar, em uma pequena vitrine embutida na parede, a peça mais antiga desse acervo. Quase imperceptível, com apenas 12 centímetros de altura, a estatueta de pedra com a representação de uma deusa mãe tem mais de 2?000 anos. No setor de arte popular, repare nos dezessete imensos painéis de tecido, todos pintados a mão, como O Templo do Deus Jagannath , originário da região de Orissa. Adiante, na área destinada às religiões estão estátuas de deuses como Brahma, Krishna, Vishnu e Ganesh, datadas entre os séculos IX e XIII. O item mais curioso é uma escultura de pedra chamada Buddhapada , do século XI. Ela representa uma pegada de Buda, divindade que não queria ser adorada na figura humana.

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(Foto: Redação Veja rio)
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(Foto: Redação Veja rio)
LOUISE BOURGEOUIS

Museu de Arte Moderna

Tempo ideal: 40 min

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(Foto: Redação Veja rio)

O passeio começa antes mesmo do ingresso no museu. No Parque do Flamengo está a criação mais conhecida da artista, Maman . Trata-se de uma escultura de bronze e mármore em formato de aranha, com 10 metros de altura e 8 de diâmetro, exibida pela primeira vez no Brasil. Já no interior do MAM estão algumas de suas obras-primas. A principal delas, Arco da Histeria , pende elegantemente do teto no primeiro dos seis ambientes em que o acervo está dividido. De bronze polido, ela reluz no salão propositalmente escurecido e impressiona ao representar o corpo humano com a musculatura contraída. Perto dali está a instalação penetrável Quarto Vermelho , que reproduz o dormitório de um casal. No penúltimo espaço, outro trabalho do gênero, Destruição do Pai , faz referência à péssima relação que a artista tinha com a figura paterna.

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(Foto: Redação Veja rio)
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(Foto: Redação Veja rio)
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(Foto: Redação Veja rio)
FRANZ WEISSMANN

Pinakotheke Cultural

Tempo ideal: 20 min

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(Foto: Redação Veja rio)

No primeiro setor estão as criações pioneiras do artista, a maioria da década de 40, a exemplo de um autorretrato a grafite e das composições figurativas Flautista e Figura Feminina . No mesmo ambiente, também há trabalhos mais recentes, como o relevo de parede Peixinho , de 2003, em que o artista transforma o inox numa peça poética e delicada. Na segunda sala, desponta a peça Cubo Vazado , uma das obras mais emblemáticas do artista. Construída em metal dourado, ela marca a opção definitiva de Weissmann pelas formas abstratas. Rejeitada na Bienal de São Paulo de 1951, a obra foi considerada um marco na escultura brasileira na edição seguinte, em 1953. Distribuídas pelo jardim do casarão estão dez peças de grande porte , em que o criador confere leveza às grossas chapas de aço em inusitados cortes e dobraduras.

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(Foto: Redação Veja rio)
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(Foto: Redação Veja rio)
PANORAMAS

Instituto Moreira Salles

Tempo ideal: 60 min

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(Foto: Redação Veja rio)

Parte da diversão é perceber, por meio das imagens, as diferentes etapas de ocupação dos bairros cariocas. No começo do percurso, por exemplo, a Enseada de Botafogo é apresentada quase deserta em um desenho a nanquim do alemão Johann Moritz Rugendas, de 1823. A grande vedete da mostra, porém, é a réplica de uma rotunda , com 9 metros de perímetro e 4 de altura, em que está reproduzida a pintura Panorama do Rio de Janeiro, de Félix Émile Taunay, exibida inicialmente na região parisiense de Montmartre, em 1824. Ao final do percurso, uma dica imperdível é conferir a aquarela Rio de Janeiro , de 1892, assinada por Karl Oenike e instalada em meio a gravuras, pinturas e primitivas técnicas fotográficas.

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(Foto: Redação Veja rio)
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(Foto: Redação Veja rio)
PAIXÕES PRIVADAS

Centro Cultural Correios

Tempo ideal: 20 min

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(Foto: Redação Veja rio)

Entre as setenta esculturas e telas assinadas por artistas europeus, o conjunto mais representativo de obras está no espaço central do 2º andar, onde despontam as esculturas de bronze O Beijo , fundida por Auguste Rodin em 1900, e Cabeça , moldada por Amedeo Modigliani em 1915. No entorno dessas peças tridimensionais estão belíssimos quadros, a exemplo de uma pintura, sem título, de Marc Chagall , o óleo sobre tela de Lucio Fontana Concetto Spaziale Attesa e, a mais importante delas, o guache abstrato de Wassily Kandinsky Bicho em Fundo Preto .

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(Foto: Redação Veja rio)
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(Foto: Redação Veja rio)
GIORGIO VASARI

Fundação Biblioteca Nacional

Tempo ideal: 40 min

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(Foto: Redação Veja rio)

Um dos melhores exemplares da arte renascentista

é a gravura de Giovanni Battista Cavalleris, de 1571, A Batalha de Constantino contra Maxêncio . Com 1,68 metro de comprimento, e dividida em três partes, ela reproduz o afresco homônimo que Rafael Sanzio (1483-1520) pintou no Museu do Vaticano. Nesse percurso, encontram-se ainda exemplares de algumas das primeiras gravuras da época, como Detalhes do Juízo Final na Capela Sistina , de 1543, inspirada no mural homônimo de Michelangelo, e Laocoonte , de 1581, que ilustra uma escultura de mármore do personagem mitológico que batiza a obra. Entre os livros raros, três volumes originais de As Vidas dos Mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitetos , do arquiteto e pintor Giorgio Vasari, escritos em 1568 pelo historiador, o mais celebrado e conhecido em sua área.

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(Foto: Redação Veja rio)

Fonte: VEJA RIO