ROTEIRO DA SEMANA

Três perguntas para...

O diretor Felipe Hirsch, que estreou no Espaço Sesc o seu mais novo espetáculo, O Livro de Itens do Paciente Estevão

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Um dos fundadores da premiada Sutil Companhia de Teatro, o diretor estreou no Espaço Sesc o seu mais novo espetáculo, O Livro de Itens do Paciente Estevão. Trata-se, como ele mesmo define, de ?um tour de force?: a montagem tem cinco horas de duração, com um intervalo. A história é baseada no livro O Paciente Steve, de Sam Lipsyte ? corroteirista de Insolação (2009), o único filme dirigido por Hirsch, ao lado de Daniela Thomas. Leonardo Medeiros vive o personagem-título, um doente terminal diagnosticado com uma forma mortal de tédio.

O tema da peça, a condição inevitável da morte, tem relação com um episódio recente vivido por você? Sim. Há uns dois anos, passei seis meses fazendo uma série infinita de exames para ter um diagnóstico de algo que podia ser simples ou bastante grave. Era algo razoavelmente simples, e estou bem. Só que isso gera expectativa, receios, neuroses. Foi difícil. Mas resolvi fazer uma peça pop disso. Sim, é um espetáculo pop. E achei no livro do meu amigo Sam Lipsyte uma história vital sobre nossos dias.

Como é o desafio de encenar um espetáculo de cinco horas? É um tour de force racional e emocional, que nos desafia a cada minuto. Escalamos uma montanha a cada apresentação. A peça tem o tempo que precisa ter. Já fiz espetáculos de doze minutos. O público da Sutil saberá que este é um de nossos trabalhos mais importantes. É o nosso álbum duplo conceitual. O surpreendente é que ouvimos falar muito das tais cinco horas pela imprensa ou antes da sessão. Depois, raramente alguém chega e fala algo sobre a duração.

Duas óperas devem estrear em outubro e um filme está previsto para o fim do ano. O que esperar de seus futuros projetos? As óperas serão Violanta, de Erich Korngold, e Uma Tragédia Florentina, de Alexander von Zemlinsky. São de uma época que me encanta, que gira em torno da segunda escola de Viena. Já o filme tem roteiro meu, feito a partir do livro Jerusalém, do Gonçalo M. Tavares. No elenco estão Mariana Lima, Alice Braga e, em uma participação especial, a Fernanda Montenegro. Em 2013 a Sutil faz vinte anos, e queremos trazer novamente Avenida Dropsie (de 2005) para o Rio, além de Trilhas Sonoras de Amor Perdidas (de 2011), ainda inédito por aqui. Vamos fazer algo novo também, um espetáculo bastante desafiador.

Fonte: VEJA RIO