DIVERSÃO

Comer, viajar e cozinhar

Não basta ir a bons restaurantes. Aulas de culinária, passeios por feiras e visitas a produtores entraram no roteiro dos gastrônomos viajantes

Por: Fabio Codeço - Atualizado em

Fotos selmy yassuda e arquivo pessoal
(Foto: Redação Veja rio)

Visitar as ruínas do Coliseu em Roma, passear de gôndola em Veneza e admirar a estátua do jovem Davi de Michelangelo em Florença são atrações básicas para qualquer turista na Itália. No roteiro da designer Cláudia Lobato, que embarcou com o marido, o consultor Ismar Barros, para uma temporada de quinze dias pelo país, esses passeios não chegaram nem a ser cogitados. Aficionados da gastronomia, eles fazem parte de uma turma que escolhe os destinos e define os programas de acordo com a comida. Não se trata apenas de fazer refeições em restaurantes estrelados. No caso de Cláudia e Ismar, tudo foi pensado para que eles estivessem no Piemonte durante a temporada de caça às trufas brancas, fungo raro que só cresce nessa região, entre meados de setembro e novembro. Levantarão antes de o dia clarear e, por duas horas, seguirão o rastro de cães farejadores em busca da iguaria, que custa mais de 10?000 reais o quilo. Casados há quatro anos, eles já viajaram juntos para cidades como Paris, Berlim, Barcelona, Nova York e Buenos Aires, sempre em busca dos melhores mercados, feiras, fazendas, vinícolas e lojinhas de produtos e utensílios de cozinha. "Se deixar, meu marido traz a mala cheia de panelas, facas e eletrodomésticos, para reproduzir em casa os pratos que provamos", conta Cláudia.

Fotos Selmy YassudA e arquivo pessoal
(Foto: Redação Veja rio)

Chamadas de turismo de experiência, as viagens em que a programação se estende a atrações que passam longe dos pontos turísticos tradicionais vêm ganhando adeptos no Rio. Em especial aqueles que gostam de comer e cozinhar, e encontram no exterior culturas riquíssimas em tais quesitos. Com uma culinária que varia conforme a região do país, a Itália é o destino preferido desses gastrônomos, mas Portugal, França e Peru também entram no horizonte dos viajantes. Há alguns meses, os alunos da chef Manoela Zappa, sócia do Atelier das Chefs, começaram a pedir a ela que elaborasse um roteiro internacional. A ideia era que pudessem vivenciar in loco aquilo que aprendiam nas aulas. E lá vão eles. Em parceria com a escola Kiss the Cook, de Lisboa, uma excursão partirá do Rio no dia 18 de novembro com doze alunos. A turma fará um curso de uma semana sobre comida portuguesa, visitará mercados para comprar ingredientes e acompanhará o processo de fabricação de alguns produtos bem típicos de lá, como o azeite. "Visitar museus, ver quadros famosos e admirar estátuas não é a única forma de conhecer um país. A alimentação pode dizer muito sobre a história e os costumes de um lugar", acredita a professora. Animada com o sucesso da primeira incursão, Manoela já está elaborando com o chef David Zisman, do restaurante Nam Thai, um périplo gastronômico pela Tailândia em 2014.

Selmy Yassudal
(Foto: Redação Veja rio)

Apesar de muitos interessados fazerem esse tipo de viagem por conta própria, o aumento do interesse por atividades que permitam uma imersão mais profunda na cultura da região vem chamando a atenção das agências especializadas. Dos oito pacotes lançados no Brasil no mês passado pela operadora sul-africana Trafalgar, seis contemplam atividades que proporcionam experiências comuns aos locais. É possível ter aula numa escola de culinária cubana em Miami, almoçar na casa de um cozinheiro amador em Monterey, na Califórnia, ou acompanhar os trabalhadores em uma fazenda de tâmaras no Vale Coachella, no mesmo estado americano. "O público-alvo desses programas são pessoas que querem voltar a determinado lugar para descobrir o estilo de vida dos moradores daquela região", diz a diretora comercial Silvia Bizatto. O gostinho amargo fica por conta dos preços: um pacote de dez dias, por exemplo, sai por 2?525 dólares por pessoa, o equivalente a 5?500 reais, só na parte terrestre. Para voltar no avião com histórias dignas dos grandes connoisseurs, é preciso comer, viajar, cozinhar e investir também.

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(Foto: Redação Veja rio)

Fonte: VEJA RIO