ROTEIRO DA SEMANA

Três perguntas para André Abujamra

Por: Rachel Sterman - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Os Mulheres Negras, projeto criado em 1984 pelos paulistas André Abujamra e Mauricio Pereira, deu o que falar ao misturar humor com um certo vanguardismo musical. De sobretudo e chapéu de palha, a dupla usava samplers em cena, recurso não tão comum na época, para reproduzir a sonoridade de um conjunto numeroso -- daí a irônica autodenominação de ?a terceira menor big band do mundo?. Depois de uma pausa, iniciada em 1991, Abujamra e Pereira resgatam o antigo repertório em apresentação no Studio RJ, na quinta (23).

Por que retomar o projeto agora? Não tenho a menor ideia. O Mulheres Negras sempre foi maior do que nós dois. Quando colocamos a roupa nos transformamos no Batman e no Robin, no Gordo e no Magro. Nós nos damos muito bem musicalmente. Nossas experiências individuais foram como uma terapia de casal: fizeram com que deixássemos de ser uma tribo com dois caciques, para ser uma tribo com dois curandeiros, um cuida do outro e os dois cuidam do público. Nosso ego deu uma amansada e isso facilitou muito as coisas. Mas, dentro de mim, o Mulheres nunca acabou. Boa essa resposta, né?

Há novidades no repertório ou no formato das apresentações? A novidade é a seguinte: estamos em 2012, tem um monte de moleque vendo nossos shows e achando o que fazemos moderno. E olha que fazemos isso há quase trinta anos! É novidade simplesmente por ser o que é. O antigo é muito novo, é tão antigo que parece atual. Em 1985 eu trouxe um sampler do Paraguai e até hoje fazemos do mesmo jeito. Construímos a música na unha, não a trazemos pronta de casa. Isso é old school, mas, na verdade, é bem moderno.

O mise-en-scène é parte indissociável da música de vocês? No caso do Mulheres, sim. Como cada um foi fazer um tipo de música diferente -- o Mauricio tem o lado da poesia, da palavra, e eu tive o Karnak --, quando colocamos o chapéu e o sobretudo parece que estamos vestindo uma roupa de super-herói. Não sou eu nem é ele no palco. Somos uma pessoa só com duas almas. Assista

Fonte: VEJA RIO