MODA

O segredo do nosso charme

Inspirados pelo best-seller A Parisiense, os autores do blog RIOetc revelam em livro o estilo e o guarda-roupa essencial das cariocas

Por: Carla Knoplech - Atualizado em

Eles são uma espécie de voyeurs dos tempos modernos. Ficam à espreita, só observando, espiando quem vem e quem passa a caminho do mar, do restaurante em Ipanema ou da lojinha escondida numa vila no Jardim Botânico. Até que um acessório diferente, uma combinação de cores inusitada, um penteado incomum, mas sempre com alguma bossa, lhes chama a atenção. É a deixa para que Tiago Petrik e Renata Abranchs se identifiquem. Três perguntas e alguns cliques depois, aquela menina encontrada casualmente já está no topo do blog RIOetc.com.br, com os detalhes do seu visual ilustrando uma galeria de imagens. Cerca de 10?000 mulheres já foram fotografadas pelo site, criado há cinco anos e com 1 milhão de acessos por mês. É com base nesse material, um grande mural da moda de rua no Rio, que o fotógrafo e a caçadora de tendências (marido e mulher, a propósito) lançam seu primeiro guia de estilo. Inspirado no sucesso de vendas A Parisiense, escrito pela modelo francesa Inès de La Fressange, o compêndio de 352 páginas ganhou o título de A Carioca e chega às livrarias no próximo dia 22, todo traduzido para o inglês. "O morador do Rio tem um estilo próprio de se vestir. É algo espontâneo, que acaba despertando a curiosidade de todo o mundo. Os estrangeiros são loucos para entender essa lógica", acredita Petrik.

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(Foto: Redação Veja rio)

Basta pegar uma praia no Posto 9 ou ir do início ao fim da Rua Dias Ferreira para entender o que Petrik quer dizer com "um estilo próprio". Em primeiro lugar, a carioca prefere simplificar as coisas. Seu jeito de se produzir é intuitivo. "Ela aproveita o que tem no armário, repete roupa e recicla sem dramas", explica Renata. Outro fator determinante na hora de compor o visual são as características geográficas e climáticas da cidade. Além de ela ser quente na maior parte do ano, de um lado estão a praia, a areia e o mar; do outro, as montanhas, as ladeiras e quilômetros de calçadas com pedras portuguesas. Essa simplicidade, portanto, não é apenas uma questão de estilo, mas de conforto. Por isso, as sandalinhas rasteiras não saem de cena nunca por aqui, o cabelo preso num coque é o penteado mais usado nas ruas e os vestidões largos e fluidos vendem muito mais do que os clássicos tubinhos. O livro, um autêntico estatuto da moda local, reúne ainda as trinta peças-chave do nosso guarda-roupa (veja dez delas no quadro da pág. 35), uma série de tutoriais para se vestir em situações adversas e roteiros temáticos com academias, lojas e bares por onde circulam essas garotas de Ipanema, do Leblon, da Gávea.

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(Foto: Redação Veja rio)

Valioso como nunca, o estilo dos cariocas acabou virando a principal referência do Brasil no exterior. Tanto que, no último mês, 30% da Osklen, fundada por aqui em 1989, foi comprada pela Alpargatas por 67,5 milhões de reais, numa tentativa de replicar mundo afora o sucesso de vendas alcançado com as Havaianas, outra marca que simboliza o despojamento de quem vive à beira-mar. "De dois anos para cá, o mercado voltou os olhos para tudo o que tenha a ver com o Rio, e estão tentando pegar carona nesse bom momento que vivemos para agregar valor a suas criações", confirma a consultora de moda Regina Martelli. Isso se reflete na quantidade de produtos lançados com algum arquétipo local. Seja uma estampa estilizada com o Cristo, o Pão de Açúcar, o calçadão de Copacabana, seja algo ainda mais óbvio como a própria palavra Rio. A fragrância feminina Be Delicious Rio, da americana Donna Karan, e a linha de bolsas do estilista Marc Jacobs, Paradise Rio, são exemplos internacionais. Renata e Petrik também embarcaram nessa. Para a inveja de paulistas e mineiros, a verdade é uma só: nunca estivemos tão na moda.

Fonte: VEJA RIO