RESTAURANTES

Menu cinco-estrelas

De olho no cliente carioca e gourmet, hotéis investem em restaurantes grifados

Por: Fabio Codeço

Felipe Fittipaldi
(Foto: Redação Veja rio)

Apesar de possuir hotéis de alto padrão muito bem localizados e do crescente número de cariocas que admiram uma boa mesa, o Rio nunca explorou todo o potencial gastronômico de suas hospedarias. Salvo raras exceções, prevalece o sistema de bufê, que prima pela fartura mas é completamente desprovido de requinte ou toque autoral. Aos poucos, o conceito vem passando por alterações. Às vésperas da Copa do Mundo, a cidade assiste à abertura de restaurantes grifados em estabelecimentos turísticos da orla (veja o quadro na pág. 42). Apostas altas nessa linha gourmet fizeram o Sheraton Rio Hotel & Resort, na Avenida Niemeyer, e o Copacabana Palace. O primeiro gastou 3,4 milhões de reais para dar vida ao L?Etoile, casa de culinária francesa tradicional aberta em março. Para comandá-la foi escolhido Jean Paul Bondoux, chef nascido na Borgonha que ganhou fama no Uruguai e na Argentina à frente do La Bourgogne, no luxuoso Hotel Salto Grande, em Punta del Este, com uma filial no não menos refinado Alvear Palace, em Buenos Aires. Para impulsionar o Mee, a primeira investida do Copa na cozinha asiática, a opção foi por uma estrela das caçarolas. Famoso pelos programas que apresenta na rede inglesa BBC, o chef sino-americano Ken Hom criou um cardápio com pratos de China, Japão, Malásia e Tailândia. "Nossa intenção é atrair o cliente que mora na cidade", diz o gerente de alimentos e bebidas do Copacabana Palace, Eduardo Bressane.

Os novos restaurantes têm relação direta com o grande investimento feito pelo setor hoteleiro em vista da Copa e da Olimpíada. Numa projeção realista, deve mais que duplicar o número de quartos na capital, que estava na faixa de 25?000 unidades. Essa dinheirama veio bem a calhar para suprir uma nova tendência de comportamento. "O carioca não tinha como hábito frequentar restaurantes dentro de hotéis. Mas agora há um interesse crescente em boa comida e boa bebida, e os empresários perceberam que era o momento de investir", opina Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro. Um exemplo dessa nova safra é o Gabbiano Al Mare, que se instalou no Hotel Sol Ipanema, na Avenida Vieira Souto, no espaço deixado vago pelo La Fiducia Bistrô. Como herdou toda a infraestrutura do antigo inquilino, a casa precisou de investimento mínimo: apenas 200?000 reais. Com cardápio italiano e foco nos pescados, trata-­se de um destino sofisticado na orla. Também se encaixa nesse perfil o vizinho Galani, no Caesar Park, que praticamente só manteve o nome após uma ampla reforma. Ganhou móveis de design, louças importadas e um novo mestre-cuca, Willians Halles, que era o braço-direito de Roland Villard no Le Pré Catelan. "Mais do que pelo serviço em hotelaria, queremos ser reconhecidos por nossos restaurantes", explica Marie Chapoton, gerente-geral do Caesar Park, que passou a ser administrado pelo grupo Sofitel. Se retrocedermos mais um pouco, poderemos computar nessa lista de es­treantes o Alloro e o Sá, ambos pertencentes à rede Windsor.

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A despeito da acomodação reinante durante um longo período, a alta gastronomia carioca deve enorme tributo a dois hotéis. Ela começou a ganhar forma por aqui em 1979, quando Claude Troisgros e Laurent Suaudeau, jovens franceses na casa dos 25 anos, desembarcaram no Rio para comandar, respectivamente, a cozinha do Le Pré Catelan, no Rio Palace (hoje Sofitel), e a do Le Saint Honoré, no extinto Le Méridien. Ao lançarem mão da técnica apurada de seu país para criar receitas com ingredientes brasileiros, eles capitanearam uma revolução na gastronomia da cidade. "Quando chegamos, os hotéis e restaurantes mais sofisticados se limitavam a oferecer a chamada culinária internacional", lembra Troisgros.

No exterior, é comum o casamento de culinária de ponta com cinco-estrelas. Dentro desse perfil se encontram algumas das casas agraciadas com a cotação máxima no Guia Michelin, caso do restaurante de Alain Ducasse no Plaza Athénée, em Paris, e do Jean-Georges, no Trump Hotel Central Park, em Nova York. A chegada da rede de Donald Trump ao Rio, com abertura prevista para 2015, vai contribuir para a expansão do movimento. Com capacidade para 150 pessoas, o restaurante que o projeto contempla negocia com cinco grifes americanas e duas nacionais. No mesmo ano será inaugurado o Grand Hyatt, que tem planos de abrir três restaurantes com projeto arquitetônico de Arthur Casas. Sócio na empreitada do German Hotel, na Praia de Copacabana, o empresário Omar Peres já manifestou o desejo de trazer o D.O.M., de Alex Atala, para o Rio. Que sejam bem-vindos.

Fonte: VEJA RIO