RESTAURANTES

Irajá

Chef Pedro Artagão oferece menu Omakase, com degustações que os comensais só conhecem quando chegam à mesa

Por: Fabio Codeço - Atualizado em

COMIDA ✪✪✪✪ | AMBIENTE ✪✪✪ | SERVIÇO ✪✪✪

Alexander Landau/Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Omakase é a palavra japonesa usada para designar degustações nas quais o comensal não sabe o que vai encontrar antes de o prato chegar à mesa. O termo tem significado poético, algo como "deixo aos seus cuidados", um voto de confiança dado ao cozinheiro, a quem se atribui liberdade total. Chef e proprietário do Irajá, eleito neste ano o melhor restaurante contemporâneo da cidade pelo júri do especial "Comer & Beber", publicado por VEJA RIO, Pedro de Artagão oferece o serviço, composto de criações recém-chegadas, desenvolvidas após um ano de trabalho e experiências. Trata-se de um ritual: respeitadas apenas restrições causadas por alergias, quem se entrega à aventura deve estar preparado para se surpreender com ingredientes desconhecidos em preparos inovadores. O percurso fechado, disponível apenas mediante reserva com cinco dias de antecedência, é a melhor maneira de conhecer o trabalho autoral de Artagão. Ao longo de uma arrebatadora sequência provada no último dia 20, o mestre-cuca lançou mão de insumos produzidos em sua própria cozinha, a exemplo do fermento usado no molho rôti do cubo de palmito pupunha ? uma pequena obra-prima que investe no chamado quinto gosto, o umami ("gosto delicioso" em japonês). Composto de doze pratos (ou dez, dependendo das matérias-primas disponíveis), o menu tem preço salgado (R$ 260,00), mas compensa cada centavo. Começou pela ostra, servida na concha com cubinhos de beterraba e borragem, uma flor azul com sabor de erva. Em seguida chegaram delicadas vieiras com tangerina. Ainda passaram pela mesa lagostim em caldo de tomate e quiabo grelhado com burrata e manjericão, antes do soberbo tartare de wagyu, enrolado em nasturtium, uma folha levemente picante que lembra o agrião, ladeada por vinagrete de vôngole. Não parou por aí. Na ala salgada, também houve espaço para uma massa negra artesanal bem fina, tingida por tinta de lula, valorizada por mexilhão e espinafre, mais bochecha de cherne e castanhas. Nas etapas doces, estão incluídos batata-doce com mel de baunilha, patê de frutas vermelhas com creme azedo e salada de flores, além do imperdível bolo de brigadeiro, um dos maiores hits da casa. Um senhor grand-finale.

Rua Conde de Irajá, 109, Botafogo, ☎ 2286-1395 (52 lugares). 12h/15h30 e 19h30/0h (sex. jantar até 1h30; sáb. almoço até 17h30 e jantar até 1h30; dom. almoço até 17h30). Cc: todos. Cd: todos. Estac. c/manobr. (R$ 12,00; jantar e fim de semana). ⑤ ⑥ (R$ 60,00). ↔ www.irajagastro.com.br. Aberto em 2011. $$$$

Fonte: VEJA RIO