3 perguntas para...

... John Pizzarelli

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Jimmy Katz/ Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

O cantor e guitarrista americano batia ponto no Rio religiosamente, no pequeno palco do Mistura Fina, na Lagoa. Depois que a casa fechou, em 2007, ele ainda voltou à cidade, no ano seguinte, para tocar no Mistura de Ipanema, endereço de existência fugaz. Na primeira apresentação carioca após um intervalo de três anos, John Pizzarelli vai ocupar o espaçoso Vivo Rio, na sexta (3), com seu repertório intimista, de standards do jazz e da canção americana, além de tributos à bossa nova. Ao vivo, ele ganha a companhia do irmão Martin (baixo), de Tony Tedesco (bateria) e Larry Fuller (piano).

Você lembra quantas vezes já visitou o Brasil? A primeira vez foi há quinze anos, e, desde então, voltei dez, onze vezes, ou mais, não tenho certeza. Tenho muitos amigos aqui que me levam a vários lugares. Adoro a comida, os ambientes. Gosto muito dos bares de Ipanema. Havendo cerveja gelada e algum divertimento,

é sempre ótimo. E a trabalho eu não pago pelos hotéis.

Sua discografia é dominada por standards americanos, mas inclui um álbum de bossa nova. Qual é a sua relação com a música brasileira? É uma coisa pessoal mesmo. As melodias e harmonias, o modo como elas funcionam juntas, tudo isso é realmente incrível. Em abril assisti aqui em Nova York a um show de samba-jazz imperdível, com músicas do Tom Jobim apresentadas por Duduka Da Fonseca, Helio Alves, Claudio Roditi, Maucha Adnet, George Mraz e Toninho Horta. São canções tão lindas... O Toninho poderia apenas tocá-las no violão, não precisam de letra. Há uma qualidade emocional nas melodias, é isso que torna essas músicas tão incríveis. Também adoro oão Gilberto. Há trinta anos, eu tinha 20, ouvi no rádio a gravação dele de Besame Mucho e pensei na hora: meu Deus, eu quero tocar violão desse jeito!

Há uma explicação para essa conexão com o público que o leva a visitar o Brasil com tanta frequência? Não sei explicar por que funciona tão bem. Fred Astaire apresentou o jazz americano ao público internacional, e eu sinto que quando toco as músicas dele as pessoas apreciam. Elas gostam de ouvir Astaire, Frank Sinatra. Percebo que há um gosto pelo jazz e fico muito feliz de poder levar um pouco disso ao Rio com o meu trabalho.

Fonte: VEJA RIO