3 perguntas para...

... Gabriel Villela

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Leonardo Aversa/ Ag. O Globo
(Foto: Redação Veja rio)

Após a bem-sucedida temporada de Calígula, espetáculo protagonizado por Thiago Lacerda, no ano passado, o diretor, cenógrafo e figurinista mineiro Gabriel Villela estreia na cidade o drama Crônica da Casa Assassinada. Adaptação de Dib Carneiro Neto para o romance homônimo do escritor Lúcio Cardoso (1913-1968), lançado em 1959, a montagem estrelada pela atriz Xuxa Lopes tem estreia prevista para sábado (4), no Teatro Maison de France.

Elementos barrocos e religiosos são uma marca das suas peças. Essa opção se repete na nova montagem? É uma característica do meu trabalho, referenciado nas festas populares, no circo-teatro e no imaginário religioso do povo mineiro. Na montagem usamos o que há de melhor do barroco. No fundo do palco, reproduzimos a fachada da Igreja de São Francisco de Assis, de Ouro Preto (um projeto de Aleijadinho, com pinturas de Mestre Ataíde, construída em 1776 e incluída, em 2009, entre as Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo). Ela é única porque contém linhas verticais e horizontais, provoca ilusão de ótica, como se fosse uma boca a soprar espiritualidade no povo. Trouxemos o barroco para quebrar o realismo psicológico da obra. É para quebrar o profano com o sagrado, já que o romance tem altíssimas doses de sensualidade. Os personagens rezam e gemem de prazer.

Foi sua a decisão de montar este texto? Sim. Desde que li o livro, na adolescência, fiquei muito impressionado. Ele faz uma transcrição da ética e da moral mineira de forma muito interessante. É um texto contemporâneo, que tem como pano de fundo a decadência da aristocracia de Minas, onde impiedosamente todos os personagens seguem o caminho da danação, termo muito usado por Lúcio Cardoso, que é o oposto da redenção. É um romance de formato epistolar, construído com fragmentos de diários e correspondências.

A presença de uma mesa no cenário, em torno da qual as coisas acontecem, também é coisa de mineiro? É exatamente isso. Apesar do teor realista, a peça tem uma narrativa onírica. Os irmãos Meneses, Valdo, Demétrio e Timóteo, mais as mulheres dos dois primeiros e o sobrinho André, estão sempre em torno de uma mesa maciça, de 4,5 metros, onde fazem as refeições e resolvem os barracos da família. Mineiro se encontra em volta da mesa ou na cama.

Fonte: VEJA RIO