Arte a céu aberto

Troncos viram arte na Lagoa

Árvores que tombaram durante ventania voltam à Lagoa em formato de mobiliário urbano assinado por artista plástico

Por: Redação Veja RIo

Renato Custodio
Hugo França transforma resíduos florestais em obras de arte e tem mais de cem peças suas espalhadas pelos jardins de Inhotim, em Minas Gerais (Foto: Divulgação/Renato Custódio)

Duas árvores que tombaram com o vento no início de setembro retornaram à Lagoa Rodrigo de Freitas em formato de arte: seus troncos foram transformados em três bancos pelas mãos do designer e artista plástico Hugo França.

O novo mobiliário já chama a atenção de quem circula o entorno da Lagoa pela união dos conceitos de arte e sustentabilidade, uma das marcas registradas da trajetória de Hugo França, artista com mais de 100 obras espalhadas pelos jardins de Inhotim, em Minas Gerais – todas dentro do mesmo conceito de mobiliário.

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Troncos de árvores tombadas pelo vento voltaram à Lagoa em forma de mobiliário urbano, unindo os conceitos de arte e sustentabilidade (Foto: Seconserva/Daniel Coelho)

O trabalho de Hugo nas duas árvores – uma amendoeira e uma figueira – foi acompanhado de perto pela população, que pode visualizar a moldagem e lapidação dos troncos no ateliê a céu aberto montado e gradeado na Avenida Epitácio Pessoa, em frente ao número 3.400 (próximo ao Parque do Cantagalo). Além de esculpir os bancos, o artista fez um breve workshop para alunos da rede pública de educação.

Os novos bancos chegam para incrementar ainda mais as manifestações artísticas do entorno da Lagoa. Eles farão companhia ao Banco Gaudí, criado em homenagem ao artista catalão por alunos da Universidade Santa Úrsula e instalado na altura do Corte do Cantagalo; ao banco Namoradeira, recentemente reformado, próximo à sede náutica do Botafogo; à estátua Curumim, que fica em frente à sede náutica do Vasco; e às cinco peças em formato de balões que se movem com o vento, próximas ao túnel Rebouças, entre outras intervenções.

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Bancos foram esculpidos pelo artista e sua sua equipe em ateliê montado a céu aberto próximo ao Corte do Cantagalo (Foto: Seconserva/Daniel Coelho)

O designer gaúcho Hugo França desenvolve esculturas mobiliárias desde os anos 90, sempre realizando intervenções mínimas que geram peças únicas e diminuem o desperdício na extração e uso da madeira, trabalhando a partir de resíduos florestais e materiais lenhosos, como no caso das árvores derrubadas pela ventania de setembro na Lagoa. Nos jardins do Instituto Inhotim, centro de botânica e arte contemporânea a céu aberto localizado na cidade de Brumadinho (MG) e detentor do maior número de obras do designer, são mais de cem peças feitas a partir de árvores assinadas por França. Apesar de todas estarem no mesmo conceito de mobiliário, nenhuma é igual a outra. Suas obras também podem ser encontradas no Parque Ibirapuera (SP), no Largo do Arouche (SP) e em outros países, como o Canadá, onde possui peças expostas como arte pública dentro da edição 2014-2015 da Bienal de Vancouver.

 

 

 

Fonte: VEJA RIO