3 PERGUNTAS...

... para Stacey Kent

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(Foto: Redação Veja rio)

Uma das principais intérpretes de jazz da atualidade, a cantora americana vive um intenso caso de amor com a língua portuguesa. Pelo terceiro verão consecutivo, ela e o marido, o saxofonista inglês Jim Tomlinson, passaram sete semanas em um curso de idiomas nos Estados Unidos no qual é proibido conversar - e cantar - em outra língua que não seja o português. Em mais um capítulo desse affair, Stacey e Tomlinson descobriram no professor e poeta lusitano António Ladeira um parceiro para a composição de canções em português. Atração do festival I Love Jazz, na terça (9), Stacey Kent

concedeu entrevista por telefone a VEJA RIO num intervalo entre as aulas de gramática e de literatura.

Depois de tanto estudar a língua, já está na hora de compor em português? Na verdade, temos um professor de português e literatura que é poeta, o António Ladeira. No curso descobrimos uma química muito poderosa e, desde a última vez, Jim escreveu umas melodias e ele colocou a letra. Cantei algumas na gravação do meu disco novo, mas não devo mostrar nenhuma delas desta vez no Rio. Só vou cantar depois que o disco for lançado. Tem uma que se chama O Comboio, é sobre uma história de amor ambíguo.

Que compositores brasileiros você gostaria de gravar? Não estou estudando apenas para cantar na sua língua, um dia até pretendo cantar mais em português, só que é muito mais do que isso. Sou apaixonada pela literatura e pela música brasileira. Mas vou responder à sua pergunta. As canções que não faltariam... Coração Vagabundo, do Caetano Veloso, tem harmonia, melodia e letra lindas. Também gravaria Cartola e Tom Jobim, claro. Chico Buarque é maravilhoso. Gosto de Retrato em Branco e Preto e ainda hoje estava escutando Elis Regina cantando Tatuagem.

Como vão as leituras? Atualmente estou lendo um livro de contos de Machado de Assis que tem A Chinela Turca e O Alienista. Nesta temporada de estudos conheci algumas peças de teatro. Adorei O Auto da Compadecida e O Pagador de Promessas. Também já li outros clássicos de Machado de Assis, além de Lima Barreto e Erico Verissimo.

Fonte: VEJA RIO