3 perguntas para...

... Severino Filho

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Álvaro Riveros / Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Músico de carreira longeva, Severino Filho integrou a primeira formação do grupo vocal Os Cariocas, em 1942, ao lado de seu irmão Ismael Neto, Badeco, Waldir Viviani e Quartera. Hoje, quase setenta anos depois dos tempos áureos da Rádio Nacional, segue no palco, defendendo a história do conjunto na companhia de Elói Vicente (violão e voz), Neil Teixeira (baixo e voz) e Hernane Castro (bateria e voz). Os Cariocas também marcaram época nos anos 60 como originais intérpretes de pérolas da bossa nova. Nostálgico, o pianista e cantor de 83 anos anda desgostoso com os atuais rumos de sua arte, mas não pensa em aposentadoria. Com o disco Nossa Alma Canta, base para apresentações no Teatro Rival, na quinta (22) e na sexta (23), o quarteto conquistou o 22o Prêmio da Música Brasileira na categoria grupo de MPB.

O grupo acompanhou de perto o nascimento de clássicos da bossa nova. Que músicas do gênero foram lançadas por Os Cariocas? Lançamos sucessos como Ela É Carioca, que o Tom e o Vinicius fizeram para o conjunto, e Só Danço Samba. Garota de Ipanema quem gravou primeiro foi o Pery Ribeiro, mas nós fomos os primeiros a cantá-la, numa temporada no restaurante Au Bon Gourmet, em Copacabana, ao lado de Tom, Vinicius e João Gilberto. Ainda tinha Milton Banana na bateria, Otávio Bayle no contrabaixo e Aloysio de Oliveira no violão. Foram 45 dias em cartaz, é o tipo de coisa que não existe mais hoje. As pessoas iam nos ouvir de terno e gravata.

Você tem saudade daquele tempo? Sim. Hoje é muito mais difícil gravar, as gravadoras e as rádios querem sucesso imediato. Não me incomodo que se toque o sertanejo, o funk, desde que não se deixe de lado a bossa nova. Tem outra coisa: naquela época, as rádios tinham grandes maestros e orquestras. Eram uma escola maravilhosa. Também aprendi muito com Koellreutter (o maestro alemão naturalizado brasileiro Hans Joachim Koellreutter, 1915-2005). Fazia as lições do jeito que ele pedia, mas os arranjos das minhas músicas eu escrevia com o coração e ele aprovava.

Já pensou em aposentadoria? Eu não canso. Canso é de não ter shows, fico meio chateado quando não tenho nada programado. Para mim é muito mais difícil quando fico muito tempo longe dos palcos ou do estúdio, não sei fazer outra coisa. Mas, se nascesse hoje, com certeza não me tornaria músico. Hoje o bom músico não tem mais espaço.

Fonte: VEJA RIO