Cariocas do ano

Renata Cordeiro Guerra

Em um notável exemplo de abnegação, ela transformou a perda do filho em um projeto para ajudar crianças com doenças graves

Por: Sofia Cerqueira - Atualizado em

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(Foto: Leo Aversa)

Até os 4 anos, Felipe levava uma vida absolutamente normal e não havia sequer tido uma gripe. Subitamente, o menino passou mal na escola e perdeu os movimentos das pernas. Horas depois estava em um centro cirúrgico. O diagnóstico era terrível: um tumor maligno no cérebro. A partir de 2005, a rotina de Felipe transformou-se então em uma sucessão de internações, cirurgias e sessões de fisioterapia. “Só tinha dois caminhos: ou caía em depressão ou lutava com todas as forças para fazê-lo feliz”, conta sua mãe, a advogada Renata Cordeiro Guerra, 40 anos. Em 2012, o surgimento de novos tumores deixou a batalha mais difícil. Foi quando ela decidiu que tornaria cada dia do seu filho um momento especial. Conseguiu levar para visitá-lo ídolos do garoto como o jogador Fred, o ex-craque Ronaldo Fenômeno, o lutador Anderson Silva, entre outros. Xuxa e Neymar enviaram vídeos. Em abril deste ano, aos 13 anos, ele não resistiu. “Conheci o pior sofrimento que uma mãe pode experimentar e o que há de melhor no ser humano: o amor e a solidariedade.”

Carioca de Ipanema e também mãe de Ana Carolina, de 7 anos, Renata transformou sua dor em uma iniciativa para ajudar crianças e adolescentes com doenças graves. Há um mês lançou o Instituto Todos com Felipe e promoveu uma festa beneficente no espaço Miranda, na Lagoa, em que arrecadou 165 000 reais, a ser aplicados em duas brinquedotecas. Agora angaria recursos para a reforma dos três andares da ala infantil do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e a criação de novos espaços de atividades infantis em hospitais públicos. “O Felipe é minha inspiração. Ele foi embora, mas continua me dando muito trabalho”, brinca, com força e humor contagiantes.

Fonte: VEJA RIO