carioca nota dez

Pedro Robalinho criou um projeto esportivo no Recreio

O professor de Educação Física criou oferece atividades esportivas a jovens carentes da região

Por: Thaís Meinicke

Pedro Robalinho
Pedro dá aulas gratuitas a jovens do Recreio dos Bandeirantes (Foto: Chico Cerchiaro)

Praticante de surfe desde os 14 anos, Pedro Robalinho é tão apaixonado pelo esporte que, ele mesmo admite, cursou educação física com a intenção de pegar suas ondas durante o trabalho. Em 1998, com o amigo da faculdade Henry Ajdelstajn, fundou o Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe, escolinha na orla da Barra da Tijuca, na altura do Posto 7. Percebendo o interesse de meninos que frequentavam a praia mas não podiam pagar pelas aulas, Robalinho começou a dedicar parte do seu tempo a dar instruções gratuitas. “Eles ficavam ali por perto, tentando filar um pouquinho do treino. Então, para não atrapalhar o meu trabalho, comecei a combinar um horário para atendê-los”, explica. Com o crescimento da procura desse público, o professor decidiu, em 2006, alugar um terreno na Praia da Macumba para fazer dele a sede do projeto. Surgia assim o Rio Surfe Social, iniciativa que atende cerca de oitenta crianças e adolescentes de baixa renda da região do Recreio dos Bandeirantes, sobretudo moradores da favela do Terreirão. 

"Ensinamos os garotos a ser não apenas surfistas, mas também cidadãos responsáveis"

Ao longo dos anos, o projeto foi ganhando corpo. Hoje, além do ensino das técnicas de surfe, são oferecidas aulas de skate, capoeira, kickboxing, jiu-jítsu e inglês. As atividades acontecem de segunda a sexta, em dois turnos, e, para participar, os jovens precisam apenas estar matriculados na rede municipal de ensino e frequentar a escola com regularidade. No momento do ingresso no projeto, as famílias recebem orientações de um psicólogo e todos os inscritos passam por uma avaliação nutricional. “Ensinamos os garotos a ser não apenas surfistas, mas também cidadãos responsáveis, que se comportam bem dentro e fora d’água”, afirma Robalinho, destacando que as aulas ajudam a desenvolver valores como disciplina e altruísmo. Sem o apoio de nenhum patrocinador formal, o programa se mantém com a ajuda de doadores e trabalhadores voluntários. “Nossa função é abrir oportunidades para esses meninos. Se tiverem a motivação necessária para aproveitar aquilo que oferecemos, eles poderão mudar sua realidade de vida.” 

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Fonte: VEJA RIO