3 PERGUNTAS PARA...

... Neguinho da Beija-Flor

Por: Rafael Sento Sé - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Depois de levar o título com o enredo em homenagem a Roberto Carlos, a Beija-Flor vai celebrar, no Carnaval de 2012, a cidade de São Luís, capital do Maranhão. O cantor oficial da escola é o primeiro a admitir que o novo hino da agremiação é inferior ao anterior. "Não tem o mesmo apelo, mas é empolgante", diz. Resultado da junção de dois dos finalistas, O Poema Encantado do Maranhão tem doze autores, mais um reflexo da indústria em que se transformou a festa no Sambódromo. Único compositor de Sonhar com Rei Dá Leão, que deu o primeiro título à azul e branco em 1976, Neguinho da Beija-Flor explica o que mudou nesses 35 anos.

Por que os sambas-enredo de hoje têm tantos compositores? Três ou quatro compõem, o resto

é cabo eleitoral. A escolha do samba virou uma coisa política, é necessário se associar a gente que tenha dinheiro ou influência na comunidade para levar torcida. Então é preciso alugar ônibus, pagar cerveja, fazer faixa, bancar uma queima de fogos. Na Beija-Flor, onde o ingresso para a quadra custa só 5 reais, gastam-se pelo menos 150?000 reais na campanha. Ainda tem de contratar um intérprete. Isso não sai por menos de 1?500 reais por etapa. Não aceito esse tipo de coisa porque sou o Pelé, o Zico do Carnaval. Não dá para me associar a outra escola e defender um samba em seletiva. Já me chamaram, mas sempre recusei.

Depois do tratamento para combater o câncer no intestino, em 2009, algo mudou no seu jeito de cantar? No primeiro Carnaval depois do tratamento, senti muito, porque a quimioterapia te deixa um pouco debilitado. Agora, a cada seis meses, faço uma bateria de exames. Estou 100%, não sinto nada e a voz continua a mesma. Graças a Deus e ao apoio que recebi de todo o povo brasileiro.

Como estão os planos para se candidatar a prefeito de Nova Iguaçu? Desisti depois de conversar com meu padrinho de casamento, o ex-presidente Lula. Tive uma reunião com ele e a ex-governadora Benedita um mês antes de ele descobrir que estava com câncer. Bené até achou que daria pé, mas Lula foi enfático: disse que era melhor desistir, que eu sempre fui uma pessoa muito querida e que, se eu me candidatasse, iam começar a encontrar um monte de defeitos. Iam me chamar de ladrão, iam inventar que eu uso drogas. Achei melhor deixar de lado.

Fonte: VEJA RIO