3 PERGUNTAS PARA...

...Lan Lan

Por: Rafael Sento Sé - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Quando gravou com Cássia Eller seu disco de estreia, Veneno Antimonotonia, em 1997, a percussionista baiana já acumulava colaborações para Elba Ramalho, Nando Reis, Marisa Monte e até Tim Maia. Porém, com nenhum deles seu talento sobressaiu tanto quanto na companhia daquela que se tornaria sua amiga inseparável. Exatamente na data redonda dos dez anos da morte da cantora, em 29 de dezembro, ela lança no Gabinete seu novo projeto, Pega Fogo Cabaré, inspirado nessas casas noturnas existentes nas regiões Norte e Nordeste. Está longe de ser um tributo, mas a influência da eterna parceira se mostra presente de uma forma divertida, como a própria Lan Lan revela a seguir.

A data escolhida foi proposital?

Não, houve um sincronismo. Quando a produtora encontrou o lugar para a festa, disse que esse era o único dia disponível. Na hora, falei que era o aniversário de morte da Cássia. Se fosse um tempo atrás, seria difícil tocar nessa data, pois sei que ela adoraria estar presente. Não me esqueço de quando fomos fazer um show em Belém e saímos do palco direto para o Lapinha, que é o mais famoso cabaré

do Pará. Terminamos dando uma canja.

Como surgiu a ideia do Pega Fogo Cabaré?

É um projeto meu e do Sambê, um excelente cantor e compositor pernambucano, a quem convenci a vir morar no Rio. Ele dizia que lá no Recife essa coisa do brega está super na moda. Desde nova frequento cabarés e adoro essas canções de "cornura". Então, no repertório, incluímos alguns clássicos e coisas novas de bandas pernambucanas. Tem uma ótima do Academia Berlinda denominada Ivete Canivete.

Nesta época do ano, o axé music, que não é exatamente sua praia, já está a toda nas rádios de Salvador. Isso dificultou sua carreira no início?

Rola uma migração de quem quer fazer outros sons. Tive de vir para o Rio para gravar o disco da minha primeira banda, que era um pop com influências de bloco afro. Teria sido mais difícil se ficasse por lá, mas acho que soube tirar proveito da cena artística local. O jeito que eu tocava bateria era uma mistura de Led Zeppelin com Ilê Aiyê e Olodum. Sempre que estou em Salvador vejo as apresentações deles.

Fonte: VEJA RIO