3 PERGUNTAS PARA...

... Lafayette

Por: Rafael Sento Sé - Atualizado em

Letícia Pontual / Ag. O Globo
(Foto: Redação Veja rio)

Gravada por Roberto Carlos em 1965, Quero que Vá Tudo pro Inferno carrega uma das mais expressivas marcas dos clássicos da jovem guarda: o hipnotizante órgão Hammond tocado por Lafayette Coelho Vargas Limp, instrumentista que ajudou a formatar a sonoridade do iê-iê-iê. Requisitado por outros pop stars, a exemplo de Erasmo Carlos, Jerry Adriani e Wanderlea, ele não demorou a fazer sucesso também na carreira-solo: gravou quarenta LPs. Mergulhado no limbo a partir da década de 80, o tecladista só foi resgatado recentemente por iniciativa do guitarrista Gabriel Thomaz, da banda de rock Autoramas, que o encontrou tocando no Caneco 90, restaurante e casa de shows em São Gonçalo. No sábado (17), ele, Thomaz e o grupo Os Tremendões visitam o Teatro Rival. A seguir, ele conta detalhes do auge e do declínio.

Por que você ficou sumido durante tanto tempo? Quando comecei, a TV e o rádio eram mais honestos. Você colocava o seu disco debaixo do braço, apresentava-o para os programadores e, se eles gostassem, tocavam. Houve uma época em que eu me ouvia no rádio o tempo todo, porque gravei com todo mundo que fazia sucesso na jovem guarda. Depois virou puro jabá, tudo na base do dinheiro. Fiquei meio chateado e, por não ser cantor, e sim músico, não dependia tanto deles para sobreviver. Se a moda fosse rock, era só tocar rock. Se fosse samba, tocava samba.

Como foi o seu encontro com o Gabriel Thomaz? Ele avisou que iria a São Gonçalo me ver, queria que eu autografasse uns LPs. Chegou lá com vários discos da minha carreira-solo. Nem podia imaginar que um garoto da idade dele pudesse ter tantos. Ele queria que eu fizesse parte de um conjunto, mas o resto do pessoal não acreditava que eu pudesse topar. Deu certo. O Erasmo Carlos autorizou a gente a usar o nome Tremendões e no ano que vem vamos gravar o segundo disco.

Você ainda tem contato com o pessoal da jovem guarda? De vez em quando encontro o Erasmo, o Jerry. O Roberto nunca mais, nem lembro quando foi a última vez que o vi.

Fonte: VEJA RIO