3 PERGUNTAS PARA...

... Helena Ranaldi

Por: Rachel Sterman - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Rosto conhecido na TV, a atriz enfrenta os palcos como uma forma de se aprimorar. Atuou em A Música Segunda, adaptação do texto da francesa Marguerite Duras, e agora, dois anos depois, protagoniza O Caso de Valkíria R., peça inédita de Claudia Süssekind, que ocupa o Teatro Vannucci a partir de terça (29). No papel-título, ela interpreta uma mulher que, através da psicanálise, lida com traumas do passado.

Você tem um histórico de personagens dramáticas, como a Raquel, da novela Mulheres Apaixonadas, que apanhava do ex-marido. Isso significa uma predileção pelo gênero? Não. Antes de A Música Segunda, eu tinha feito As Preciosas Ridículas, uma comédia de Molière. Mas, como 90% do que fiz entre televisão e teatro foi drama, me sinto mais confortável nessa área de atuação. Eu ainda preciso me jogar na comédia, para poder me conhecer dentro do gênero. Embora o humor exija um timing diferente, se o texto for bom, não é necessário ser um grande comediante para conseguir fazer o papel. Eu era a palhaça da família quando pequena, mas não consegui levar isso para o palco.

Seus trabalhos são, na maioria, em televisão. Você se sente à vontade no palco? Meu primeiro contato com a profissão foi no teatro, com o Antunes Filho. No início, eu tinha muito mais dificuldade de estar no palco, porque é um lugar de trabalho mais complexo do que a televisão. Na TV é possível repetir quando se erra e o corpo não precisa ser tão expressivo. Já o teatro é vivo. Por isso, tenho procurado fazer mais. Hoje já me sinto bem mais à vontade. Nessa profissão, quanto mais a gente se exercita, melhor se torna.

Há semelhanças entre a sua personalidade e a de Valkíria? No início, ela é muito distante de mim: agressiva, defendida. Uma pessoa com traumas sérios, que a transformaram em alguém amargo. Da metade para o final, quando ela decide se ajudar com a psicanálise e inicia a transformação, torna-se mais sensível e mais fácil de lidar. Faço terapia há mais de trinta anos e acredito muito nesse processo. A peça fala justamente sobre como a psicanálise pode transformar a vida de uma pessoa e ajudá-la a superar problemas tão antigos.

Fonte: VEJA RIO