Carioca nota dez

Eduardo Oliveira dá aulas de badminton na favela Tavares Bastos

Atleta e analista de sistemas oferece a atividade gratuita aos moradores da comunidade desde 2009

Por: Thaís Meinicke

Eduardo Oliveira
Eduardo Oliveira (Foto: Felipe Fittipaldi)

Nascido em uma família de classe média da Zona Sul carioca, o analista de sistemas Eduardo Oliveira poderia ter crescido sem maiores preocupações, não fosse uma fatalidade que mudou radicalmente o seu destino, ainda na maternidade. Poucas horas depois de nascer, ele caiu dos braços de uma enfermeira, o que comprometeu seus movimentos para o resto da vida. “Ela conseguiu me segurar pelo braço, mas, como eu era muito frágil, tive os ligamentos rompidos e o desenvolvimento prejudicado”, explica. A intensa rotina com sessões de fisioterapia durante a juventude, se não chegou a corrigir totalmente os danos causados, também não impediu que o garoto se apaixonasse por esportes — curiosamente, os de raquete, em especial. Em 2009, por sugestão despretensiosa de um amigo, o professor de educação física Claudio Pinheiro, o Cacau, ele conheceu o bad­min­ton. Um ano depois, já vencia torneios, mesmo em disputas com atletas sem deficiência. Hoje, aos 35 anos, Oliveira não apenas coleciona medalhas em importantes competições internacionais como ainda ajuda a promover a inclusão de jovens carentes por meio da modalidade, dando aulas a moradores da favela Tavares Bastos, no Catete. 

"Nosso objetivo não é criar atletas, mas ajudar essas crianças ensinando valores"

Assim como sua iniciação no esporte, o projeto social também surgiu por acaso. Oliveira buscava um local para realizar treinos extras e encontrou boas condições na quadra da comunidade. “Apesar de ser a céu aberto, ela é cercada por casas e não tem vento”, diz. Pouco a pouco, grupos de crianças começaram a se reunir para vê-lo praticar, e logo elas estavam tomando lições. Hoje, Oliveira se reveza com o amigo Cacau em aulas gratuitas que acontecem três vezes por semana e atendem cerca de quarenta pessoas. Graças à doação de uma empresa, todas as crianças possuem a própria raquete e há petecas e redes suficientes para toda a turma. Apesar do dia a dia corrido, ele fica feliz ao ver o resultado do trabalho. “Nosso objetivo não é criar atletas, mas ajudar essas crianças ensinando valores que elas vão levar para a vida, de cooperação, disciplina e saúde. Fico feliz em poder contribuir para mudar a realidade delas.”

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Fonte: VEJA RIO