3 PERGUNTAS PARA...

Heitor Dhalia

O diretor dirige o suspense americano 12 Horas, com estreia prevista para sexta (13)

- Atualizado em

roteiro-cinema-3-perguntas.jpg
(Foto: Redação Veja rio)

Pernambucano radicado em São Paulo, Heitor Dhalia é diretor dos elogiados O Cheiro do Ralo e À Deriva. Assim como seus colegas Walter Salles e Fernando Meirelles, ele resolveu sentir o gostinho de rodar uma produção americana fora do Brasil. O resultado está no suspense 12 Horas, cuja estreia está prevista para sexta (13).

Os americanos vieram até você ou foi o inverso? Tudo começou em 2004, quando Nina ganhou exibição no Festival de Los Angeles e dois agentes quiseram me conhecer. Fui até lá sem falar nadinha em inglês. Comecei a estudar a língua e, quando À Deriva passou por Cannes, cinco anos depois, já estava mais afiado. Esse filme foi mostrado para executivos de Los Angeles. Eles amaram, mas costumam desconfiar de que um estrangeiro possa entregar uma fita no prazo sem nunca ter trabalhado nos Estados Unidos. Quando surgiu 12 Horas, eu nem acreditava mais que iria dirigir, porque, até então, muitos projetos haviam sido cancelados.

Teve alguma dor de cabeça ao trabalhar lá? Assinei contratos de filmes que nunca saíram do papel, entre eles um thriller de espionagem chamado April 23 e uma biografia de Scott Fitzgerald. Há muita especulação, mentira e papo furado. Uma cláusula no contrato diz que, se o longa não for rodado, eu não ganho nada. Por isso, perdi muito dinheiro indo aos Estados Unidos fazer reuniões. Concorri com outros dezesseis diretores e engoli muito sapo para fazer 12 Horas. Foi bom aprender e experimentar algo em escala industrial, mas me frustrei porque não tinha o controle criativo. Estava limitado a uma função técnica. Nem à dramaturgia, que ficou a cargo do produtor e do roteirista, eu tive acesso.

Você filmaria nos Estados Unidos de novo? Se fosse para trabalhar com esse grau de controle, eu diria não. Tive uma experiência traumática. Morei em hotel e vivi como nômade por um ano... E por que rodar lá se aqui posso fazer um trabalho mais autoral? Agora, por exemplo, estou em plena pré-produção do meu novo trabalho, Serra Pelada, que começa a ser filmado em julho. Será a história do estouro do garimpo nos anos 80 estrelada por Wagner Moura.

Fonte: VEJA RIO