10 perguntas para...

... Luis Roberto

Por: Felipe Carneiro - Atualizado em

dezperguntas.jpg
(Foto: Redação Veja rio)

Ao contrário da esmagadora maioria dos colegas, você não desperta o ódio de nenhuma torcida. Qual o segredo? Os torcedores podem me achar chato, mas não ficam com aquela marcação de que torço contra, que a maioria dos meus colegas sente na pele. Procuro colher o mesmo volume de informações dos dois times em campo, não importando o tamanho deles. E não só do jogo, mas da cultura do clube, da cidade, o nome do centro de treinamento...

Qual é seu time do coração? É muito perigoso revelar. Estamos em todos os estádios e, por causa de meia dúzia, acabamos nos privando de contar por qual clube temos simpatia (nota da redação: ele é são-paulino).

Você narrou os títulos brasileiros de Flamengo e Fluminense e foi escalado para a final da Copa do Brasil com o Vasco. A boa fase dos cariocas ajuda? Eles fazem com que eu apareça mais para o público, mas aqui na Globo o que vale é a qualidade do que faço. O julgamento do trabalho vai muito além dos títulos.

Galvão Bueno já anunciou que se aposenta depois da Copa do Mundo de 2014. Você está no rumo certo para assumir o posto de número 1 da emissora? Falta muito tempo ainda. O Galvão é único, não existe uma corrida para substituí-lo.

Na narração de TV, o ideal é carregar mais na informação que na emoção, ao contrário do rádio, do qual você é egresso? Usamos menos bordões, para evitar que a narração fique previsível e chata. Eu, o Galvão e o Cléber Machado chegamos à conclusão de que precisamos de uma locução mais interativa. Estamos falando mais que antes, jogando para cima com a emoção.

É feio discordar dos comentaristas no meio da transmissão? Tenho total liberdade para discordar deles. A imagem é mais importante que qualquer coisa. Se vejo no monitor algo diferente do que foi dito, eu pergunto mesmo. Tenho o papel de fazer com que o público entenda o que o comentarista está dizendo de uma forma técnica.

Você participou de grandes coberturas fora do esporte, como a do movimento Diretas Já. Não tem saudade? Sou frustrado por ainda não ter trabalhado em uma eleição. Não participo porque os concorrentes aqui na TV são muito melhores que eu. Mas adoraria poder cobrir grandes eventos políticos.

Que trabalho o marcou mais? Sem dúvida, a morte de Ayrton Senna. Estava na prova e saí correndo para o hospital. Tive de manter a calma para me concentrar no trabalho. Fui o primeiro a dar a notícia no Brasil, graças a um amigo que me disponibilizou o celular. Voltei no mesmo voo que trouxe o corpo do piloto. Eu e o Galvão, que também estava presente, nos despedimos do grande ídolo ali mesmo.

Fonte: VEJA RIO