enem do funk

O concorrido processo seletivo por uma vaga no balé de Valesca Popozuda

Dançarinos com extensa formação artística disputam um espaço na equipe da funkeira

Por: Thaís Meinicke - Atualizado em

Valesca Popozuda
A rainha do batidão posando à frente dos candidatos: há apenas seis vagas para o corpo de baile (Foto: Gianne Carvalho)

Era uma quarta-feira do fim de julho, manhã de sol, um dia como outro qualquer. Não para jovens que se aglomeravam em frente ao Centro de Dança Rio, no Méier. Eles passariam por um teste de fogo e estavam, na maioria, nervosos. Parecia cena de vestibular. Tratava-se da primeira audição para o corpo de baile de Valesca Popozuda, que reuniu nada menos que 450 candidatos. Cerca de 350 pessoas foram reprovadas já nas primeiras exibições, num processo que ainda não acabou. Seis serão contratadas. Portanto, ali, no início, a relação candidato-vaga era de 75 disputantes para cada vaga. A concorrência para o curso de direito numa faculdade pública está menos acirrada.

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Foi-se o tempo em que o funk era considerado um ritmo menor. “Há anos aplico testes e nunca vi uma procura tão grande. Anunciamos nas redes sociais, e em dois dias já havia uma divulgação imensa”, conta Vicente Ross, coreógrafo da cantora, responsável pela seleção. Naquele encontro, os candidatos foram divididos em grupos de cinquenta. Rapidamente, aprendiam a coreografia do mais recente sucesso de Valesca, Sou Dessas. Em seguida, iam para uma grande sala, onde Ross peneirava os mais talentosos. Após uma série de ensaios, chegou-se ao número de dez dançarinos pré-selecionados na cidade, que é a posição atual. Mas nada de euforia: eles ainda terão concorrentes.

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O resultado final deve ser divulgado em outubro, após audições que vão acontecer em São Paulo, Belo Horizonte, Vitória e Salvador. A vaga é vista como ótima oportunidade para bailarinos até com extensa formação artística. É o caso de Barbara Mesquita, 22 anos, de Vila Isabel. Formada em balé clássico pela Escola Estadual de Dança Maria Olenewa, do Theatro Municipal, ela faz aulas de dança desde os 3 anos de idade. “O mercado do balé clássico é muito fechado. Então decidi apostar nesta outra vertente, que a gente chama de dança-show”, explica. Opinião parecida tem sua rival Thaiane Chuvas, 24 anos, de Campinho, especialista em jazz e nos passos contemporâneos: “Pela visibilidade que a Valesca tem, esta chance é ótima. O currículo cresce. Se eu passar e fizer mais um teste no futuro, vou dizer que já dancei com ela”.

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A trajetória de Valesca Popozuda, 36 anos, serve de inspiração para esses jovens. Chamada de rainha do funk e dona do mega-hit Beijinho no Ombro, ela também ingressou no showbiz como dançarina. Filha de mãe solteira, criada em Irajá, saiu de casa aos 16 anos e trabalhou em lanchonete, borracharia e posto de gasolina. Começou a dançar aos 19, no grupo Gaiola das Popozudas. “Antes só mulheres estavam nessa história, e não havia essa coisa tão elaborada, misturando vários estilos. Bastava rebolar e mexer o bumbum”, observa.

Na ânsia de terem o mesmo destino da funkeira, candidatos apostam tudo no sonho de integrar sua equipe. Alguns exageram. Nascida em São Gonçalo, Ariane Rocha, 22 anos, já morou em cinco países fazendo apresentações de samba e integra o balé dos shows de Dudu Nobre. Ela não pensou duas vezes quando foi chamada para a etapa final da seleção, mesmo tendo passado recentemente por uma cirurgia. “Coloquei silicone há dez dias e ainda estou cheia de pontos, nem deveria estar aqui. Todos falam que sou louca, mas é uma oportunidade única e resolvi arriscar”, diz. Pelo visto, se depender da disposição dos candidatos, a diva do funk estará bem servida de bailarinos.

Infografico Valesca
(Foto: Veja Rio)

 

Fonte: VEJA RIO