3 PERGUNTAS PARA...

... Cibelle

Por: Rafael Sento Sé - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Artista do selo belga Crammed, que tem em seu catálogo nomes como Bebel Gilberto, DJ Dolores e também o grupo Bossacucanova, a cantora e compositora paulista mudou-se para Londres em 2002 em busca de espaço para a sua música. Ainda é pouco conhecida no Brasil, mas seus discos acumulam críticas elogiosas. Dividindo-se entre o Brasil e a Inglaterra, Cibelle desembarcou na semana passada para uma temporada de verão que inclui novas participações nos bailes da Orquestra Imperial e o lançamento do disco do projeto A.B.R.A. Pré Ca (Amigos Bandidos Residentes no Amor Pré-Carnavalesco), de marchinhas compostas em parceria com Rubinho Jacobina e Iara Rennó, no sábado (7), no Studio RJ.

De onde veio a ideia de compor marchinhas?

Passei uma temporada pré-carnavalesca no ano passado na casa da Thalma de Freitas, em Santa Teresa. Era um grande ponto de encontro de artistas. O Vincent Moon (cineasta francês) passou por lá, e ali conheci melhor o Rubinho e a Iara. Era um clima legal e tudo virava motivo para fazer música.

O que distingue o repertório de vocês das marchinhas de antigamente?

Fazemos tudo com o máximo de liberdade, então a sonoridade é um pouco diferente. Os temas também. Não temos aquela mentalidade preconceituosa, procuramos criar letras pós-feministas e pró-homoafetividade. Procure Saber, da Iara, por exemplo, é uma resposta a Cabeleira do Zezé que ela escreveu quando soube que o Caetano Veloso não gostava dessa famosa marchinha.

As participações nos shows da Orquestra Imperial influenciaram esse projeto?

Esse não, mas meu último disco (Las Vênus Resort Palace Hotel), sim. Não digo em relação à sonoridade, mas em relação à existência no palco. É um clima de Carnaval que não acabou e que nunca mais vai acabar. Nunca me esqueço, na primeira vez que fiz participação em uma apresentação da Orquestra, do Rodrigo Amarante cantando Eu Bebo Sim pendurado num dos integrantes do naipe de sopros que estava vestido de anjo. Preciso disso para a minha vida.

Fonte: VEJA RIO