3 PERGUNTAS

Para Maria de Medeiros

Portuguesa radicada em Paris, a atriz e diretora marca presença em dose dupla no Brasil. Atua no drama Aos Nossos Filhos, em cartaz em São Paulo, e, no cinema, dirige o documentário Repare Bem

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

Marcos Rosa
(Foto: Redação Veja rio)

Como surgiu sua admiração pelo Brasil? Tem a ver com minha história. Passei a infância em Viena e, depois da Revolução dos Cravos, meus pais regressaram a Portugal. Eu só ouvia música clássica e cresci sem saber quem eram os Beatles e os Rolling Stones. Portugal, entre 1974 e 1975, estava num período festivo, enquanto o Brasil vivia sob um regime militar. Por isso, os brasileiros se interessaram muito pelo meu país e recebemos uma avalanche de sua cultura que marcou minha geração. A MPB de Chico, Caetano e Gil foi um marco e se tornou uma referência não só musical, mas também filosófica.

Por que seus filmes como diretora têm uma pegada política? No trabalho de atriz, possuo um poder de escolha limitado. Como diretora, me interesso por temas políticos e históricos. A peça Aos Nossos Filhos, coincidentemente, tem muito em comum com o documentário Repare Bem, que aborda as consequências da ditadura. No palco, também há uma relação de mãe e filha. A peça é sobre uma mulher que foi guerrilheira.

Como está a situação na Europa para a área artística? É um momento muito desanimador, porque há uma grande crise. O lado financeiro está oprimindo a produção artística. Uma das razões que me motivam a estar no Brasil é que aqui existe uma política cultural estimulante. Vejo a Europa paralisada no tempo e Portugal mostra-se um dos exemplos mais gritantes disso.

Miguel Barbieri Jr.

Fonte: VEJA RIO